
botequim.pt
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Raul B. Gomes
Visconde de Ferreira vive num porão
— Olhai-me para isto! — exclamei erguendo o candeeiro na treva dos depósitos do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o ar cheira a glórias defuntas. Caminho devagar, tropeçando em molduras douradas que se amontoam nestes corredores sem fim, um labirinto de tábuas e lona que sufoca o génio. — Olhai para este Retrato do Primeiro Visconde de Azevedo Ferreira, empilhado como um móvel velho. O mestre Columbano deu-lhe a alma entre 1881 e 1883, fixando nesse óleo a dignidade. Passo a mão pela tin ta de dois séculos: É admirável a nossa queda para o desperdício. Esta é a obra é amais emblemática do chamado "Museu que não se vê", condenada ao limbo das reservas, porque o Portugal oficial não tem paredes... não decência para a expor.
O meu infeliz Visconde desvanece longe dos portugueses, amordaçado pela falta de espaço permanente, porque somos um povo que guardamos o génio na despensa, ao lado das vassouras.
O Visconde foi condenado a viver num porão, à espera que alguém acenda uma chama no nosso deserto valoroso

Como aprender mandarim
Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global. Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
Jack Lang implicado no Caso Epstein
PM Britãnico continua sob Pressão
Inteligências também no Caso Epstein
Isra3l começa a ser ligado a Caso Epstein
Eduard Snod3n e Natanson
Os maiores pecados do Washington Post
O "pecado" que conduz à morte anunciada do Washington post foi a perda da coragem combativa que definiu o jornal nos anos 1970, trocando-a por uma postura de "gestão de danos" corporativa sob a era de Bezos.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
Quando Snowden (que usava o pseudónimo "Veraxx") contactou o jornalista Barton Gellman do Post, ele exigiu que o jornal publicasse o código completo do programa PRISM e garantisse a publicação em 72 horas. O conselho jurídico do Washington Post hesitou, temendo represálias legais do governo Obama.
O "Pecado": Snowd3n sentiu que o jornal estava a ser demasiado cauteloso e "submisso" às pressões do governo, o que o levou a entregar o material também ao The Guardian (Glenn Greenwald), que foi muito mais agressivo. Houve críticas severas à forma como o Post comunicou inicialmente com a fonte. Snowd3n enviou e-mails cifrados, mas o jornal, em certos momentos, utilizou canais que não eram 100% seguros.
No mundo da espionagem, revelar uma fonte não é apenas dizer o nome dela, mas sim deixar um rasto digital (metadados) que permita ao governo chegar lá. O "pecado" foi a falta de preparação tecnológica para lidar com uma fonte daquele calibre.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em
comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
O filme "Snod3n" com Oliver Stone

VEJA O FILME COMPLETO
Hannah Natanson - "Nova" Crise
O FBI invadiu recentemente a casa da repórter Hannah Natanson. O "pecado" aqui, segundo o sindicato dos jornalistas, foi o jornal ter permitido (ou não ter conseguido impedir) que o governo identificasse o leaker do Pentágono, Aurelio Perez-Lugones, através da análise de dispositivos da própria jornalista que não estariam devidamente protegidos.
No Watergate, o Post protegeu o "Garganta Profunda" por 30 anos. No caso de fontes modernas (como Snowden ou leakers do Pentágono), o "pecado" é a perda dessa proteção absoluta, seja por pressão de advogados, por falhas de segurança informática ou por acordos de bastidores com o Departamento de Justiça para evitar multas pesadas.
Snowd3n vive na Rússia
Edward Snowd3n é um ex-analista da CIA e contratado da NSA que, em 2013, denunciou programas de vigilância global em massa dos EUA, revelando a monitorização de comunicações de cidadãos e líderes mundiais.
Após divulgar documentos confidenciais ao The Guardian e The Washington Post, recebeu asilo na Rússia, onde permanece, sendo considerado um traidor pelos EUA e um denunciante (whistleblower) por defensores da privacidade.

Museu Nacional de Arte Antiga
O mistério do Inferno sem nome
Raul B. Gomes
Nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o tempo estagna e se mistura com o bafo dos séculos repousa um pesadelo de madeira titulado de Inferno de autor anónimo. É um painel feito de sombras e de gritos mudos, que sobreviveu à destruição, para que a nossa dor não se perca num deixa-andar. Olho para aquelas figuras contorcidas e vejo nelas um lado da vida: o lodo do pecado e o esterco do suplício, pintados com a precisão de quem conhece o bicho que nos rói o intímo. Ali, o diabo é um funcionário da agonia, organizando o caos com a paciência fria de quem espera por todos nós. O quadro é um farrapo de alma quinhentista, uma janela aberta
para um abismo de luz baça e carne condenada que o museu guarda no silêncio de uma lousa. A assinatura não existe, porque a dor não tem nome; é apenas um rasto de fumo que ficou preso nos espinhos do caminho. Somos todos esses fantasmas, à espera de um amanhecer que naquele inferno nunca chega a romper. Escrever sobre este painel é um esforço contra a loucura, perante o ruído do nada que sobe das caves. Naquelas profundezas, a morte não reconcilia, apenas observa, enquanto a eternidade nos esmaga com o seu peso de pedra e mistério. Em quinhentos anos nada mudou e no futuro nada mudará.
Quem são os grandes escritores do Irão
A literatura é a espinha dorsal da identidade persa, actual Irão, em em qualquer casa iraniana, desde a mais humilde à mais abastada, há um exemplar de o Divan de Hafez (século XIV).Hafez de Shiraz não é apenas um poeta; é um oráculo. Os iranianos praticam o Fal-e Hafez, abrindo o seu livro ao acaso para ler o destino. Ferdowsi é o outro pilar, autor do Shahnameh (Livro dos Reis), a epopeia que salvou a língua persa da extinção.
Atualmente, há vozes que dominam as tabelas de vendas e a atenção internacional: Marjane Satrapi: A sua novela gráfica Persepolis é, sem dúvida, a obra de origem iraniana mais lida e popular em todo o mundo nas últimas décadas.
Zoya Pirzad: Extremamente popular no Irão, especialmente entre o público feminino, pela sua escrita delicada sobre a vida quotidiana e doméstica (ex: I Will Turn Off the Lights). Reza Amirkhani: Um dos autores mais vendidos dentro do Irão atual, conhecido por obras que exploram temas sociais e religiosos com uma linguagem moderna. Em resumo escolhemos para a alma Hafez, para o intelecto Sadegh Hedayat. pela grandiosidade Mahmoud Dowlatabadi.

O Mais Influente da Prosa Moderna
Na literatura moderna e daquele que definiu o romance iraniano contemporâneo, o nome é Sadegh Hedayat (1903–1951). A sua obra-prima, A Coruja Cega (The Blind Owl), é considerada o melhor romance iraniano de sempre. É uma obra sombria, surrealista e existencialista que influenciou todas as gerações seguintes. Hedayat é para o Irão o que Kafka é para o Ocidente.
O "Gigante" Vivo e candidato a Nobel
O escritor vivo mais respeitado e frequentemente apontado como candidato ao Nobel é Mahmoud Dowlatabadi. É o autor de Kelidar, um romance épico de 10 volumes (mais de 3000 páginas) sobre a vida rural e a luta de um herói nómada. Dowlatabadi é amado pela sua escrita densa, realista e profundamente ligada à terra e ao povo iraniano.
"Eu desligo as luzes" Zoya Pirzad
Zoya Pirzad (iraniana-arménia) é uma das vozes mais delicadas e influentes da literatura iraniana contemporânea. A sua obra, escrita de forma simples e quase minimalista, foca-se no quotidiano invisível das mulheres, explorando as tensões entre os desejos individuais e as pesadas expectativas sociais.

O seu estilo é comparado ao de um "haiku": não se perde em grandes dramas épicos, mas encontra a alma nas pequenas coisas — o cheiro do café, o barulho das crianças, o silêncio de uma casa arrumada.
A sua obra-prima, Eu Desligo as Luzes (publicada em Portugal como Coisas que Deixámos por Dizer), retrata Clarice, uma dona de casa em Abadan nos anos 60, cujo mundo interior começa a despertar através de pequenos detalhes do dia a dia.
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Eu Desligo as Luzes
"Entrei e tranquei a porta atrás de mim. Em Abadan, ninguém trancava a porta a meio do dia; eu só o fazia quando queria ter a certeza de que estava sozinha. O meu gosto pela autocrítica fez-me questionar isto mais do que uma vez: o que tem o trancar da porta a ver com o estar sozinha? Ao que eu respondia sempre: não sei. Encostei-me à porta e fechei os olhos. Depois da luz intensa e do calor lá fora, e do barulho das crianças, o claro-escuro fresco e silencioso da casa era adorável. Deixei-me ficar ali, sentindo a paz das coisas imóveis, como se o tempo pudesse parar apenas porque eu assim o decidi."

É urgente passar-a-palavra
Moita Flores: Chão coalhado de dor

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Envelheci com a crença de que, um dia, todos haveríamos de ser iguais e felizes. Foi um sonho não resolvido. Continuo a passar por este dia, que evoca mulheres em luta, e sinto que esta caminhada com mais de um século trouxe grandes conquistas, embora o chão esteja coalhado de dor e sofrimento. As mulheres-coisa do Afeganistão, as mulheres viúvas de Gaza, as mulheres com fome de África, as mulheres amordaçadas do Irão, as mulheres de tantos lugares da Terra, explorada, martirizadas, sujeitas à mais cruel servidão, dizem-me que este Dia é um sonho não realizado. Continua a ser uma procissão dolorosa para tantos milhões que sinto que não irei assistir a esse dia de igualdade plena. De sermos irmãos. Deixo-te um abraço, minha irmã. Com a esperança de que este Dia deixe de fazer sentido. (trazido para passar-a-palavra do face de Moita Flores)
Quai d' Orsay, Paris:
os jovens sabichões
Uma jovem sentou-se ao meu lado num banco corrido do Museu d'Orsay, ao mesmo tempo que um pombo entrou inesperadamente por uma claraboia do museu e pousou, manso, sobre a moldura dourada do Renoir. Eu sacodi a manga do casaco e disse-lhe:

- Vê, minha menina, como a luz ali não é tinta, mas o próprio hálito da vida? E a estudante respondeu: - É mais do que luz, senhor. Olhe a psicologia daqueles rostos no baile; Renoir não pinta corpos, ele pinta a euforia de quem esqueceu a morte por um instante. - e eu suspirei, olhando as manchas de sol: - A menina tem olhos de ver. Renoir disseca a alegria com a mesma precisão com que outros dissecam a dor. A jovem sorriu, apontando para o centro da tela: - Cada pincelada é um batimento cardíaco, uma negação da sombra que nos habita. - E eu murmurei: - Sim, porque no fundo de cada cor alegre, ele escondeu a nossa fome eterna de sermos felizes. - E ficamos imóveis e eu pensei, já não no quadro, mas nos jovens hoje. São diferentes, porque podem viajar e por isso já conhecem melhor a vida. Raul B. Gomes
Fui a Paris para ver Renoir
Fui visitar de propósito o Museu d'Orsay, em Paris, para ver o quadro "O Baile no Moulin de la Galette", de Renoir, que tanto me apaixona, até porque o museu faz 40 anos desta casa de luz. Que tempo este, em que a matéria se faz claridade! A obra é o coração de "Renoir e o Amor", onde o mundo parece uma manhã eterna.
Em Montmartre, o povo dança sob um sol que pinga das árvores, criando manchas de ouro na carne e nos trapos. É uma modernidade alegre, de pincelada fluida, celebrando o baile e a vida no seu 150.º aniversário.
Mas, entre tanta claridade, espreita a sombra. "O Desesperado" de Courbet, vindo de mãos privadas, olha-nos com olhos de abismo. Tu sentes o contraste?De um lado, o riso que flutua no ar de Paris; do outro, o grito mudo de um homem que se rasga.
O museu é este lugar onde o contentamento se cruza com a dor mais funda, oferecendo-nos a angústia de um e o esplendor de outro. Vós que passais, vede como a tinta ainda pulsa, quente e terrível.
J.P.Saragoça
Duas dramáticas grandes reportagens sobre retirada abusiva de crianças
e o resultado?

Os meninos assassinados
em Gaza, Líbano e Irão
não ressuscitaram



ver no Youtube


O elogio da estupidez de Felipe de Melo
O caso Eva Cruzeiro: do insulto do Chega à distração do PS
A loucura está à solta na Assembleia da República e o caso da deputada Eva Cruzeiro é o exemplo mais evidente. Um deputado do Chega, Filipe Melo, decide mandar uma deputada "para a sua terra", por causa da sua cor de pele e a resposta do sistema foi um insulto aos eleitores portugueses.
Em rigor, o deputado Felipe Melo tem estado associado a vários comportamentos muito censuráveis. Por exemplo, os beijos para Isabel Moreira, em plena sessão da Assembleia da República.
Por causa do vai para a tua terra, Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista, acusou o deputado do Chega de racismo e xenofobia. E o que faz a comissão parlamentar nomeada para o assunto? Sancionou Eva Cruzeiro, por considerar a resposta da deputada "desapropriada".
Pior, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista afirma agora que votou por distração a favor da sanção, contra a deputada. Foi "por engano".
E elogio da loucura do Chega já contaminou o Partido Socialista. josé ramos e ramos
O triunfo da indiferença
durante 120 meses de copo na mão
Saramago foi celebrado no Largo dos Bicos e depois? Acabou!

Um dos Copos por Saramago e por nós onde se vê Alípio de Freitas,
Vitorino entre outros, foto tirada por mim

Os pioneiros do Copo no primeiro encontro em Setembro de 2010







De copo em punho, com bom vinho, o extraordinário José Saramago foi celebrado durante 120 meses seguidos, em Lisboa.
Admiradores, católicos ou maçons, todos de copo cheio. Um facto único no mundo. Dezenas de pessoas exultaram José Saramago,

mas Pilar surgiu apenas quatro vezes, em10 anos. Duas vezes para se juntar ao grupo por escasso tempo - porque é talvez pessoa muito atarefada - outras duas em fugazes aparições à janela da fundação, no largo dos Bicos.
Aos dias 16, 17 ou 18, conforme o calendário, os admiradores lá estavam no botilhão a beber e a ler passagens dos seus livros. Foram momentos extraordinários que a pandemia interrompeu, afastando as pessoas de um evento que fazia história e criava novos leitores e amigos.
Beberam-se mais de 440 garrafas de bom vinho. E o botilhão cresceu para um jantar e depois para uma saída à noite, por iniciativa das gentes de Espanhas, mais alegres e festivas.
"Um Copo por Saramago e por nós" devia de ser retomado Um país só é nação fraterna e feliz quando se escora na literatura, teatro, cinema, ballet, pintura, música ... na Cultura comungada. Expurguemos pois da nação os políticos ordinários e analfabetos. Que varreram as ruas, com o devido respeito pelo "almeidas". José Ramos e Ramos
As guerras de Trump
Soldado raso americano
18 anos
ganha 4 500 euros mês
um coronel com 20 anos de actividade e várias acumulações pode chegar aos 15.800 euros

Na América ser voluntário militar é um trabalho bem pago, um soldado raso consegue chegar aos 4 500 euros. É o vencimento mensal acumulado.
Publicamos a tabela com reservas, já que não é possível confirmação absoluta junto das autoridades americanas. Os cálculos destes valores foram determinados por pesquisa cruzada na internet. Os militares norte-americanos recebem verbas adicionais em situações de destacamento em zonas de conflito:
Salário Base (Basic Pay): Para um soldado de categoria E-1 ou E-2 (as mais baixas), o salário base em 2026 ronda os 2.046 € a 2.232 €.. Subsídio de Perigo Iminente (Imminent Danger Pay): Quando um soldado é enviado para uma zona de guerra ativa, recebe automaticamente um extra mensal de 209 €. Subsídio de Separação Familiar (Family Separation Allowance): Se o soldado tiver família a cargo e for destacado por mais de 30 dias, recebe cerca de 232 € adicionais.
Isenção de Impostos (Tax Exclusion): Em zonas de combate designadas, todo o salário recebido pelo soldado fica isento de impostos federais. Isto significa que o valor bruto passa a ser o valor líquido, o que aumenta o poder de compra real de forma significativa. Subsídios de Custo de Vida (COLA): Dependendo do local e das dificuldades logísticas,
podem ser aplicados ajustes de custo de vida e subsídios de alimentação (BAS) que somam mais cerca de 418 €.
Alojamento (BAH): Mesmo em combate, o exército continua a pagar o subsídio de habitação para manter a casa da família no país de origem. Em cidades americanas caras, este valor ultrapassará os 1.860 €.
Somando o salário base, os bónus de combate, a isenção fiscal e os subsídios de habitação/alimentação, o pacote total de compensação pode, de facto, atingir ou ultrapassar o equivalente a 4 500 euros mensais na conta bancária do soldado. É um valor que serve para compensar o risco de vida e o sacrifício pessoal extremo exigido nas frentes de batalha.
Os valores mensais aproximados do salário base (bruto) para 2026:
Praças e Sargentos (Enlisted - "E") São a base da força. Um recruta começa no nível E-1. E-1 (Recruta): Cerca de 1.953 € a 2.232 € (dependendo se tem mais ou menos de 4 meses de serviço). E-4 (Specialist/Corporal): Cerca de 2.790 € (com menos de 2 anos) a 3.348 € (com mais de 4 anos). E-7 (Sargento de 1ª Classe): Pode ir de 3.515 € até mais de 5.580 €, dependendo da antiguidade.
Oficiais (Officers - "O") os que têm formação universitária. O-1 (Segundo-Tenente): Cerca de 3.720 € a 3.860 € (início de carreira). O-3 (Capitão): Cerca de 5.115 € (com 2 anos) a 7.161 € (com mais de 6 anos). O-6 (Coronel): Pode ultrapassar os 9.300 € mensais.
Resumo: Um soldado raso (E-1) em 2026 ganha cerca de 26.040 €/ano de salário base, mas com os auxílios de casa e comida, a compensação total real pode chegar facilmente aos 55.800 €/ano. Mas um coronel com 20 anos de actividade e com a acumulação de vários itens pode chegar aos 15.800 €.
Teresa Mello Sampayo:
Entrevistem as personagens, eu sou apenas a actriz
.
a solidão, o teatro apaga...
é uma forma de me povoar, não é vaidade, é fome de mais mundo
.


A bela e notável actriz Teresa Mello Sampayo sonhava em menina (tenho de vos contar) ser astrónoma. Queria a modos falar com as estrelas dos céus.
Agora é ela a estrela no teatro e no cinema português. Com grande mérito, como aconteceu em "O Mal Entendido", de Alberto Camus, de quem tudo leu e estudou.
Em menina sentia um norte diferente. As suas longas leituras apontavam para silêncio das galáxias sem fim, mas a genialidade levou-a para caminho diferente, o Teatro, trazendo-a agora para personagem principal do filme "Damas" de Cláudia Alves, com estreia marcada para o icónico cinema City.

Teresa tem moldado a sua carreira como vara de centeio em seara agitada. De peito nu aos ventos fortes, sem quebrar. E até já foi vampira horrorizada com a morte, mas criatura nobre, por referir o jejum à crueldade.
"Foi mais um degrau" diz, na confessa solidão que o teatro apaga. "É uma forma de me povoar. Não é vaidade, é fome de mais mundo".

É filha de arquiteto que andou pelo mundo, em Angola, Argélia, América e Moçambique. Em Maputo, o pai partiu para os céus. E dele ficou-lhe o rigor, a voz firme e o olhar doce.
Doce, mas não se iludam: "O teatro é um campo de batalhas, de pesquisa e entrega total. É coisa árdua". E mais não diz. "Entrevistem as personagens", pede. "Têm mundos maiores. Deles apenas tomo posse e assumo desvelo". Na escolha dos papéis, Teresa prefere as vilãs: "Porque o mal é maior, denso e complexo".
Neste momento, Teresa Mello Sampayo está no cinema, no teatro e em duas novelas. Nas pequenas pausas podemos vê-la no balcão do foyer do Teatro A Barraca, em Santos. Ali, anónima e feliz e, conversa-a-conversa, somos surpreendidos pelo mais belo sorriso de Lisboa, que deuses ávidos a fadaram para grandes momentos de palco.
Estas linhas, eu sei, serão severamente rejeitadas. "Como se atreveu?" Mas na minha idade já só se escreve a verdade.
Dia 30 de Abril, Teresa Mello Sampayo estará no écran do cinema City, em estreia de "Damas". Parabéns Teresa. jrr


As duas bombas nucleares
que assassinaram milhares
de japoneses


Sobreviventes das bombas atômicas que caíram em Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como hibakusha, receberam tratamento médico, incluindo este homem, mulher e criança, fotografados em Hiroshima em 12 de agosto de 1945.

Vai ser lançada bomba nuclear sobre o Irão?
Sumiteru Taniguchi tornou-se um ativista mundial contra as armas nucleares. Quando a bomba caiu em Hiroshima, no fim da Segunda Grande Guerra Mundial, ele tinha 16 anos e estava a entregar correio na sua bicicleta. O calor da explosão derreteu a pele das suas costas e queimou o seu rosto.
Uma bomba atómica pode cair daqui a 15 dias sobre o Irão. Trump não sabe como sair da embrulhada da invasão ao Irão. E Isra3l quer arrasar o Irão. Já o fez na Síria, Gaza, o Líbano está em curso e anexou a Cisjornânias.
A opção nuclear já tinha sido aventada há 2 amos por um político de extrema-direita do governo de Netan e volta à baila pela impotência de Trump em abrir o Estreito de Ormuz
Israel poderá tentar aproveitar o escasso tempo de Trump para destruir o primeiro país que o reconheceu como Estado em 1947: o Irão. Será uma nova catástrofe do deus que lhe deu o titulo de "do único povo eleito no fim dos tempos".
As consequências serão piores que Chernobyl. Se o conflito escalar, as radiações mortais não escolherão fronteiras nem credos. Restará apenas o silêncio de um território transformado em cinza pela incapacidade de recuar no abismo. A Europa terá a sua dose mortal e Isra3l não escapa. Que loucura! jrr
Albert Camus a escolha
entre o inferno e a razão
2 dias depois da chacina da bomba largada sobre Hiroshima, Camus escreve editoral no jornal Combat

Editorial escrito por Albert Camus no jornal Combat, publicado a 8 de agosto de 1945, apenas dois dias após o bombardeamento de Hiroshima.
Enquanto grande parte da imprensa mundial celebrava o avanço tecnológico e o fim iminente da guerra, Camus foi uma das poucas vozes intelectuais a reagir com horror e sobriedade, captando a gravidade ética do momento.
Albert Camus (1913–1960) foi um escritor e filósofo franco-argelino, ícone do humanismo e do existencialismo. Celebrizou-se pela teoria do Absurdo, defendendo que, num universo sem sentido, o homem deve revoltar-se através da ética e da solidariedade. Autor de obras fundamentais como O Estrangeiro e A Peste, recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1957. Morreu precocemente num acidente de carro, deixando um legado de coragem moral e clareza intelectual.
"O mundo é o que é, ou seja, pouca coisa. É o que todos sabem desde ontem, graças ao formidável concerto que rádios, jornais e agências de notícias acabam de lançar sobre o tema da bomba atómica. Dizem-nos, de facto, no meio de uma data de comentários entusiastas, que qualquer cidade de tamanho médio pode ser pulverizada por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol.
"Jornais americanos, ingleses e franceses entregam-se a elegantes dissertações sobre o futuro, o passado, os .
inventores, o custo, a vocação pacífica e os efeitos de guerra, as consequências políticas e até o carácter próprio da bomba atómica
"Resumiremos o nosso pensamento numa frase: a civilização mecânica acaba de atingir o seu último grau de selvajaria. Terá de se escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo ou a utilização inteligente das conquistas científicas.
"Entretanto, é permitido pensar que há algo de indecente em celebrar assim uma descoberta que se coloca, antes de mais, ao serviço da mais formidável fúria destruidora de que o homem deu prova em séculos. Que num mundo entregue a todos os rasgos da violência, incapaz de qualquer controlo, indiferente à justiça e à simples felicidade dos homens, a ciência se consagre ao assassínio coletivo, ninguém, a menos que possua um idealismo impenitente, se surpreenderá com isso.
"Estas descobertas devem ser registadas, comentadas pelo que são, anunciadas ao mundo para que o homem tenha uma ideia justa do seu destino. Mas rodear estas revelações terríveis de uma literatura pitoresca ou humorística é algo que não se pode aceitar.
"Já não se respira com facilidade num mundo torturado. E eis que nos propõem uma nova angústia, que tem todas as probabilidades de ser definitiva. Oferecem à humanidade, sem dúvida, a sua última oportunidade. E isto pode ser, afinal, o pretexto para um editorial. Mas isto deveria ser, sobretudo, o tema de algumas reflexões e de muito silêncio.
"De resto, há outras razões para acolher com reserva o romance de antecipação que os jornais nos propõem. Quando se vê o editor diplomático da Agência Reuter anunciar que esta invenção torna obsoletos os tratados ou as próprias decisões de Potsdam, e notar que é indiferente que os russos estejam em Berlim ou os protestantes na Saxónia, não se pode deixar de atribuir a este belo entusiasmo intenções bastante estranhas aos interesses da humanidade.
"Que se entenda bem: se os japoneses capitularem após a destruição de Hiroshima e pelo efeito do medo, congratular-nos-emos com isso. Mas recusamo-nos a tirar de uma notícia tão grave outra coisa que não seja a decisão de defender ainda mais energicamente uma verdadeira sociedade internacional, onde as grandes potências não tenham direitos superiores às pequenas e médias nações, onde a guerra — flagelo tornado definitivo apenas pelo efeito da inteligência humana — já não dependa dos apetites ou das doutrinas de tal ou tal Estado.
"Perante as perspectivas assustadoras que se abrem à humanidade, percebemos ainda melhor que a paz é a única luta que vale a pena ser travada. Já não é um voto, mas um imperativo que deve subir dos povos para os governos, a escolha entre o inferno e a razão".
Volta a trás Lei da autodeterminação da sua identidade de género
Políticos transformam opções sexuais em tema... político
Não se percebe por que razão pilas e coisas assim hão-de ser preocupação para os políticos do CDS, PSD e Chega, que agora se empenham em revogar a Lei da Autodeterminação da Identidade de Género. É uma náusea que se instala: a fixação de homens públicos pelos órgãos biológicos alheios, como se a existência fosse uma propriedade da carne que se pudesse arrumar em gavetas administrativas. Eles olham para o corpo como uma pedra fria, ignorando que o ser humano é uma liberdade que se constrói a cada instante.
É insuportável ver a lei tentar tocar na consciência. Estes projetos do Chega, PSD e CDS são como objetos mortos que pretendem ditar o pulsar da vida, reduzindo a dignidade a uma explicação ideológica. O mundo das razões que eles invocam não é o da existência. A existência é gratuita; cada um é responsável pelo seu próprio rosto.
Quando a política se transforma numa inspeção de genitais em vez de uma garantia de liberdade, tudo começa a flutuar no absurdo. É a náusea total: a Política a querer ser o dona da alma, enquanto se perde no labirinto de uma biologia que já não serve para explicar a grandeza de estar vivo. Jorge L. Santos
Os defensores da revogação da Lei da Autodeterminação da Identidade de Género centram os seus argumentos na proteção de menores, defendendo que decisões irreversíveis não devem ser tomadas sem diagnósticos clínicos prévios e acompanhamento médico rigoroso. Alegam que a despatologização total pode precipitar transições precoces e defendem o reforço do papel e autoridade dos pais nestes processos escolares e sociais.
Em oposição, quem apoia a manutenção da lei argumenta que esta garante a dignidade e os direitos humanos fundamentais das pessoas trans e não-binárias, combatendo o estigma e a marginalização. Para estes, a autodeterminação é essencial para a saúde mental e bem-estar, evitando processos burocráticos humilhantes e assegurando que as escolas sejam espaços seguros e inclusivos, onde a identidade de cada um é respeitada.
A Lei n.º 38/2018 estabelece o direito de cada pessoa à autodeterminação da sua identidade de género e expressão de género, bem como à proteção das suas características sexuais.
Como é a actual lei
O ponto mais importante é permitir que qualquer cidadão maior de idade possa alterar o seu nome e sexo no registo civil através de um procedimento administrativo simples, baseado apenas na vontade do indivíduo, eliminando a necessidade de diagnósticos médicos ou relatórios de patologia mental.
Além disso, a lei proíbe intervenções cirúrgicas ou tratamentos em crianças intersexo até que estas tenham idade para decidir sobre a sua própria identidade.
Ventura mente
o que diz a lei
A Lei da Autodeterminação da Identidade de Género em Portugal gera confusão porque as regras mudam conforme a idade.
No Registo Civil (Mudança de nome e sexo no cartão de cidadão)
Menores de 16 anos: Não podem mudar o sexo no registo civil. A lei atual só permite esta alteração a partir dos 16 anos.
Entre os 16 e os 18 anos: Já podem solicitar a mudança, mas não decidem sozinhos. Precisam obrigatoriamente do consentimento dos pais (ou representantes legais) e de um relatório médico que confirme a sua capacidade de decisão, sem qualquer diagnóstico de doença mental.
Barco-Atelier de Monet volta a Quai d'Órsay
Entrei no Museu d'Orsay para ver a "novidade", o "Barco-Atelier" de Claude Monet. Os objetos deveriam ser úteis, arrumados na sua função de "arte". Mas este Monet toca-me. É insuportável. Sinto as pinceladas da água como se fossem bichos vivos que me fitam do centro da sala.
Olho para a massa de tinta de Monet, para aquele empastamento que esteve escondido décadas, e sinto o mesmo enjoo doce que me invadiu à beira-mar. É uma náusea nas mãos. A existência do "Barco-Atelier" desvendou-se de repente, perdeu o seu aspeto inofensivo de "impressionismo" ou de "categoria histórica": era a própria massa das coisas, uma abundância obscena de azuis e verdes que não pede licença para ser.
Os críticos falam de luz e de reflexos; mas esse é o mundo das explicações, e ele nada tem a ver com a existência bruta daquela tela de Monet.

O museu é gratuito. Paris, lá fora, é gratuita. E eu próprio, parado perante aquela existência pesada, sinto o coração revirar-se. Tudo começa a flutuar na consciência de que nada, nem mesmo aquele barco pintado, tem uma razão para me balancear. . João P. Saragoça
O regresso dos caciques

Eu estava lá. No dia em que nos libertámos do pesadelo e sonhámos. Deitámo-nos com um País que mal sabia ler, que trabalhava de sol a sol. Um País pelintra, excluído, longe de tudo. Com fome. Com mordaça e vestido de luto.
Que possuía um Império com meias rotas e roupagens de vagabundo. E presos e exilados. Que partia para a beterraba em França ou na Suíça. Vestido de xailes negros e lágrimas de quem partia para a guerra.Acordámos, nesse dia, sobressaltados com o rugido do sonho. Um sonho vivo, feito de chaimites, de soldadinhos e capitães, um povo em brasa que gritava por um destino. Um sonho que garantia o fim da guerra, a chegada dos livros, a multiplicação dos pães e das escolas, da alegria trocada pelo velho cansaço.
Um sonho que nos empurrava para a Liberdade.Foi de tal modo grande que, meio século depois, ainda ressoa na memória daqueles que o viveram. Agora celebra—se um indiscutível paradoxo. Recordamos o sonho, que em boa parte se realizou, mas o tempo indomável foi corroendo o próprio tempo.
Como sempre – foi sempre assim! – devagarinho, usando as palavras sagradas desse tempo, os caciques recomeçaram a instalar-se. Esgravatando os trigais da esperança, oferecendo joio por pão. A mediocridade tornou a vencer. Agora com vestes de democratas.
Ilustres e luzidios ignorantes que tomaram o lugar dos sonhos mais generosos. A revolução que obrigava a trabalho e estudo, substituída pelo vazio das palavras apressadas e sem sentido.Evocamos o 25 de Abril, esse sonho demasiado generoso, entorpecidos pela rotina, essa arma fabulosa que derrota qualquer caminhada de utopias.
Embora habitados pela enorme desilusão com o regresso dos caciques e dos predadores, os cravos dessa madrugada terão murchado, mas não morreram. Porque os sonhos não morrem.Eu estava lá. E sei. Naqueles dias construímos o maior legado que poderemos deixar aos nossos filhos e netos: o caminho doce da Liberdade!

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.Ruy de Carvalho
aguenta 'ratoeira' de 3 horas
o actor mais idoso do mundo


Foi um acontecimento extraordinário! Ruy de Carvalho, aos 99 anos, subiu aos palcos com a peça "A Ratoeira" no Coliseu Porto, que foi muito longa.
O encenador Paulo Sousa Costa não teve em conta que 3 horas de espectáculo é um excesso para o público, uma tormenta para os actores e foi um risco enorme para a saúde de Ruy de Carvalho Este regresso acontece após um período de recuperação do ator, que sofreu um AVC em dezembro de 2025.
A Ratoeira é um clássico de Agatha Christie.
Ruy de Carvalho interpretou o papel de Major Metcalf. A escolha desta peça permitiu ao ator estar presente em momentos-chave sem grande exigência física. Houve, no entanto, 2 extensos momentos em que Ruy de Carvalho permaneceu isolado e calado do lado direito do palco. Ruy de Carvalho deveria ter ficado sempre no centro do palco.
O alvo não era A Ratoeira, mas Ruy de Carvalho. Em vez de se moldar a peça ao actor mais velho do mundo, imitou-se o que acontece há 73 anos todas as noites em Londres. É importante frisar, Ruy de Carvalho tem 99 anos de vida e 79 de actor. O Coliseu do Porto esgotou, mas em rigor foi para vermos este homem extraordinário. Os olhos de todos os espectadores estavam nele. E só nele. jrr
O ator nasceu a 1 de março de 1927, em Lisboa, e fez 99 anos em março deste ano. É oficialmente o ator mais idoso do mundo ainda em atividade.
A minúcia dos fundos de Garcia Fernandes

Garcia Fernandes é o pintor mistério de uma das obras mais notáveis guardadas nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga: o Aparecimento de Cristo a Maria.
Ativo entre 1514 e 1565, este mestre do Renascimento português, formado com Jorge Afonso e membro dos "Mestres de Ferreirim", assinou em 1536 um políptico para o Convento das Chagas de Vila Viçosa, cujo painel central se encontra hoje na Igreja Matriz local.
A obra destaca-se pela Virgem com um livro de horas e Cristo com uma cruz de ouro, enquadrados por arquitetura renascentista e o resgate das almas do Limbo. Um pormenor desconhecido e fantástico reside na técnica de Garcia Fernandes em ocultar simbolismos na minúcia dos fundos arquitetónicos, onde as figuras do limbo parecem emergir das sombras da própria estrutura, fundindo o mundo espiritual com a geometria clássica.
Atualmente, esta tábua está separada dos restantes painéis que permanecem no Paço Ducal de Vila Viçosa. A versatilidade do artista, que executou desde o Retábulo da Trindade até obras para a Sé de Goa, define a transição para o maneirismo. A sua presença nas reservas do MNAA sublinha a importância de estudar estas peças ocultas que unem erudição e sensibilidade religiosa. Garcia Fernandes permanece uma figura central da nossa história da arte, guardando ainda segredos por decifrar sob as camadas de verniz e tempo. Vitor D. Silva
Garcia Fernandes era mestre em pintar arquiteturas clássicas detalhadas, utilizando perspetivas rigorosas e elementos decorativos do Renascimento.
Figuração: As suas figuras humanas tendem a ser alongadas, com panejamentos (dobras de roupa) muito bem desenhados e expressivos, o que já prenunciava o movimento maneirista.
Narrativa: Gostava de incluir "narrativas secundárias" no fundo das suas composições (como as figuras resgatadas do Limbo), um traço que liga o simbolismo medieval à clareza renascentista. António Brás
Arte no Mercado de Alvalade





Crime de ódio sem castigo
O porno-hino
dos alunos do ISEG
O HINO PORNO QUE JOANA AMARAL DIAS REVELOU
É urgente dar vários passos atrás nas universidades e institutos portugueses, porque se cantam pornografias e porque se humilham jovens que deveriam ser o futuro da nação. Estamos perante crimes de ódio. Os alunos portugueses começam o seu percurso mergulhados numa cultura de agressividade e boçalidade.
É incrível como ministros, secretários de Estado e políticos, ao longo dos últimos anos, não ouviram a letra deste hino - ou, se ouviram, calaram-se perante algo que envergonha gerações e o país inteiro.
Estamos perante crimes e parece que já esquecemos os jovens que morreram numa praia ( a 15 de dezembro de 2013, na Praia do Meco, em Alfarim) aliciados pelas ordens e palavras de uma praxe criminosa.
A Câmara agiu bem ao impossibilitar a queima das fitas em Lisboa. Falta agora pôr um ponto final nestas celebrações boçais que humilham e destroem a dignidade de quem está agora a começar a sua vida adulta. Façam bailes e leiam livros. jrr
ALGUNS DOS POLÍTICOS DO ISEG


Excerto do porno-hino dos alunos do ISEG
Câmara de Lisboa cancela queima das fitas
Os estudantes foram surpreendidos pelo cancelamento, mas as razões não espantam, dada a crescente agressividade e pornografia nas festas e praxes de Lisboa.
O espírito académico original foi sufocado por comportamentos de risco e humilhações que tornaram o licenciamento destes eventos inviável. Esta degradação ética e a violência simbólica forçaram as autoridades a agir contra o descontrolo absoluto. O cancelamento em 2026 surge como uma resposta à falta de limites e à perda de dignidade institucional. É um sinal claro de que o civismo e a segurança não podem ser sacrificados em nome de uma diversão tóxica.

Robots substituem filhos...

A foto de Paula Hornickel é um sério alerta aos países europeus e conduz a uma realidade chocante: os filhos estão a abandonar os pais em lares e muitas vezes deixando-os até em hospitais.
A realidade dos idosos institucionalizados em Portugal em 2026 é marcada por uma pressão económica sem precedentes,
As habitações são menores e aumentou o tempo dos percursos dos filhos para o trabalho. O turismo e a especulação imobiliária consentida lançaram o caos em todas as cidades de Portugal, arruinando a vida de centenas de milhar de portugueses.
Os idosos estão a ser encaixotados em lares. Os números crescem todos os anos. O setor das lares para séniores enfrenta um cenário de lotação esgotada e custos crescentes.
Estima-se que existam mais de 105.000 camas distribuídas por cerca de 2.700 residências sénior em Portugal. Dois em cada três lares têm a sua lotação completamente esgotada.
Perante os 2,5 milhões de residentes com mais de 65 anos, a cobertura de camas é de apenas 4%, subindo para 8,7% se considerarmos apenas a população com mais de 75 anos.

Retratos de Paula Hornickel
Mais de 1500 vítimas em 8 meses
Os dados sobre violência contra idosos são alarmantes, embora muitos casos em contexto institucional permaneçam sub-reportados.
Entre janeiro e agosto de 2025, a APAV apoiou 1.557 idosos vítimas de crime e violência, o que resultou no registo de 2.861 crimes. A violência doméstica representa 81% dos casos reportados à APAV, mas os crimes de negligência e maus-tratos em lares são frequentemente denunciados através de inspeções da Segurança Social e autoridades policiais.
Perfil do Agressor: No contexto geral, os agressores são maioritariamente familiares diretos (filhos e filhas representam 33,5% dos casos), mas em contexto institucional, a negligência é a forma mais comum de "maus-tratos passivos".

Paula Hornickel, fotógrafa alemã (1998), vive entre Berlim e Dortmund, foi uma das premiadas no World Press Photo.
Com formação em Comunicação Visual pela Universidade das Artes de Berlim e mestranda em Estudos Fotográficos na FH Dortmund, a autora consolidou o seu percurso com um intercâmbio no Pratt Institute, em Nova Iorque, durante o ano de 2023. Paula Hornickel especializou-se em retrato.

Atualmente, desenvolve atividade como profissional independente, conciliando trabalhos por encomenda com a criação de projetos autorais. A sua produção artística foca-se na fotografia de retrato e documental, explorando temas ligados à cultura pop, dinâmicas sociais e visões de futuro.
O reconhecimento internacional no World Press Photo destaca a relevância técnica e temática do seu trabalho no panorama da fotografia contemporânea. +49 176 47362555, e-mail: hello@paulahornickel.com, instagram: @paulahornickel
Idosos pagam 1900 euros por mês
Ameaça Invisível: A existência de lares clandestinos continua a ser o maior ponto cego do sistema. Por não estarem sujeitos a vistorias regulares da Segurança Social, estas unidades são o foco principal de situações graves de insalubridade e omissão de cuidados médicos.
Custo Médio: Em 2026, um quarto individual numa residência sénior privada custa, em média, 1.921 euros por mês, um valor incomportável para a maioria das pensões médias portuguesas, o que empurra muitas famílias para soluções clandestinas de menor custo.
Quando Gueterres falou da relação de confiança entre governantes e governados
As sucessivas investigações sobre partidos portugueses podem levar ao mesmo caminho dos partidos tradicionais italianos: o desaparecimento.
Somando os "tutti-fruta" às tradicionais transferências de militantes para ganhar eleições internas em autarquias, montou-se ao longo dos anos uma enorme opereta - a que se juntou o novel-partido que aglutina aldrabões, ladrões de malas, pedófilos e senhorios que alugam barracas a imigrantes a preço de moradias.

Tem acontecido 7 pessoas ganharem uma eleição partidária local, quando os elementos 8 elementos oponentes, mas contam com 120 transferidos.
E numa reunião partidária: como é que um deputado e autarca há mais de 40 anos, se queixa da sua freguesia ser agora um gigantesco Airbnb, com os moradores a serem postos da rua com 12 meses de renda de indemnização? Não deu por nada?
E na mesma reunião: um construtor lamenta-se de construir a 1500 euros e só conseguir vender a 4 mil.
E ainda nessa reunião: um alto dignatário da Assembleia da República estranha que uma casa, comprada por 200 mil euros. seja vendida, 3 meses depois, por 350 mil - quando a ASAE andou até a interromper casamentos para pedir facturas.
E já agora, como é que um ministra do Trabalho tem como marido o presidente de um banco bom (que financiámos com 5 mil milhões e que foi vendido com bónus de 500 milhões - com vencimento de23.542€00 por mês ) e passa agora para presidente das pontes (que um ministro negociou para se tornar presidente das.. pontes).
Há 25 anos António Guterres bateu com a porta porque o país iria cair num pântano. ABJ
Novo romance de Moita Flores já nas livrarias

Já está nas livrarias o último romance de Francisco Moita Flores SANGUE E SILÊNCIO NO POÇO DOS NEGROS.
Diz Francisco: "Fico sempre emocionado e com uma dose de angústia quando vivo estes momentos em que me desnudo perante o público. Entrego-vos 16 meses de trabalho intenso. Labuta invisível, solitária, que preenche os meus dias e os meus sonos.É um livro policial. O segundo da minha já longa carreira. O primeiro foi o Mistério do Caso de Campolide.
Agora, regressei ao Poço dos Negros onde o Quincas, contínuo da PIDE, foi assassinado em 1969. Os meus detetives Simão Rosmaninho e Arengas tomam conta do caso à procura do misterioso assassino e, como qualquer livro policial clássico, no último capítulo, ele revela-se a quem tiver interesse em lê-lo.
Desejo-lhe boa caminhada. A partir de agora, já não é meu. É vosso. Gozem-no com o mesmo prazer que eu vivi ao escrevê-lo".
.A bailarina
de Auschwit dança agora nos céus
Já não está entre nós a bailarina de Auschwitz: Edith Eva Eger subiu aos céus aos 99 anos. Edith foi uma psicóloga de renome mundial, conferencista e autora, amplamente conhecida por ser uma sobrevivente do Holocausto. A sua história é uma das mais poderosas demonstrações de resiliência e cura do século XXI.
Dançar para Mengele
Nascida na Hungria, Edith era uma jovem bailarina e ginasta quando, em 1944, foi enviada para o campo de concentração de Auschwitz com a sua família. Os seus pais foram assassinados na câmara de gás logo à chegada. Edith sobreviveu a condições inimagináveis, incluindo o momento em que foi forçada a dançar para Josef Mengele (o "Anjo da Morte") para salvar a sua própria vida.
Após a guerra, mudou-se para os Estados Unidos, onde reconstruiu a sua vida. Já adulta e mãe, decidiu estudar psicologia, doutorando-se na área. Tornou-se discípula e amiga próxima de Viktor Frankl (autor de O Homem em Busca de Sentido), que a ajudou a compreender que, embora não pudesse mudar o passado, podia escolher como reagir a ele.

Edith tornou-se mundialmente famosa com a publicação das suas memórias:
"A Bailarina de Auschwitz" (The Choice): Um best-seller onde detalha a sua experiência na guerra e o seu processo de cura. O tema central é que a pior prisão não foi o campo de concentração, mas sim a "prisão da mente" que construímos para nós mesmos.
"A Libertação" (The Gift): Um guia prático onde partilha ferramentas para lidar com o trauma, o luto e o medo.
A Dra. Eger era carinhosamente chamada de "Anne Frank que sobreviveu". O seu trabalho focou-se em ajudar as pessoas a saírem do papel de vítimas e a encontrarem a liberdade através do perdão (especialmente o perdão a si mesmas) e da escolha consciente da alegria.
"Não podemos escolher o que nos acontece, mas podemos escolher como viver depois do trauma." — Edith Eger
Apaguem a luz!
acabou a Fundação da risota

Joe Berardo: foi o penúltimo a rir
Acabou a Fundação Berardo por via de sentença definitiva do Supremo Tribunal Administrativo que colocou um ponto final ao impasse de vários anos. O tribunal concluiu que a fundação tinha deixado de prosseguir os fins de interesse social e cultural para os quais fora criada,
A partir do momento em que a fundação deixa de existir legalmente, as obras de arte (o famoso acervo com peças de Picasso, Miró, Dalí e Warhol) perdem a sua "capa" protetora. Embora os quadros continuem fisicamente guardados e expostos no MAC/CCB em Belém — porque o Estado português os blindou com o estatuto de interesse público para que não saiam do país —, a titularidade jurídica muda de mãos. Os bancos credores assumem o controlo desses títulos para começar a abater a dívida.
A caça aos bens e às "Portas Giratórias"
Os grandes bancos (CGD, BCP e Novo Banco) avançam agora sem entraves para tentar reaver os 980 milhões de euros. O foco sai da fundação e vira-se para o património pessoal, para as empresas satélite e para as famosas "portas giratórias" financeiras. O objetivo é executar todas as garantias financeiras e reter saldos bancários, participações sociais e imóveis que estivessem sob o raio de ação de Berardo e dos seus familiares diretos.
O desfecho na Justiça Criminal
A par da extinção administrativa da fundação, corre em paralelo o processo-crime no Tribunal Central de Instrução Criminal, onde Joe Berardo e o seu advogado de longa data foram pronunciados por crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Sem o argumento de que a fundação era uma entidade autónoma de utilidade pública, a tese da acusação ganha ainda mais força, deixando a defesa civil e criminal praticamente sem margem de manobra.

O quadro "Tête de Femme" (1909) – Pablo Picasso é uma das joias da coroa da coleção. Trata-se de uma obra-prima do cubismo analítico, uma fase crucial da história da arte mundial onde Picasso começou a desfragmentar a perspetiva tradicional e as formas geométricas. É uma das peças mais valiosas e requisitadas para exposições internacionais.
"Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual."Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

Outras obras de importância equivalente "Tête de jeune fille à la frange" – Amedeo Modigliani
Um retrato expressionista com o traço melancólico e os olhos amendoados típicos do mestre italiano, de altíssimo valor museológico.
"Judy Garland" (1979) – Andy Warhol Representando a Pop Art, este retrato icónico da famosa atriz americana demonstra a transição da coleção para as vanguardas da segunda metade do século XX.. "Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual.

"Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

Médicos portugueses presos por militares de Isra3l
É ilegal a detenção de dois portugueses na "Flotilha", a caminho do Estado da Palestina. As forças armadas de Isra3l atuaram em águas internacionais, perto de Chipre, cometendo uma violação do direito marítimo ao deter Maria Beatriz Barroca Bartilotti Matos e Gonçalo Dias, que seguiam na embarcação Tenaz.
Maria Beatriz descreve-se como "internacionalista, ecologista e ativista com o coletivo 'Humans Before Borders'". "Acredito na ação direta e na desobediência civil como importantes ferramentas rumo à utopia pela qual lutamos", diz a médica com experiência em campos de refugiados.
Gonçalo Dias é um "ativista pelos direitos humanos, médico generalista e redutor de danos com experiência em busca e salvamento", que trabalha na rua no Porto. A interceção desta tripulação expõe o desrespeito pelas missões humanitárias, exigindo a intervenção imediata de Portugal.
Direito do Mar foi violado
Ao intercetar e deter os dois cidadãos portugueses a bordo da embarcação Tenaz em águas internacionais (alto mar) perto de Chipre, as forças armadas de Isra3l violaram normas fundamentais do Direito Marítimo Internacional e do Direito Internacional Público, consagradas principalmente na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM / UNCLOS).
Os principais artigos e princípios infringidos foram os seguintes:
Violação do Princípio da Liberdade do Alto Mar
Artigo 87.º da CNUDM (Liberdade do Alto Mar): Este artigo estipula que o alto mar está aberto a todos os Estados e garante a liberdade de navegação. Nenhum Estado pode legitimamente pretender submeter qualquer parte do alto mar à sua soberania. Ao intercetar uma embarcação civil em águas internacionais, Israel violou o direito de livre circulação da embarcação.
Violação da Jurisdição Exclusiva do Estado de Bandeira
Artigo 92.º da CNUDM (Estatuto dos Navios): Determina que as embarcações navegam sob a bandeira de um único Estado e estão sujeitas à sua jurisdição exclusiva em alto mar. Salvo em casos excecionais previstos em tratados internacionais (como pirataria ou tráfico de escravos), nenhum outro país tem o direito de abordar, revistar ou reter o navio sem autorização do Estado de bandeira da embarcação.
Abordagem Ilegal em Alto Mar
Artigo 110.º da CNUDM (Direito de Visita): Este artigo estabelece as únicas condições em que um navio de guerra pode abordar um navio civil estrangeiro em
alto mar (suspeita de pirataria, tráfico de escravos, transmissões não autorizadas, ou falta de nacionalidade).Como a frota humanitária não se enquadrava em nenhuma destas exceções, a abordagem militar constitui um ato ilegal de agressão e interferência.
4. Ofensa aos Direitos Consuetudinários de Assistência Humanitária

Direito Internacional Humanitário e Convenções de Genebra: Embora estas convenções regulem os conflitos em terra, o desvio e o bloqueio de pessoal médico e de assistência (ambos os portugueses são médicos ativistas) viola o princípio internacional de que missões humanitárias, médicas e de ajuda a populações civis em sofrimento devem ser protegidas e ter passagem facilitada, desde que não transportem contrabando de guerra.
Ao ignorar estes artigos, a ação militar transformou-se numa detenção arbitrária e ilegal de cidadãos estrangeiros sob o ponto de vista do direito internacional, gerando a base para o conflito diplomático com o Estado português.
Diário de Notícias vende 1000 jornais por dia, Correio da Manhã 30 mil
Jornais portugueses vão fechar portas!
e a Democracia vai morrer

A morte do jornalismo está a um passo em toda a Europa e ainda mais em Portugal, onde a dispersão urbanística consome quase 30% do preço de capa por causa do custo distribuição. Se juntar-nos 20% para o vendedor e 25% para a impressão, dá 75%.
Restam 25% para água, luz, amortizações e para pagar a 40 jornalistas, que tanto fazem um jornal para 300 mil leitores como para 30 mil.

A culpa pode ser da crise e da net: O Correio da Manhã tira 30 mil exemplares, o Jornal de Noticias 9 mil, o Público 8 mil e o Diário de Notícias mil, apenas
Dentro de poucos meses não existirão jornais e as tvs vão perder as agendas feitas em cima das noticias destes 4 jornais.
A culpa é nossa por colarmos o rabo no sofá e por abandonarmos o centro das cidades para infelizes imigrantes - presos a redes que lhes sacam altos valores por viagem, confiscam passaportes e os colocam a viver em paletes.
Temos casas com chão de mármore, pópó à porta,. Mas com as duas mãos no volante não conseguimos ler jornais. Contentamo-nos com novelas estúpidas e redes sociais de vómito.
Todos os dias acordamos a protestar contra o Estado, almoçamos a protestar contra o Estado e dormimos como santos a vociferar contra o Estado.
O Estado somos nós e deixamos que um Primeiro Ministro ganhe 4 mil euros de avença de uma bomba de gasolina.
Vociferamos contra a médica que passou centenas de reformas falsas, mas desculpamos quem ficou com elas. "Fizeram eles se não bem!".
Os jornais não devem ter apoios para ser independentes. O caminho reconquistar os leitores.
E nós, os leitores, precisamos regressar às cidades e acabar com o forrobodó dos políticos que gastam, por ano, 150 mil euros em almoços de "trabalho", e passam por ser excelentes.
Venha um Podemos à portuguesa!" para acabar com este hipócrita desleixo que nos está a matar.
China é o maior investidor internacional



A recente visita de Trump à China pode ser comparada a um barco de rumo errático, com um mau lastro. O lastro de várias guerras que alimentam a poderosa e gulosa indústria de armamento, que desgraça os americanos e o mundo.
A China tornou-se no maior investidor internacional. Os Estados Unidos da América tornaram-se na maior fábrica de guerras, que estrangulam a economia mundial e que nos fazem pagar a gasolina a 2,10 euros.
Todas as fotos de Trump com Xi Xiping espelham a enorme atrapalhação de um e a serena segurança do outro.
Trump é um empreiteiro da construção de prédios que utiliza a retórica de expansão e controlo que choca o mundo, querendo a anexação da Gronelândia e integração nos EUA do Canadá. Em contraste, Xi Jinping age com tradicional paciência chinesa, trocando delicadezas diplomáticas com Taiwan, que, há muito anos, reclama como parte integrante da China
Os Estados Unidos são aliados de Isar3l nos bombardeamentos de Gaza, Líbano e Irão, raptam de Maduro, atacam a Nigéria e vão invadir Cuba.
A China constrói pontes, barragens, estradas transnacionais e TGVs, que envergonham os EUA, pioneiros no transporte ferroviário.
A China tirou, em 20 anos, 650 milhões de chineses da pobreza elevando-os à classe média. Os EUA em 10 anos aumentaram para 26 milhões os americanos que vivem sem tecto nas ruas da América.
O exemplo mais emblemático desta gigantesca diferença será o Metro de Xangai ou Pequim e... o Metro de Nova York. Está tudo dito. jrr

Os "Gigantes" literários da China
Estes autores são os mais lidos internacionalmente e oferecem uma visãoclara da China moderna:
Mo Yan: O primeiro cidadão chinês a vencer o Prémio Nobel da Literatura (2012). A sua escrita é descrita como "realismo alucinatório", misturando contos populares, história e o surreal. Obra essencial: "Sorgo Vermelho".
Mo Yan: o primeiro Nobel chinês
Yu Hua: Conhecido pelo seu estilo direto e por retratar a brutalidade da Revolução Cultural e a transição para o capitalismo com um humor negro único. Obra essencial: "Viver" (um dos livros mais importantes da China moderna). Yan Lianke: Um dos autores mais controversos e frequentemente banido na China. As suas sátiras políticas são mordazes e profundas. Obra essencial: "Servir o Povo".
Ficção Científica
A China é hoje uma potência na ficção científica, explorando temas como tecnologia, política e o destino da humanidade.
Liu Cixin: O autor que colocou a ficção científica chinesa no mapa mundial. O seu trabalho é admirado por figuras como Barack Obama.Obra essencial: "O Problema dos Três Corpos" (agora uma série de grande sucesso).
Can Xue: a um passo do Nobel
Vozes Femininas
Eileen Chang (Zhang Ailing): Uma das escritoras mais queridas do século XX. Retratou como ninguém as tensões amorosas e sociais na Xangai e Hong Kong dos anos 40. "Lust, Caution" (Desejo, Cuidado).
Can Xue Frequentemente apontada como candidata ao Nobel, a sua escrita é experimental, vanguardista e muito próxima do universo de Kafka.
Para entender a alma chinesa, é impossível ignorar os autores da antiguidade: Lao Tzu (Laozi): Atribuído a ele o "Tao Te Ching", a base do Taoísmo. Li Bai e Du Fu: Os dois maiores poetas da Dinastia Tang (a idade de ouro da poesia). Li Bai é o romântico e livre; Du Fu é o mestre do realismo e da consciência social. Cao Xueqin: Autor de "O Sonho da Câmara Vermelha", considerada a maior obra-prima da ficção clássica chinesa, um retrato detalhado da aristocracia da Dinastia Qing.




Carol Guzy com 4 Pulitzers
A vencedora da World Press Photo of the Year de 2026 é a fotógrafa norte-americana Carol Guzy, com a imagem intitulada Separated By ICE, captada a 26 de agosto de 2025 no edifício federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque. A fotografia regista o momento angustiante em que Luis, um migrante equatoriano, é detido por agentes da imigração após uma audiência em tribunal, enquanto as suas filhas se agarram a ele desesperadas. Entre os vencedores e finalistas deste ano, que contou com mais de 57 mil fotografias de 141 países, destacam-se também Saber Nuraldin, que captou palestinianos a cercarem um camião de ajuda em Gaza, e Victor J. Blue, que retratou as mulheres indígenas Maya Achi na Guatemala após vencerem uma batalha legal de 40 anos. O prémio reforça a importância do testemunho visual em zonas onde a história acontece, muitas vezes, sem outras testemunhas, premiando imagens que denunciam políticas sistémicas e celebram a resiliência humana.
ICE ganha World Press 2026

Carol Guzy é uma das fotojornalistas mais respeitadas do mundo, sendo a primeira profissional a conquistar quatro Prémios Pulitzer. Antiga enfermeira, transpôs essa sensibilidade humanitária para a lente, focando-se no sofrimento e na resiliência em cenários de crise ao serviço do The Miami Herald e do The Washington Post. Os seus Pulitzers, atribuídos entre 1986 e 2011, documentam eventos históricos como a erupção do vulcão Nevado del Ruiz, a crise no Kosovo e o sismo devastador no Haiti. Atualmente a trabalhar para a ZUMA Press, Carol continua a ser uma voz visual indispensável na denúncia de injustiças sociais.
Em 2026, o seu legado foi novamente consagrado ao vencer o World Press Photo of the Year com a imagem Separated By ICE. A fotografia regista a detenção de um pai migrante perante o desespero das filhas em Nova Iorque, servindo de testemunho cru sobre a dureza das políticas de imigração. A sua carreira é marcada por uma empatia profunda, provando que o fotojornalismo é uma ferramenta vital para dar visibilidade aos esquecidos da história.


Senhor Padre
— Sr. Padre! Sr. Padre! Acorde, Santo Deus! Subiram as escadas que iam do adro para a casa do vigário, no primeiro andar por cima da igreja, e bateram à porta. Cinco pancadas compassadas, repetidas por duas vezes. Sem esperar que o Padre assomasse, abriram-na. Todos os paroquianos sabiam onde estava a chave do salão paroquial.
Atravessaram por entre as cadeiras de madeira onde descansavam os bandolins, os bandoloncelos e as violas de arco, tropeçaram em livros e jornais, e empurraram devagar a porta que ligava o salão à casa do Padre. Do lado esquerdo, a cozinha, vazia, e, em frente, a porta do quarto, fechada. — Padre Martins!

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Acuda-nos, Sr. Vigário!Sabia-se que o Sr. Padre não abria a porta do quarto a ninguém. O povo da Ribeira Seca, como o de qualquer aldeia, era dado a falar, mas o quarto fechado do Padre, que conhecia todas as casas da aldeia — e nelas sempre mesa posta, à sua espera —, não despertava qualquer
curiosidade.Nessa noite, como era hábito, Martins tinha idotarde para a cama. Era noctívago, gostava do silêncio e do escuro da noite — nessas horas compunha as músicas, pensava os sermões e escrevia alguma poesia.
As missas da alvorada, as das sete da manhã, a que nunca faltou, custavam-lhe. Ia cheio de sono, enrolando um pouco mais as palavras, já desmaiadas pela pronúncia de Machico.Ainda na cama ouviu o chilrar do melro preto.

Assim se diz na Madeira do gorjear deste pássaro negro, que começava a cantarolar em fevereiro, no fim do inverno. Desfrutava da companhia do pássaro, que poisava no parapeito da sua varanda. Abertura de O Canto do Melro, a Vida do Padre Martins, romance histórico que escrevi sobre Portugal, a ditadura, a revolução e o pós 25 de Novembro, sobre o meu amigo, o Padre José Martins. (Bertrand).



A história de Aesha Ash merece o topo do botequim.pt, porque é o contrário feliz da vida dos construtores ordinários de condomínios ; que semeiam guerras em todos os cantos, fazendo subir - de forma deliberada - os preços dos combustiveis, comida e habitação.
A vida de Aesha Ash testemunho poderoso de resiliência, graça e do uso da arte como ferramenta de transformação social. Ela não só conquistou o seu espaço como bailarina profissional, mas transformou a sua carreira numa missão de representatividade.
Entrar para o prestigiado New York City Ballet (NYCB) é um feito extraordinário para qualquer

bailarina, mas para Aesha Ash teve um significado duplo. Como uma das poucas mulheres negras na companhia durante os anos 1990 e início dos anos 2000, ela teve de quebrar barreiras invisíveis e combater o preconceito enraizado de que os corpos
negros não possuíam a "linearidade" ou a "delicadeza" exigidas para o balé clássico. A sua técnica irrepreensível provou o contrário nos palcos mais exigentes do mundo.

O Projeto Sonhos de Cisne
Após reformar-se dos palcos das grandes companhias, Aesha canalizou a sua paixão para o ativismo visual através do The Swan Dreams Project. O objetivo central é desmistificar e democratizar a imagem do balé, mudando a perceção pública sobre as mulheres afro-americanas.

O Impacto Visual: Aesha começou a fotografar-se a si mesma vestida com o clássico tutu e sapatilhas de ponta em cenários urbanos e bairros desfavorecidos da sua cidade natal, Rochester. O contraste visual é intencional e poético.
Mensagem para a Infância: Ao levar a alta cultura para as ruas, ela permite que crianças negras se vejam refletidas num papel de extrema elegância, suavidade e dignidade. O projeto transmite a mensagem de que a beleza e a graça são universais e pertencem a qualquer comunidade, independentemente do contexto socioeconómico.
O Legado de Aesha ASH
Hoje, o trabalho de Aesha Ash vai muito além da fotografia. Ela tornou-se a primeira mulher negra a integrar o corpo docente a tempo inteiro da School of American Ballet (SAB) — a escola oficial do NYCB —, o que lhe permite moldar diretamente o futuro do balé clássico, garantindo que as próximas gerações entrem num ambiente muito mais inclusivo e diverso do que aquele que ela encontrou.



TEATRO NACIONAL S.CARLOS
Nova ópera de Luís Tinoco
libreto de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas,
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Luís Tinoco Relicário Perpétuo
Libreto Luísa Costa Gomes Lisboa | Teatro Camões 10 JUN | 18H00 11 JUN | 20H00 Loulé | Cineteatro Louletano 13 JUN | 21H00 Com André Baleiro, André Henriques, Rodrigo Carreto, Mariana Fabião, Camila Mandillo e Andrea Conangla Direção musical Joana Carneiro Encenação e figurinos Nuno Carinhas Orquestra Sinfónica Portuguesa
Relicário perpétuo
A nova ópera de Luís Tinoco, com libreto de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas, propõe um olhar inesperado sobre Camões, afastando-se da solenidade e do peso institucional, para revelar um poeta que, para Luísa Costa Gomes, [...] está vivo porque é lido e não porque está morto e ressequido e é visitado em romagem de saudade. Se ele está vivo, não há saudade nenhuma.
Partindo da descoberta de um Camões lírico, dramático, irónico e até brejeiro, Relicário perpétuo encontra-se entre a ópera bufa e o teatro, combinando humor, reflexão e uma grande pluralidade de influências musicais.
Segundo o compositor, Tem momentos em que andei a recuperar desde Flamenco, a Vicente Lusitano, Damião de Góis, Vilancicos anónimos, Samba do Brasil, música tradicional portuguesa, folclore.



Luísa Costa Gomes (Lisboa, 1954) é uma das mais destacadas e versáteis escritoras portuguesas contemporâneas, reconhecida pela sua escrita marcada pela ironia, subtileza e rigor formal. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e iniciou a sua carreira profissional como professora do ensino secundário.
Estreou-se na literatura em 1984 com o livro de contos 13 Contos de Sobressalto. Desde então, construiu uma obra vasta que abrange o romance, o conto, a crónica e, de forma muito expressiva, a dramaturgia.
Entre os seus romances mais célebres contam-se O Pequeno Mundo (1988), galardoado com o Prémio D. Dinis, Olhos Verdes (1994), que recebeu o Prémio Máxima de Literatura, e Ilusão (ou o Que Quiserem) (2009), vencedor do Prémio de Ficção d'APE (Associação Portuguesa de Escritores).
Além da ficção, Luísa Costa Gomes tem um papel fundamental no teatro português contemporâneo, tendo escrito diversas peças, libretos de ópera e realizado traduções de autores de relevo.
Colaborou também regularmente com as Edições Cotovia e assinou crónicas em vários jornais e revistas nacionais. A sua escrita destaca-se pela capacidade de desconstruir os quotidianos e as convenções sociais com um olhar simultaneamente crítico e lúdico.
Admistrador do Pingo Doce
Vencimenro de 350 mil euros/mês

Mo Yan: o camponês que se tornou Nobel
Mo Yan, pseudónimo de Guan Moye que significa "Não Fales", é o maior expoente do realismo alucinatório contemporâneo. Nascido numa zona rural da província de Shandong, a sua infância foi marcada pela fome e pela dureza da Revolução Cultural,
experiências que moldaram a sua escrita crua e sensorial. Em 2012, tornou-se o primeiro cidadão chinês a receber o Prémio Nobel da Literatura,consagrando uma obra que funde a história da China com contos populares e o surreal.

O seu estilo é uma explosão de imagens, onde o passado e o presente se misturam em narrativasépicas. Em "Sorgo Vermelho", retrata a resistência à invasão japonesa com uma vivacidade visceral, enquanto em "As Baladas do Ajo" e "A República do Vinho" utiliza a sátira e o grotesco para criticar a corrupção e os traumas sociais. Mo Yan transforma o sofrimento da sua terra natal numa mitologia universal, onde a brutalidade e a beleza coexistem de forma inseparável.
A China: robot humanoide
a 6 mil euros


Que saudade
tenho de Deus


É ilegal a decisão da Direção do Sindicato dos Jornalistas
Arranquei dente de leite, sou médico!

É o fim do jornalismo em Portugal.
A Direção do Sindicato dos Jornalistas quer dar o título profissional de jornalista a quem escreve no Facebook, Instagram ou Tiktok (chama-lhes "gestores de redes sociais"). Em resumo, quer ter mais massa em caixa. Voltem mas é aos cargos-não-renumerados que começaram (e mal) com João Isidro.
Esta proposta de "todos são jornalistas" vai abranger por certo André Ventura ou Isabel Moreira e fulminar toda credibilidade da profissão. Quem desabafa nas redes sociais ou escreve barbaridades, mentiras e ordinarices fica apto para a profissão de jornalista.
Tal e qual como um médico ser jornalista, porque escreve no seu Face e eu passar a ser médico, por arrancar um dente de leite a um filho.
Já não bastava esta Direção ter colocado a sede do Sindicato numa Falagueira, cedendo à pressão do senhor "rei", proprietário-do-quarteirão. E agora vem esta proposta a desrespeitar gerações de jornalistas que fizeram do Jornalismo um dos pilares da Democracia.
A Direção propõe o acolhimento de falsos jornalistas, cujas profissões não correspondem ao exercício do jornalismo. E a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista vai concordar? A proposta é ilegal, ignorante e abre portas à refundação do Sindicato dos Jornalistas. josé ramos e ramos
Lei sobre o Estatuto do Jornalista

O que diz Lei n.º 64/2007, de 06/11
CAPÍTULO IDos jornalistas
Artigo 1.ºDefinição de jornalista 1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional. Contém as alterações dos seguintes diplomas: - Lei n.º 64/2007, de 06/11
A MENINA DOS CINCO OLHOS
Num dos canais televisivos da nossa praça mediática, foi exibido, com pompa, o horrível artefacto com que se puniam os indígenas do nosso Império Colonial.
Não, não era o potro, não era o garrote, não era a vetusta G3: tratava-se de uma palmatória talhada em sólida madeira, instrumento punitivo em tudo semelhante ao que, na metrópole profunda, a regente escolar punia a miudagem "branquela" nas nossas escolas, ditas, à época, de primárias.

O interior das paredes da sala de aula forradas com os cartazes "A Lição de Salazar, onde se ministrava a literacia do Estado Novo, "ler, escrever e contar." Aos sábados, de manhã, era o dia de a regente, com a sua voz levemente esganiçada, cantar o Hino da Mocidade, seguida de imediato pelo coro desafinado e estridente da miudagem: "Lá vamos, cantando e rindo..."
A regente escolar, que também mais não tinha como habilitações que a quarta classe ou "segundo grau," sem vencimento, remunerada apenas com uma pequena retribuição do Estado, emparceirava com a catequista, que distribuía o correio na porta entreaberta da sua casa, pegada à escola. Sentada num mocho de madeira, grossos óculos pretos encavalitados na ponta do nariz, fitava demoradamente, um a um, os que se iam abeirando, vagarosos e inquietos, na esperança de receber a ansiada carta da África, do Brasil, da França, a reformazita da Caixa.

À medida que distribuía as cartas, recomendava-lhes que não se esquecessem de guardar os selos dos envelopes. Eram para ajudar as Missões na sua nobre tarefa de levar a fé de Cristo e a nossa civilização para a África. E por detrás do altar-mor, guardava, ciosa, não uma palmatória, mas uma caveira para ameaçar a miudagem com as penas do inferno quando se enganava a titubear as orações.

A canalha era, assim, dominada por estas duas mulheres: solteiras; empedernidas; buço negro e espesso do lábio superior a impor o respeito do bigode de um homem; casacos escuros de ombros direitos como um dólman; disciplina como a militar, a que só faltava a ordem unida com toques de clarim; direito ao tratamento de "senhora." Eram o longo braço autoritário do Estado Novo, de Salazar, e da Igreja, de Cerejeira.
E, como se isto não bastasse, havia o frio cortante das manhãs de inverno! Campos esbranquiçados da geada! Árvores rendilhadas com o sincelo! Água gelada nos cântaros!
As brasas, levadas nas escalfetas, cedidas pelo forno comunitário quando havia cozedura do pão, não conseguiam atenuar o torpor doloroso do frio nos pés.

Só as "sopas de cavalo cansado," feitas de bocados de pão misturados com vinho e uma pitada de açúcar, ou de sal quando não havia o precioso adoçante, inundavam o corpito com alguma réstia de calor. O vinho era o leite das crianças pobres, espremido do xisto. Crianças que iam para a escola de pés descalços, acomodadas em casas cobertas de colmo, de chão de terra batida, enlameada, onde coabitavam com os animais domésticos, que lhes davam alguma réstia de calor. Lá se amontoavam corpos e almas. Não, isto não se passava na África profunda, mas no interior profundo da metrópole.
Pousada na secretária, ameaçadora, a palmatória, a "menina dos cinco olhos:" um longo cabo de madeira rematado por uma roda com cinco orifícios dispostos segundo a ordem das

cinco quinas da bandeira nacional, habilmente manejada pela regente escolar. Era o terror da miudagem, que, conformada, aguardava, com as mãozitas estendidas, a aplicação das palmatoadas, "os bolos." E ai de quem ousasse subtrair a mão ao certeiro castigo.
O número de "bolos" aplicável em cada mão obedecia a um código bem definido: um por cada erro de ortografia dado no ditado; dois, por quem se enganasse a cantar a tabuada; três a quem se atrevesse a cochichar com o parceiro da carteira ou soltasse algum risinho inoportuno; finalmente, suma gravidade, quatro "bolos" a quem deixasse escapar certos odores que empestavam o ar da sala, que tinha de ser prontamente denunciado pelo companheiro da carteira, sujeito à mesma punição caso não denunciasse o infractor. Como no país, a delação, na sala de aula, estava instituída como uma virtude! E era recompensada!
"Menina dos cinco olhos," que, não obstante as gerações por ela corrigidas ao longo dos tempos, contrariamente à sua congénere africana nunca mereceu uns escassos segundos de exibição nas nossas televisões.
(Albano Dias da Costa é licenciado em Direito e em Filologia Românica, com uma pós-graduação. É autor de obras sobre Linguística Aplicada e sobre a Guerra Colonial, tendo sido agraciado duas vezes com o primeiro Prémio Literário AntigosCombatentes – Memórias Militares instituído pelo Ministério da Defesa Nacional)
Montenegro cria 'Canal de Denúncias'
a 'PIDE' do vizinho

O Governo de Montenegro vai criar um canal de denúncias específico para os portugueses denunciarem... portugueses! por abusos ou irregularidades na atribuição de apoios sociais.
A PIDE, a polícia política do regime de Salazar, não foi tão longe na delação.
Agora Montenegro engendrou uma nova PIDE... ao serviço de um qualquer vizinho manhoso. jrr
O Governo aprovou em Conselho de Ministros e levou à Assembleia da República o projeto para criar a Prestação Social Única (PSU), agregada a um Canal de Denúncias.
Esta nova medida vai substituir 13 apoios sociais que já existem (como o Rendimento Social de Inserção - RSI, o subsídio social de desemprego, a pensão social de velhice, entre outros) num único pagamento.
Como vai funcionar o Canal de Denúncias?
Qualquer cidadão, vizinho, empresa, ou associação pode denunciar situação irregular através de um portal digital.
A Ministra do Trabalho e da Segurança Social defendeu a medida para fiscalizar prestações.
A China em português
Estes livros são fundamentais para entender a China do século XX e XXI. A China é hoje também uma fascinante "potência" literária:
"Viver" (Yu Hua): Um dos livros mais emocionantes da literatura mundial. Acompanha a vida de um camponês através da guerra civil, da fome e da Revolução Cultural. Editora em PT: Relógio D'Água.
"Sorgo Vermelho" (Mo Yan): Obra do Prémio Nobel que mistura lendas familiares com a invasão japonesa. É uma escrita visual e poderosa. Editora em PT: Cavalo de Ferro / Porto Editora.

"A República do Vinho" (Mo Yan): Uma sátira bizarra e surreal sobre a corrupção e a obsessão pela comida na China.Editora em PT: Cavalo de Ferro.
"Servir o Povo" (Yan Lianke): Uma sátira proibida na China que mistura política e erotismo durante a era de Mao Zedong. Editora em PT: Sextante Editora.
"O Problema dos Três Corpos" (Liu Cixin): O primeiro volume de uma trilogia épica que começa na Revolução Cultural e termina no fim do universo. Editora em PT/BR: Relógio D'Água / Suma.

"A Floresta Sombria" e "O Fim da Morte" (Liu Cixin): As sequelas do livro acima, também publicadas em português.
"O Sonho da Câmara Vermelha" (Cao Xueqin): A maior obra-prima da literatura clássica chinesa. Existe uma edição monumental traduzida diretamente para português. Editora: Assírio & Alvim (Edição em dois volumes).
"Antologia da Poesia Chinesa": Existem várias seleções, mas a traduzida por Bento Itamar ou as edições da Assírio & Alvim são excelentes para conhecer poetas como Li Bai e Du Fu.
"Diário de um Louco" (Lu Xun): Contos curtos que mudaram a história da China no início do século XX. Editora em PT: Antígona.
"Desejo, Cuidado" (Eileen Chang): Contos sobre espionagem e amor na Xangai ocupada pelos japoneses. Editora em PT: Relógio D'Água.
"A Rapariga de Xangai" (Wei Hui): Um livro que causou escândalo na China pelo retrato da vida boémia, sexo e drogas da juventude moderna. Editora em PT: Presença.
Crónica de El-Rei D. João I
Justiça eleita pelo Povo
Prólogo
Grande cuidado deve ter quem escreve uma história: primeiro, certificar-se da verdade dos factos que relata, para que a sua escrita não seja uma falsidade; segundo, ordenar a narrativa de forma tão clara que quem a ouve ou lê a possa compreender facilmente.
Muitos autores, movidos por afeições ou ódios terrenos, decidiram louvar excessivamente aqueles a quem queriam agradar, ou diminuir com mentiras a memória daqueles a quem queriam mal. Nós, porém, não nos movemos por tais paixões.
O nosso objetivo nesta obra não é lisonjear os vivos nem ultrajar os mortos, mas sim trazer à luz a pura verdade, tal como ela se encontra nos registos antigos e nas escrituras da Torre do Tombo, que examinámos com grande diligência
Por isso, não espere o leitor encontrar aqui palavras ornamentadas ou falsos elogios de corte. A verdade não precisa de vestes vistosas para ser bela; a sua força reside na sua própria crueza.
Nesta crónica se mostrará como, após a morte de El-Rei D. Fernando, este reino de Portugal se viu em grande tempestade e tormento, órfão de senhor e ameaçado de destruição pelos de Castela.
E como a "arraia-miúda" — o povo simples desta terra —, movida por um desejo comum de liberdade e de justiça, se levantou contra a traição dos grandes senhores e tomou nas mãos o destino da pátria, elegendo o Mestre de Avis como seu defensor e regedor.
Escrevemos, pois, não para glória de alguns, mas para memória de todos, para que as gerações vindouras saibam como se guardou e defendeu esta terra com tanto sangue, trabalho e firmeza de coração.
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Da justiça que o povo começou a fazer em Lisboa e dos juízes que elegeram
A cidade andava revoltada e com grande alvoroço pelas ruas, pois a força da "arraia-miúda", uma vez acesa, não se consegue refrear facilmente.
O povo, sentindo-se livre do antigo jugo dos grandes senhores que os humilhavam, começou a querer fazer justiça pelas suas próprias mãos, mas, como muitas vezes acontece quando a multidão governa, o exercício da justiça depressa se transformou em nova injustiça e crueldade.
Diz o cronista que qualquer um que tivesse má vontade contra o seu vizinho, ou a quem devesse dinheiro, logo o acusava em voz alta de ser "traidor" e de estar do lado de Castela.
Bastava este clamor para que a multidão, sem mais provas nem audiência, corresse a linchar o homem e a roubar os seus bens. Viu-se então quão perigoso é quando o povo soberano se torna juiz sem lei, pois puniam os inocentes com o mesmo furor com que queriam castigar os culpados, cometendo roubos e mortes pavorosas à luz do dia.
Percebendo este desvario e o medo que paralisava os bons cidadãos, o Mestre de Avis e os homens honrados da cidade entenderam que era urgente pôr freio àquela anarquia. Juntaram-se em conselho e decidiram que a cidade não podia governar-se pelo ódio da massa, mas sim por leis e homens de confiança.
Foi então determinado que o povo elegesse de entre si juízes populares — homens Squares e bons mesteirais, conhecidos pela sua retidão — para que estes ouvissem as queixas e aplicassem os castigos de forma ordenada. Estes novos juízes receberam o poder de julgar sumariamente os traidores, mas também de prender e castigar os populares que fizessem desordens ou saqueassem as casas alheias.
Desta forma, pela criação destes juízes eleitos, começou a fúria das ruas. Onde antes imperava a injustiça da multidão desgovernada, voltou a erguer-se o braço da justiça organizada, mostrando que até a mais legítima das revoltas decai em tirania se não se submeter ao império da lei e da razão.
Sindicato mora agora numa "Falagueira"
O Sindicato dos Jornalistas tinha uma centralidade importante, sediava-se no coração de Lisboa, agora mudou-se para uma espécie de Falagueira,
numa decisão estúpida e estranha de uma direcção que irá destruir o Sindicato dos Jornalistas, jrr
A DESTRUIÇÃO ANUNCIADA
DO SINDICATO DOS JORNALISTAS

A direção nacional do Sindicato dos Jornalistas (SJ) propôs uma revisão estatutária que, a ser aprovada em assembleia geral, transformará o sindicato numa espécie de associação de produtores de conteúdos.
A proposta abre as portas à filiação de profissionais que "trabalham direta e principalmente na produção informativa", incluindo

"revisores de texto, paginadores, designers gráficos e de infografia, operadores de imagem e som, editores de imagem e vídeo, sonoplastas e engenheiros de som, realizadores e operadores de régie, arquivistas, secretários de redação e agenda, produtores e assistentes de produção, web designers e programadores, gestores de redes sociais e outras vias de comunicação digital". A única justificação apresentada pela direção é que esses profissionais trabalham "lado a lado" com os jornalistas.
Absurda justificação, como se a proximidade física numa redação apagasse diferenças substanciais.

A única justificação apresentada pela direção é que esses profissionais trabalham "lado a lado" com os jornalistas
De um lado, jornalistas sujeitos a um estatuto consagrado em lei e a um código deontológico; do outro, profissionais sem qualquer responsabilidade legal ou ética na "produção informativa".
É uma amálgama sem sentido, que dissolve as fronteiras entre a profissão jornalística e funções técnicas e lança o SJ num pântano de equívocos, atraiçoando o seu legado histórico, reconfigurando a sua representação sociolaboral, e enfraquecendo o seu papel institucional no setor da comunicação social e na intervenção pública.
Direção quer permitir que jornalistas não sindicalizados integrem o Conselho Deontológico e votem para a sua eleição
Haverá um motivo adicional e financeiro, embora não declarado, para a proposta. Face ao declínio do número de jornalistas sindicalizados, a direção presumirá que abrir as portas a outras profissões é a solução mágica para equilibrar as contas.
Solução ilusória, pois nada garante que esses profissionais tenham interesse em aderir ao SJ (há outros sindicatos que representam as suas profissões), e certamente que vários jornalistas abandonariam o sindicato perante a dissolução da sua identidade.
A proposta inclui ainda outros pontos de irrazoáveis e injustificadas alterações estatutárias, como permitir que jornalistas não sindicalizados integrem o Conselho Deontológico e votem para a sua eleição — o que é uma impossibilidade, dado tratar se de um órgão do sindicato.

Ou a introdução de mecanismos pouco democráticos, como cooptações para os órgãos sociais, reforço dos poderes da direção nacional e votos de qualidade atribuídos aos presidentes de órgãos.
Ou, ainda, o fim da delegação do Norte, com sede no Porto, a par da criação de uma estrutura dispersiva e irrealista de delegações regionais. Tudo isto coroado com a possibilidade de o presidente da direção nacional passar a ser um cargo remunerado.
A proposta da direção pode ser analisada aqui https://jornalistas.eu/proposta-de-revisao-estatutaria.../ e será discutida nas sessões de assembleia geral convocadas para 18 e 25 de junho e 2 de julho
Guilherme Silva, o fotógrafo
que seguiu o caminho certo
Reduziram-lhe agora a pensão para 128 euros num país que dá um bónus de 7,5 milhões de euros a gestor e onde o presidente do Pingo Doce ganha 350 mil euros mensais

Eu conheci Guilherme Silva, quando os nossos caminhos se cruzaram num jornal. Ele foi sempre um fotógrafo excepcional, mas uma foto de Simone Oliveira, demasiado contrastada, arrasou o futuro profissional de Guilherme, como repórter-fotográfico. Ali à minha frente e no julgamento de Vitor Direito.
VItor Direito, o mago do jornalismo, pretendia um jornal a apontar a felicidade ao Povo, ocultando a inveja, calúnia e a dor que sempre foram marca nacional, no entender de Camões ou de Padre António Vieira.
Ainda muito novo, fiquei perante dois caminhos opostos no mesmo país. Por um lado Guilherme Silva que não perdoava a realidade. Por outro Vitor Direito a bailar na fantasia da felicidade, para dar emprego a 400 pessoas e ficar podre de rico.
Qual deles fez o caminho mais certo? Ainda hoje estou dividido e as minhas duas mãos não querem conversar sobre o assunto.
Mas estão ambas de acordo sobre a ignomínia da parca pensão agora reduzida a 128 euros mensais, por um governo que permite um bónus de 7 milhões e 500 mil euros a António Ramalho, marido da ministra do Trabalho, e 1.400 milhões de euros de lucro líquido obsceno à senhora Galp. Abraço Guilherme, jrr

foto da série Fátima

fotos da série Hospício de Lorvão





"No dia 2 de Junho, o fotógrafo Guilherme Silva, após ter tido conhecimento de que o seu SMC, que já não recebia desde Janeiro por motivos que desconhecia, passara de 470 para 128 euros, tentou passar a outro mundo.
Aos 78 anos, com despesas de habitação e saúde a seu cargo, e dadas as consequências a longo prazo da precariedade que caracteriza o trabalho na Cultura, considerou que o seu acto serviria "para quem vem a seguir":
um manifesto de indignação por parte de quem se sente privado de uma caução de dignidade. Fotografou o 25 de Abril, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, dedicou a vida à fotografia."




A guerra que não serviu para nada...
O regime dos aiatolas no Irão saiu reforçado da guerra declarada pelos Estados Unidos, que aparentemente queriam limitar a capacidade nuclear iraniana e proteger os fluxos de petróleo.

Os iranianos não conservadores imaginaram uma libertação do regime teocrático, mas tudo acabou num banho de sangue interno com mais de 30 mil vítimas civis.
Ao fim de 100 dias de guerra, os Estados Unidos chegam agora a um acordo onde fica tudo na mesma ou pior. O Irão exige indemnizações de guerra e portagens no Estreito. Por outro lado, os Estados Unidos ficaram com as suas melhores armas expostas aos observadores russos e chineses.
Não se percebe qual foi o verdadeiro objetivo desta guerra, a não ser apoiar Netanyahu no arrasar numa faixa de 30 km no sul do Líbano e no bombardeamento do Irão - para transformar um país de 90 milhões de habitantes numa nova Faixa de Gaza.
Apenas se vislumbra um padrão habitual: a vitória da indústria do armamento, como aconteceu durante 20 anos com o Afeganistão a poucos quilómetros. É impossível a robusta comunidade de informações americana não ter previsto este final infeliz para Trump. ABJ
Galeria António Prates
Último dia: Ar, água, terra, fogo de Elisa Ochoa


Inicia-se um novo caminho de descoberta criativa da artista, explorando a ideia de forças indiferenciadas que permanentemente se encontram no caos primordial e que naturalmente, por uma lógica interna e irracional, se vão formando em figuras singulares e dinâmicas.
Elisa Ochoa refere-se aos primeiros elementos como entidades criativas e expressa plasticamente essa ideia a partir do movimento constante entre o ar, a água, a terra e fogo, desenvolvendo diversas séries de trabalhos que vão do desenho, à pintura, colagem, escultura, instalação e fotografia.
Tal como na origem do mundo natural e cosmológico, a arte nasce de um caos potencialmente criador e, através de um ato de combinações mentais e gestuais da matéria, se vai desenhando uma ordem dos elementos que a compõem.
Constituem o surgimento de algo que é novo - novas formas, novas fusões, novas matérias e substâncias que se vão concretizando em fragmentos de uma só unidade - como uma árvore que cresce; como um ser vivo que se transforma a partir da célula.
A exposição "Ar, água, terra e fogo" aparece como um título sugestivo da artista para dar conta do conceito de vivência dos materiais e do seu ser para o mundo, transmutáveis, destrutivos, decadentes e renovadores de outros ciclos. texto da Galeria António Prates
O 'grande milagre' de Matt Brittin, ex-alto executivo da Google
BBC vai despedir 559 trabalhadores
Admitido em 18 de Maio passado, vai despedir um quarto da força da BBC
Matt Brittin, ex-alto executivo da Google admitido há um mês na BBC, traz um "milagre": despedir uma parte substancial da força da mais prestigiada empresa de comunicação do mundo, a BBC. Esta é uma solução típica das gestões americanas. E acontece depois do Carlos III ter recebido com pompa exagerada Trump e da visita do rei aos Estados Unidos da América.
Brittin planeia rescindir o contrato com 559 dos 2.000 trabalhadores, o que representa aproximadamente 25% de toda a sua força de trabalho. Destes, já foi confirmado que 550 postos de trabalho serão eliminados especificamente na divisão da BBC News e em cargos ligados à televisão e rádio, afetando a programação devido à necessidade de cortar £500 milhões no orçamento nos próximos dois anos.
O atual diretor-geral é Matt Brittin, um antigo alto executivo e ex-presidente da Google para a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA).
Matt Brittin assumiu formalmente as suas funções no dia 18 de maio de 2026. Foi nomeado para o cargo em março de 2026 para suceder a Tim Davie, que se demitiu no final do ano anterior.
Gisberta Salce Júnior injustiçada
O homem - que fugiu do Brasil para ser mulher - foi apedrejada e afogada por 13 menoress no Porto
PSD e Chega insistem na transfobia
O PSD e o Chega têm o condão triste de fazer com que o país recue, em especial em matéria de direitos humanos e questões sexuais meramente pessoais. A aprovação da iniciativa legislativa do partido da extrema-direita, que contou com a conivência e o viés ideológico da direita tradicional, representa um rude golpe na dignidade humana e no caminho de progresso social que Portugal tinha vindo a trilhar.
Gisberta, uma mulher trans, sem-abrigo e doente, foi brutalmente torturada e assassinada em 2006, na cidade do Porto, por um grupo de jovens. O seu corpo foi moldado pela exclusão social, pelo abandono institucional e pelo ódio cego

Ao focar-se em escrutinar, limitar e politizar as vidas e os corpos das pessoas transexuais, esta aliança parlamentar demonstra uma total falta de empatia, transformando a esfera mais íntima e pessoal dos cidadãos num campo de batalha ideológico e populista.
A memória dolorosa de Gisberta
No centro deste debate, a deputada socialista Isabel Moreira voltou a recordar o caso de Gisberta Salce Júnior, trazendo à memória coletiva um dos episódios mais negros e trágicos da história recente do país no que toca à transfobia.
Medidas Tutelares Educativas: Em vez de penas de prisão, os 12 menores foram submetidos à Lei de Tutelar de Menores e internados em centros educativos (como as Oficinas de São José) pelo período máximo previsto por lei, que na altura era de 2 a 3 anos. O único jovem que já tinha 16 anos à data do julgamento foi julgado como adulto, mas o tribunal aplicou uma pena suspensa por não ter sido provada a sua participação direta nas agressões fatais, tendo sido condenado por omissão de auxílio.
Proteção do Anonimato: Como o processo envolveu menores, as suas identidades foram e continuam a ser estritamente protegidas pelo segredo de justiça e pelos direitos de privacidade de dados.


O JUIZ IVO ROSA
Ivo Rosa, no @jornalexpresso "Tendo em conta todos os inquéritos que o MP abriu em relação à minha pessoa, pelo menos sete deles visavam a sindicância de atos de judicatura pela via criminal — e não pela via de recurso. Se o MP não fica satisfeito com uma decisão, não pode abrir um processo-crime ao juiz por este ter aplicado o direito num sentido com o qual não concorda.
Se um juiz que está a decidir tem de ponderar se o MP vai gostar, sob pena de ser alvo de um processo-crime, então vai decidir no sentido contrário só para não ter problemas. Tudo o que vá para além do escrutínio normal por via de recurso é um atentado ao Estado de direito.
"Se Ivo Rosa dirigiu a carta que dirigiu ao PR e ao PAR, sendo evidente há muito, e agora de forma flagrante, que está em causa o Estado de direito, espera-se que o PR faça algo, que chame o PGR a Belém, que chame o PM para falar sobre o tema politico em causa, que se pronuncie, que o PAR distribua a carta aos grupos parlamentares para as medidas que cada um tenha por convenientes, espera-se que o PAR também se pronuncie.


A MORTE DE UM GÉNIO:Apesar da idade, no que respeita à minha vivência intelectual, Edgar Morin era eterno. Para além do historiador português Fernando Catroga e do filósofo Eduardo Lourenço, do meu professor de português Manuel Marques da Cruz, foi uma das traves-mestras da pessoa que sou.
É com desgosto que me despeço dele.Conheci-o através de um livrinho publicado na década de 70, O 'Paradigma Perdido: A Natureza Humana'. marcou-me de tal forma que não mais o perdi de vista. Daí ao 'O Homem e a Morte' foi um instante, entre outros, toda a sua obra sobre o 'Método'. Assisti a inúmeras das suas conferências em Portugal e, sobretudo, em França. E aprendi sempre.Agora que se despediu de nós, em plena Feira do Livro de Lisboa, espero que muitos o encontrem nos livros que nos deixou, para melhor conhecimento da extraordinária composição que é o Ser Humano. Ver menos

Manifesto de Isabel Moreira contra o Chega, pela República
Isabel Moreira faz um libelo acusatório contra O Chega e pede à República que se defenda do populismo que estriba a apatia e a desilusão dos portugueses. Devido à natureza on-line dividmos em uatro o texto. Publicamos a primeira.
Desde a sua fundação, o Chega já propôs: a prisão perpétua, exigindo uma revisão da Constituição;
A castração química de agressores sexuais;
A perda da nacionalidade portuguesa para cidadãos naturalizados condenados por determinados crimes graves; a revisão profunda da Constituição (na verdade a sua destruição);
A privatização alargada da saúde e da educação e a extinção do Ministério da Educação; o fim do financiamento público de interrupções voluntárias da gravidez e de tratamentos de afirmação de género no Serviço Nacional de Saúde;
A proibição da "propaganda da ideologia de género" nas escolas, acompanhada de uma revisão dos conteúdos curriculares relacionados com educação sexual e identidade de género; r
Restrições muito severas à imigração, incluindo endurecimento do acesso à nacionalidade, limitação do reagrupamento familiar, reforço das expulsões e maior facilidade na retirada de autorizações de residência em determinadas situações;
A redução drástica do Estado social nas primeiras formulações do partido, defendendo um "Estado arbitral" em vez de um Estado prestador.
Entretanto variou em matéria de Estado social conforme os resultados eleitorais.
Uma moção aprovada na Convenção de 2020 defendia a esterilização de mulheres que recorressem repetidamente ao aborto.
É um Partido que nasce depois de declarações racistas sobre a comunidade cigana e já propôs sua segregação durante pandemia.
O Chega adere sem problemas ao lema "Deus, Pátria, Família", pelo seu simbolismo histórico.
Está tudo a acontecer muito rápido. Temos todos que agir. Todos. Todos os democratas de esquerda e de direita.
Descrimina
Quotidianamente, sucedem-se declarações xenófobas, racistas, misóginas e homofóbicas.Entre os seus apoiantes declarados há nazis orgulhosos. É o Partido que produz mais mentiras no espaço público, desrespeita as instituições e alimenta o conflito social.
Não há nenhum partido português simétrico ao Chega. Atualmente é o único partido que discrimina migrantes, pessoas não brancas e comunidades ciganas.
Posto isto, o Chega seria ameaça ao Regime se direita clássica o abraçasse. O PS cometeu erros: nunca acreditei que fosse boa a caminhada para uma escolha entre Chega e PSD.
Mas foram PSD e CDS que se traíram. Já não são as direitas personalistas e democrata-cristã.
Desde que estão no poder, contrariamente ao que estava previsto no seu programa eleitoral, escolheram o Chega. Desde o dia um. Desde a eleição para a presidência da AR.
Depois criaram uma narrativa: falamos com todos, não temos maioria. É mentira.
O que fazem é, à partida, entregar no Parlamento propostas inaceitáveis já negociadas com o Chega – como a lei da nacionalidade e a lei da imigração que continham aqueles sonhos do Chega atrás descritos – e pedir colaboração.
Foi o princípio do fim
A TV mostrava cidadãos não brancos encostados à parede na Rua do Bem-Formoso. Ali, onde vários Deputados do Chega fazem vídeos contendo crimes de ódio contra imigrantes do Indostão.
Foi o princípio do fim
porque começou a normalização do que tínhamos por indigno. Passámos a ouvir falar em "revistas normais" e a ouvir piadas no Parlamento como "querem que os revistem como? De frente?".
Todos, todos, todos os dias falam de imigração, isto é, perseguem imigrantes, os crimes de ódio aumentaram 200% em comparação com a última década, há corpos em risco, porque fazem dos imigrantes a grande questão nacional. Que se esqueça a escola publica, a saúde, que está numa crise tremenda, a habitação, que é um luxo e devia ser direito fundamental, o custo do cabaz alimentar.
Imigração e nacionalidade. Subitamente, a direita que era clássica fala em sangue, em portugueses puros, ouve-se o deputado João Almeida dizer "que na rua já não reconhece o país". Perguntei atónita se era por causa da cor. O mesmo João Almeida, há uns anos, teria coragem de associar nacionalidade portuguesa a cor de pele branca? Se visse António Costa na rua, e não fosse ele figura pública, presumiria ser estrangeiro?
É muito grave e está tudo a acontecer muito rápido.
O único debate que houve antes das eleições sobre direitos LGBTI teve a promessa do PSD de que nada seria revogado. Eis que AD aprova a destruição da autonomia das pessoas trans e legisla sobre o que pode e o que não pode um médico fazer. Legisla sobre medicamentos. E junta-se a todos os fanáticos que andam há anos a apelidar as pessoas trans de doentes.
Parece um filme de terror, está tudo a acontecer muito depressa.
O CHEGA TEM MEDO
O Chega tem medo da diversidade, todos os fascistas têm medo da diversidade, querem a segurança deles, a liberdade deles. Mas a AD aprovou a proibição do hastear da bandeira arco-íris em edifícios públicos, quando a homofobia é constitucionalmente repudiada e há um dia nacional consagrado para combater esse fenómeno tão duro, com uma história carregada de internamentos compulsivos, assassinatos, campos de concertação, espancamentos e abandono.
Os crimes de género disparam e a melhor solução que a direita clássica encontra é ceder à tara que o Chega tem com a sexualidade, pelo que já não há educação para cidadania obrigatória.
De caminho ouve-se Hugo Soares dizer que "o trabalho honra" após terem defendido que quem acede a prestações socais, porque é pobre ou doente, deve fazer trabalho social. Já andou mais longe da oratória parlamentar uma outra expressão sobre o trabalho…
Falam sobre regularizar imigrantes.
É mentira.
Tiraram-lhes as garantias processuais de defesa.
Revogaram em conselho de ministros a criminalização da omissão de declaração de trabalho doméstico. A direita sabe bem que serão imigrantes indocumentados, na sua maioria mulheres não brancas, a voltarem para uma espécie de senzala moderna. A AD faz vídeos a fingir que trabalha. Como a do Ministro da Presidência em mangas de camisa a roer as unhas a fingir que nos salvava da tempestade. É mitómano.
Luís Montenegro gosta de falar sem direito a perguntas. Anuncia algo e segue-se o hino nacional.
Entretanto, foram mais longe do que o pacto das migrações. Nada os comoveu em matéria de detenção por períodos alargados de menores não acompanhados. Essa desumanidade faz do retrocesso que era o pacote laboral um dia normal.
Na TV, fala-se pouco sobre a substância, é muita coisa ao mesmo tempo, o Código Penal vai sendo alterado por proposta do Ministério Publico, sem mais ninguém envolvido, enquanto leio a carta de Ivo Rosa que nos dá conta do que já sabíamos.
Isto está tudo a acontecer muito rápido. Hugo Soares não terá gostado do cartaz do Chega que apelidava Luis Montenegro de corrupto, mas que interessa isso, quando podem assinar um acordo de suspensão de prazos de revisão constitucional para o golpe final no Regime?
Está tudo a acontecer muito rápido. Temos todos que agir. Todos. Todos os democratas de esquerda e de direita.
Preparar a morte
e decidi-la
Uma novela singular nas nossas televisões está a ser transmitida na SIC sob o nome de "Páginas da Vida" . Singular pelos temas que aborda, racismo, deficiência infantil, adopção de crianças, eutanásia, temas tradicionalmente sem presença no pequeno écran - sobretudo o da eutanásia

O suicídio, a morte assistida tornaram-se, como se sabe, tabus na sociedade portuguesa (no debate público) apesar sermos um povo de suicidas, como dizia Antero - de suicidados, corrigia Agostinho da Silva - de somarmos altíssimas percentagens dos que, quotidianamente, se matam, em isolamento, em abandono, em sofrimento.

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Não se imagina quantos se atiram às linhas férreas, ao Tejo, na Ponte, se envenenam, enforcam, estilhaçam dentro de veículos, golpeiam sob pavores, no silêncio, na solidão.
Implacáveis, a medicina, a legislação, a moral, as instituições vigentes impuseram silenciamentos atrozes - sob paternalismos sufocantes - à reflexão, cada vez mais urgente, da eutanásia.
No entanto, essas instituições permitem, acantonadas em culturas e crenças, a morte lenta pela subnutrição, pela doença, pelo abandono, pela miséria, pela desesperança de milhares de desistentes da vida, da dignidade dela, deixando-os no limite da inexistência.

A novela em causa, de uma maneira dolorosíssima e trespassante (notável a interpretação da actriz Manuela Couto, espantoso o seu olhar de mágoa e súplica, interioridade e serenidade!) marca um momento singular na nossa comunicação social, desocultando com profundidade, com inteligência algo impossível de ignorar.
Portugal, que foi audaz na proibição da pena de morte, na ilegalização da escravatura, na despenalização do aborto, no reconhecimento do casamento homossexual, na adopção de crianças por casais do mesmo sexo, devia merecer os que ontem ousaram ser inovadores, e juntar-se hoje aos que tentam abrir futuros.
"A pessoa sábia é aquela que prepara a sua morte e, serenamente, a decide", escrevia, fitando o oceano para lá do promontório de Sagres, Marguerite Yourcenar.
Teatro Nacional em Belém com 'O Barbeiro de Sevilha'

Ao longo do mês de Julho, a música clássica, a ópera e a dança acontecem na praça do museu no Centro Cultural de Belém.
A mudança de localização deve-se às obras de reabilitação e modernização que estão a decorrer no edifício histórico do Teatro Nacional de São Carlos.
Os bilhetes gratuitos para os lugares sentados podem ser levantados no local, a partir das 19h00, sendo válidos para o espetáculo desse dia.
Quem sai aos seus... não fecha a barbearia! Oficina 11 de julho 11H00 Atividade sujeita a inscrição online prévia Schubert/Mendelssohn Concerto 12 de julho 21H00 O barbeiro de Sevilha Ópera em versão de concerto 24 e 25 de julho 22H00
A pasta dos dentes afinal mata?
A banalização do mal
Ouvi exactamente assim: primeiro prenderam um, agora o universo fez uma limpeza com os terramotos. A senhora é licenciada, mãe de filhos e falava da Venezuela.
Entre nós, têm proliferado estes grupos nacionalistas-messiânicos, que já ultrapassaram, em número de aderentes as insanas igrejas de bispos brasileiros milionários, que extorquem os mais vulneráveis, sem que o Ministério Público mexa uma palha.
Esta gente perigosa mistura o nacional-socialismo de há 100 anos, com cristianismo (reinventado ao seu gosto), espiritismo, quantismo e patriotismo. Tudo ensopado nos discursos de
ódio e alarmismo do Senhor Ventura, sem que o Ministério Público intervenha.
Todos conhecemos pessoas que acusam as vacinas de serem antenas de controle, de nuvens esparsas serem pulverizações de extermínio programado e, até do flúor da pasta dentrífica, ser um envenenamento organizado. Basta estar numa fila de supermercado.
Estamos perante grupos de criminosos loucos e... o Ministério Público prefere andar a secundar acusações particulares, em vez de ir, pelo menos, para as filas dos supermercados e agarrar as pontas destas meadas... estúpidas, cruéis e criminosas que estão a minar o País. jrr
Cada viagem de Falcon 900
Lisboa-Dallas-Lisboa custa 190 mil euros
A hora de voo do avião Falcon 900 do Governo português custa 6.500 euros. Um vôo Lisboa-Dallas- Lisboa num Falcon 900, tudo incluído, custa entre 190 mil e 210 mil euros.
Três viagens, ida e volta custam 570 mil euros (o equivalente a 2.303 RSI ao valor de 247,5 euros mensais.
O preço de um bilhete num avião comercial em época alta (julho/agosto ou reservas de última hora: 1.100 a 1.500 euros.

Em detalhe: combustível (Jet A-1): 90.000 euros, cerca de 23.000 litros consumidos pelos três motores nos dois trajetos
Taxas de Aeroporto, Navegação e Apoio em Terra (Handling): 30.000 (Serviços nos terminais privados de Lisboa e Dallas, taxas de aterragem e controlo aéreo). Tripulação (2 Pilotos + 1 Assistente): 25.000 euros (horas de voo, alojamento em hotel em Dallas, alimentação e ajudas de custo) Estacionamento do Avião (Destaque em Dallas): 5.000 euros (Taxa diária para manter o jato parqueado no aeroporto americano). Margem de Manutenção e Gestão Operacional: 30.000 mil euros (custo de desgaste por hora incorporado pelo operador do jato)
Valor estimado 190.000 a 210.000 euros
O valor exato pode oscilar dependendo do preço do combustível na semana da viagem e do número de dias que o avião ficar à tua espera em Dallas antes de fazer a rota de regresso a Lisboa.

História dos números difíceis que nos atrapalham
Afinal quantos éramos em 1930, em 1974, em 2011 e... em 2024

Os números da imigração deixam-nos 'apardalados' entre as falas do senhor Ventura e o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) . Vejamos.
Nos recuados anos de 1930 éramos de 6.826.000 habitantes. E em 1963 atingimos os 9.042.000,ou seja mais 2.216.000
A seguir 1971 baixámos para 8.624.000. Enviámos 418.000 portugueses para o mundo, para escadas, portarias e construção civil, em França, África do Sul e Venezuela.
Em 1974 a população subiu 8 879000, quando alguns regressaram desses martírios.
Com o fim das Colónias, em 1976, subimos para 9.405.000, mais 526.000 (e não 1 milhão). Fomos aumentando até 10.562.178 em 2011, ou seja mais 1.157.178, em 35 anos.
Em 2020 baixámos para 10.298.252, a 'Troiquice' mandou 263.926 habitantes para fora do País.
E depois? 2021 - 10.344.802 habitantes (Ano de Censos); 2022 - 10.467.366; 2023 - 10.639.726; 2024 - 10.749.635 habitantes.
E depois num passe de mágica passámos para 11.424.031, em 2025, ou seja mais 674.396 e no Governo de Luís Montenegro
Fica claro que não enviámos 1 mihão de portugueses para o mundo entre 1960 e 1973 (que teriam resultado em 5 milhões) e que não regressou um milhão das Colónias. Também se estranha num ano apenas de 2024-2025 tamanho salto populacional de 10.749.635 habitantes para 11.424.031 em pleno Governo de Luís Montenegro.
Ah! Aconteceu num País já com 730 mil casas fechadas, em 2023, segundo relatório da OCDE, publicado pelo Jornal Expresso.
E já agora existiam 2.700.000 a 2.800.000 fogos (casas) em 1974 em Portugal. Mas no Censos de 2021, o INE registou exatamente 5.961.328 alojamentos familiares clássicos em Portugal. Cerca do dobro de casas, mas a população não dobrou de 8.624.00 para 17.248.000. Está em 11.424.031. jrr

Cortes nas pensões e 1.400 milhões de lucro na GALP
Há um guião alinhado para tornar os pobres mais pobres e os ricos mais ricos em Portugal. Como corrobora o comentário recente do Fundo Monetário Internacional incitando ao corte das pensões de viuvez e das mais baixas.
Mas, sobre os 7 milhões de euros de prémio do marido da ministra do Trabalho, nem uma palavra.

O FMI vem em apoio das políticas do governo de Montenegro, roteirista de uma miséria anunciada, que não se importa com os 1.400 milhões de euros de lucro da Galp. Quando o petróleo a nível mundial desce ao preço mais baixo por barril - antes guerra do Irão - sem que os combustíveis reflitam essa diferença.
O governo anda também muito preocupado com a ocupação de casas, sem nada fazer para enfiar no mercado 730.000 vazias, segundo relatório da OCDE. Organização a que Portugal aderiu ainda no tempo de
António Salazar, o ditador das rendas congeladas, do pão sem aumento e que prendeu o País a um

capitalismo, que as grandes famílias já não queriam. Porque as impediam de fazer negócios chorudos pelo mundo fora.
Os tempos são maus. Cá e lá fora. Dois terços do Parlamento Europeu levantaram-se para gritar "mandem-nos para casa". Protestavam contra os imigrantes, que vieram para cá fugidos das suas terras, bombardeadas por americanos e europeus anos a fio. Nomeadamente o Afeganistão, Iraque, Síria, Líbano e Líbia, tudo reduzido a escombros e televisonado para os espectadores verem em pormenor, enquanto jantam.
Que mundo é este? E que País? Onde, por pouco, não tivemos um primeiro-ministro trabalhista ao volante de um Porsche. Mas temos um primeiro-ministro que foi consultor de uma bomba de gasolina. jrr
Qual é o valor da pensão de viuvez
Lei garante tecto mínimo para o falecido com menos de 15 anos de descontos:
viúvo recebe 166,66
se tinha mais de 31 anos de descontos: viúvo recebe 240,65 €.

Em Portugal, o valor da Pensão de Viuvez (ou Pensão de Sobrevivência) não é um valor fixo. Ele corresponde exatamente a uma percentagem da reforma que o cônjuge falecido recebia (ou tinha direito a receber):
60% da reforma do falecido (se for paga apenas ao viúvo/a).
70% da reforma do falecido (se o viúvo/a já estiver divorciado/a e houver mais do que um -cônjuge com direito à pensão, dividindo-se o valor entre eles).Valores Mínimos Garantidos (Caso a reforma do falecido fosse muito baixa):
Se 60% da reforma do falecido der um valor extraordinariamente baixo, a lei garante os tectos mínimos de subsistência:
Se o falecido tinha menos de 15 anos de descontos: O viúvo recebe o valor fixo de 166,66 €.
Se o falecido tinha entre 15 e 20 anos de descontos: O viúvo recebe 177,15 €.
Se o falecido tinha entre 21 e 30 anos de descontos: O viúvo recebe 192,80 €.
Se o falecido tinha mais de 31 anos de descontos: O viúvo recebe 240,65 €.
Portugueses já foram 'bangladeshs' em França
Governo quer até 12 meses de detenção para imigrantes ilegais

A memória de um país é curta, os portugueses já foram os Bangladesh de França, nas décadas de 1960 e 70, há cerca de 60 anos. Mas nunca se ouviu por lá falar em centros de detenção temporária de 360 dias (um ano), como quer agora o Governo de Montenegro.
Largas centenas de milhar atravessaram a fronteira ilegalmente e viviram sem documentos nos arredores de Paris, em bairros de lata chamados de bidonvilles, por terem sido construídos com chapas e desperdícios. O fotógrafo Gérald Bloncourt imortalizou e documentou a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles franceses, o célebre foi Champigny-sur-Marne.

Paris tem hoje quase um milhão de portugueses e seus descendentes, os chamados luso-descendentes. O Governo esqueceu o acolhimento progressivo que os portugueses tiveram em França, tão necessários ao desenvolvimento daquele país.
O Governo de Montenegro ignora este passado e avança com um endurecimento drástico das suas políticas migratórias através da nova "Lei do Retorno", assente nos seguintes pontos fundamentais: jrr

Deportação imediata dos imigrantes ilegais
O Governo decidiu eliminar a atual Notificação para Abandono Voluntário (NAV). Atualmente, quando um imigrante ilegal é detetado, recebe um prazo (geralmente de 20 dias) para sair do país pelo seu próprio pé. O Executivo considera que isto gera arrastamentos e ineficácia, pelo que as decisões de afastamento coercivo (deportação) passarão a produzir efeitos imediatos.
Prazos de Detenção Alargados até 360 Dias
Para garantir que o Estado tem tempo para organizar os processos de repatriamento, o limite máximo de detenção nos Centros de Instalação Temporária (CIT) sofre uma alteração drástica: o limite de detenção estende-se agora até 360 dias (12 meses) para a execução do retorno.

Fim do Efeito Suspensivo do Asilo
Até agora, se um cidadão em processo de expulsão avançasse com um pedido de asilo-proteção internacional, o processo de deportação ficava automaticamente congelado. A proposta do Governo dita que o pedido de asilo deixa de suspender o processo de afastamento.

Criação de Medidas de Coação Alternativas
Para que a detenção seja mesmo o último recurso, a lei passa a prever alternativas para os imigrantes que aguardam o repatriamento, tais como: O pagamento de uma caução/garantia financeira, entrega obrigatória dos documentos de viagem às autoridades. A colocação do cidadão num regime de instalação aberto nos centros.
Detidos em módulos e menos critérios de proteção
O Governo anunciou o reforço urgente da capacidade dos CIT (Lisboa e Porto), recorrendo inclusive a estruturas de construção modular temporárias para criar entre 300 a 600 novas vagas até ao verão. Além disso, os critérios humanitários que antes protegiam os cidadãos da expulsão imediata serão significativamente revistos e restringidos.
Terramoto na Venezuela: 119 portugueses entre as vítimas mortais, 22 crianças e 97 adultos
José Saramago
o escritor maldito do terramoto de 1755
A Venezuela carrega um novo fardo: os dois terremotos simultâneos. Já não bastava os desgovernos de Chavez e Maduro e agora também as investidas da Nobel Corina Machado e do SenhorTrump.
A propósito deste terremoto, catástrofe que toca profundamente o coração de todos, recordamos alguns autores uie abordaram este tema. Entre os quais José Saramago, o escritor maldito do tempo de Cavaco e Silva e agora de novo acoçado por Luiz Montenegro. que o quer retirar do ensino escolas portuguesas
O livro de referência absoluta e de grande peso literário que retrata de forma magistral o drama e a devastação de um sismo é o Memorial do Convento, (1982), do prémio Nobel português José Saramago.
Embora o foco central do livro seja a construção do Convento de Mafra e a história de amor dos protagonistas, o Terramoto de 1755 em Lisboa é um dos momentos mais dramáticos, viscerais e impressionantes de toda a narrativa.
Lisboa destruida pelo Terramoto
Saramago descreve o cataclismo não apenas como um evento geológico, mas como o desabar físico e psicológico de uma capital inteira, mostrando o pânico da população, a destruição das igrejas e o incêndio que se seguiu.
A cidade antes do Terramoto de 1755
Montenegro quer 'despedir' Saramago
A polémica estalou após o Ministério da Educação (do governo liderado por Luís Montenegro) apresentar uma proposta de revisão curricular das Aprendizagens Essenciais de Português para o secundário.
O que a proposta faz: Retira a obrigatoriedade de leitura integral de uma obra de José Saramago (como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis) no 12.º ano. Em vez disso, a obra do único Prémio Nobel da Literatura português passa a ser opcional, permitindo que as escolas escolham, em alternativa, um livro de outro autor (como Mário de Carvalho).
A posição do Governo: O ministro da Educação defende que a revisão é "absolutamente técnica", que o autor não é banido das escolas (mantém-se como opção ou contrato de leitura) e que se pretende dar maior autonomia aos professores para diversificar o repertório literário.
Os críticos (Fundação Saramago, escritores e professores): Manifestaram enorme indignação através de cartas abertas. Defendem que abrir a porta à opcionalidade fará com que milhares de alunos terminem o liceu sem nunca ler Saramago. A Fundação José Saramago sugeriu ironicamente que o governo devia usar a palavra "e" em vez de "ou", adicionando novos autores sem excluir o Nobel. Até o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, classificou a intenção como "um bocadinho estranha".
Grandes livros sobre
o drama de um terramoto
O Terramoto no Chile (Das Erdbeben in Chili), de Heinrich von Kleist (1807)

Este clássico da literatura alemã é uma das novelas mais dramáticas alguma vez escritas sobre o tema.
Passado em Santiago do Chile durante o sismo de 1647, a história acompanha dois amantes condenados à morte pela sociedade e pela Igreja. O terramoto destrói a cidade e a prisão, libertando-os temporariamente. A obra usa o sismo como uma força brutal da natureza que expõe a hipocrisia, a crueldade e o fanatismo religioso dos sobreviventes.
Voltaire escreveu livro sobre Terramoto
de Lisboa

Outro escritor gigante da literatura mundial que escreveu uma obra-prima centrada num terramoto foi Voltaire (1694–1778), com o seu célebre livro Cândido, ou o Otimismo (1759).
O filósofo e escritor francês usou o devastador Terramoto de Lisboa de 1755 como o cenário central para desabar com a filosofia da sua época. No livro, o protagonista Cândido chega a Lisboa exatamente no momento do cataclismo.
Voltaire descreve a destruição da cidade, as mortes e, logo a seguir, a reação absurda das autoridades e da Inquisição, que decidem realizar um "auto de fé" (queimar pessoas vivas) para convencer a terra a parar de tremer. É uma das sátiras mais brilhantes, negras e profundas sobre o drama de uma catástrofe natural e a estupidez humana que se lhe segue.
Após o Anoitecer ou Contos de Páscoa, de Haruki Murakami

O famoso escritor japonês escreveu a coletânea de contos Depois do Terramoto (2000)
especificamente como uma resposta ao devastador sismo de Kobe em 1995. Embora as personagens não estivessem necessariamente no epicentro no momento exato, as suas vidas foram fraturadas psicológica e emocionalmente pelo abalo. Murakami retrata o drama invisível, o trauma e o vazio que um desastre desta magnitude deixa na mente humana.
Richter 10, de Arthur C. Clarke e Mike McQuay (1996)
No campo da ficção científica e do drama especulativo de grande escala, este livro aborda o trauma de um jovem que perde a família num sismo quando era criança. Ele torna-se um sismólogo obcecado em prever o próximo grande terramoto ("The Big One") que ameaça destruir a Califórnia. É uma obra que mistura o drama psicológico com a tensão científica da iminência de uma catástrofe.
Rómulo Gallegos,
o grande escritor da Venezuela
O escritor mais popular, lido e influente da história da Venezuela é, sem dúvida, Rómulo Gallegos (1884–1948). Ele não foi apenas um gigante da literatura latino-americana, mas também uma figura central na

política do país, tendo chegado a ser Presidente da República (o primeiro eleito de forma direta e limpa no século XX na Venezuela).
A sua relevância e popularidade assentam nos seguintes pilares:
Doña Bárbara (1929)
Este é o romance mais famoso da Venezuela e um clássico absoluto da literatura em língua espanhola.
A história passa-se nas planícies (los llanos) venezuelanas e funciona como uma alegoria do próprio país: o embate entre a civilização e o progresso (representados por Santos Luzardo) contra a barbárie, a corrupção e a natureza selvagem (personificadas na implacável latifundiária Doña Bárbara). A personagem tornou-se um mito cultural na Venezuela.
O Prémio Rómulo Gallegos
Para atestar o seu impacto, o prémio literário mais prestigiado de toda a América Latina (equivalente ao Prémio Camões para a língua portuguesa ou ao Prémio Booker) foi batizado em sua honra em 1964: o Prémio Internacional de Romance Rómulo Gallegos. Grandes nomes como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa venceram este galardão.
Outros Autores Venezuelanos de Enorme Popularidade:
Embora Rómulo Gallegos seja o clássico indiscutível, há outros dois nomes fundamentais que rivalizam em popularidade e leitura:
Arturo Uslar Pietri (1906–2001): Um dos intelectuais mais importantes do século XX na Venezuela. O seu romance histórico Las lanzas coloradas (1931), sobre a independência venezuelana, é lido por quase todos os estudantes no país. Foi ele quem popularizou o termo "Realismo Mágico" na literatura.

Rafael Cadenas (1930): No campo da poesia, Cadenas é o autor mais célebre e venerado vivo, tendo inclusive ganho o prestigiado Prémio Cervantes (o maior galardão da literatura espanhola). O seu poema "Derrota" tornou-se o hino de gerações inteiras de jovens na América Latina.


Gérald Bloncourt: o fotógrafo dos portugueses dos Bidonville

Gérald Bloncourt.
Apesar de ser amplamente conhecido como um fotógrafo francês, Bloncourt nasceu no Haiti em 1926 e exilou-se em França na sua juventude, onde desenvolveu uma carreira marcante como fotojornalista humanista e militante.

Ele ficou profundamente tocado pela miséria e pelas condições em que os portugueses que fugiam do regime de Salazar e da Guerra Colonial viviam nos arredores de Paris.

Bloncourt não só os fotografou com enorme dignidade e respeito, como chegou a fazer a pé a rota clandestina do "salto" através dos Pirenéus com os emigrantes para registar os perigos da viagem.

As suas fotografias tornaram-se o arquivo visual mais importante e comovente da história da emigração portuguesa em França. Gérald Bloncourt faleceu aos 92 anos


Este livro reúne cerca de 150 fotografias históricas captadas por Bloncourt, documentando não só a miséria dura dos bairros de lata nos arredores de Paris, mas também a viagem clandestina "a salto" através dos Pirenéus que o próprio fotógrafo fez ao lado dos emigrantes portugueses nos anos 60.
Literatura chinesa em destaque
"Sorgo Vermelho" Mo Yan
a luta da China contra o exército invasor japonês
"Sorgo Vermelho" (Hong Gaoliang Jiazu), publicado em 1986 pelo escritor chinês Mo Yan é uma das obras mais importantes da literatura contemporânea chinesa.
O livro é um romance histórico e uma saga familiar que se passa na província de Shandong (na vila fictícia de Northeast Gaoliang) e estende-se ao longo de várias décadas, concentrando-se principalmente nos anos 1930, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

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Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.

Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.
Urso de Ouro em Berlim
O livro quebrou os moldes da literatura na China, ao mostrar heróis que eram imperfeitos, violentos e motivados por paixões pessoais. A obra ganhou ainda maior projeção internacional com a icónica adaptação ao cinema em 1987, realizada por Zhang Yimou e protagonizada por Gong Li, que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
O realismo mágico
Violência e Crueldade: Mo Yan utiliza um realismo visceral. O livro descreve com detalhe a brutalidade da guerra, execuções, tortura (como o famoso episódio do homem esfolado vivo pelos japoneses) e a fome. Não há romantização da guerra. Apesar da opressão e da tragédia, as personagens transbordam uma paixão primitiva pela vida, pelo sexo, pela terra e pela liberdade.
Mo Yan mistura a crueza histórica com elementos míticos e superstições locais. Os cães da vila tornam-se selvagens e lutam pelos corpos dos mortos; o vinho de sorgo parece ter propriedades de cura e coragem.

O cenário e o simbolismo do sorgo
O sorgo vermelho (um cereal muito comum na China) não é apenas o cenário onde a história se passa; é o elemento central e simbólico de todo o livro. Ele representa a própria essência do povo chinês daquela região: rústico, resistente, violento e indomável. É no meio dos campos de sorgo que as personagens amam, lutam, escondem-se e morrem. O sorgo também é a matéria-prima para o famoso vinho local, que ganha contornos misticos na história.
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A invasão japonesa
A trama começa com o casamento arranjado de Dai Fenglian com o filho leproso do dono de uma destilaria de sorgo. Durante a procissão do casamento através dos campos de sorgo, ela conhece Yu Zhan'ao, um dos carregadores da sua liteira. Há uma atração imediata.
Pouco tempo depois, o marido leproso e o sogro de Dai Fenglian são misteriosamente assassinados (subentendendo-se que o autor foi Yu Zhan'ao). Dai Fenglian assume o controlo da destilaria. Yu Zhan'ao junta-se a ela, e os dois tornam-se os patriarcas da família, gerando o pai do narrador.

A vida de crime e a gestão da destilaria são brutalmente interrompidas pela invasão do exército imperial japonês. A partir daí, o livro transforma-se numa crónica de guerra sangrenta. Yu Zhan'ao organiza uma milícia local de camponeses e bandidos para combater os invasores japoneses através de táticas de guerrilha nos campos de sorgo.
"Viver" escrito pelo entregador de pizzas Yu Hua
atinge 20 milhões de exemplares

A maior tiragem da atualidade na China de um romance literário de alta qualidade e prestígio pertence é a obra-prima Viver (活着 - Huózhe), de Yu Hua, um entregador de pizzas.
Este livro é o exemplo perfeito de "sucesso literário de qualidade" — aclamado pela crítica, estudado nas universidades e com 20 milhões de cópias vendidas. Ya Hua levou 20 anos até conseguir o sucesso para arrumar em definitivo a sua bicicleta e mochila das pizzas.
Viver já foi traduzido para mais de 20 línguas (incluindo o português). Na China, Viver tornou-se uma leitura obrigatória e recomendada em escolas e universidades, o que garante reimpressões massivas e tiragens contínuas todos os anos.
Trabalhar nos armazéns de logística
Em 2020, durante os confinamentos da COVID-19, Hu Anyan começou a publicar ensaios e relatos num blogue pessoal sobre as suas experiências reais a trabalhar nos armazéns de logística e a entregar encomendas nas ruas de Pequim sob condições extremas.
Os seus textos — que descreviam de forma crua, mas com uma dignidade e um humor muito próprios, a pressão diária de ter de entregar encomendas a cada quatro minutos para manter a rentabilidade — tornaram-se virais na internet.
O sucesso online deu origem ao seu livro de memórias I Deliver Parcels in Beijing (Eu Entrego Encomendas em Pequim), publicado em 2023, que já atingiu perto de 2 milhões de cópias vendidas na China, e "puxou" as vendas de Viver.
A escrita de YU Hua ressoa profundamente com uma geração de jovens exaustos pela pressão laboral. O livro I Deliver Parcels in Beijing é aclamado pela crítica internacional e está traduzido para mais de 15 línguas, transformando Hu Anyan numa voz literária global que usa os livros para encontrar espaço de liberdade e expressar a individualidade da classe trabalhadora moderna.
Casa da Imprensa lança apoio anti-solidão

A solidão é uma das correntes mais silenciosas do nosso tempo. Curiosamente, atinge com frequência aqueles cuja missão de vida é ligar o mundo e contar as histórias dos outros: os jornalistas e profissionais dos media.
Habituados ao ritmo frenético das redações, muitos destes profissionais enfrentam o reverso da medalha com a chegada da reforma ou o avançar da idade. O telefone deixa de tocar e o fervilhar de contactos desvanece-se. Quem passou a vida a escutar e a dar voz à sociedade vê-se, muitas vezes, sem ninguém para partilhar as rotinas mais simples. É contra este isolamento que a solidariedade e o apoio mútuco se tornam urgentes.
VOLUNTARIADO Casa da Imprensa
Na sequência do inquérito feito no primeiro trimestre deste ano e de contactos desenvolvidos pelos Serviços Sociais da Casa da Imprensa (CI), foi possível apurar que várias(os) associadas(os) necessitam de apoio domiciliário indiferenciado: alguém que lhes faça companhia, que leia para elas(eles), com quem possam conversar, ir a uma consulta ou ir às compras, por exemplo.
Para sabermos exatamente quem precisa de acompanhamento no imediato, ou poderá precisar num futuro próximo, a Dr.ª Catarina Pires, assistente social da CI, tem estado a contactar as(os) associadas(os) por faixas etárias.
Enquanto o processo decorre, gostaríamos de saber se há associadas(os) disponíveis para dar este tipo de apoio a outras(os) associados.
Se quiser ser voluntária(o) da CI, por favor, diga-nos: Qual a sua área de residência. Se tem transporte próprio ou em que zona pode deslocar-se com custos mínimos. Qual a sua disponibilidade de tempo. Que tipo de apoio se sente vocacionado para dar. Este é o apelo da Casa da Imprensa aos seus sócios
A guerra do Irão
e os cartoonistas americanos

















https://youtu.be/Cp6SVNFqVR0?si=vTu7wOh4lexDQlyE
Cinco vezes mais caro fotografar Parlamento


LUÍS FILIPE CATARINO VAI ACUMULAR COM AVENÇA NA AUTARQUIA DA SOCIALISTA INÊS DE MEDEIROSAntigo fotógrafo de Cavaco e Medina vence contrato de quase 900 mil euros na Assembleia da Repúblicahttps://paginaum.pt/.../antigo-fotografo-de-cavaco-e...
O antigo fotógrafo oficial de Cavaco Silva, depois contratado por Fernando Medina e actualmente avençado pela Câmara de Almada, liderada pela socialista Inês de Medeiros, venceu os dois lotes de um concurso da Assembleia da República no valor máximo de 729 mil euros, ou quase 900 mil com IVA.
Luís Filipe Catarino terá de assegurar uma equipa de fotógrafos e poderá facturar até 700 euros por cada dia de oito horas, acumulando com uma avença mensal de 3.000 euros em Almada.
A Assembleia da República prepara-se, assim, para gastar em fotografia mais de cinco vezes aquilo que despendia até agora.

era uma vez um Saab
Há uns anos, no Brasil, o condutor do carro onde eu ia - português que tinha vivido em Inglaterra - parou educadamente numa passadeira para uma senhora atravessar e ela ficou assustada.
Pensou - explicou-nos o outro passageiro do carro, esse brasileiro - que ia ser assaltada...Na Suécia, há 40 anos, recordo-me de ir num velhinho Saab, e na Suécia parecia haver na estrada nada mais do que velhinhos, seguros e suaves Saab, na mesma altura que em Portugal, a reboque do crédito e da ignorância, todos os carros eram pequenos, novos e maus, enfim de lata, dizia eu na Suécia o meu amigo, sueco, que ia a conduzir, parou o carro numa berma, íamos a 50km hora, para dar passagem a um tipo que ia a 60km hora.

Este baile de ópera vienense na estrada sempre me assalta a memória quando hoje, em Portugal, estou numa passadeira e uma condutora acelera para só parar mesmo em cima; ou um cavalheiro vai na auto estrada a 120 km hora colado à traseira do meu carro para ultrapassar; ou sicrano atravessa uma aldeia a 50km hora, também a 60km e até a 90km! 2 mortos por dia, é o saldo.
Passo férias em lugares, na Europa central, onde os carros param para dar lugar aos ciclistas e o condutor faz um gesto suave de - a senhora dança? Fujo de lugares onde a violência se impõe à delicadeza. Excerto de crónica de Rauel Varela
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O lendário Saab Automobile já não existe. A empresa formalizou em dezembro de 2011 o fim de uma das marcas mais importantes da indústria automóvel. Famosa pela herança aeronáutica, pioneirismo na segurança e motores turbo, a fabricante sueca sucumbiu à gestão sufocante da General Motors (GM), que a adquiriu em 2000.

A GM tentou massificar a Saab forçando a partilha de componentes com a Opel. Contudo, os engenheiros de Trollhättan resistiram e redesenharam os veículos para manter os padrões da marca, o que inflacionou os custos e gerou prejuízos. Com a crise de 2008, a GM decidiu alienar a subsidiária.
A neerlandesa Spyker Cars tentou salvar a Saab em 2010, mas a falta de liquidez paralisou as fábricas no ano seguinte. O golpe final ocorreu quando a GM bloqueou a venda a investidores chineses, recusando transferir as patentes e licenças dos motores. Sem alternativas, a Saab declarou falência. Os ativos foram comprados pelo consórcio NEVS, mas o direito ao nome e ao icónico logótipo perdeu-se para sempre.
Petróleo perto dos 100 dólares por culpa de Trump
O preço do barril de petróleo Brent fixou-se hoje próximo dos 98 a 99 dólares, registando uma subida superior a 5% motivada pelas tensões militares no

Irão, com repercussões catastróficas na bolsa de quem vive do seu trabalho. O mundo está assim a ficar mais pobre graças a Trump.
Esta subida da energia tem reflexos diretos em todos os setores da economia global, encarecendo os transportes, os alimentos, o vestuário e os bens essenciais, o que resulta na perda de poder de compra e no empobrecimento das famílias.
Em contrapartida, este contexto incrementa as receitas e as margens de lucro das empresas do setor petrolífero e de investidores de grande capital. Perante esta dinâmica de mercado, permanece em aberto de que modo Donald Trump ou as suas atividades empresariais poderão estar a obter benefícios com o atual cenário económico. JB
António José Saraiva
"Vivemos numa imensa floresta"
"ESPÓLIO" Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa a Fernando Dacosta
"Portugal é um país muito particular, coisa que se vê até na maneira como as pessoas falam umas com as outras, nos gestos, nos pequenos costumes de relação íntima.
"O português é o povo da Europa mais rico de sentimentos e sensações que conheço. Basta vermos a maneira afectuosa como as pessoas se falam para nos apercebermos disso. Um homem a passear com outro de braço dado é, entre nós, uma coisa extremamente natural. As relações entre os jovens são de uma afectuosidade que acho extraordinária. É possível que este tipo de relações nos leve à criação de um tipo de comunicação humana que não existe noutro lado, ou que existe em pequena escala. Em França as pessoas estão profundamente individualizadas e em situação de permanente hostilidade com os outros.

"Deixei de ser um optimista sistemático. Não há nada que nos faça supor que as coisas se encaminhem para uma melhoria, para uma sociedade perfeita. Vivemos numa imensa floresta onde temos, pouco a pouco, de ir criando clareiras.
Não temos de esperar que o mundo marche num determinado sentido e que sejamos arrastados automaticamente nesse sentido. Nós é que temos de estudar as nossas condições e tentar fazer qualquer coisa em que efectivamente participemos.

Em plena democracia, e sendo o povo soberano, não ser uma reserva de eucaliptos para uso de uma obscura entidade económica que tem o pseudónimo de CEE".
"ESPÓLIO" - Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa, já falecidos, a Fernando Dacosta
BIOGRAFIA
António José Saraiva foi um dos mais destacados ensaistas literários do século XX. Nascido em Leiria em 1917 (irmão José Hermano Saraiva) aderiu ao PCP exilando-se em Paris até que Marcelo Caetano autorizou o seu regresso, juntamente com outros vultos da oposição, como Agostinho da Silva e o Bispo do Porto. "Vim a prestações", ironizava entre o céptico e o esperançoso. Pouco depois afirmava-se anticomunista e admirador de Salazar.
Entre as suas obras de referência destacam-se a célebre História da Literatura Portuguesa (de parceria com Óscar Lopes), a Inquisição e Cristãos Novos, O Crepúsculo dos Filósofos, Para a História da Cultura em Portugal. Faleceu em 1993








































