
botequim.pt
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Raul B. Gomes
Visconde de Ferreira vive num porão
— Olhai-me para isto! — exclamei erguendo o candeeiro na treva dos depósitos do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o ar cheira a glórias defuntas. Caminho devagar, tropeçando em molduras douradas que se amontoam nestes corredores sem fim, um labirinto de tábuas e lona que sufoca o génio. — Olhai para este Retrato do Primeiro Visconde de Azevedo Ferreira, empilhado como um móvel velho. O mestre Columbano deu-lhe a alma entre 1881 e 1883, fixando nesse óleo a dignidade. Passo a mão pela tin ta de dois séculos: É admirável a nossa queda para o desperdício. Esta é a obra é amais emblemática do chamado "Museu que não se vê", condenada ao limbo das reservas, porque o Portugal oficial não tem paredes... não decência para a expor.
O meu infeliz Visconde desvanece longe dos portugueses, amordaçado pela falta de espaço permanente, porque somos um povo que guardamos o génio na despensa, ao lado das vassouras.
O Visconde foi condenado a viver num porão, à espera que alguém acenda uma chama no nosso deserto valoroso

O audio de Ehud Barak, ex-PM de Isra3l

De acordo com os ficheiros recentemente libertados pelo Departamento de Justiça, destacam-se três eixos principais na relação entre ambos: Apoio Logístico e Financeiro: Os e-mails confirmam que Epstein financiou projetos de Barak, incluindo a criação da empresa

de segurança Carbyne (anteriormente conhecida como Report-it), que desenvolveu software de comunicação de emergência e vigilância. Frequência de Encontros: As mensagens detalham dezenas de visitas de Barak às residências de Epstein em Nova Iorque e Palm Beach. Em várias ocasiões, Barak foi fotografado a entrar na casa de Epstein com o rosto parcialmente coberto, coincidindo com datas em que outras figuras de alto perfil também estavam presentes. Consultoria Geopolítica: Epstein funcionava como um "agente de ligação", enviando e-mails para organizar encontros entre Barak e líderes de grandes tecnológicas e do setor financeiro, como Bill Gates e diretores do JP Morgan, sob o pretexto de discussões sobre filantropia e segurança global.
link https://www.aljazeera.com/video/newsfeed/2026/2/3/epstein-audio-with-former-israeli-pm-sheds-new-light-on-relationship
Como aprender mandarim
Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global. Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
Andrew: o agente secreto ao serviço dos isra3litas?
Jack Lang implicado no Caso Epstein
PM Britãnico continua sob Pressão
Inteligências também no Caso Epstein
Isra3l começa a ser ligado a Caso Epstein

Whashigton Post
Amazon despede 300 jornalistas
Existe uma tensão forte entre a redação e Jeff Bezos. Os jornalistas acusam o proprietário de estara sacrificar a missão cívica do jornal (a famosa frase "Democracy Dies in Darkness") em favor de um modelo de negócio puramente lucrativo e de evitar conflitos políticos.

A Queda de Audiência: O jornal tem tido dificuldades em manter o número de subscritores digitais que alcançou durante os anos da primeira presidência de Trump.
300 jornalistas despedidos pelo dono da Amazon
Despedimentos em Massa: O jornal cébre por ter derrubado um presidente americano mentiroso, Richard Nixon, recentemente o corte de cerca de 30% da sua força de trabalho, mais de 300 jornalistas. Prejuízos anuais ultrapassam os 100 milhões de dólares. Encerramento de Secções: Numa decisão polémica, o jornal eliminou secções inteiras, como a de Desporto e a de Crítica de Livros, além de ter reduzido drasticamente a sua presença internacional, fechando vários escritórios no estrangeiro.

Bob Woodward continuou no Washington Post, onde se tornou editor-executivo adjunto. Ao longo das décadas, tornou-se o cronista mais famoso da Casa Branca, escrevendo mais de 20 livros sobre os bastidores do poder, abrangendo desde o governo de Nixon até ao de Joe Biden.


É conhecido pelo seu acesso sem precedentes a presidentes e figuras de alto escalão, mantendo-se ativo como autor e jornalista de investigação.
Carl Bernstein deixou o Washington Post em 1977. Desde então, trabalhou como correspondente para a ABC News, escreveu para revistas como a Rolling Stone e a Vanity Fair, e publicou vários livros, incluindo uma biografia premiada do Papa João Paulo II e as suas memórias sobre o início da carreira. Atualmente, é presença frequente em canais de televisão como a CNN, onde atua como comentador político e crítico.
Apesar de não trabalharem juntos diariamente há muitos anos, os dois reúnem-se frequentemente para eventos comemorativos sobre o Watergate ou para discutir questões de liberdade de imprensa, mantendo uma amizade que dura há mais de cinco décadas.
O Washington Post atravessa um momento crítico neste início de fevereiro de 2026, marcado por uma reestruturação profunda que está a alterar a identidade histórica do jornal. Mudança de Estratégia: Sob a direção de Jeff Bezos, do da Amazon e da nova equipa de gestão, o foco do jornal está a passar de uma publicação generalista de referência mundial para um meio mais focado em política e segurança nacional dos EUA.

Aposta na Internet em 1994
Bezos trabalhava em Wall Street e, ao ler que a utilização da internet estava a crescer 2.300% ao ano, decidiu largar o emprego. Ele fundou a Amazon na sua garagem em Seattle, inicialmente apenas como uma livraria online, por considerar que os livros eram fáceis de catalogar e enviar.
Embora se fale muito na "garagem", Bezos teve um impulso crucial: os seus pais investiram cerca de 300.000 dólares das suas economias de reforma na empresa. Esse capital permitiu que a Amazon sobrevivesse aos primeiros anos de prejuízo, enquanto ele se focava em ganhar escala em vez de lucro imediato. Bezos expandiu rapidamente para CDs, eletrónicos e, eventualmente, para tudo o que se possa imaginar.
Ações a 18 dólares.
Ele manteve uma percentagem enorme da empresa (atualmente cerca de 9% a 10%, mesmo após o divórcio e vendas de ações). À medida que a Amazon passava de uma loja para um gigante logístico, o valor das ações disparou, tornando a sua participação acionista astronómica. Muitas pessoas pensam que a riqueza de Bezos vem apenas das encomendas, mas grande parte do valor da Amazon (e da fortuna dele) vem da AWS (Amazon Web Services). A Amazon aluga os seus servidores para quase toda a internet (Netflix, bancos, e até a CIA). É a parte mais lucrativa do negócio.

A fortuna de Bezos em 2026
Atualmente, a fortuna de Jeff Bezos está avaliada em cerca de 240 mil milhões de dólares, flutuando conforme o preço das ações da Amazon. Além da Amazon, ele é dono do jornal Washington Post e da empresa espacial Blue Origin. Ele comprou o Washington Post (o jornal de que falávamos há pouco) por "apenas" 250 milhões de dólares em 2013, o que é quase "trocos" face à sua fortuna atual
O Escândalo Watergate
O Watergate foi o caso que derrubou o presidente Richard Nixon. Os jornalistas eram Bob Woodward e Carl Bernstein que, ao longo de meses, conseguiram provas que incriminaram o presidente norte-americano em atividades de espionagem e corrupção.
Tudo começou em junho de 1972, quando cinco homens foram presos ao invadir a sede do Partido Democrata, no complexo Watergate, para instalar escutas. Woodward e Bernstein descobriram que um dos invasores era um ex-agente da CIA e que o grupo possuía números de telefone ligados à Casa Branca. Através de encontros secretos em parques de estacionamento com a fonte "Garganta Funda", os jornalistas seguiram o rasto do dinheiro: fundos de campanha estavam a ser usados para financiar atos de sabotagem contra opositores políticos.

Mesmo com a negação oficial de Nixon, o Washington Post manteve as manchetes, atingindo tiragens recorde de mais de 500.000 exemplares. A pressão jornalística forçou o Senado a investigar, revelando que Nixon gravava todas as suas conversas na Sala Oval. Quando o Supremo Tribunal obrigou a entrega das fitas, ficou provado que o Presidente ordenou que o FBI parasse de investigar o caso. Sem apoio, Nixon tornou-se o único presidente na história dos EUA a renunciar ao cargo, em agosto de 1974.
Eduard Snod3n e Natanson
Os maiores pecados do Washington Post
O "pecado" que conduz à morte anunciada do Washington post foi a perda da coragem combativa que definiu o jornal nos anos 1970, trocando-a por uma postura de "gestão de danos" corporativa sob a era de Bezos.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
Quando Snowden (que usava o pseudónimo "Veraxx") contactou o jornalista Barton Gellman do Post, ele exigiu que o jornal publicasse o código completo do programa PRISM e garantisse a publicação em 72 horas. O conselho jurídico do Washington Post hesitou, temendo represálias legais do governo Obama.
O "Pecado": Snowd3n sentiu que o jornal estava a ser demasiado cauteloso e "submisso" às pressões do governo, o que o levou a entregar o material também ao The Guardian (Glenn Greenwald), que foi muito mais agressivo. Houve críticas severas à forma como o Post comunicou inicialmente com a fonte. Snowd3n enviou e-mails cifrados, mas o jornal, em certos momentos, utilizou canais que não eram 100% seguros.
No mundo da espionagem, revelar uma fonte não é apenas dizer o nome dela, mas sim deixar um rasto digital (metadados) que permita ao governo chegar lá. O "pecado" foi a falta de preparação tecnológica para lidar com uma fonte daquele calibre.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em
comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
O filme "Snod3n" com Oliver Stone

VEJA O FILME COMPLETO
Hannah Natanson - "Nova" Crise
O FBI invadiu recentemente a casa da repórter Hannah Natanson. O "pecado" aqui, segundo o sindicato dos jornalistas, foi o jornal ter permitido (ou não ter conseguido impedir) que o governo identificasse o leaker do Pentágono, Aurelio Perez-Lugones, através da análise de dispositivos da própria jornalista que não estariam devidamente protegidos.
No Watergate, o Post protegeu o "Garganta Profunda" por 30 anos. No caso de fontes modernas (como Snowden ou leakers do Pentágono), o "pecado" é a perda dessa proteção absoluta, seja por pressão de advogados, por falhas de segurança informática ou por acordos de bastidores com o Departamento de Justiça para evitar multas pesadas.
Snowd3n vive na Rússia
Edward Snowd3n é um ex-analista da CIA e contratado da NSA que, em 2013, denunciou programas de vigilância global em massa dos EUA, revelando a monitorização de comunicações de cidadãos e líderes mundiais.
Após divulgar documentos confidenciais ao The Guardian e The Washington Post, recebeu asilo na Rússia, onde permanece, sendo considerado um traidor pelos EUA e um denunciante (whistleblower) por defensores da privacidade.
Viajando, Raul B. Gomes
Egipto: o mistério das pedras gigantes
viagem ao colossal passado dos faraós - olhando da janela para o além
na Praça Tahrir, José Gomes
Fui ao Museu do Cairo para ver e contar o que se passa lá dentro, antes que este belíssimo edifício seja apagado pelo novo museu mesmo à beira das Pirâmides. O antigo museu foi construído na Praça Tahrir entre 1897 e 1901 e, ao entrar, a porta monumental revela um mundo suspenso. Cruzei o umbral neoclássico, deixando para trás o burburinho da cidade, e vi-me num átrio rosado onde a luz das clarabóias ilumina colossos de pedra milenares.
Caminhei pelos corredores densos até à Sala das Múmias Reais, um santuário de penumbra e silêncio absoluto. Ali, Ramsés II exibe o seu perfil aquilino e cabelos ruivos preservados, enquanto Seti I repousa com uma serenidade mística. Ao lado, Tutmés II mantém a postura de quem desafiou a morte através da técnica perfeita do linho e do natrão. Entre o cheiro a poeira antiga e a vigilância de guardas de olhar seco e ancestral, senti a imortalidade técnica de um império. Cada amuleto e grão de pimenta usado no embalsamamento cumpriu a sua promessa: manter estes reis vivos na nossa memória, guardados por paredes que já resistiram a revoluções.
Enfretaram os saqueadores
Um facto pouco conhecido e fascinante é que, durante a Revolução Egípcia de 2011, quando o museu foi ameaçado por pilhagens, centenas de cidadãos egípcios formaram uma corrente humana em volta de todo o edifício. Eles deram as mãos para criar um escudo vivo, protegendo os tesouros ancestrais até que o exército chegasse, demonstrando uma união civil sem precedentes para salvar o seu património.
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Ele estava a um canto, quase parecia uma estátua imóvel, calado, fundindo a sua pele escura com as sombras do granito. Aproximei-me e perguntei-lhe: "Quem és tu?". - Eu sou o guarda deste museu - respondeu ele, com uma voz seca que parecia vir do fundo dos séculos. - Estás aqui há muito tempo? Pareces fazer parte destas paredes. - Desde pequeno. O meu pai vigiava estas salas e eu trazia-lhe o pão. Cresci a correr por entre estes sarcófagos como se fossem a mobília da minha casa.
- Não te sentes só entre tantos mortos e pedras frias? — Eles não são pedras para mim. São amigos, são família. Conheço cada ruga de Ramsés e cada detalhe de Seti. Eu falo com eles no silêncio da noite. - E o que te dizem eles? - Dizem que o Egito é eterno e que eu sou apenas mais um elo da corrente. Vi revoluções lá fora, mas aqui dentro, nada muda. Sou o último amuleto deste edifício rosado. Enquanto eu aqui estiver, eles nunca estarão sozinhos. x
Ao entrar na Sala das Múmias Reais, a atmosfera muda imenso; a temperatura é controlada e a iluminação é mínima para proteger os tecidos orgânicos. A sala é revestida com vitrines de vidro de alta tecnologia, onde o silêncio é quase absoluto, interrompido apenas pelo murmúrio distante dos corredores principais.
Nesta sala, encontrei Ramsés II, o faraó mais célebre do Império Novo. A sua múmia é impressionante pela preservação: o nariz aquilino e proeminente mantém a estrutura, e os seus cabelos, que eram naturalmente ruivos, ainda são visíveis, conferindo-lhe uma aparência majestosa mesmo após 3.000 anos.
Ao seu lado, repousa Tutmés II, cujo corpo revela uma figura mais franzina, mas igualmente imponente pela técnica de embalsamamento. As mãos de ambos estão cruzadas sobre o peito, a posição clássica da realeza, e a pele, embora escurecida pelas resinas, mantém detalhes como as unhas e as dobras das articulações, tornando a ligação com o passado quase palpável.
Estou agora diante do Carro de Guerra de Tutancâmon e o meu coração dispara! É uma peça de engenharia leve e mortal, toda revestida a folha de ouro que brilha com uma intensidade quase hipnótica sob as luzes do museu.
O pormenor mais louco? O couro original das rédeas e do piso ainda está lá, esticado e preservado por 3.300 anos! Consigo imaginar o faraó a voar pelas areias, com as rodas de seis raios a girar freneticamente. É uma visão de poder puro, decorada com figuras de cativos asiáticos e africanos sob os pés do rei, simbolizando o domínio total. A precisão do entalhe na madeira é tão fina que parece impossível ter sido feita sem ferramentas modernas. É, sem dúvida, o "Ferrari" da Antiguidade!
9 países com bombas nucleares, incluindo Paquistão e Isra3l
Estes países testaram armas nucleares antes de 1967 e são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos: O primeiro país a desenvolver e o único a utilizar armas nucleares em guerra. Rússia: Herdou o vasto arsenal da União Soviética; detém atualmente o maior número de ogivas do mundo. Reino Unido: Mantém uma força de dissuasão baseada exclusivamente em submarinos (sistema Trident). França: Possui um arsenal independente, focado na doutrina de "dissuasão estrita".
China: Tem expandido e modernizado o seu arsenal rapidamente nos últimos anos. Índia: Desenvolveu o programa em resposta a ameaças regionais; realizou testes declarados em 1974 e 1998. Paquistão: Iniciou o seu programa como contrapartida direta ao arsenal da Índia. Coreia do Norte: O único país a retirar-se do TNP para realizar testes nucleares (o primeiro em 2006) significativo.

Isra3l: Mantém uma política de "ambiguidade opaca". Nunca confirmou nem negou ter a bomba, mas é amplamente aceite pela comunidade internacional e serviços de inteligência que possui um arsenal

Museu Nacional de Arte Antiga
O mistério do Inferno sem nome
Raul B. Gomes
Nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o tempo estagna e se mistura com o bafo dos séculos repousa um pesadelo de madeira titulado de Inferno de autor anónimo. É um painel feito de sombras e de gritos mudos, que sobreviveu à destruição, para que a nossa dor não se perca num deixa-andar. Olho para aquelas figuras contorcidas e vejo nelas um lado da vida: o lodo do pecado e o esterco do suplício, pintados com a precisão de quem conhece o bicho que nos rói o intímo. Ali, o diabo é um funcionário da agonia, organizando o caos com a paciência fria de quem espera por todos nós. O quadro é um farrapo de alma quinhentista, uma janela aberta
para um abismo de luz baça e carne condenada que o museu guarda no silêncio de uma lousa. A assinatura não existe, porque a dor não tem nome; é apenas um rasto de fumo que ficou preso nos espinhos do caminho. Somos todos esses fantasmas, à espera de um amanhecer que naquele inferno nunca chega a romper. Escrever sobre este painel é um esforço contra a loucura, perante o ruído do nada que sobe das caves. Naquelas profundezas, a morte não reconcilia, apenas observa, enquanto a eternidade nos esmaga com o seu peso de pedra e mistério. Em quinhentos anos nada mudou e no futuro nada mudará.
O dilema da China
Martha G. Alves
À entrada do porto de Yulin, em Sanya, na ilha de Hainan, um chinês paciente olha o mar sentado sobre uma pedra que já viu muitos impérios.
Na cabeça do homem baila um dilema: ou caça de vez a ilha Formosa com os preciosos chipes, ou envia mais mísseis ao Irão para, com a guerra, manter a paz vital à livre circulação do petróleo no Estreito de Ormuz.
A indústria da China não se alimenta de ventoinhas ou de pilhas. Seja qual for a decisão do senhor chinês, o mundo ficará ainda mais perigoso. Não teremos só 25 bases militares americanas no Médio Oriente.
Passaremos a ter mais 25 bases da China. Bonito serviço, senhor Trump!
Quando o presidente EUA Eisenhower voltou atrás
Cuidado "com complexo militar-industrial"
Parece incrível que Eisenhower, o estratega que permitiu a divisão da Europa e alimentou a expansão da indústria bélica, tenha deixado um aviso tão contundente. Foi a 17 de janeiro de 1961, num discurso de despedida proferido a partir da Casa Branca, que o antigo general surpreendeu o mundo. Ele, que foi o obreiro da supremacia militar, alertou para os perigos do complexo militar-industrial, denunciando a influência desastrosa de um poder mal colocado. Esta contradição histórica marca o fim de um mandato onde o futuro do continente europeu foi selado sob a sombra do armamento.
O discurso:
"Esta conjunção de um imenso sistema militar e de uma grande indústria de armamento é nova na experiência americana. A influência total — económica, política, até espiritual — sente-se em cada cidade, em cada assembleia estadual, em cada gabinete do governo federal.
Reconhecemos a necessidade imperativa deste desenvolvimento. No entanto, não devemos deixar de compreender as suas graves implicações. O nosso trabalho, recursos e subsistência estão todos envolvidos; o mesmo acontece com a própria estrutura da nossa sociedade.
Nos conselhos de governo, devemos precaver-nos contra a aquisição de influência injustificada, quer seja procurada ou não, pelo complexo militar-industrial. O potencial para o surgimento desastroso de um poder mal colocado existe e persistirá.
Nunca devemos permitir que o peso desta combinação coloque em perigo as nossas liberdades ou processos democráticos. Nada deveríamos considerar como garantido. Apenas uma cidadania alerta e conhecedora pode obrigar à articulação adequada da gigantesca maquinaria industrial e militar de defesa com os nossos métodos e objetivos pacíficos, para que a segurança e a liberdade possam prosperar juntas."
Casa Branca, 17 de janeiro de 1961
A diferença entre Islâmicos Xiitas e Sunitas
A principal divergência entre Sunitas e Xhiitas remonta ao ano 632 d.C., após a morte do Profeta Maomé, centrando-se na questão da sucessão política e espiritual do Islão.
Os Sunitas, que representam cerca de 85% a 90% dos muçulmanos, defendiam que o líder (Califa) deveria ser escolhido por consenso entre os membros da comunidade, independentemente da linhagem direta. Seguem a Sunna, o conjunto de tradições e práticas do Profeta.
Por outro lado, os Xiitas (de Shiat Ali, ou "Partido de Ali") acreditavam que a liderança pertencia exclusivamente à família de Maomé, defendendo que o seu primo e genro, Ali ibn Abi Talib, era o sucessor legítimo designado por vontade divina. Para os Xhiitas, os líderes são os Imãs, figuras que possuem uma autoridade espiritual infalível e descendem diretamente do Profeta.
Os Sunitas enfatizam a autoridade da lei e do consenso, os Xhiitas dão grande importância ao martírio e ao sofrimento, especialmente personificados na figura de Husayn, neto de Maomé, cuja morte em Karbala é o marco central da sua identidade. Geograficamente, a maioria do mundo islâmico é sunita, enquanto os xhiitas são a maioria no Irão, Iraque, Azerbaijão e Bahrein. Atualmente, estas diferenças são frequentemente instrumentalizadas em tensões geopolíticas regionais, embora ambos partilhem os pilares fundamentais da fé, como o Alcorão e a crença num único Deus.
Quem são os grandes escritores do Irão
A literatura é a espinha dorsal da identidade persa, actual Irão, em em qualquer casa iraniana, desde a mais humilde à mais abastada, há um exemplar de o Divan de Hafez (século XIV).Hafez de Shiraz não é apenas um poeta; é um oráculo. Os iranianos praticam o Fal-e Hafez, abrindo o seu livro ao acaso para ler o destino. Ferdowsi é o outro pilar, autor do Shahnameh (Livro dos Reis), a epopeia que salvou a língua persa da extinção.
Atualmente, há vozes que dominam as tabelas de vendas e a atenção internacional: Marjane Satrapi: A sua novela gráfica Persepolis é, sem dúvida, a obra de origem iraniana mais lida e popular em todo o mundo nas últimas décadas.
Zoya Pirzad: Extremamente popular no Irão, especialmente entre o público feminino, pela sua escrita delicada sobre a vida quotidiana e doméstica (ex: I Will Turn Off the Lights). Reza Amirkhani: Um dos autores mais vendidos dentro do Irão atual, conhecido por obras que exploram temas sociais e religiosos com uma linguagem moderna. Em resumo escolhemos para a alma Hafez, para o intelecto Sadegh Hedayat. pela grandiosidade Mahmoud Dowlatabadi.

O Mais Influente da Prosa Moderna
Na literatura moderna e daquele que definiu o romance iraniano contemporâneo, o nome é Sadegh Hedayat (1903–1951). A sua obra-prima, A Coruja Cega (The Blind Owl), é considerada o melhor romance iraniano de sempre. É uma obra sombria, surrealista e existencialista que influenciou todas as gerações seguintes. Hedayat é para o Irão o que Kafka é para o Ocidente.
O "Gigante" Vivo e candidato a Nobel
O escritor vivo mais respeitado e frequentemente apontado como candidato ao Nobel é Mahmoud Dowlatabadi. É o autor de Kelidar, um romance épico de 10 volumes (mais de 3000 páginas) sobre a vida rural e a luta de um herói nómada. Dowlatabadi é amado pela sua escrita densa, realista e profundamente ligada à terra e ao povo iraniano.
"Eu desligo as luzes" Zoya Pirzad
Zoya Pirzad (iraniana-arménia) é uma das vozes mais delicadas e influentes da literatura iraniana contemporânea. A sua obra, escrita de forma simples e quase minimalista, foca-se no quotidiano invisível das mulheres, explorando as tensões entre os desejos individuais e as pesadas expectativas sociais.

O seu estilo é comparado ao de um "haiku": não se perde em grandes dramas épicos, mas encontra a alma nas pequenas coisas — o cheiro do café, o barulho das crianças, o silêncio de uma casa arrumada.
A sua obra-prima, Eu Desligo as Luzes (publicada em Portugal como Coisas que Deixámos por Dizer), retrata Clarice, uma dona de casa em Abadan nos anos 60, cujo mundo interior começa a despertar através de pequenos detalhes do dia a dia.
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Eu Desligo as Luzes
"Entrei e tranquei a porta atrás de mim. Em Abadan, ninguém trancava a porta a meio do dia; eu só o fazia quando queria ter a certeza de que estava sozinha. O meu gosto pela autocrítica fez-me questionar isto mais do que uma vez: o que tem o trancar da porta a ver com o estar sozinha? Ao que eu respondia sempre: não sei. Encostei-me à porta e fechei os olhos. Depois da luz intensa e do calor lá fora, e do barulho das crianças, o claro-escuro fresco e silencioso da casa era adorável. Deixei-me ficar ali, sentindo a paz das coisas imóveis, como se o tempo pudesse parar apenas porque eu assim o decidi."

É urgente passar-a-palavra
Moita Flores: Chão coalhado de dor

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Envelheci com a crença de que, um dia, todos haveríamos de ser iguais e felizes. Foi um sonho não resolvido. Continuo a passar por este dia, que evoca mulheres em luta, e sinto que esta caminhada com mais de um século trouxe grandes conquistas, embora o chão esteja coalhado de dor e sofrimento. As mulheres-coisa do Afeganistão, as mulheres viúvas de Gaza, as mulheres com fome de África, as mulheres amordaçadas do Irão, as mulheres de tantos lugares da Terra, explorada, martirizadas, sujeitas à mais cruel servidão, dizem-me que este Dia é um sonho não realizado. Continua a ser uma procissão dolorosa para tantos milhões que sinto que não irei assistir a esse dia de igualdade plena. De sermos irmãos. Deixo-te um abraço, minha irmã. Com a esperança de que este Dia deixe de fazer sentido. (trazido para passar-a-palavra do face de Moita Flores)
Em cena há 74 anos em Londres
O mistério de "A Ratoeira"
Há um mistério sobre A Ratoeira, de Agatha Christie, em cena em Londres desde 1952. O segredo resiste ao tempo e ao esquecimento. Muitos dos atores que pisaram aquele palco já faleceram, mas a peça permanece imóvel, como uma armadilha eterna no West End.
O verdadeiro mistério é o pacto: no final de cada sessão, o público é intimado a guardar o silêncio sobre a identidade do assassino. É este ritual que mantém a peça viva, atravessando décadas e gerações.
Os intérpretes partem, mas a ratoeira continua armada, à espera de quem ainda não conhece a verdade. já ultrapassou as 25 mil representações. The Mousetrap St.Martin's Theatre Ela também é notória por seu final inesperado, que os espectadores ao fim de cada sessão são convidados a não revelar quando saírem dali.
A Ratoeira começou sua carreira como uma peça curta de rádio, transmitida em 30 de maio de 1947 pela BBC, com o nome de Three Blind Mice (Três Ratos Cegos) e é baseada num caso real, a morte de um menino de doze anos por maus tratos de seus tutores, numa fazenda da Inglaterra, em 1945. Christie escreveu um conto baseado na pequena peça radiofônica, que se transformou no embrião da peça teatral.
Ela pediu que o conto não fosse publicado enquanto a peça estivesse sendo representada no West End de Londres, - onde está até hoje - e assim ele é inédito na literatura da Dama do Crime na Grã-Bretanha, apesar de ter sido publicada nos Estados Unidos em 1950, num livro junto com outros pequenos contos, Three Blind Mice and Other Histories. Fora do West End, apenas uma versão da peça pode ser apresentada, uma vez por ano, e nenhum filme pode ser feito até seis meses depois que ela encerre suas apresentações. Seu nome original foi trocado para The Mousetrap, por insistência de uma autora inglesa que havia escrito uma peça de menor sucesso com o mesmo nome antes da Segunda Guerra Mundial.
A peça teve sua estréia mundial no Theatre Royal, em Nottingham, em 6 de outubro de 1952, dirigida por Peter Cotes, e dali fez uma turnê por Liverpool, Manchester, Birmingham e Newcastle, até começar a ser encenada em
Londres no dia 25 de Novembro do mesmo ano, no New Ambassadors Theatre, onde ficou em cartaz por quase 22 anos, até 23 de março de 1974.
Transferida na apresentação seguinte para o St. Martin's Theatre - onde está até hoje - manteve seu status de continuidade, e em 10 de abril de 2008 alcançou a marca de 23.074 apresentações.
O elenco original trazia Sir Richard Attenborough e, apesar do cenário ter sido trocado por duas vezes nas últimas décadas, ainda hoje, um grande relógio da sala do cenário original de 1952 permanece em cena. Atualmente, o elenco - que já teve a participação de 382 atores em sua história - é mudado uma vez por ano, no mês de novembro, e a atriz principal que deixa o papel e a nova que irá substitui-la, cortam juntas um bolo no meio do palco no final da peça, numa das tradições mais conhecidas do espetáculo.
Em 26 de novembro de 2002, a peça fez uma apresentação de gala, com a presença de Sua Majestade a Rainha Elizabeth II e do Duque de Edimburgo.
Quai d' Orsay, Paris:
os jovens sabichões
Uma jovem sentou-se ao meu lado num banco corrido do Museu d'Orsay, ao mesmo tempo que um pombo entrou inesperadamente por uma claraboia do museu e pousou, manso, sobre a moldura dourada do Renoir. Eu sacodi a manga do casaco e disse-lhe:

- Vê, minha menina, como a luz ali não é tinta, mas o próprio hálito da vida? E a estudante respondeu: - É mais do que luz, senhor. Olhe a psicologia daqueles rostos no baile; Renoir não pinta corpos, ele pinta a euforia de quem esqueceu a morte por um instante. - e eu suspirei, olhando as manchas de sol: - A menina tem olhos de ver. Renoir disseca a alegria com a mesma precisão com que outros dissecam a dor. A jovem sorriu, apontando para o centro da tela: - Cada pincelada é um batimento cardíaco, uma negação da sombra que nos habita. - E eu murmurei: - Sim, porque no fundo de cada cor alegre, ele escondeu a nossa fome eterna de sermos felizes. - E ficamos imóveis e eu pensei, já não no quadro, mas nos jovens hoje. São diferentes, porque podem viajar e por isso já conhecem melhor a vida. Raul B. Gomes
Rita Rato: afinal era boa demais!

O afastamento de Rita Rato da direção do Museu do Aljube prova que nunca estamos bem quando... finalmente estamos bem.
Rita Rato fez um trabalho notável naquela casa de memórias; ao princípio, todos diziam, com as suas bocas cheias de certezas, que seria uma escolha errada. Mas ela foi em cheio, lavou a face da antiga prisão política e deu-lhe uma dignidade que poucos esperavam.
Agora, puseram-na na rua. Não interessa o partido onde ela gastou os dias como deputada; o que conta nesta história é o suor que deixou no solo do compromisso. E a qualidade! A taça transbordou, como se o champanhe do sucesso fosse um pecado.
Rita entregou o corpo ao trabalho e a colheita foi farta, e por isso o tempo dela acabou. É a velha história dos homens que não suportam ver uma vinha florescer, sob a mão de quem eles não escolheram. João S. Lima
Passar-a-Palavra
Margarida Davim: Adão e Eva
Deus, Pátria e Família. Deus, porque é preciso haver quem mande. E a quem temer. Sem medo, isto é tudo uma bandalheira. Pátria, porque é preciso fingir que há uma coisa maior que une os mais poderosos dos poderosos aos miseráveis que os seguem alegremente.


É preciso ter inimigos e as fronteiras são boas para isso. Há os de cá e os de lá. O que é que interessa que haja uns poucos no topo e milhões espezinhados na base? E a família, claro. Porque é a família que tem de nos cuidar quando precisamos. Não há cá direitos garantidos. Querem ajuda? Peçam à família.
E na família manda o pai, claro, ele próprio um eleito à sua pequena escala, com livre passe para descarregar na mulher e nos filhos a frustração acumulada, que isto um homem não é de ferro. E se tudo continua mal, ao menos há futebol e pimba, que já ninguém liga ao fado e Fátima é coisa para mulheres se entreterem e perceberem o seu lugar.
Toda a gente tem um lugar. Há os que são de cá e os que são de fora. Há os que estão em cima e os que estão em baixo. O quê? Isso parece o sistema? Que conversa de comunas! Caladinhos. Vão ver como as coisas lhes mordem quando houver uma limpeza.
Acabam-se os disparates, que a conversa do "isto agora não se pode dizer nada" é só quando nos convém. Perdão.
Quando convém à ordem. Somos contra o sistema, mas queremos manter tudo como estava desde os tempos do Adão e da Eva. Já vos disse que a ordem é muito importante? (trazido para passar-a-palavra do Face de Margarida Davim)
É urgente passar-a-palavra
Moita Flores: Perdemos um homem bom

Mário Zambujal (1936-2020), natural de Moura, foi um proeminente jornalista e célebre escritor português. Com uma vasta e rica carreira, destacou-se profundamente na imprensa escrita, na televisão e na rádio. Trabalhou em redações marcantes como "A Bola" e "O Século", cultivando um estilo literário muito cativante. A sua prosa é inconfundível, sendo sempre caracterizada pelo humor, ironia e um olhar muito humano. Na bibliografia, o seu estrondoso sucesso de estreia foi a obra "Crónica dos Bons Malandros" (1980). Destacam-se também outros livros muito aclamados pelo público, como "Histórias do Fim da Rua" (1983).
ATÉ UM DIA, MARIO! Hoje, perdemos um homem bom. Um jornalista de primeira água. Um escritor de excelência. Éramos conterrâneos. Fomos vizinhos. Fomos amigos durante meio século.
Mário Zambujal era a sabedoria mansa. O humor inteligente. A caneta que fazia amor com as palavras. O amigo do sorriso definitivo.Hoje, perdemos um homem bom! É com mágoa que me despeço de ti. Até um dia, Mário! (trazido do Face de Moita Flores)

Horror em Espanha Noélia Castillo decide morrer
Foi metida num lar aos 14 anos, onde a violaram. Portugal tem 580 crianças enfiadas em lares
Noelia Castillo, de 25 anos, já morreu a seu pedido e a culpa é da proliferação de centros de internamento de menores, estruturas que falham na sua missão, quer em Espanha quer em Portugal. No nosso caso temos quase 5980 crianças internadas em 351 lares, gerando um volume de negócio de 90 milhões de euros. Em amílias de acolhimento existem apenas 462.
Em Portugal o valor que um lar recebe deod Estado varia em 1200 e 1500 euros e pode chegar a 2500 euros se por argumentado "necessidades especiais. Já uma familia que acolha um melhor recebe entre 560 a 600 euros. Aos 14 anos, Noelia foi colocada num centro que deveria ser o seu refúgio, mas que acabou por ser o palco de uma violação grupal perpetrada por outros jovens do mesmo ambiente. A falha do Estado foi dupla e imperdoável: primeiro, ao não impedir a agressão num local sob sua tutela; segundo, ao demonstrar-se incapaz de tratar o trauma
devastador que se seguiu.Esta negligência institucional empurrou-a para uma tentativa de suicídio que a deixou paraplégica e com dores neuropáticas crónicas e insuportáveis.
Hoje, aos 25 anos, a eutanásia surge não como uma escolha de liberdade, mas como o último recurso de uma vítima a quem a sociedade e o sistema de proteção retiraram todas as perspetivas de futuro.
É alarmante, o acolhimento residencial representa cerca de 95% das soluções para estas vidas institucionalizadas em Portugal Manter milhares de crianças em grandes instituições, privadas do calor e da segurança de um ambiente familiar, é alimentar uma fábrica de traumas que pode terminar em tragédias irreparáveis como a de Noelia Castillo.
João Fazenda o ilustrador português do New Yorker na Casa da Imprensa
Num tempo em que as cores já não eram baças, mas a mão logo tratou de lhes dar a vibração da vida e a geometria do pensamento, João Fazenda já andava pela New Yorker.
O traço era nítido. A ideia era um golpe seco. Nascido em Lisboa, em 1979, ele não desenha apenas figuras; ele esculpe o vazio com a linha, povoando o silêncio de gentes que parecem feitas de música e de memória. O seu traço é como o mar na foz: ora límpido, ora revolto em formas que se dobram sobre si mesmas para encontrar o que está escondido atrás do rosto.
Nesta sua caminhada, o ilustrador apresenta agora a exposição "Contra-relógio – Ilustrações de Imprensa", patente na Casa da Imprensa em Lisboa até ao dia 7 de março de 2026. Ali, as suas frases visuais são curtas e certeiras. João já andava pela New Yorker com esse mesmo rigor. No Largo da Horta Seca, o seu trabalho demonstra como a tinta se torna opinião e o boneco política pura.



A obra ilumina o que é simples. Desenha a alma sem usar palavras.
Vergonha
Mário Centeno, fingindo ser o Padre António Vieira
14.331 euros de reforma aos 59 anos

Mário Centeno, que finge ser um Padre António Vieira dos tempos modernos, pregava o rigor e das contas certas, mas acabou num lapidar truque de magia: reforma-se aos 59 anos com uma pensão de 14.331 euros mensais.
Quis ser primeiro-ministro pelo Partido Socialista e construtor de uma nova sede para o Banco de Portugal, que custaria 200 milhões de euros.
E agora reforma-se com uma pensão que é um insulto aos portugueses. Ja não bastava Jardim Gonçalves que chegou a ter uma pensão de quase 170 mil euros, que o tribunal reduziu para os actuais 67 mil euros mensais.
Construímos um Portugal de dois andares: um piso para o povo, com a austeridade e o prolongamento da idade ativa; outro piso para os políticos de topo, com as regras especiais e as pensões de marajá, antes de chegarem aos sessenta.
Como diria o Ricardo Araújo Pereira, isto é gozar com quem trabalha. E ainda nos queriam a bater palmas às suas capacidades. Victor D. Silva
José Marques Vidal
resume 'O Herói Esquecido'
"Recriar a história de um ser humano desaparecido há quase século e meio, que com 16 anos começou a combater no Rossilhão, depois nas Invasões Francesas e na Guerra Civil entre Miguelistas e Liberais é um bico-de-obra, porque a realidade de uma vida aventurosa e sedutora, pois casou quatro vezes, supera sempre a imaginação a quem procura suprir-lhe as lacunas pelo recurso à inventiva.
Motivado pela recta intenção de retratar um herói do povo do meu concelho, ignorado pela História que é fértil em bajular os grandes e esquecer as massas anónimas que lhe sustentam a glorificação, corri o risco de, levado pela imaginação, deturpar os passos e sentimentos reais da vida de João Ferreira de Vasconcelos, que teria sido homem de muitas mais virtudes do que as que lhe atribuo na pele de João do Préstimo."

O afável director da Judiciária
José Marques Vidal prepara-se para lançar "O Herói Esquecido", uma obra que promete resgatar do silêncio figuras e episódios cruciais da nossa história. Fora dos holofotes, Marques Vidal foi sempre um homem afável, mas no terreno revelou-se um estratega empenhado no combate ao crime sem tréguas. O antigo diretor da Polícia Judiciária somou polémicas, é certo, mas fê-lo sempre com uma clareza rara, sem nunca se esconder atrás de jogos de palavras.
Jóias Dinásticas
no Hotel de la Marine, em Paris

Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, é um proeminente coleccionador do Qatar e um apaixonado por arte e um grande mecenas.
Este Príncipe lembra a família Medici, que governou Florença e depois a Toscana até 1737, com alguns intervalos no meio. Além de muitos empreendores, os Medicis amavam arte e como mecenas financiavam e investiam em arte.
MEDICI: MASTERS OF FLORENCE (Starring Richard Madden) - Official Trailer
O espólio "Tesouros da Colecção Al Thani" do Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani está exposto permanentemente em quatro galerias do edifício histórico, Hotel de la Marine, na Place de la Concorde, em Paris. A colecção inclui 120 obras de arte excepcionais, desde a Antiguidade até ao século XIX.
A Colecção Al Thani no Hôtel de la Marine
Esta magnífica colecção tem um direito de uso por 20 anos sobre um espaço expositivo no Hotel de la Marine, este espaço museológico apresenta as obras de arte provenientes de toda a colecção, além de acolher uma série bienal de exposições temáticas e empréstimos individuais de museus internacionais.
O espaço museológico é o resultado de um acordo de longo prazo entre a Fundação da Colecção Al Thani e o Centre des Monuments Nationaux (CMN), responsável por este edifício histórico emblemático.
Até Abril de 2026, a Colecção Al Thani, no Hotel de la Marine, em Paris, apresenta o terceiro capítulo de uma trilogia de exposições organizada em colaboração com o Victoria and Albert Museum, a mostra: Jóias Dinásticas.
Após as duas edições anteriores, dedicadas respectivamente às artes da Idade Média e do Renascimento, esta exposição agora patente no Hotel de Paris, reúne jóias magníficas, raras, históricas e de grande importância, provenientes tanto das colecções do prestigiado museu londrino Victoria & Albert quanto da Colecção Al Thani, muitas das quais são exibidas na França pela primeira vez.

Ainda bem, que este magnífico espólio com diademas lindíssimos das imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória e de outras princesas, estavam no Hotel de la Marine, em Paris e não no Louvre, senão tinham sido também roubadas em Outubro 2025.
Poder, prestígio e paixão: estas três palavras resumem, por si só, a exposição Jóias Dinásticas e condensam os desafios ligados à posse de gemas e jóias por soberanos e elites.
Poder, antes de mais, porque as jóias não são apenas adornos, mas verdadeiros atributos do poder. Embutidas em coroas, disseminadas nas vestes, integradas nas insígnias régias, encarnam a autoridade soberana, a legitimidade dinástica e a estabilidade do trono.
Prestígio, em seguida, porque as gemas afirmam a posição social, a prosperidade e também o poder de sedução de uma corte, a sua capacidade de maravilhar, impressionar e até intimidar.
Paixão, por fim, de que as jóias são portadoras: paixão íntima pela beleza pura das pedras, paixão amorosaquando a jóia se torna penhor de união e fidelidade, e também paixão pela posse das peças mais raras.
Assim, diamantes, pérolas, safiras, rubis e esmeraldas são exibidos ao longo dos séculos em diademas, coroas, colares, pulseiras, anéis, pregadeiras, brincos e punhos de espada, graças ao talento de artistas e artesãos prodigiosos. Os soberanos e as cortes reais e imperiais europeias dos séculos XVIII e XIX, seguidos
Diadema Manchester. Cartier Paris, 1903. Diamantes, prata, vidro. Créditos da imagem: ©Victoria and Albert Museum, London. Doação ao governo britânico, atribuída ao Victoria and Albert Museum, 2007. Colecção Victoria and Albert Museum, London, 1979. Cortesia Al Thani Collection, Paris.

pelos ricos da "Gilded Age", da Era Eduardiana e da Belle Époque, fizeram largo uso desses tesouros para brilhar, antes que a viragem do mundo redistribuísse essas pedras preciosas e jóias por outras mãos ou as transferisse para as vitrinas dos museus.
É à descoberta desta epopeia verdadeiramente espetacular que "Jóias Dinásticas" nos convida, a exposição homónima da qual o Centre des Monuments Nationaux (CMN), se orgulha de participar.
O evento oferece-nos a oportunidade de admirar as "Jóias Dinásticas" pela imensa qualidade e ambição desta exposição, que dialoga de forma poderosa com o cenário que a acolhe: o Hotel de la Marine. É de considerar também o Victoria & Albert Museum, que se associa a esta aventura com o comissariado de Emma Edwards e o empréstimo de cerca de sessenta jóias de dinastias russas, francesas e inglesas. É de apreciar os proprietários públicos e privados que aceitaram separar-se temporariamente de gemas raras e de joias para esta exposição.

Créditos da imagem:© The Al Thani Collection, 2018. All rights reserved. Fotografia: Prudence Cuming Associates Ltd. Colecção Al Thani Collection, Paris. Cortesia Al Thani Collection, Paris
Os visitantes do Hotel de la Marine podem admirar estas preciosidades de outros tempos, que nada perderam do seu poder de fascínio ao lado dos retratos das soberanas que as usaram..
A jóia, expressão intemporal de poder e prestígio, revela-se aqui também como um objecto íntimo, portador de sentimentos e mensageiro de favores reais. A exposição reúne jóias associadas ao reinado de figuras emblemáticas da história europeia, como as imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória.
A mostra conta com empréstimos excepcionais de instituições como a Royal Collection, graças à generosidade de Sua Majestade o rei Carlos III; os "Historic Royal Palaces", graças à generosidade do Duque de Fife; o "Musée National du Château de Compiègne"; o "Domaine National du Château de Fontainebleau";

o "Musée National d'Histoire Naturelle"; e o Musée de Minéralogie Mines, Paris; assim como as colecções patrimoniais da Cartier, Chaumet, Mellerio e Van Cleef & Arpels.
Pedras lendárias, diademas sumptuosos, alfinetes deslumbrantes e colares de aparato compõem uma linguagem faustosa — a das cortes reais — na qual cada gema revela o status, a linhagem e a autoridade do seu ilustre detentor.
Fui a Paris para ver Renoir
Fui visitar de propósito o Museu d'Orsay, em Paris, para ver o quadro "O Baile no Moulin de la Galette", de Renoir, que tanto me apaixona, até porque o museu faz 40 anos desta casa de luz. Que tempo este, em que a matéria se faz claridade! A obra é o coração de "Renoir e o Amor", onde o mundo parece uma manhã eterna.
Em Montmartre, o povo dança sob um sol que pinga das árvores, criando manchas de ouro na carne e nos trapos. É uma modernidade alegre, de pincelada fluida, celebrando o baile e a vida no seu 150.º aniversário.
Mas, entre tanta claridade, espreita a sombra. "O Desesperado" de Courbet, vindo de mãos privadas, olha-nos com olhos de abismo. Tu sentes o contraste?De um lado, o riso que flutua no ar de Paris; do outro, o grito mudo de um homem que se rasga.
O museu é este lugar onde o contentamento se cruza com a dor mais funda, oferecendo-nos a angústia de um e o esplendor de outro. Vós que passais, vede como a tinta ainda pulsa, quente e terrível.
J.P.Saragoça
Trump hesita no Irão
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A guerra de Trump e Netan contra o Irão está à beira de uma catástrofe: o envio e 7 mil marines para um vespeiro. Por dia, custa aos americanos mil milhões de euros. Os EUA precisam de acabar com a guerra para ressuscitar a sua economia. O dólar está a ficar fraco.
A China já impõe no mercados internacionais a sua moeda, yuan, e precisa do petróleo do Golfo Pérsico - porque já perdeu o abastecimento da Venezuela, onde nada mudou com o sequestro de Maduro.
No contexto do Irão, o primeiro sinal de fraqueza de Trump foi a retirada do porta-aviões nuclear Gerald Ford, agora nas águas de Creta por causa de um incêndio na cozinha.
O Irão mantém-se firme, que continua a despejar drones na região, onde os EUA têm 25 bases militares. Os drones do Irão são máquinas baratas e eficazes: Os aviões dos EUA e de Isra3l são caríssimos . É o triunfo do pouco contra o muito, da astúcia contra a opulência.
Mesmo sem drones, será dificil transformar o país dos 90 milhões de persas noutra Faixa de Gaza. E os sucessivos ataques ao Irão apenas fortalecem a teocracia Xiita, que repete ao povo: "estão a ver quem vos vinha libertar?"
Trump é contraditório, inculto, desrespeitoso e não tem soluções para além dos ´resortes`. E Netan tem demasiados mísseis hipersónicos a cair em Isra3l. Na sua trapalhice infantil, Trunp acena também com uma intervenção em Cuba, como fuga, mas a Flórida não quer concorrência.
Trump e Netan transformaram-se, eles próprios, em grandes problemas. O mesmo acontece com Putin, que abriu a caixa de Pandora.
Qual o destino que a alta finança reserva, para breve, a Trump, Netan e Putin?
E os poderosos (que estão por detrás dos arbustos) vão apoiar a Europa? O Costa vai indicar-lhe o rumo que Portugal iniciou há 500 anos, quando abriu caminho para a India, Brasil, China e Terra Nova, hoje Canadá?
Depois do caos, os poderosos adoram os ciclos de prosperidade porque lhes enchem os bolsos e alimentam a vaidade. A.J.Breda

Miguel sujeito a terapia anti-gay
Nos últimos dias, o país foi novamente confrontado com a história do Miguel Salazar e com o seu relato corajoso sobre os maus-tratos físicos e psicológicos

que sofreu às mãos de sua mãe, Maria Helena Costa, ideóloga e dirigente do Chega.
Miguel foi submetido a "terapias" de conversão, como se a homossexualidade fosse uma doença que é preciso tratar. Em 2024, Portugal deu um passo importante ao proibir estas práticas. Hoje, no plenário do Parlamento Europeu, será debatida a proibição das terapias de conversão na União Europeia.
Este debate nasce através de uma iniciativa de Cidadania Europeia, que recolheu mais de um milhão de assinaturas contra estas "terapias".Porque ninguém precisa de ser "curado" ou deve ser punido por ser quem é.
Porque dignidade não se negocia.Porque os direitos humanos não têm fronteiras.Quando há direitos humanos em risco, são os direitos de todos que estão ameçados.
Duas dramáticas grandes reportagens sobre retirada abusiva de crianças
e o resultado?


O Presidente da República António José Seguro condenou firmemente o governo isra3lita por ter impedido o Patriarca de Jerusálem de celebrar missa na Igreja do Santo Sepulcro, classificando-o como um facto sem precedentes. Esta reação oficial sugere que o governo português poderá adotar no futuro uma atitude política crítica face a Isra3l.
Ao defender a liberdade religiosa como pilar democrático, o Estado sinaliza que não tolerará violações ao direito internacional. Esta posição demonstra também uma clara continuidade na proximidade à Igreja Católica, tal como sucedeu no mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.
A condenação do procedimento de Isra3l coloca também o presidente na rota das posições assumidas por Espanha.
O incidente serviu para clarificar que presidente português prioriza a proteção do património espiritual e os direitos das comunidades religiosas.
Portugal enfiado na guerra no Irão
A Autoridade Aeronáutica Portuguesa quer mais esclarecimentos sobre os certificados dos pilotos que irão operar estes drones, bem como a área prevista para amaragem em caso de emergência. Estas questões foram dirigidas à embaixada dos EUA em Lisboa.

As perguntas "idiotas"
Armas como esta foram usadas pelos americanos no Afeganistão. E afinal qual foi o resultado?
Essa é uma questão que toca no centro da estratégia militar moderna e na própria ética da guerra. O uso intensivo de drones (como o MQ-1 Predator e o MQ-9 Reaper) pelos EUA no Afeganistão e nas regiões de fronteira foi motivado por uma mudança radical na forma de combater a insurgência.
Alcance e Persistência: Diferente de jatos tripulados, os drones podem sobrevoar uma área por até 24 horas seguidas. No terreno montanhoso e remoto do Afeganistão, isso era essencial para monitorar movimentos de grupos que se escondiam facilmente. E depois? Como ficou o Afeganistão?
Os drones foram apresentados como armas de "precisão extrema". A ideia era usar mísseis para eliminar líderes específicos sem precisar enviar um batalhão o que teoricamente reduziria o rastro da guerra. Não foi o ue aconteceu na escola iraniana onde um drone matou 165 crianças.
O Reaper é um drone classificado como MALE (Medium Altitude, Long Endurance), ou seja, voa a média altitude, mas mantém-se no ar durante longos períodos. Além disso, combina vigilância e reconhecimento com apoio a tropas no terreno.
Tornou-se uma peça central na guerra moderna porque reduz o risco humano direto, permite vigilância contínua durante horas ou dias e executa ataques rápidos e precisos.
O MQ-9 Reaper tem 11 metros de comprimento e uma envergadura de que pode ir até aos 24 metros, o equivalente a um avião comercial pequeno.
De acordo com o fabricante, os MQ-9A têm uma autonomia de mais de 27 horas e podem voar até 15.240 metros de altitude e transportar 1361 quilos de carga externa.
Este drone não é autónomo, sendo controlado por pilotos e operadores em bases terrestres. Pode também ser operado via satélite, o que permite missões globais sem risco direto para pilotos.
Os meninos assassinados
em Gaza, Líbano e Irão
não ressuscitaram



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O elogio da estupidez de Felipe de Melo
O caso Eva Cruzeiro: do insulto do Chega à distração do PS
A loucura está à solta na Assembleia da República e o caso da deputada Eva Cruzeiro é o exemplo mais evidente. Um deputado do Chega, Filipe Melo, decide mandar uma deputada "para a sua terra", por causa da sua cor de pele e a resposta do sistema foi um insulto aos eleitores portugueses.
Em rigor, o deputado Felipe Melo tem estado associado a vários comportamentos muito censuráveis. Por exemplo, os beijos para Isabel Moreira, em plena sessão da Assembleia da República.
Por causa do vai para a tua terra, Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista, acusou o deputado do Chega de racismo e xenofobia. E o que faz a comissão parlamentar nomeada para o assunto? Sancionou Eva Cruzeiro, por considerar a resposta da deputada "desapropriada".
Pior, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista afirma agora que votou por distração a favor da sanção, contra a deputada. Foi "por engano".
E elogio da loucura do Chega já contaminou o Partido Socialista. josé ramos e ramos
O triunfo da indiferença
durante 120 meses de copo na mão
Saramago foi celebrado no Largo dos Bicos e depois? Acabou!

Um dos Copos por Saramago e por nós onde se vê Alípio de Freitas,
Vitorino entre outros, foto tirada por mim

Os pioneiros do Copo no primeiro encontro em Setembro de 2010







De copo em punho, com bom vinho, o extraordinário José Saramago foi celebrado durante 120 meses seguidos, em Lisboa.
Admiradores, católicos ou maçons, todos de copo cheio. Um facto único no mundo. Dezenas de pessoas exultaram José Saramago,

mas Pilar surgiu apenas quatro vezes, em10 anos. Duas vezes para se juntar ao grupo por escasso tempo - porque é talvez pessoa muito atarefada - outras duas em fugazes aparições à janela da fundação, no largo dos Bicos.
Aos dias 16, 17 ou 18, conforme o calendário, os admiradores lá estavam no botilhão a beber e a ler passagens dos seus livros. Foram momentos extraordinários que a pandemia interrompeu, afastando as pessoas de um evento que fazia história e criava novos leitores e amigos.
Beberam-se mais de 440 garrafas de bom vinho. E o botilhão cresceu para um jantar e depois para uma saída à noite, por iniciativa das gentes de Espanhas, mais alegres e festivas.
"Um Copo por Saramago e por nós" devia de ser retomado Um país só é nação fraterna e feliz quando se escora na literatura, teatro, cinema, ballet, pintura, música ... na Cultura comungada. Expurguemos pois da nação os políticos ordinários e analfabetos. Que varreram as ruas, com o devido respeito pelo "almeidas". José Ramos e Ramos


Trump e Putin perdem aliado comum
Hungria chumbou Orbán
Europa entre o alívio e ansiedade
Viktor Orbán, o amigo de Trump e de Putin, caiu ao fim de 16 anos. O ciclo da extrema-direita húngara fechou-se este domingo com uma derrota estrondosa. A Europa suspira de alívio mas ignora o que está para vir.
O partido de oposição Tisza venceu as eleições e garantiu a maioria no Parlamento. Com 95,63% das urnas apuradas, a formação liderada por Péter Magyar conquistou 137 das 199 cadeiras em disputa. O Fidesz, de Orbán, desmoronou para os 55 assentos. O Mi Hazánk ficou-se pelos 7 lugares.
Péter Magyar, de centro-direita, prepara-se para formar governo com um mandato claro. A mensagem de vitória foi curta e dura: o novo primeiro-ministro promete representar todos os húngaros e avisa que os responsáveis por fraudes contra o país serão punidos.

A limpeza nas instituições começou antes da posse. Magyar exige a renúncia imediata do procurador-geral, do presidente da Suprema Corte e dos chefes da comunicação estatal e da concorrência. Budapeste mudou de mãos e o novo poder tem pressa em desmantelar o regime anterior. O tempo de Orbán acabou.



É o pior sinal do Estado português na véspera da chegada de Lula da Silva a Portugal, no próximo dia 21: a Agência para a Integração, Migrações e Asilo tinha decidido expulsar uma criança e o irmão, um jovem, filhos de um casal de cidadãos brasileiros, a residir e a trabalhar legalmente no Algarve há mais de cinco anos. Recorde-se que o Presidente do Brasil tem sido acusado de corrupto, pelo partido de extrema-direita na Assembleia da República.

A AIMA notificou uma família que os seu filhos, um jovem de 16 anos e uma criança de 9, deveriam abandonar o território nacional no prazo de 20 dias. O casal possui autorização de residência válida, paga impostos e contribuições para a Segurança Social.
A falha no agendamento prévio para os menores, causada por um alegado colapso do sistema digital de marcações, foi utilizada como fundamento para a irregularidade da permanência, afastando eventual especulação sobre mão de administrativos com agenda política.
Os jovens estão integrados no sistema escolar português desde a sua chegada. O jovem frequenta o ensino secundário e a criança o ensino básico em Portimão. A ordem de expulsão ignorou o princípio do superior interesse do menor e o direito constitucional à unidade familiar.
Enquanto os governos preparam os protocolos diplomáticos em Lisboa, no Algarve, uma família brasileira enfrentou a ameaça de separação dos filhos por causa de um alegado erro processual. Imperdoável, até porque ficam inevitáveis especulações. jrr
As guerras de Trump
Soldado raso americano
18 anos
ganha 4 500 euros mês
um coronel com 20 anos de actividade e várias acumulações pode chegar aos 15.800 euros

Na América ser voluntário militar é um trabalho bem pago, um soldado raso consegue chegar aos 4 500 euros. É o vencimento mensal acumulado.
Publicamos a tabela com reservas, já que não é possível confirmação absoluta junto das autoridades americanas. Os cálculos destes valores foram determinados por pesquisa cruzada na internet. Os militares norte-americanos recebem verbas adicionais em situações de destacamento em zonas de conflito:
Salário Base (Basic Pay): Para um soldado de categoria E-1 ou E-2 (as mais baixas), o salário base em 2026 ronda os 2.046 € a 2.232 €.. Subsídio de Perigo Iminente (Imminent Danger Pay): Quando um soldado é enviado para uma zona de guerra ativa, recebe automaticamente um extra mensal de 209 €. Subsídio de Separação Familiar (Family Separation Allowance): Se o soldado tiver família a cargo e for destacado por mais de 30 dias, recebe cerca de 232 € adicionais.
Isenção de Impostos (Tax Exclusion): Em zonas de combate designadas, todo o salário recebido pelo soldado fica isento de impostos federais. Isto significa que o valor bruto passa a ser o valor líquido, o que aumenta o poder de compra real de forma significativa. Subsídios de Custo de Vida (COLA): Dependendo do local e das dificuldades logísticas,
podem ser aplicados ajustes de custo de vida e subsídios de alimentação (BAS) que somam mais cerca de 418 €.
Alojamento (BAH): Mesmo em combate, o exército continua a pagar o subsídio de habitação para manter a casa da família no país de origem. Em cidades americanas caras, este valor ultrapassará os 1.860 €.
Somando o salário base, os bónus de combate, a isenção fiscal e os subsídios de habitação/alimentação, o pacote total de compensação pode, de facto, atingir ou ultrapassar o equivalente a 4 500 euros mensais na conta bancária do soldado. É um valor que serve para compensar o risco de vida e o sacrifício pessoal extremo exigido nas frentes de batalha.
Os valores mensais aproximados do salário base (bruto) para 2026:
Praças e Sargentos (Enlisted - "E") São a base da força. Um recruta começa no nível E-1. E-1 (Recruta): Cerca de 1.953 € a 2.232 € (dependendo se tem mais ou menos de 4 meses de serviço). E-4 (Specialist/Corporal): Cerca de 2.790 € (com menos de 2 anos) a 3.348 € (com mais de 4 anos). E-7 (Sargento de 1ª Classe): Pode ir de 3.515 € até mais de 5.580 €, dependendo da antiguidade.
Oficiais (Officers - "O") os que têm formação universitária. O-1 (Segundo-Tenente): Cerca de 3.720 € a 3.860 € (início de carreira). O-3 (Capitão): Cerca de 5.115 € (com 2 anos) a 7.161 € (com mais de 6 anos). O-6 (Coronel): Pode ultrapassar os 9.300 € mensais.
Resumo: Um soldado raso (E-1) em 2026 ganha cerca de 26.040 €/ano de salário base, mas com os auxílios de casa e comida, a compensação total real pode chegar facilmente aos 55.800 €/ano. Mas um coronel com 20 anos de actividade e com a acumulação de vários itens pode chegar aos 15.800 €.
Meloni vira costas a Isra3l
A aliança de ferro entre Donald Trump e Giorgia Meloni derreteu e a gota de água foi Netanyahu. Meloni já não disfarça a saturação face a Isra3l e à sua política de terra queimada. Trump, num exercício de perplexidade teatral, finge não entender o
distanciamento teatral, finge não entender o distanciamento.
Trump oscila entre o caos e o caos retórico, hoje dizuma coisa para desmentir amanhã. Meloni, pragmática, cansou-se do jogo:
Israel acaba de perder uma aliada crucial na Europa, sinalizando o fim do bloco continental que fechava os olhos a Gaza.
O cenário de um bombardeamento ao Irão, desenhado no horizonte, ameaça agora implodir o comércio internacional e asfixiar a economia chinesa. Trump admira-se, mas o tabuleiro mudou. A Europa dos "aliados fiéis" está a recolher as peças antes que o tabuleiro arda.
Teresa Mello Sampayo:
Entrevistem as personagens, eu sou apenas a actriz
.
a solidão, o teatro apaga...
é uma forma de me povoar, não é vaidade, é fome de mais mundo
.


A bela e notável actriz Teresa Mello Sampayo sonhava em menina (tenho de vos contar) ser astrónoma. Queria a modos falar com as estrelas dos céus.
Agora é ela a estrela no teatro e no cinema português. Com grande mérito, como aconteceu em "O Mal Entendido", de Alberto Camus, de quem tudo leu e estudou.
Em menina sentia um norte diferente. As suas longas leituras apontavam para silêncio das galáxias sem fim, mas a genialidade levou-a para caminho diferente, o Teatro, trazendo-a agora para personagem principal do filme "Damas" de Cláudia Alves, com estreia marcada para o icónico cinema City.

Teresa tem moldado a sua carreira como vara de centeio em seara agitada. De peito nu aos ventos fortes, sem quebrar. E até já foi vampira horrorizada com a morte, mas criatura nobre, por referir o jejum à crueldade.
"Foi mais um degrau" diz, na confessa solidão que o teatro apaga. "É uma forma de me povoar. Não é vaidade, é fome de mais mundo".

É filha de arquiteto que andou pelo mundo, em Angola, Argélia, América e Moçambique. Em Maputo, o pai partiu para os céus. E dele ficou-lhe o rigor, a voz firme e o olhar doce.
Doce, mas não se iludam: "O teatro é um campo de batalhas, de pesquisa e entrega total. É coisa árdua". E mais não diz. "Entrevistem as personagens", pede. "Têm mundos maiores. Deles apenas tomo posse e assumo desvelo". Na escolha dos papéis, Teresa prefere as vilãs: "Porque o mal é maior, denso e complexo".
Neste momento, Teresa Mello Sampayo está no cinema, no teatro e em duas novelas. Nas pequenas pausas podemos vê-la no balcão do foyer do Teatro A Barraca, em Santos. Ali, anónima e feliz e, conversa-a-conversa, somos surpreendidos pelo mais belo sorriso de Lisboa, que deuses ávidos a fadaram para grandes momentos de palco.
Estas linhas, eu sei, serão severamente rejeitadas. "Como se atreveu?" Mas na minha idade já só se escreve a verdade.
Dia 30 de Abril, Teresa Mello Sampayo estará no écran do cinema City, em estreia de "Damas". Parabéns Teresa. jrr


Pode uma providência cautelar travar a liberdade de imprensa?

O Sindicato dos Jornalistas condenou o uso de uma providência cautelar contra o canal Now para travar emissão de reportagem, considerando-a contrária ao direito constitucional à informação.
O Sindicato afirma que a medida é grave por ter sido proferida sem contraditório ou defesa prévia. Num Estado de Direito, o escrutínio jornalístico deve ser protegido e nunca silenciado. O SJ reafirma que a censura é incompatível com a democracia e a transparência.
É urgente que se pondere direitos sem sacrificar a liberdade editorial. Silenciar factos fragiliza as instituições e a confiança dos cidadãos. Defender a imprensa é garantir que nenhum poder se sobrepõe à verdade.
Trump: o bobo de corte dos cartoonistas americanos


















"Era uma santidade feita de silêncio e de privação, como se o corpo fosse apenas um invólucro gasto, uma morada provisória para uma dor que já não pertencia a este mundo. Naquele rosto, sulcado pela geometria do tempo e das mágoas, lia-se a crueza de uma existência que aprendera a converter a fome em oração e o abandono em destino.
A miséria, ali, não era a falta de bens, mas a presença constante de uma ausência; uma espécie de divindade que se manifestava no despojamento absoluto, onde a alma, despida de vaidades, se via finalmente face a face com o seu próprio nada."

Colete Avital agredida em Isra3l
Colette Avital deixou saudades nos jornalistas em Lisboa. Abria as portas da sua casa sorrindo na esperança de ajudar à construção de um mundo pacífico e justo.
Aos 83 anos Colette Avital foi brutalmente atirada contra o asfalto em Telaviv3 pela polícia antimotim isra3lita. Uma violência carregada de absurdo.
Colette foi uma das mais ativas embaixadoras de Isra3l, ocupando postos diplomáticos estratégicos. Bruxelas, Paris, Nova Iorque. E acaba agora de cara no asfalto, derrubada por um rapazola fardado de um regime que já não distingue aliados de inimigos.
Colette Avital deixou saudades nos jornalistas em Lisboa. Abria as portas da sua casa sorrindo na esperança de ajudar à construção de um mundo pacífico e justo. Até lá vi, numa das noites, o padre Vitor Melícias de quipá na cabeça.

Ela foi a grande obreira na restituição de bens judaicos confiscados durante o Holocausto que assassinou seis milhões de judeus. E, em rigor, mais uns milhões de maçons, ciganos, homossexuais, artistas e políticos.
Esse horror repete-se agora no Líbano... pelas mãos de isra3litas, com bombardeamentos incessantes para desalojar um milhão de pessoas das suas casas. Já aconteceu em Gaza e há suspeitas da mesma autoria na Síria, Líbia e Iraque. Tentaram fazer o mesmo no Irão, mas sem êxito.
Natan desonra a memória das vitimas do Shoah perpretado pelos populistas alemães que elegeram Hitler. Aspiravam a um Volkswagem e sonhavam com fardas pretas das SS desenhadas por Hugo Boss.
Colette apenas queria dizer um "basta de tanta brutalidade". "Não esqueçam o Holocausto". "Não façam mais genocídios". Mas a violência de Natan já não tem limites. E evoca o Torah (os 5 primeiros livros da Bíblia) à espera do messias... com tiros de canhão. jrr
Serviços Especiais do Vaticano
Avisam Trump: está a pisar linha vermelha


.

Os serviços especiais do Vaticano terão alegadamente informado a diplomacia americana que Trump está a pisar uma linha vermelha na relação entre Estados.
Neste caso um estado religioso com fortes influências e um serviço de informação ativo em todo o mundo. A sua última patetice na Truth Social é um cartoon onde posa de novo Messias. O post transpira ultraja católicos e deixa aliados judeus em choque, com este culto teocrático.
Entre ataques ao Papa e repetidos ultimatos ao Irão, Trump exibe uma incoerência patológica, trocando a diplomacia real por delírios de grandeza. Esta instrumentalização do sagrado apenas prova que, por trás da máscara de salvador divino, existe um presidente com psicopatias graves. João S. Silva

Estreito e confuso...
Trump quer fechar Ormuz
Afinal agora não é o Irão que fecha o estreito de Ormuz, são os Estados Unidos; é Trump quem vai fechar o estreito, baralhando a lógica e o bom senso. Esta inversão acentua o ridículo de uma liderança egocêntrica que usa o comércio mundial como refém de ultimatos vazios.
Enquanto Trump simula tréguas, Netanyahu lubrifica a máquina para reduzir o Médio Oriente a escombros, usando americanos como carne para canhão. O rasto de caos, do Vietname ao Afeganistão, repete-se numa América que perdoa Putin e nomeia embaixadores por nepotismo.



Sob o manto de doutrinas messiânicas, Israel flerta com o abismo nuclear, ignorando o rasto de genocídio já cometido. Desastres como o de Beirute em 1983 provam que esta estratégia apenas alimenta a barbárie global. A única esperança é o surgimento de um novo De Gaulle, um líder europeu capaz de impor ordem a este delírio.
É urgente uma potência que obrigue americanos e israelitas a aprenderem a lição da civilidade. Sem esse contrapeso, o mundo será sacrificado ao ego de quem nos vê como esterco. A paz global não pode ser refém de graçolas e férias de 15 dias antes de massacres anunciados.
É tempo de travar a loucura e devolver a ética às relações internacionais. João S. Lima

As duas bombas nucleares
que assassinaram milhares
de japoneses


Sobreviventes das bombas atômicas que caíram em Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como hibakusha, receberam tratamento médico, incluindo este homem, mulher e criança, fotografados em Hiroshima em 12 de agosto de 1945.

Vai ser lançada bomba nuclear sobre o Irão?
Sumiteru Taniguchi tornou-se um ativista mundial contra as armas nucleares. Quando a bomba caiu em Hiroshima, no fim da Segunda Grande Guerra Mundial, ele tinha 16 anos e estava a entregar correio na sua bicicleta. O calor da explosão derreteu a pele das suas costas e queimou o seu rosto.
Uma bomba atómica pode cair daqui a 15 dias sobre o Irão. Trump não sabe como sair da embrulhada da invasão ao Irão. E Isra3l quer arrasar o Irão. Já o fez na Síria, Gaza, o Líbano está em curso e anexou a Cisjornânias.
A opção nuclear já tinha sido aventada há 2 amos por um político de extrema-direita do governo de Netan e volta à baila pela impotência de Trump em abrir o Estreito de Ormuz
Israel poderá tentar aproveitar o escasso tempo de Trump para destruir o primeiro país que o reconheceu como Estado em 1947: o Irão. Será uma nova catástrofe do deus que lhe deu o titulo de "do único povo eleito no fim dos tempos".
As consequências serão piores que Chernobyl. Se o conflito escalar, as radiações mortais não escolherão fronteiras nem credos. Restará apenas o silêncio de um território transformado em cinza pela incapacidade de recuar no abismo. A Europa terá a sua dose mortal e Isra3l não escapa. Que loucura! jrr
Albert Camus a escolha
entre o inferno e a razão
2 dias depois da chacina da bomba largada sobre Hiroshima, Camus escreve editoral no jornal Combat

Editorial escrito por Albert Camus no jornal Combat, publicado a 8 de agosto de 1945, apenas dois dias após o bombardeamento de Hiroshima.
Enquanto grande parte da imprensa mundial celebrava o avanço tecnológico e o fim iminente da guerra, Camus foi uma das poucas vozes intelectuais a reagir com horror e sobriedade, captando a gravidade ética do momento.
Albert Camus (1913–1960) foi um escritor e filósofo franco-argelino, ícone do humanismo e do existencialismo. Celebrizou-se pela teoria do Absurdo, defendendo que, num universo sem sentido, o homem deve revoltar-se através da ética e da solidariedade. Autor de obras fundamentais como O Estrangeiro e A Peste, recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1957. Morreu precocemente num acidente de carro, deixando um legado de coragem moral e clareza intelectual.
"O mundo é o que é, ou seja, pouca coisa. É o que todos sabem desde ontem, graças ao formidável concerto que rádios, jornais e agências de notícias acabam de lançar sobre o tema da bomba atómica. Dizem-nos, de facto, no meio de uma data de comentários entusiastas, que qualquer cidade de tamanho médio pode ser pulverizada por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol.
"Jornais americanos, ingleses e franceses entregam-se a elegantes dissertações sobre o futuro, o passado, os .
inventores, o custo, a vocação pacífica e os efeitos de guerra, as consequências políticas e até o carácter próprio da bomba atómica
"Resumiremos o nosso pensamento numa frase: a civilização mecânica acaba de atingir o seu último grau de selvajaria. Terá de se escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo ou a utilização inteligente das conquistas científicas.
"Entretanto, é permitido pensar que há algo de indecente em celebrar assim uma descoberta que se coloca, antes de mais, ao serviço da mais formidável fúria destruidora de que o homem deu prova em séculos. Que num mundo entregue a todos os rasgos da violência, incapaz de qualquer controlo, indiferente à justiça e à simples felicidade dos homens, a ciência se consagre ao assassínio coletivo, ninguém, a menos que possua um idealismo impenitente, se surpreenderá com isso.
"Estas descobertas devem ser registadas, comentadas pelo que são, anunciadas ao mundo para que o homem tenha uma ideia justa do seu destino. Mas rodear estas revelações terríveis de uma literatura pitoresca ou humorística é algo que não se pode aceitar.
"Já não se respira com facilidade num mundo torturado. E eis que nos propõem uma nova angústia, que tem todas as probabilidades de ser definitiva. Oferecem à humanidade, sem dúvida, a sua última oportunidade. E isto pode ser, afinal, o pretexto para um editorial. Mas isto deveria ser, sobretudo, o tema de algumas reflexões e de muito silêncio.
"De resto, há outras razões para acolher com reserva o romance de antecipação que os jornais nos propõem. Quando se vê o editor diplomático da Agência Reuter anunciar que esta invenção torna obsoletos os tratados ou as próprias decisões de Potsdam, e notar que é indiferente que os russos estejam em Berlim ou os protestantes na Saxónia, não se pode deixar de atribuir a este belo entusiasmo intenções bastante estranhas aos interesses da humanidade.
"Que se entenda bem: se os japoneses capitularem após a destruição de Hiroshima e pelo efeito do medo, congratular-nos-emos com isso. Mas recusamo-nos a tirar de uma notícia tão grave outra coisa que não seja a decisão de defender ainda mais energicamente uma verdadeira sociedade internacional, onde as grandes potências não tenham direitos superiores às pequenas e médias nações, onde a guerra — flagelo tornado definitivo apenas pelo efeito da inteligência humana — já não dependa dos apetites ou das doutrinas de tal ou tal Estado.
"Perante as perspectivas assustadoras que se abrem à humanidade, percebemos ainda melhor que a paz é a única luta que vale a pena ser travada. Já não é um voto, mas um imperativo que deve subir dos povos para os governos, a escolha entre o inferno e a razão".
Aqui ao lado Espanha
IRENE MONTERO ameçada de morte pede proteção policial
Irene Montero é uma psicóloga e política espanhola, figura central do partido Podemos, que desempenhou um papel determinante na política de Espanha na última década e está ameaçada de morte, como revela El País
Montero juntou-se ao Podemos logo após a fundação do partido em 2014, vinda de movimentos de ativismo social e do direito à habitação (Plataforma de Afetados pela Hipoteca). Rapidamente se tornou uma das vozes mais próximas de Pablo Iglesias (de quem é companheira e com quem tem três filhos), assumindo a liderança do grupo parlamentar no Congresso dos Deputados.
Com a formação do primeiro governo de coligação em Espanha (PSOE e Unidas Podemos), Irene Montero foi Ministra da Igualdade. O seu mandato foi marcado por uma agenda feminista muito ambiciosa, destacando-se:
Lei do "Apenas Sim é Sim" (Solo sí es sí): Uma reforma do Código Penal que colocou o consentimento no centro dos crimes sexuais. Lei Trans: Que permite a autodeterminação de género a partir dos 16 anos. Reforma da Lei do Aborto: Garantindo o acesso ao serviço público e eliminando a necessidade de autorização parental para jovens de 16 e 17 anos.
O seu mandato foi um dos mais polarizados da história recente de Espanha: Efeitos da Lei "Solo sí es sí": Devido a uma lacuna na redação da lei, centenas de agressores sexuais viram as suas penas reduzidas retroativamente, o que gerou uma enorme crise política e obrigou o PSOE a alterar a lei contra a vontade de Montero.
Protestos anti-IRENE à porta de casa
Foi alvo de campanhas de assédio pessoal e mediático muito intensas, incluindo protestos constantes à porta da sua residência familiar. Após as eleições gerais de 2023, o Podemos perdeu peso político e Montero não foi incluída no novo governo de Pedro Sánchez. Atualmente, continua a ser uma figura de referência da esquerda radical espanhola e foi eleita Deputada no Parlamento Europeu

O cansaço que nos tolhe não é individual. Quando nos queixamos dele, achamos sim. Pensamos que talvez tenha que ver com as nossas más escolhas. Até nisso o neoliberalismo é eficaz: responsabiliza-nos, dividindo-nos entre os bem-sucedidos e os falhados, como antes a religião nos dividia entre os bem-aventurados e os pecadores. A culpa que carregamos faz parte do processo. Sempre fez.
O cansaço que nos tolhe não é individual, dizia eu. Estamos cansados porque temos de vender muitas horas de trabalho só para conseguir viver, num sistema que nos impinge a ideia de que o nosso valor intrínseco se mede pelo que conseguimos fazer e ter e não pelo que somos. Estamos cansados porque vivemos cada vez mais longe do trabalho, dos amigos, da família. Estamos cansados porque ficamos sem rede que nos ajude a cuidar dos filhos e dos pais.
Estamos cansados porque a ansiedade da incerteza e da precariedade cansa. Estamos cansados porque até os encontros sociais se tornam um momento de consumo, desligado do prazer simples de estar com aqueles de quem gostamos, transformado em mais uma possibilidade de
temos de vender muitas horas de trabalho só para conseguir viver
negócio que faz com que manter amizades custe demasiado dinheiro.
Estamos cansados porque parar é um luxo. Estamos cansados porque somos nós o produto final, explorados numa economia da atenção, desenhada para nos manter colados aos ecrãs e às redes, enquanto minera os nossos dados. Estamos cansados porque desligar tem um preço demasiado alto.
Universidadede Tsinghua
https://youtu.be/Cs45UV_DUIw?si=nEhhAa2ikP32KHD_
https://youtu.be/qdlEqd30MYM?si=LIlQS5xZDiNbnjxX
https://youtu.be/m4AZcZKpf-s?si=3j6svEpH-EH__j9u
A China lidera o ranking mundial de universidades, consolidando a sua hegemonia no conhecimento e na inovação tecnológica. Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global.
Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
Santo Agostinho preciosidade em Lisboa
No Museu das Janelas Verdes repousa o Santo Agostinho de Piero della Francesca, figura de uma solenidade tão geométrica que parece talhada por um compasso divino. Esta têmpera sobre madeira de choupo, nascida entre 1454 e 1469, é o vestígio de um mundo onde a beleza se media pela exatidão e a luz era uma forma de inteligência.
Piero, o mestre de SanSepolcro que via o universo como um conjunto de volumes perfeitos, trouxe para este painel a calma das manhãs da Toscânia. Ele, que foi tanto pintor como matemático, autor do tratado De Prospectiva Pingendi, não pintava apenas santos; organizava o espaço com o rigor de um arquiteto e a alma de um místico.
Na mitra e no pluvial, o detalhe das joias não é um mero adorno de luxo, mas uma celebração da luz que incide sobre a matéria, revelando a mão de quem dominava a ciência da perspetiva como nenhum outro no seu século.João S. Lima
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Volta a trás Lei da autodeterminação da sua identidade de género
Políticos transformam opções sexuais em tema... político
Não se percebe por que razão pilas e coisas assim hão-de ser preocupação para os políticos do CDS, PSD e Chega, que agora se empenham em revogar a Lei da Autodeterminação da Identidade de Género. É uma náusea que se instala: a fixação de homens públicos pelos órgãos biológicos alheios, como se a existência fosse uma propriedade da carne que se pudesse arrumar em gavetas administrativas. Eles olham para o corpo como uma pedra fria, ignorando que o ser humano é uma liberdade que se constrói a cada instante.
É insuportável ver a lei tentar tocar na consciência. Estes projetos do Chega, PSD e CDS são como objetos mortos que pretendem ditar o pulsar da vida, reduzindo a dignidade a uma explicação ideológica. O mundo das razões que eles invocam não é o da existência. A existência é gratuita; cada um é responsável pelo seu próprio rosto.
Quando a política se transforma numa inspeção de genitais em vez de uma garantia de liberdade, tudo começa a flutuar no absurdo. É a náusea total: a Política a querer ser o dona da alma, enquanto se perde no labirinto de uma biologia que já não serve para explicar a grandeza de estar vivo. Jorge L. Santos
Os defensores da revogação da Lei da Autodeterminação da Identidade de Género centram os seus argumentos na proteção de menores, defendendo que decisões irreversíveis não devem ser tomadas sem diagnósticos clínicos prévios e acompanhamento médico rigoroso. Alegam que a despatologização total pode precipitar transições precoces e defendem o reforço do papel e autoridade dos pais nestes processos escolares e sociais.
Em oposição, quem apoia a manutenção da lei argumenta que esta garante a dignidade e os direitos humanos fundamentais das pessoas trans e não-binárias, combatendo o estigma e a marginalização. Para estes, a autodeterminação é essencial para a saúde mental e bem-estar, evitando processos burocráticos humilhantes e assegurando que as escolas sejam espaços seguros e inclusivos, onde a identidade de cada um é respeitada.
A Lei n.º 38/2018 estabelece o direito de cada pessoa à autodeterminação da sua identidade de género e expressão de género, bem como à proteção das suas características sexuais.
Como é a actual lei
O ponto mais importante é permitir que qualquer cidadão maior de idade possa alterar o seu nome e sexo no registo civil através de um procedimento administrativo simples, baseado apenas na vontade do indivíduo, eliminando a necessidade de diagnósticos médicos ou relatórios de patologia mental.
Além disso, a lei proíbe intervenções cirúrgicas ou tratamentos em crianças intersexo até que estas tenham idade para decidir sobre a sua própria identidade.
Ventura mente
o que diz a lei
A Lei da Autodeterminação da Identidade de Género em Portugal gera confusão porque as regras mudam conforme a idade.
No Registo Civil (Mudança de nome e sexo no cartão de cidadão)
Menores de 16 anos: Não podem mudar o sexo no registo civil. A lei atual só permite esta alteração a partir dos 16 anos.
Entre os 16 e os 18 anos: Já podem solicitar a mudança, mas não decidem sozinhos. Precisam obrigatoriamente do consentimento dos pais (ou representantes legais) e de um relatório médico que confirme a sua capacidade de decisão, sem qualquer diagnóstico de doença mental.
Santuário para Rafeiros
no Alentejo

O Tango já está num santuário, para passar os seus últimos tempos neste mundo em liberdade, junto de pessoas e com outros amigos. O Tango é um cão com bastante idade, viveu muito tempo em canil, connosco apesar de ter algumas saídas diárias vivia preso a maior parte do dia.
E o Tango é um cão de planícies a perder de vista, não merecia morrer num canil. Já algum tempo estava previsto ele ir fazer parte do Monte dos Vagabundos - Santuário Animal e o Tango adaptou-se muito bem aos novos amigos. O Tango serás agora super feliz Tango. E já tem o seu buraquinho reservado, tanto que ele gosta de fazer buracos e deitar-se neles
link facebook.com/rafeiritosdoalentejo/posts/há-2-semanas-fomos-levar-o-nosso-querido-tango-para-um-santuário-para-passar-os-/1330348399130736/
Barco-Atelier de Monet volta a Quai d'Órsay
Entrei no Museu d'Orsay para ver a "novidade", o "Barco-Atelier" de Claude Monet. Os objetos deveriam ser úteis, arrumados na sua função de "arte". Mas este Monet toca-me. É insuportável. Sinto as pinceladas da água como se fossem bichos vivos que me fitam do centro da sala.
Olho para a massa de tinta de Monet, para aquele empastamento que esteve escondido décadas, e sinto o mesmo enjoo doce que me invadiu à beira-mar. É uma náusea nas mãos. A existência do "Barco-Atelier" desvendou-se de repente, perdeu o seu aspeto inofensivo de "impressionismo" ou de "categoria histórica": era a própria massa das coisas, uma abundância obscena de azuis e verdes que não pede licença para ser.
Os críticos falam de luz e de reflexos; mas esse é o mundo das explicações, e ele nada tem a ver com a existência bruta daquela tela de Monet.

O museu é gratuito. Paris, lá fora, é gratuita. E eu próprio, parado perante aquela existência pesada, sinto o coração revirar-se. Tudo começa a flutuar na consciência de que nada, nem mesmo aquele barco pintado, tem uma razão para me balancear. . João P. Saragoça
Poesia e Liberdade
a receita de Alegre
Alegre pôs o dedo na ferida, precisamos de poesia para vencer os ditadores de hoje. Em vez de armas, eles usam a sedução das palavras demagógicas para minar a liberdade por dentro. O 25 de Abril foi o começo dessa liberdade, coisa igual a qualquer país da Europa ocidental. Pode ter sido mais, mas a mudança para um sistema do Estado Democrático de Direito foi, por si, muito importante.
Em 1974 já não era possível criar mais desenvolvimento económico, Portugal estava isolado mesmo nas relações comerciais. E a guerra nas colónias foi feita à custa de 10 mil jovens mortos, forçados a serem soldados em terras de África. Morria-se para defender os interesses dos grupos económicos portugueses, que já tinham sido negreiros. Só viver nas colónias com "carta de chamada". Não existiam "redes", nem canais de TV a cores, nem auto-estradas e muitas vezes nem sequer frigorifico.
As únicas falas permitidas eram sobre futebol. Mas o Benfica tinha de ser encarnado, porque dizer vermelho dava direito a noite passada nos calabouços da PIDE, polícia política. Manuel Alegre veio alertar para a perversão da linguagem, onde a mentira e o ódio contaminam a palavra até a tornar estéril.
Restaurar a poesia é descontaminar a imaginação e impedir que nos voltem a ditar o que podemos ou não escrever. Alegre reivindica a palavra como instrumento único, para resistir à mentira e ao novo autoritarismo que teme o poder da criação livre. jrr


Edição botequim.pt de 30 de Abril a 05 de Maio de 2026, com actualizações diárias
No cinema City
HOJE estreia DAMAS de Cláudia Alves

Damas acompanha um grupo de mulheres que se reúne diariamente num jardim de Lisboa para jogar damas, transformando o tabuleiro num espaço de resistência e partilha. Através dos seus gestos e conversas, o filme revela as histórias de vida, as solidões e as alegrias de uma geração que encontra no jogo um antídoto para a invisibilidade.
Cláudia Alves é uma realizadora de olhar atento à identidade e memória coletiva. No filme Damas, captura a essência da amizade e da resistência feminina através de um grupo de mulheres que partilha a vida em torno de um jogo de cartas.
A sua abordagem é humanista e despretensiosa. Dá voz a gerações muitas vezes invisibilizadas. O seu trabalho destaca-se por uma estética que honra a tradição oral portuguesa. É uma cineasta que utiliza o cinema como uma ferramenta de empatia e preservação cultural. A sua direção em Damas prova que o grande cinema pode nascer da simplicidade dos gestos.

Teresa Mello Sampayo: Entrevistem as personagens, eu sou apenas a actriz
.
a solidão, o teatro apaga...
é uma forma de me povoar, não é vaidade, é fome de mais mundo

A bela e notável actriz Teresa Mello Sampayo sonhava em menina (tenho de vos contar) ser astrónoma. Queria a modos falar com as estrelas dos céus.
Agora é ela a estrela no teatro e no cinema português. Com grande mérito, como aconteceu em "O Mal Entendido", de Alberto Camus, de quem tudo leu e estudou.
Em menina sentia um norte diferente. As suas longas leituras apontavam para silêncio das galáxias sem fim, mas a genialidade levou-a para caminho diferente, o Teatro, trazendo-a agora para personagem principal do filme "Damas" de Cláudia Alves, com estreia marcada para o icónico cinema City.
Teresa tem moldado a sua carreira como vara de centeio em seara agitada. De peito nu aos ventos fortes, sem quebrar. E até já foi vampira horrorizada com a morte, mas criatura nobre, por referir o jejum à crueldade. "Foi mais um degrau" diz, na confessa solidão que o teatro apaga. "É uma forma de me povoar. Não é vaidade, é fome de mais mundo".

É filha de arquiteto que andou pelo mundo, em Angola, Argélia, América e Moçambique. Em Maputo, o pai partiu para os céus. E dele ficou-lhe o rigor, a voz firme e o olhar doce.
Doce, mas não se iludam: "O teatro é um campo de batalhas, de pesquisa e entrega total. É coisa árdua". E mais não diz. "Entrevistem as personagens", pede. "Têm mundos maiores. Deles apenas tomo posse e assumo desvelo". Na escolha dos papéis, Teresa prefere as vilãs: "Porque o mal é maior, denso e complexo".
Neste momento, Teresa Mello Sampayo está no cinema, no teatro e em duas novelas. Nas pequenas pausas podemos vê-la no balcão do foyer do Teatro A Barraca, em Santos. Ali, anónima e feliz e, conversa-a-conversa, somos surpreendidos pelo mais belo sorriso de Lisboa, que deuses ávidos a fadaram para grandes momentos de palco.
Estas linhas, eu sei, serão severamente rejeitadas. "Como se atreveu?" Mas na minha idade já só se escreve a verdade.Dia 30 de Abril, Teresa Mello Sampayo estará no écran do cinema City, em estreia de "Damas". Parabéns Teresa. jrr

Conheci-o, um dia, no Palácio de Belém, onde estive a convite do presidente Mário Soares, por ocasião de um evento celebratório não sei de quê. Um acaso feliz juntou-nos aos dois na varanda do salão, e aí estivemos brevemente à conversa. Maia já então era para mim um ser único, que eu considerava como o grande herói contemporâneo do país.
Heróis houve outros, não muitos nem iguais a ele. Maia foi o único que não teve, ou não quis ter, consciência disso. Os heróis não se fazem por medida nossa. Desprendido de glórias, simples como nós, nunca fez por chamar a si as luzes nem os louros com que outros se pavoneiam.
Pessoalmente, tal e qual a ideia que eu dele fazia. O físico sólido, a voz, os olhos, as mãos nos bolsos, os ombros fortes, o corpo mais para o baixo. Queixou-se de estar a ser rebaixado no quartel – onde, disse-me, já só faltava mandarem-no varrer a parada e recolher o lixo.
Às tantas, Soares chegou-se a nós, e ele voltou à carga: «Falta prenderem-me, tudo o resto já eles fizeram de mim.» E então o presidente levantou para ele um dedo avisado e sério. «Alto aí, meu amigo! Antes de o prenderem a si, terão de me prender a mim primeiro, ouviu?» (in «Novas Fases da Lua", 2025, pág. 129, Publicações Dom Quixote)

Salgueiro Maia de braços abertos, entre entre tanques prontos a disparar,. pede rendição da força militar da contra revolução. Coragem!
O regresso dos caciques

Eu estava lá. No dia em que nos libertámos do pesadelo e sonhámos. Deitámo-nos com um País que mal sabia ler, que trabalhava de sol a sol. Um País pelintra, excluído, longe de tudo. Com fome. Com mordaça e vestido de luto.
Que possuía um Império com meias rotas e roupagens de vagabundo. E presos e exilados. Que partia para a beterraba em França ou na Suíça. Vestido de xailes negros e lágrimas de quem partia para a guerra.Acordámos, nesse dia, sobressaltados com o rugido do sonho. Um sonho vivo, feito de chaimites, de soldadinhos e capitães, um povo em brasa que gritava por um destino. Um sonho que garantia o fim da guerra, a chegada dos livros, a multiplicação dos pães e das escolas, da alegria trocada pelo velho cansaço.
Um sonho que nos empurrava para a Liberdade.Foi de tal modo grande que, meio século depois, ainda ressoa na memória daqueles que o viveram. Agora celebra—se um indiscutível paradoxo. Recordamos o sonho, que em boa parte se realizou, mas o tempo indomável foi corroendo o próprio tempo.
Como sempre – foi sempre assim! – devagarinho, usando as palavras sagradas desse tempo, os caciques recomeçaram a instalar-se. Esgravatando os trigais da esperança, oferecendo joio por pão. A mediocridade tornou a vencer. Agora com vestes de democratas.
Ilustres e luzidios ignorantes que tomaram o lugar dos sonhos mais generosos. A revolução que obrigava a trabalho e estudo, substituída pelo vazio das palavras apressadas e sem sentido.Evocamos o 25 de Abril, esse sonho demasiado generoso, entorpecidos pela rotina, essa arma fabulosa que derrota qualquer caminhada de utopias.
Embora habitados pela enorme desilusão com o regresso dos caciques e dos predadores, os cravos dessa madrugada terão murchado, mas não morreram. Porque os sonhos não morrem.Eu estava lá. E sei. Naqueles dias construímos o maior legado que poderemos deixar aos nossos filhos e netos: o caminho doce da Liberdade!

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Editorial
Conservar a sardinha
A relação com o passado tem-nos sido uma obsessão ao longo de séculos, ora exultando-o, ora denegrindo-o, o que bloqueia a criação,

Ao ser, um dia, abordado por jovens em campanha contra o colonialismo e o racismo, os descobrimentos e as obras que os glorificam, Agostinho da Silva, não disfarçando a ironia, atalhou não lhes subscrever os propósitos pois nunca quis deitar abaixo os Jerónimos, a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, nem censurar Camões, Padre António Vieira,
Fernando Pessoa. Era, aliás, "um conservador da nossa história", só que "conservava a sardinha, não a lata. A lata é para vocês". E desandou.As estratégias de infantilização e auto-flagelação em curso, insufladas pelo correcto nos comportamentos, fomentam preconceitos contra a idade, o passado, a memória, profundamente nefastos à nossa afirmação.
A sociedade portuguesa está a ser, com efeito, fatiada em ricos e pobres, esquerdas e direitas, jovens e velhos, empregados e desempregados, públicos e privados, internacionalistas e nacionalistas, fenómeno acentuado a partir da década de oitenta do século XX, pelo cair das utopias revolucionárias, o subir da ostentação do dinheiro e do poder, a marginalização da cultura (especialmente da literatura, apesar do Nobel de Saramago), o menosprezo pela lisura, pelo trabalho, pela competência.
Quase sem motivos disparam-se hostilidades , os outros são tornados inimigos, sobretudo se diferentes, o egoísmo faz-se intransigência, a insegurança violência, os poderes perdem ética, as corrupções legalizam-se, a demagogia institucionaliza-se.Ao provocar-se a desmemória, ou a culpa por ela, ao cobrarem-se vinganças por feitos de outros (de que as gerações
posteriores não são responsáveis) abrem-se energias desagregadoras do futuro.
A relação com o passado tem-nos sido uma obsessão ao longo de séculos, ora exultando-o, ora denegrindo-o, o que bloqueia a criação, por exemplo, de um museu celebrante, não tanto dos Descobrimentos como pretendem alguns, mas sim das Navegações como defendem outros, entre os quais Agostinho da Silva, Natália Correia, Jorge de Sena, António José Saraiva, António Quadros, Miguel Torga.
Foram, na verdade, elas, navegações - como acto superior de cultura (de ciência, de engenho, de coragem, de tecnologia) - que universalizaram para sempre Portugal. Um pequeno país de milhão e meio de habitantes, a maioria analfabeta e pobre, ousou meter-se ao desconhecido e, desatando os fios do futuro, mudar o mundo.
Ao perceberem que os romanos, depois de haverem colonizado a Ibéria, de terem construído estradas, imposto leis, alterado quotidianos, eram incapazes de avançar pelo Atlântico, os habitantes desse pequeno país lançaram estradas, outras, sobre a água, ou seja naus e caravelas que os levaram para lá do conhecido inventando, supremo prodígio!, a navegação contra o vento (à bolina, com ajuda dos árabes que a praticavam nos seus rios), maneira de percorrer todas as distâncias marítimas, o que fizeram em poucas décadas, num dos feitos mais notáveis da humanidade.
As navegações não devem ser fundidas nos colonialismos, esclavagismos, pilhagens, matanças, conversões religiosas. A história não é só a dos vencedores e vencidos, dos maus e bons, é também, e acima de tudo, a dos retirados dela, por ela, sem notícia, os que, colonizadores, subiram a civilizadores. Por isso tantos dos outrora submetidos por Portugal procuram agora refúgio nele.
Se queremos caminhar para o futuro temos, advertia Natália Correia, de atravessar o passado e compreende-lo antes de julgá-lo.
.Ruy de Carvalho
aguenta 'ratoeira' de 3 horas
o actor mais idoso do mundo


Foi um acontecimento extraordinário! Ruy de Carvalho, aos 99 anos, subiu aos palcos com a peça "A Ratoeira" no Coliseu Porto, que foi muito longa.
O encenador Paulo Sousa Costa não teve em conta que 3 horas de espectáculo é um excesso para o público, uma tormenta para os actores e foi um risco enorme para a saúde de Ruy de Carvalho Este regresso acontece após um período de recuperação do ator, que sofreu um AVC em dezembro de 2025.
A Ratoeira é um clássico de Agatha Christie.
Ruy de Carvalho interpretou o papel de Major Metcalf. A escolha desta peça permitiu ao ator estar presente em momentos-chave sem grande exigência física. Houve, no entanto, 2 extensos momentos em que Ruy de Carvalho permaneceu isolado e calado do lado direito do palco. Ruy de Carvalho deveria ter ficado sempre no centro do palco.
O alvo não era A Ratoeira, mas Ruy de Carvalho. Em vez de se moldar a peça ao actor mais velho do mundo, imitou-se o que acontece há 73 anos todas as noites em Londres. É importante frisar, Ruy de Carvalho tem 99 anos de vida e 79 de actor. O Coliseu do Porto esgotou, mas em rigor foi para vermos este homem extraordinário. Os olhos de todos os espectadores estavam nele. E só nele. jrr
O ator nasceu a 1 de março de 1927, em Lisboa, e fez 99 anos em março deste ano. É oficialmente o ator mais idoso do mundo ainda em atividade.
Flotilha Global Sumud
Sanchez acusa Israel... e agora?
É uma crise diplomática sem precedentes a situação em torno da Global Sumud e a sua tentativa de alcançar a costa de Gaza. A interceção da flotilha por parte das forças israelitas em águas internacionais escalou para um confronto político direto, uma vez que o tabuleiro geopolítico mudou radicalmente: Espanha e a maioria dos países europeus e mais de 140 nações a nível mundial, reconhece oficialmente o Estado da Palestina.
Este reconhecimento altera a natureza jurídica do incidente. Para o governo de Espanha a flotilha não estava a tentar violar uma fronteira de Israel, mas sim a navegar rumo a um Estado soberano reconhecido para entregar ajuda humanitária.
O bloqueio naval, que Israel mantém por razões de segurança, é considerado uma violação da soberania palestiniana e do direito à livre circulação em águas internacionais.
A detenção de cidadãos europeus e de figuras públicas de relevo nestas circunstâncias gera um impasse onde a legitimidade do controlo territorial de Israel choca frontalmente com análises à luz dos Direito Internacional e Marítimo transformando um ato de ativismo numa crise grave entre Estados.
A minúcia dos fundos de Garcia Fernandes

Garcia Fernandes é o pintor mistério de uma das obras mais notáveis guardadas nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga: o Aparecimento de Cristo a Maria.
Ativo entre 1514 e 1565, este mestre do Renascimento português, formado com Jorge Afonso e membro dos "Mestres de Ferreirim", assinou em 1536 um políptico para o Convento das Chagas de Vila Viçosa, cujo painel central se encontra hoje na Igreja Matriz local.
A obra destaca-se pela Virgem com um livro de horas e Cristo com uma cruz de ouro, enquadrados por arquitetura renascentista e o resgate das almas do Limbo. Um pormenor desconhecido e fantástico reside na técnica de Garcia Fernandes em ocultar simbolismos na minúcia dos fundos arquitetónicos, onde as figuras do limbo parecem emergir das sombras da própria estrutura, fundindo o mundo espiritual com a geometria clássica.
Atualmente, esta tábua está separada dos restantes painéis que permanecem no Paço Ducal de Vila Viçosa. A versatilidade do artista, que executou desde o Retábulo da Trindade até obras para a Sé de Goa, define a transição para o maneirismo. A sua presença nas reservas do MNAA sublinha a importância de estudar estas peças ocultas que unem erudição e sensibilidade religiosa. Garcia Fernandes permanece uma figura central da nossa história da arte, guardando ainda segredos por decifrar sob as camadas de verniz e tempo. Vitor D. Silva
Garcia Fernandes era mestre em pintar arquiteturas clássicas detalhadas, utilizando perspetivas rigorosas e elementos decorativos do Renascimento.
Figuração: As suas figuras humanas tendem a ser alongadas, com panejamentos (dobras de roupa) muito bem desenhados e expressivos, o que já prenunciava o movimento maneirista.
Narrativa: Gostava de incluir "narrativas secundárias" no fundo das suas composições (como as figuras resgatadas do Limbo), um traço que liga o simbolismo medieval à clareza renascentista. António Brás
Arte no Mercado de Alvalade





Batota à vista na América
Apostar em Trump
na empresa de apostas de... Trump!


O filho de Trump lançou a rede de apostas Truth Predict, para lucrar com os atos do próprio pai. É o auge da política dos sem-vergonha. Enquanto esta elite transforma o Estado num casino, a América mantém 25 milhões de pessoas sem casa, abandonadas à própria sorte.
Esta promiscuidade ganhou rosto com Gannon Ken Van Dyke, libertado na Carolina do Norte. Dyke é acusado de usar segredos sobre o rapto de Maduro para lucrar no Polymarket. Os ganhos foram tão precisos que chamaram a atenção pública logo após o raid à Venezuela.
O Congresso investiga agora apostas "proféticas" sobre a guerra com o Irão e decisões de Trump. O governo apoia este mercado enquanto o filho do presidente é conselheiro e acionista das plataformas.
Com a Truth Social a lançar o seu próprio sítio de apostas, o ciclo fecha-se: a política externa virou ficha de jogo numa mesa onde a família Trump dá as cartas e recolhe o lucro.

Henrique Prior: médicos e jornalistas mortos em Gaza
A informação é poder. Sempre foi. Foi por o perceberem que os sumérios desenvolveram a escrita, para codificar o que era importante. E é por isso que durante séculos os saberes da leitura estiveram reservados a uma elite reduzida em quase todas as partes do mundo.


Ainda assim, talvez nunca tenha existido um momento na História da Humanidade em que a concentração de riqueza e poder tecnológico estivesse nas mãos de um número tão reduzido de pessoas. Segundo a Oxfam, em 2026 os 12 mais ricos do mundo, com Elon Musk à cabeça, têm mais riqueza do que metade da Humanidade junta.E é por isso que tenho a certeza de que a verdadeira revolução será analógica.
Não a do deslumbramento acéfalo da tecnologia, mas também não a do ludismo em luta contra as máquinas. A revolução de que falo é aquela que nascerá da resistência do saber e do pensamento.
Aquela que virá da consciência profunda do que é ser humano e da urgência absoluta de lutar por isso, da resistência ao poder de poucos e da construção de um mundo mais justo e melhor, que, sim, ainda é possível. O analógico é o novo punk.
João Almeida CDS apostou na China


Quando Portugal entrou na Grande Guerra, esta já não era o conflito bélico com que todos os rapazes sonhavam, convencidos de que "estariam de volta a casa pelo Natal, cobertos de poeira e de glória." Era também a guerra do senhor Afonso Costa, travada em França para, assegurava ele, defender as colónias de África. Caso Portugal não participasse no conflito, poderia ver o seu império ultramarino repartido pelas potências vencedoras.
A guerra não declarada, em África, tinha absorvido milhares de soldados que agora era necessário substituir rapidamente para enviar para França. Com a sua preparação, o Governo gastou o vultuoso empréstimo de dois milhões de libras concedido pela Grã-Bretanha para compra de trigo, como contrapartida para o aprisionamento dos setenta e dois navios alemães ancorados no Tejo.

Mas o tão propalado "milagre de Tancos" limitara-se a enviar os homens para a frente de combate carenciados de tudo: de fardamento apropriado para o frio insuportável das trincheiras, geladas e enlameadas, com temperaturas que chegavam aos vinte graus negativos; de calçado adaptado à lama e ao frio insuportável, tendo chegado ao ponto de cada um remendar as suas botas; de armamento moderno; mesmo, de instrução, tiveram de ser os ingleses a enquadrá-los, a treiná-los, a armá-los e a alimentá-los com a carne enlatada que os estômagos dos soldados portugueses toleravam a custo.

Face à derrota do CEP – por falta de meios para a sua preparação e para a sua manutenção na linha da frente, que o Estado lhe não forneceu, como, mais tarde, aconteceria também em África, e à grave crise social e económica que graçava no país provocada pela guerra onde Portugal não tinha necessidade de entrar e que dividira os portugueses, que apoiavam a guerra em África, mas eram contra a intervenção de Portugal em França –, deu-se início à mitificação da batalha de La Lys para fazer esquecer o desastre militar, coroado como uma segunda Alcácer Quibir envolta em glória.
La Lys encerrou o ciclo de derrotas portuguesas na Grande Guerra iniciado em Naulila, em 1914, num inóspito lugarejo do Sul de Angola, onde ocorreu
"Muita porrada, muita porrada, muita porrada," segundo o testemunho do Soba da Douga, que se deveu à pouca gente e ao pouco armamento de que dispunha o tenete-coronel Roçadas, não obstante os seus insistentes pedidos para que lhe fossem disponibilizados mais meios, que o ministro da guerra, general Pereira d'Eça, recusou enviar-lhos.
Os mesmos pedidos, também desatendidos por Salazar, viriam a ocorrer na queda de Timor e da Índia.A participação de Portugal na Grande Guerra não passou, pois, de uma batalha da longa Guerra Colonial, travada na Europa, longe do território de qualquer das suas colónias.
A Guerra Civil espanhola foi um conflito em que o Estado Novo se viu envolvido, também na defesa do seu império colonial africano.

A vitória da Falange, além de ter garantido a continuidade do Estado Novo e de ter salvado Portugal de um regime comunista, foi igualmente fundamental para assegurar a manutenção do Império colonial português em África, como corrobora Maria José Tiscar: "Sem o auxílio do regime de Franco, Portugal teria tido maiores dificuldades em manter durante tantos anos a sua presença nos teatros de operações africanos."
O apoio de Franco a Salazar, concedido no maior secretismo, revestiu, igualmente, a vertente diplomática, em especial a defesa de Portugal nas Nações Unidas, não obstante o Caudilho adotar uma posição pública de apoio à autodeterminação das colónias portuguesas para satisfazer as pretensões do mundo árabe e dos países latino-americanos; na vertente propriamente militar da Guerra Colonial, foi essencial através do fornecimento de armamento espanhol e da intermediação da Espanha na aquisição de material bélico em países terceiros que se recusavam a vendê-lo diretamente a Portugal.

A Guerra Civil espanhola foi igualmente uma batalha da Guerra Colonial travada na Península Ibérica, fora do território de qualquer das colónias africanas e asiáticas, tal como o Corpo Expedicionário Português combateu em França em defesa de Angola e de Moçambique para frustrar a sua partilha pelas potências beligerantes, na sequência do tratado secreto celebrado entre a Inglaterra e a Alemanha.
O Estado Novo e o Império acabaram, finalmente, por escorar-se um no outro: Salazar conservava as colónias, estas asseguravam a sua manutenção no poder.
Se a Grande Guerra havia de ditar a queda da Primeira República, a Guerra Colonial, quarenta anos depois, ditaria igualmente a queda do Estado Novo.
Estamos a endoidecer por causa de Trump









































