
botequim.pt
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Raul B. Gomes
Visconde de Ferreira vive num porão
— Olhai-me para isto! — exclamei erguendo o candeeiro na treva dos depósitos do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o ar cheira a glórias defuntas. Caminho devagar, tropeçando em molduras douradas que se amontoam nestes corredores sem fim, um labirinto de tábuas e lona que sufoca o génio. — Olhai para este Retrato do Primeiro Visconde de Azevedo Ferreira, empilhado como um móvel velho. O mestre Columbano deu-lhe a alma entre 1881 e 1883, fixando nesse óleo a dignidade. Passo a mão pela tin ta de dois séculos: É admirável a nossa queda para o desperdício. Esta é a obra é amais emblemática do chamado "Museu que não se vê", condenada ao limbo das reservas, porque o Portugal oficial não tem paredes... não decência para a expor.
O meu infeliz Visconde desvanece longe dos portugueses, amordaçado pela falta de espaço permanente, porque somos um povo que guardamos o génio na despensa, ao lado das vassouras.
O Visconde foi condenado a viver num porão, à espera que alguém acenda uma chama no nosso deserto valoroso

Como aprender mandarim
Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global. Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
Eduard Snod3n e Natanson
Os maiores pecados do Washington Post
O "pecado" que conduz à morte anunciada do Washington post foi a perda da coragem combativa que definiu o jornal nos anos 1970, trocando-a por uma postura de "gestão de danos" corporativa sob a era de Bezos.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
Quando Snowden (que usava o pseudónimo "Veraxx") contactou o jornalista Barton Gellman do Post, ele exigiu que o jornal publicasse o código completo do programa PRISM e garantisse a publicação em 72 horas. O conselho jurídico do Washington Post hesitou, temendo represálias legais do governo Obama.
O "Pecado": Snowd3n sentiu que o jornal estava a ser demasiado cauteloso e "submisso" às pressões do governo, o que o levou a entregar o material também ao The Guardian (Glenn Greenwald), que foi muito mais agressivo. Houve críticas severas à forma como o Post comunicou inicialmente com a fonte. Snowd3n enviou e-mails cifrados, mas o jornal, em certos momentos, utilizou canais que não eram 100% seguros.
No mundo da espionagem, revelar uma fonte não é apenas dizer o nome dela, mas sim deixar um rasto digital (metadados) que permita ao governo chegar lá. O "pecado" foi a falta de preparação tecnológica para lidar com uma fonte daquele calibre.
O Caso Snowd3n no Washington Post remete para um dos debates éticos mais intensos do jornalismo moderno: o equilíbrio entre a segurança nacional e a proteção de fontes. O erro apontado por críticos e pelo próprio Snowd3n ao Washington Post (em
comparação com o The Guardian) não foi a revelação direta da sua identidade, mas sim a hesitação e a gestão do sigilo no início do processo.
O filme "Snod3n" com Oliver Stone

VEJA O FILME COMPLETO
Hannah Natanson - "Nova" Crise
O FBI invadiu recentemente a casa da repórter Hannah Natanson. O "pecado" aqui, segundo o sindicato dos jornalistas, foi o jornal ter permitido (ou não ter conseguido impedir) que o governo identificasse o leaker do Pentágono, Aurelio Perez-Lugones, através da análise de dispositivos da própria jornalista que não estariam devidamente protegidos.
No Watergate, o Post protegeu o "Garganta Profunda" por 30 anos. No caso de fontes modernas (como Snowden ou leakers do Pentágono), o "pecado" é a perda dessa proteção absoluta, seja por pressão de advogados, por falhas de segurança informática ou por acordos de bastidores com o Departamento de Justiça para evitar multas pesadas.
Snowd3n vive na Rússia
Edward Snowd3n é um ex-analista da CIA e contratado da NSA que, em 2013, denunciou programas de vigilância global em massa dos EUA, revelando a monitorização de comunicações de cidadãos e líderes mundiais.
Após divulgar documentos confidenciais ao The Guardian e The Washington Post, recebeu asilo na Rússia, onde permanece, sendo considerado um traidor pelos EUA e um denunciante (whistleblower) por defensores da privacidade.

Museu Nacional de Arte Antiga
O mistério do Inferno sem nome
Raul B. Gomes
Nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o tempo estagna e se mistura com o bafo dos séculos repousa um pesadelo de madeira titulado de Inferno de autor anónimo. É um painel feito de sombras e de gritos mudos, que sobreviveu à destruição, para que a nossa dor não se perca num deixa-andar. Olho para aquelas figuras contorcidas e vejo nelas um lado da vida: o lodo do pecado e o esterco do suplício, pintados com a precisão de quem conhece o bicho que nos rói o intímo. Ali, o diabo é um funcionário da agonia, organizando o caos com a paciência fria de quem espera por todos nós. O quadro é um farrapo de alma quinhentista, uma janela aberta
para um abismo de luz baça e carne condenada que o museu guarda no silêncio de uma lousa. A assinatura não existe, porque a dor não tem nome; é apenas um rasto de fumo que ficou preso nos espinhos do caminho. Somos todos esses fantasmas, à espera de um amanhecer que naquele inferno nunca chega a romper. Escrever sobre este painel é um esforço contra a loucura, perante o ruído do nada que sobe das caves. Naquelas profundezas, a morte não reconcilia, apenas observa, enquanto a eternidade nos esmaga com o seu peso de pedra e mistério. Em quinhentos anos nada mudou e no futuro nada mudará.
Quem são os grandes escritores do Irão
A literatura é a espinha dorsal da identidade persa, actual Irão, em em qualquer casa iraniana, desde a mais humilde à mais abastada, há um exemplar de o Divan de Hafez (século XIV).Hafez de Shiraz não é apenas um poeta; é um oráculo. Os iranianos praticam o Fal-e Hafez, abrindo o seu livro ao acaso para ler o destino. Ferdowsi é o outro pilar, autor do Shahnameh (Livro dos Reis), a epopeia que salvou a língua persa da extinção.
Atualmente, há vozes que dominam as tabelas de vendas e a atenção internacional: Marjane Satrapi: A sua novela gráfica Persepolis é, sem dúvida, a obra de origem iraniana mais lida e popular em todo o mundo nas últimas décadas.
Zoya Pirzad: Extremamente popular no Irão, especialmente entre o público feminino, pela sua escrita delicada sobre a vida quotidiana e doméstica (ex: I Will Turn Off the Lights). Reza Amirkhani: Um dos autores mais vendidos dentro do Irão atual, conhecido por obras que exploram temas sociais e religiosos com uma linguagem moderna. Em resumo escolhemos para a alma Hafez, para o intelecto Sadegh Hedayat. pela grandiosidade Mahmoud Dowlatabadi.

O Mais Influente da Prosa Moderna
Na literatura moderna e daquele que definiu o romance iraniano contemporâneo, o nome é Sadegh Hedayat (1903–1951). A sua obra-prima, A Coruja Cega (The Blind Owl), é considerada o melhor romance iraniano de sempre. É uma obra sombria, surrealista e existencialista que influenciou todas as gerações seguintes. Hedayat é para o Irão o que Kafka é para o Ocidente.
O "Gigante" Vivo e candidato a Nobel
O escritor vivo mais respeitado e frequentemente apontado como candidato ao Nobel é Mahmoud Dowlatabadi. É o autor de Kelidar, um romance épico de 10 volumes (mais de 3000 páginas) sobre a vida rural e a luta de um herói nómada. Dowlatabadi é amado pela sua escrita densa, realista e profundamente ligada à terra e ao povo iraniano.
"Eu desligo as luzes" Zoya Pirzad
Zoya Pirzad (iraniana-arménia) é uma das vozes mais delicadas e influentes da literatura iraniana contemporânea. A sua obra, escrita de forma simples e quase minimalista, foca-se no quotidiano invisível das mulheres, explorando as tensões entre os desejos individuais e as pesadas expectativas sociais.

O seu estilo é comparado ao de um "haiku": não se perde em grandes dramas épicos, mas encontra a alma nas pequenas coisas — o cheiro do café, o barulho das crianças, o silêncio de uma casa arrumada.
A sua obra-prima, Eu Desligo as Luzes (publicada em Portugal como Coisas que Deixámos por Dizer), retrata Clarice, uma dona de casa em Abadan nos anos 60, cujo mundo interior começa a despertar através de pequenos detalhes do dia a dia.
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Eu Desligo as Luzes
"Entrei e tranquei a porta atrás de mim. Em Abadan, ninguém trancava a porta a meio do dia; eu só o fazia quando queria ter a certeza de que estava sozinha. O meu gosto pela autocrítica fez-me questionar isto mais do que uma vez: o que tem o trancar da porta a ver com o estar sozinha? Ao que eu respondia sempre: não sei. Encostei-me à porta e fechei os olhos. Depois da luz intensa e do calor lá fora, e do barulho das crianças, o claro-escuro fresco e silencioso da casa era adorável. Deixei-me ficar ali, sentindo a paz das coisas imóveis, como se o tempo pudesse parar apenas porque eu assim o decidi."

É urgente passar-a-palavra
Moita Flores: Chão coalhado de dor

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Envelheci com a crença de que, um dia, todos haveríamos de ser iguais e felizes. Foi um sonho não resolvido. Continuo a passar por este dia, que evoca mulheres em luta, e sinto que esta caminhada com mais de um século trouxe grandes conquistas, embora o chão esteja coalhado de dor e sofrimento. As mulheres-coisa do Afeganistão, as mulheres viúvas de Gaza, as mulheres com fome de África, as mulheres amordaçadas do Irão, as mulheres de tantos lugares da Terra, explorada, martirizadas, sujeitas à mais cruel servidão, dizem-me que este Dia é um sonho não realizado. Continua a ser uma procissão dolorosa para tantos milhões que sinto que não irei assistir a esse dia de igualdade plena. De sermos irmãos. Deixo-te um abraço, minha irmã. Com a esperança de que este Dia deixe de fazer sentido. (trazido para passar-a-palavra do face de Moita Flores)
Quai d' Orsay, Paris:
os jovens sabichões
Uma jovem sentou-se ao meu lado num banco corrido do Museu d'Orsay, ao mesmo tempo que um pombo entrou inesperadamente por uma claraboia do museu e pousou, manso, sobre a moldura dourada do Renoir. Eu sacodi a manga do casaco e disse-lhe:

- Vê, minha menina, como a luz ali não é tinta, mas o próprio hálito da vida? E a estudante respondeu: - É mais do que luz, senhor. Olhe a psicologia daqueles rostos no baile; Renoir não pinta corpos, ele pinta a euforia de quem esqueceu a morte por um instante. - e eu suspirei, olhando as manchas de sol: - A menina tem olhos de ver. Renoir disseca a alegria com a mesma precisão com que outros dissecam a dor. A jovem sorriu, apontando para o centro da tela: - Cada pincelada é um batimento cardíaco, uma negação da sombra que nos habita. - E eu murmurei: - Sim, porque no fundo de cada cor alegre, ele escondeu a nossa fome eterna de sermos felizes. - E ficamos imóveis e eu pensei, já não no quadro, mas nos jovens hoje. São diferentes, porque podem viajar e por isso já conhecem melhor a vida. Raul B. Gomes
Duas dramáticas grandes reportagens sobre retirada abusiva de crianças
e o resultado?

Os meninos assassinados
em Gaza, Líbano e Irão
não ressuscitaram



ver no Youtube


O elogio da estupidez de Felipe de Melo
O caso Eva Cruzeiro: do insulto do Chega à distração do PS
A loucura está à solta na Assembleia da República e o caso da deputada Eva Cruzeiro é o exemplo mais evidente. Um deputado do Chega, Filipe Melo, decide mandar uma deputada "para a sua terra", por causa da sua cor de pele e a resposta do sistema foi um insulto aos eleitores portugueses.
Em rigor, o deputado Felipe Melo tem estado associado a vários comportamentos muito censuráveis. Por exemplo, os beijos para Isabel Moreira, em plena sessão da Assembleia da República.
Por causa do vai para a tua terra, Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista, acusou o deputado do Chega de racismo e xenofobia. E o que faz a comissão parlamentar nomeada para o assunto? Sancionou Eva Cruzeiro, por considerar a resposta da deputada "desapropriada".
Pior, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista afirma agora que votou por distração a favor da sanção, contra a deputada. Foi "por engano".
E elogio da loucura do Chega já contaminou o Partido Socialista. josé ramos e ramos
O triunfo da indiferença
durante 120 meses de copo na mão
Saramago foi celebrado no Largo dos Bicos e depois? Acabou!

Um dos Copos por Saramago e por nós onde se vê Alípio de Freitas,
Vitorino entre outros, foto tirada por mim

Os pioneiros do Copo no primeiro encontro em Setembro de 2010







De copo em punho, com bom vinho, o extraordinário José Saramago foi celebrado durante 120 meses seguidos, em Lisboa.
Admiradores, católicos ou maçons, todos de copo cheio. Um facto único no mundo. Dezenas de pessoas exultaram José Saramago,

mas Pilar surgiu apenas quatro vezes, em10 anos. Duas vezes para se juntar ao grupo por escasso tempo - porque é talvez pessoa muito atarefada - outras duas em fugazes aparições à janela da fundação, no largo dos Bicos.
Aos dias 16, 17 ou 18, conforme o calendário, os admiradores lá estavam no botilhão a beber e a ler passagens dos seus livros. Foram momentos extraordinários que a pandemia interrompeu, afastando as pessoas de um evento que fazia história e criava novos leitores e amigos.
Beberam-se mais de 440 garrafas de bom vinho. E o botilhão cresceu para um jantar e depois para uma saída à noite, por iniciativa das gentes de Espanhas, mais alegres e festivas.
"Um Copo por Saramago e por nós" devia de ser retomado Um país só é nação fraterna e feliz quando se escora na literatura, teatro, cinema, ballet, pintura, música ... na Cultura comungada. Expurguemos pois da nação os políticos ordinários e analfabetos. Que varreram as ruas, com o devido respeito pelo "almeidas". José Ramos e Ramos
As guerras de Trump
Soldado raso americano
18 anos
ganha 4 500 euros mês
um coronel com 20 anos de actividade e várias acumulações pode chegar aos 15.800 euros

Na América ser voluntário militar é um trabalho bem pago, um soldado raso consegue chegar aos 4 500 euros. É o vencimento mensal acumulado.
Publicamos a tabela com reservas, já que não é possível confirmação absoluta junto das autoridades americanas. Os cálculos destes valores foram determinados por pesquisa cruzada na internet. Os militares norte-americanos recebem verbas adicionais em situações de destacamento em zonas de conflito:
Salário Base (Basic Pay): Para um soldado de categoria E-1 ou E-2 (as mais baixas), o salário base em 2026 ronda os 2.046 € a 2.232 €.. Subsídio de Perigo Iminente (Imminent Danger Pay): Quando um soldado é enviado para uma zona de guerra ativa, recebe automaticamente um extra mensal de 209 €. Subsídio de Separação Familiar (Family Separation Allowance): Se o soldado tiver família a cargo e for destacado por mais de 30 dias, recebe cerca de 232 € adicionais.
Isenção de Impostos (Tax Exclusion): Em zonas de combate designadas, todo o salário recebido pelo soldado fica isento de impostos federais. Isto significa que o valor bruto passa a ser o valor líquido, o que aumenta o poder de compra real de forma significativa. Subsídios de Custo de Vida (COLA): Dependendo do local e das dificuldades logísticas,
podem ser aplicados ajustes de custo de vida e subsídios de alimentação (BAS) que somam mais cerca de 418 €.
Alojamento (BAH): Mesmo em combate, o exército continua a pagar o subsídio de habitação para manter a casa da família no país de origem. Em cidades americanas caras, este valor ultrapassará os 1.860 €.
Somando o salário base, os bónus de combate, a isenção fiscal e os subsídios de habitação/alimentação, o pacote total de compensação pode, de facto, atingir ou ultrapassar o equivalente a 4 500 euros mensais na conta bancária do soldado. É um valor que serve para compensar o risco de vida e o sacrifício pessoal extremo exigido nas frentes de batalha.
Os valores mensais aproximados do salário base (bruto) para 2026:
Praças e Sargentos (Enlisted - "E") São a base da força. Um recruta começa no nível E-1. E-1 (Recruta): Cerca de 1.953 € a 2.232 € (dependendo se tem mais ou menos de 4 meses de serviço). E-4 (Specialist/Corporal): Cerca de 2.790 € (com menos de 2 anos) a 3.348 € (com mais de 4 anos). E-7 (Sargento de 1ª Classe): Pode ir de 3.515 € até mais de 5.580 €, dependendo da antiguidade.
Oficiais (Officers - "O") os que têm formação universitária. O-1 (Segundo-Tenente): Cerca de 3.720 € a 3.860 € (início de carreira). O-3 (Capitão): Cerca de 5.115 € (com 2 anos) a 7.161 € (com mais de 6 anos). O-6 (Coronel): Pode ultrapassar os 9.300 € mensais.
Resumo: Um soldado raso (E-1) em 2026 ganha cerca de 26.040 €/ano de salário base, mas com os auxílios de casa e comida, a compensação total real pode chegar facilmente aos 55.800 €/ano. Mas um coronel com 20 anos de actividade e com a acumulação de vários itens pode chegar aos 15.800 €.
As duas bombas nucleares
que assassinaram milhares
de japoneses


Sobreviventes das bombas atômicas que caíram em Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como hibakusha, receberam tratamento médico, incluindo este homem, mulher e criança, fotografados em Hiroshima em 12 de agosto de 1945.

Vai ser lançada bomba nuclear sobre o Irão?
Sumiteru Taniguchi tornou-se um ativista mundial contra as armas nucleares. Quando a bomba caiu em Hiroshima, no fim da Segunda Grande Guerra Mundial, ele tinha 16 anos e estava a entregar correio na sua bicicleta. O calor da explosão derreteu a pele das suas costas e queimou o seu rosto.
Uma bomba atómica pode cair daqui a 15 dias sobre o Irão. Trump não sabe como sair da embrulhada da invasão ao Irão. E Isra3l quer arrasar o Irão. Já o fez na Síria, Gaza, o Líbano está em curso e anexou a Cisjornânias.
A opção nuclear já tinha sido aventada há 2 amos por um político de extrema-direita do governo de Netan e volta à baila pela impotência de Trump em abrir o Estreito de Ormuz
Israel poderá tentar aproveitar o escasso tempo de Trump para destruir o primeiro país que o reconheceu como Estado em 1947: o Irão. Será uma nova catástrofe do deus que lhe deu o titulo de "do único povo eleito no fim dos tempos".
As consequências serão piores que Chernobyl. Se o conflito escalar, as radiações mortais não escolherão fronteiras nem credos. Restará apenas o silêncio de um território transformado em cinza pela incapacidade de recuar no abismo. A Europa terá a sua dose mortal e Isra3l não escapa. Que loucura! jrr
Albert Camus a escolha
entre o inferno e a razão
2 dias depois da chacina da bomba largada sobre Hiroshima, Camus escreve editoral no jornal Combat

Editorial escrito por Albert Camus no jornal Combat, publicado a 8 de agosto de 1945, apenas dois dias após o bombardeamento de Hiroshima.
Enquanto grande parte da imprensa mundial celebrava o avanço tecnológico e o fim iminente da guerra, Camus foi uma das poucas vozes intelectuais a reagir com horror e sobriedade, captando a gravidade ética do momento.
Albert Camus (1913–1960) foi um escritor e filósofo franco-argelino, ícone do humanismo e do existencialismo. Celebrizou-se pela teoria do Absurdo, defendendo que, num universo sem sentido, o homem deve revoltar-se através da ética e da solidariedade. Autor de obras fundamentais como O Estrangeiro e A Peste, recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1957. Morreu precocemente num acidente de carro, deixando um legado de coragem moral e clareza intelectual.
"O mundo é o que é, ou seja, pouca coisa. É o que todos sabem desde ontem, graças ao formidável concerto que rádios, jornais e agências de notícias acabam de lançar sobre o tema da bomba atómica. Dizem-nos, de facto, no meio de uma data de comentários entusiastas, que qualquer cidade de tamanho médio pode ser pulverizada por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol.
"Jornais americanos, ingleses e franceses entregam-se a elegantes dissertações sobre o futuro, o passado, os .
inventores, o custo, a vocação pacífica e os efeitos de guerra, as consequências políticas e até o carácter próprio da bomba atómica
"Resumiremos o nosso pensamento numa frase: a civilização mecânica acaba de atingir o seu último grau de selvajaria. Terá de se escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo ou a utilização inteligente das conquistas científicas.
"Entretanto, é permitido pensar que há algo de indecente em celebrar assim uma descoberta que se coloca, antes de mais, ao serviço da mais formidável fúria destruidora de que o homem deu prova em séculos. Que num mundo entregue a todos os rasgos da violência, incapaz de qualquer controlo, indiferente à justiça e à simples felicidade dos homens, a ciência se consagre ao assassínio coletivo, ninguém, a menos que possua um idealismo impenitente, se surpreenderá com isso.
"Estas descobertas devem ser registadas, comentadas pelo que são, anunciadas ao mundo para que o homem tenha uma ideia justa do seu destino. Mas rodear estas revelações terríveis de uma literatura pitoresca ou humorística é algo que não se pode aceitar.
"Já não se respira com facilidade num mundo torturado. E eis que nos propõem uma nova angústia, que tem todas as probabilidades de ser definitiva. Oferecem à humanidade, sem dúvida, a sua última oportunidade. E isto pode ser, afinal, o pretexto para um editorial. Mas isto deveria ser, sobretudo, o tema de algumas reflexões e de muito silêncio.
"De resto, há outras razões para acolher com reserva o romance de antecipação que os jornais nos propõem. Quando se vê o editor diplomático da Agência Reuter anunciar que esta invenção torna obsoletos os tratados ou as próprias decisões de Potsdam, e notar que é indiferente que os russos estejam em Berlim ou os protestantes na Saxónia, não se pode deixar de atribuir a este belo entusiasmo intenções bastante estranhas aos interesses da humanidade.
"Que se entenda bem: se os japoneses capitularem após a destruição de Hiroshima e pelo efeito do medo, congratular-nos-emos com isso. Mas recusamo-nos a tirar de uma notícia tão grave outra coisa que não seja a decisão de defender ainda mais energicamente uma verdadeira sociedade internacional, onde as grandes potências não tenham direitos superiores às pequenas e médias nações, onde a guerra — flagelo tornado definitivo apenas pelo efeito da inteligência humana — já não dependa dos apetites ou das doutrinas de tal ou tal Estado.
"Perante as perspectivas assustadoras que se abrem à humanidade, percebemos ainda melhor que a paz é a única luta que vale a pena ser travada. Já não é um voto, mas um imperativo que deve subir dos povos para os governos, a escolha entre o inferno e a razão".
Volta a trás Lei da autodeterminação da sua identidade de género
Políticos transformam opções sexuais em tema... político
Não se percebe por que razão pilas e coisas assim hão-de ser preocupação para os políticos do CDS, PSD e Chega, que agora se empenham em revogar a Lei da Autodeterminação da Identidade de Género. É uma náusea que se instala: a fixação de homens públicos pelos órgãos biológicos alheios, como se a existência fosse uma propriedade da carne que se pudesse arrumar em gavetas administrativas. Eles olham para o corpo como uma pedra fria, ignorando que o ser humano é uma liberdade que se constrói a cada instante.
É insuportável ver a lei tentar tocar na consciência. Estes projetos do Chega, PSD e CDS são como objetos mortos que pretendem ditar o pulsar da vida, reduzindo a dignidade a uma explicação ideológica. O mundo das razões que eles invocam não é o da existência. A existência é gratuita; cada um é responsável pelo seu próprio rosto.
Quando a política se transforma numa inspeção de genitais em vez de uma garantia de liberdade, tudo começa a flutuar no absurdo. É a náusea total: a Política a querer ser o dona da alma, enquanto se perde no labirinto de uma biologia que já não serve para explicar a grandeza de estar vivo. Jorge L. Santos
Os defensores da revogação da Lei da Autodeterminação da Identidade de Género centram os seus argumentos na proteção de menores, defendendo que decisões irreversíveis não devem ser tomadas sem diagnósticos clínicos prévios e acompanhamento médico rigoroso. Alegam que a despatologização total pode precipitar transições precoces e defendem o reforço do papel e autoridade dos pais nestes processos escolares e sociais.
Em oposição, quem apoia a manutenção da lei argumenta que esta garante a dignidade e os direitos humanos fundamentais das pessoas trans e não-binárias, combatendo o estigma e a marginalização. Para estes, a autodeterminação é essencial para a saúde mental e bem-estar, evitando processos burocráticos humilhantes e assegurando que as escolas sejam espaços seguros e inclusivos, onde a identidade de cada um é respeitada.
A Lei n.º 38/2018 estabelece o direito de cada pessoa à autodeterminação da sua identidade de género e expressão de género, bem como à proteção das suas características sexuais.
Como é a actual lei
O ponto mais importante é permitir que qualquer cidadão maior de idade possa alterar o seu nome e sexo no registo civil através de um procedimento administrativo simples, baseado apenas na vontade do indivíduo, eliminando a necessidade de diagnósticos médicos ou relatórios de patologia mental.
Além disso, a lei proíbe intervenções cirúrgicas ou tratamentos em crianças intersexo até que estas tenham idade para decidir sobre a sua própria identidade.
Ventura mente
o que diz a lei
A Lei da Autodeterminação da Identidade de Género em Portugal gera confusão porque as regras mudam conforme a idade.
No Registo Civil (Mudança de nome e sexo no cartão de cidadão)
Menores de 16 anos: Não podem mudar o sexo no registo civil. A lei atual só permite esta alteração a partir dos 16 anos.
Entre os 16 e os 18 anos: Já podem solicitar a mudança, mas não decidem sozinhos. Precisam obrigatoriamente do consentimento dos pais (ou representantes legais) e de um relatório médico que confirme a sua capacidade de decisão, sem qualquer diagnóstico de doença mental.

.Ruy de Carvalho
aguenta 'ratoeira' de 3 horas
o actor mais idoso do mundo


Foi um acontecimento extraordinário! Ruy de Carvalho, aos 99 anos, subiu aos palcos com a peça "A Ratoeira" no Coliseu Porto, que foi muito longa.
O encenador Paulo Sousa Costa não teve em conta que 3 horas de espectáculo é um excesso para o público, uma tormenta para os actores e foi um risco enorme para a saúde de Ruy de Carvalho Este regresso acontece após um período de recuperação do ator, que sofreu um AVC em dezembro de 2025.
A Ratoeira é um clássico de Agatha Christie.
Ruy de Carvalho interpretou o papel de Major Metcalf. A escolha desta peça permitiu ao ator estar presente em momentos-chave sem grande exigência física. Houve, no entanto, 2 extensos momentos em que Ruy de Carvalho permaneceu isolado e calado do lado direito do palco. Ruy de Carvalho deveria ter ficado sempre no centro do palco.
O alvo não era A Ratoeira, mas Ruy de Carvalho. Em vez de se moldar a peça ao actor mais velho do mundo, imitou-se o que acontece há 73 anos todas as noites em Londres. É importante frisar, Ruy de Carvalho tem 99 anos de vida e 79 de actor. O Coliseu do Porto esgotou, mas em rigor foi para vermos este homem extraordinário. Os olhos de todos os espectadores estavam nele. E só nele. jrr
O ator nasceu a 1 de março de 1927, em Lisboa, e fez 99 anos em março deste ano. É oficialmente o ator mais idoso do mundo ainda em atividade.
A minúcia dos fundos de Garcia Fernandes

Garcia Fernandes é o pintor mistério de uma das obras mais notáveis guardadas nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga: o Aparecimento de Cristo a Maria.
Ativo entre 1514 e 1565, este mestre do Renascimento português, formado com Jorge Afonso e membro dos "Mestres de Ferreirim", assinou em 1536 um políptico para o Convento das Chagas de Vila Viçosa, cujo painel central se encontra hoje na Igreja Matriz local.
A obra destaca-se pela Virgem com um livro de horas e Cristo com uma cruz de ouro, enquadrados por arquitetura renascentista e o resgate das almas do Limbo. Um pormenor desconhecido e fantástico reside na técnica de Garcia Fernandes em ocultar simbolismos na minúcia dos fundos arquitetónicos, onde as figuras do limbo parecem emergir das sombras da própria estrutura, fundindo o mundo espiritual com a geometria clássica.
Atualmente, esta tábua está separada dos restantes painéis que permanecem no Paço Ducal de Vila Viçosa. A versatilidade do artista, que executou desde o Retábulo da Trindade até obras para a Sé de Goa, define a transição para o maneirismo. A sua presença nas reservas do MNAA sublinha a importância de estudar estas peças ocultas que unem erudição e sensibilidade religiosa. Garcia Fernandes permanece uma figura central da nossa história da arte, guardando ainda segredos por decifrar sob as camadas de verniz e tempo. Vitor D. Silva
Garcia Fernandes era mestre em pintar arquiteturas clássicas detalhadas, utilizando perspetivas rigorosas e elementos decorativos do Renascimento.
Figuração: As suas figuras humanas tendem a ser alongadas, com panejamentos (dobras de roupa) muito bem desenhados e expressivos, o que já prenunciava o movimento maneirista.
Narrativa: Gostava de incluir "narrativas secundárias" no fundo das suas composições (como as figuras resgatadas do Limbo), um traço que liga o simbolismo medieval à clareza renascentista. António Brás
Arte no Mercado de Alvalade





Crime de ódio sem castigo
O porno-hino
dos alunos do ISEG
O HINO PORNO QUE JOANA AMARAL DIAS REVELOU
É urgente dar vários passos atrás nas universidades e institutos portugueses, porque se cantam pornografias e porque se humilham jovens que deveriam ser o futuro da nação. Estamos perante crimes de ódio. Os alunos portugueses começam o seu percurso mergulhados numa cultura de agressividade e boçalidade.
É incrível como ministros, secretários de Estado e políticos, ao longo dos últimos anos, não ouviram a letra deste hino - ou, se ouviram, calaram-se perante algo que envergonha gerações e o país inteiro.
Estamos perante crimes e parece que já esquecemos os jovens que morreram numa praia ( a 15 de dezembro de 2013, na Praia do Meco, em Alfarim) aliciados pelas ordens e palavras de uma praxe criminosa.
A Câmara agiu bem ao impossibilitar a queima das fitas em Lisboa. Falta agora pôr um ponto final nestas celebrações boçais que humilham e destroem a dignidade de quem está agora a começar a sua vida adulta. Façam bailes e leiam livros. jrr
ALGUNS DOS POLÍTICOS DO ISEG


Excerto do porno-hino dos alunos do ISEG
Câmara de Lisboa cancela queima das fitas
Os estudantes foram surpreendidos pelo cancelamento, mas as razões não espantam, dada a crescente agressividade e pornografia nas festas e praxes de Lisboa.
O espírito académico original foi sufocado por comportamentos de risco e humilhações que tornaram o licenciamento destes eventos inviável. Esta degradação ética e a violência simbólica forçaram as autoridades a agir contra o descontrolo absoluto. O cancelamento em 2026 surge como uma resposta à falta de limites e à perda de dignidade institucional. É um sinal claro de que o civismo e a segurança não podem ser sacrificados em nome de uma diversão tóxica.

Apaguem a luz!
acabou a Fundação da risota

Joe Berardo: foi o penúltimo a rir
Acabou a Fundação Berardo por via de sentença definitiva do Supremo Tribunal Administrativo que colocou um ponto final ao impasse de vários anos. O tribunal concluiu que a fundação tinha deixado de prosseguir os fins de interesse social e cultural para os quais fora criada,
A partir do momento em que a fundação deixa de existir legalmente, as obras de arte (o famoso acervo com peças de Picasso, Miró, Dalí e Warhol) perdem a sua "capa" protetora. Embora os quadros continuem fisicamente guardados e expostos no MAC/CCB em Belém — porque o Estado português os blindou com o estatuto de interesse público para que não saiam do país —, a titularidade jurídica muda de mãos. Os bancos credores assumem o controlo desses títulos para começar a abater a dívida.
A caça aos bens e às "Portas Giratórias"
Os grandes bancos (CGD, BCP e Novo Banco) avançam agora sem entraves para tentar reaver os 980 milhões de euros. O foco sai da fundação e vira-se para o património pessoal, para as empresas satélite e para as famosas "portas giratórias" financeiras. O objetivo é executar todas as garantias financeiras e reter saldos bancários, participações sociais e imóveis que estivessem sob o raio de ação de Berardo e dos seus familiares diretos.
O desfecho na Justiça Criminal
A par da extinção administrativa da fundação, corre em paralelo o processo-crime no Tribunal Central de Instrução Criminal, onde Joe Berardo e o seu advogado de longa data foram pronunciados por crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Sem o argumento de que a fundação era uma entidade autónoma de utilidade pública, a tese da acusação ganha ainda mais força, deixando a defesa civil e criminal praticamente sem margem de manobra.

O quadro "Tête de Femme" (1909) – Pablo Picasso é uma das joias da coroa da coleção. Trata-se de uma obra-prima do cubismo analítico, uma fase crucial da história da arte mundial onde Picasso começou a desfragmentar a perspetiva tradicional e as formas geométricas. É uma das peças mais valiosas e requisitadas para exposições internacionais.
"Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual."Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

Outras obras de importância equivalente "Tête de jeune fille à la frange" – Amedeo Modigliani
Um retrato expressionista com o traço melancólico e os olhos amendoados típicos do mestre italiano, de altíssimo valor museológico.
"Judy Garland" (1979) – Andy Warhol Representando a Pop Art, este retrato icónico da famosa atriz americana demonstra a transição da coleção para as vanguardas da segunda metade do século XX.. "Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual.

"Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

Direito do Mar foi violado
Ao intercetar e deter os dois cidadãos portugueses a bordo da embarcação Tenaz em águas internacionais (alto mar) perto de Chipre, as forças armadas de Isra3l violaram normas fundamentais do Direito Marítimo Internacional e do Direito Internacional Público, consagradas principalmente na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM / UNCLOS).
Os principais artigos e princípios infringidos foram os seguintes:
Violação do Princípio da Liberdade do Alto Mar
Artigo 87.º da CNUDM (Liberdade do Alto Mar): Este artigo estipula que o alto mar está aberto a todos os Estados e garante a liberdade de navegação. Nenhum Estado pode legitimamente pretender submeter qualquer parte do alto mar à sua soberania. Ao intercetar uma embarcação civil em águas internacionais, Israel violou o direito de livre circulação da embarcação.
Violação da Jurisdição Exclusiva do Estado de Bandeira
Artigo 92.º da CNUDM (Estatuto dos Navios): Determina que as embarcações navegam sob a bandeira de um único Estado e estão sujeitas à sua jurisdição exclusiva em alto mar. Salvo em casos excecionais previstos em tratados internacionais (como pirataria ou tráfico de escravos), nenhum outro país tem o direito de abordar, revistar ou reter o navio sem autorização do Estado de bandeira da embarcação.
Abordagem Ilegal em Alto Mar
Artigo 110.º da CNUDM (Direito de Visita): Este artigo estabelece as únicas condições em que um navio de guerra pode abordar um navio civil estrangeiro em
alto mar (suspeita de pirataria, tráfico de escravos, transmissões não autorizadas, ou falta de nacionalidade).Como a frota humanitária não se enquadrava em nenhuma destas exceções, a abordagem militar constitui um ato ilegal de agressão e interferência.
4. Ofensa aos Direitos Consuetudinários de Assistência Humanitária

Direito Internacional Humanitário e Convenções de Genebra: Embora estas convenções regulem os conflitos em terra, o desvio e o bloqueio de pessoal médico e de assistência (ambos os portugueses são médicos ativistas) viola o princípio internacional de que missões humanitárias, médicas e de ajuda a populações civis em sofrimento devem ser protegidas e ter passagem facilitada, desde que não transportem contrabando de guerra.
Ao ignorar estes artigos, a ação militar transformou-se numa detenção arbitrária e ilegal de cidadãos estrangeiros sob o ponto de vista do direito internacional, gerando a base para o conflito diplomático com o Estado português.
Carol Guzy com 4 Pulitzers
A vencedora da World Press Photo of the Year de 2026 é a fotógrafa norte-americana Carol Guzy, com a imagem intitulada Separated By ICE, captada a 26 de agosto de 2025 no edifício federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque. A fotografia regista o momento angustiante em que Luis, um migrante equatoriano, é detido por agentes da imigração após uma audiência em tribunal, enquanto as suas filhas se agarram a ele desesperadas. Entre os vencedores e finalistas deste ano, que contou com mais de 57 mil fotografias de 141 países, destacam-se também Saber Nuraldin, que captou palestinianos a cercarem um camião de ajuda em Gaza, e Victor J. Blue, que retratou as mulheres indígenas Maya Achi na Guatemala após vencerem uma batalha legal de 40 anos. O prémio reforça a importância do testemunho visual em zonas onde a história acontece, muitas vezes, sem outras testemunhas, premiando imagens que denunciam políticas sistémicas e celebram a resiliência humana.
ICE ganha World Press 2026

Carol Guzy é uma das fotojornalistas mais respeitadas do mundo, sendo a primeira profissional a conquistar quatro Prémios Pulitzer. Antiga enfermeira, transpôs essa sensibilidade humanitária para a lente, focando-se no sofrimento e na resiliência em cenários de crise ao serviço do The Miami Herald e do The Washington Post. Os seus Pulitzers, atribuídos entre 1986 e 2011, documentam eventos históricos como a erupção do vulcão Nevado del Ruiz, a crise no Kosovo e o sismo devastador no Haiti. Atualmente a trabalhar para a ZUMA Press, Carol continua a ser uma voz visual indispensável na denúncia de injustiças sociais.
Em 2026, o seu legado foi novamente consagrado ao vencer o World Press Photo of the Year com a imagem Separated By ICE. A fotografia regista a detenção de um pai migrante perante o desespero das filhas em Nova Iorque, servindo de testemunho cru sobre a dureza das políticas de imigração. A sua carreira é marcada por uma empatia profunda, provando que o fotojornalismo é uma ferramenta vital para dar visibilidade aos esquecidos da história.




A história de Aesha Ash merece o topo do botequim.pt, porque é o contrário feliz da vida dos construtores ordinários de condomínios ; que semeiam guerras em todos os cantos, fazendo subir - de forma deliberada - os preços dos combustiveis, comida e habitação.
A vida de Aesha Ash testemunho poderoso de resiliência, graça e do uso da arte como ferramenta de transformação social. Ela não só conquistou o seu espaço como bailarina profissional, mas transformou a sua carreira numa missão de representatividade.
Entrar para o prestigiado New York City Ballet (NYCB) é um feito extraordinário para qualquer

bailarina, mas para Aesha Ash teve um significado duplo. Como uma das poucas mulheres negras na companhia durante os anos 1990 e início dos anos 2000, ela teve de quebrar barreiras invisíveis e combater o preconceito enraizado de que os corpos
negros não possuíam a "linearidade" ou a "delicadeza" exigidas para o balé clássico. A sua técnica irrepreensível provou o contrário nos palcos mais exigentes do mundo.

O Projeto Sonhos de Cisne
Após reformar-se dos palcos das grandes companhias, Aesha canalizou a sua paixão para o ativismo visual através do The Swan Dreams Project. O objetivo central é desmistificar e democratizar a imagem do balé, mudando a perceção pública sobre as mulheres afro-americanas.

O Impacto Visual: Aesha começou a fotografar-se a si mesma vestida com o clássico tutu e sapatilhas de ponta em cenários urbanos e bairros desfavorecidos da sua cidade natal, Rochester. O contraste visual é intencional e poético.
Mensagem para a Infância: Ao levar a alta cultura para as ruas, ela permite que crianças negras se vejam refletidas num papel de extrema elegância, suavidade e dignidade. O projeto transmite a mensagem de que a beleza e a graça são universais e pertencem a qualquer comunidade, independentemente do contexto socioeconómico.
O Legado de Aesha ASH
Hoje, o trabalho de Aesha Ash vai muito além da fotografia. Ela tornou-se a primeira mulher negra a integrar o corpo docente a tempo inteiro da School of American Ballet (SAB) — a escola oficial do NYCB —, o que lhe permite moldar diretamente o futuro do balé clássico, garantindo que as próximas gerações entrem num ambiente muito mais inclusivo e diverso do que aquele que ela encontrou.



Admistrador do Pingo Doce
Vencimenro de 350 mil euros/mês

Mo Yan: o camponês que se tornou Nobel
Mo Yan, pseudónimo de Guan Moye que significa "Não Fales", é o maior expoente do realismo alucinatório contemporâneo. Nascido numa zona rural da província de Shandong, a sua infância foi marcada pela fome e pela dureza da Revolução Cultural,
experiências que moldaram a sua escrita crua e sensorial. Em 2012, tornou-se o primeiro cidadão chinês a receber o Prémio Nobel da Literatura,consagrando uma obra que funde a história da China com contos populares e o surreal.

O seu estilo é uma explosão de imagens, onde o passado e o presente se misturam em narrativasépicas. Em "Sorgo Vermelho", retrata a resistência à invasão japonesa com uma vivacidade visceral, enquanto em "As Baladas do Ajo" e "A República do Vinho" utiliza a sátira e o grotesco para criticar a corrupção e os traumas sociais. Mo Yan transforma o sofrimento da sua terra natal numa mitologia universal, onde a brutalidade e a beleza coexistem de forma inseparável.
A China: robot humanoide
a 6 mil euros


Que saudade
tenho de Deus


Crónica de El-Rei D. João I
Justiça eleita pelo Povo
Prólogo
Grande cuidado deve ter quem escreve uma história: primeiro, certificar-se da verdade dos factos que relata, para que a sua escrita não seja uma falsidade; segundo, ordenar a narrativa de forma tão clara que quem a ouve ou lê a possa compreender facilmente.
Muitos autores, movidos por afeições ou ódios terrenos, decidiram louvar excessivamente aqueles a quem queriam agradar, ou diminuir com mentiras a memória daqueles a quem queriam mal. Nós, porém, não nos movemos por tais paixões.
O nosso objetivo nesta obra não é lisonjear os vivos nem ultrajar os mortos, mas sim trazer à luz a pura verdade, tal como ela se encontra nos registos antigos e nas escrituras da Torre do Tombo, que examinámos com grande diligência
Por isso, não espere o leitor encontrar aqui palavras ornamentadas ou falsos elogios de corte. A verdade não precisa de vestes vistosas para ser bela; a sua força reside na sua própria crueza.
Nesta crónica se mostrará como, após a morte de El-Rei D. Fernando, este reino de Portugal se viu em grande tempestade e tormento, órfão de senhor e ameaçado de destruição pelos de Castela.
E como a "arraia-miúda" — o povo simples desta terra —, movida por um desejo comum de liberdade e de justiça, se levantou contra a traição dos grandes senhores e tomou nas mãos o destino da pátria, elegendo o Mestre de Avis como seu defensor e regedor.
Escrevemos, pois, não para glória de alguns, mas para memória de todos, para que as gerações vindouras saibam como se guardou e defendeu esta terra com tanto sangue, trabalho e firmeza de coração.
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Da justiça que o povo começou a fazer em Lisboa e dos juízes que elegeram
A cidade andava revoltada e com grande alvoroço pelas ruas, pois a força da "arraia-miúda", uma vez acesa, não se consegue refrear facilmente.
O povo, sentindo-se livre do antigo jugo dos grandes senhores que os humilhavam, começou a querer fazer justiça pelas suas próprias mãos, mas, como muitas vezes acontece quando a multidão governa, o exercício da justiça depressa se transformou em nova injustiça e crueldade.
Diz o cronista que qualquer um que tivesse má vontade contra o seu vizinho, ou a quem devesse dinheiro, logo o acusava em voz alta de ser "traidor" e de estar do lado de Castela.
Bastava este clamor para que a multidão, sem mais provas nem audiência, corresse a linchar o homem e a roubar os seus bens. Viu-se então quão perigoso é quando o povo soberano se torna juiz sem lei, pois puniam os inocentes com o mesmo furor com que queriam castigar os culpados, cometendo roubos e mortes pavorosas à luz do dia.
Percebendo este desvario e o medo que paralisava os bons cidadãos, o Mestre de Avis e os homens honrados da cidade entenderam que era urgente pôr freio àquela anarquia. Juntaram-se em conselho e decidiram que a cidade não podia governar-se pelo ódio da massa, mas sim por leis e homens de confiança.
Foi então determinado que o povo elegesse de entre si juízes populares — homens Squares e bons mesteirais, conhecidos pela sua retidão — para que estes ouvissem as queixas e aplicassem os castigos de forma ordenada. Estes novos juízes receberam o poder de julgar sumariamente os traidores, mas também de prender e castigar os populares que fizessem desordens ou saqueassem as casas alheias.
Desta forma, pela criação destes juízes eleitos, começou a fúria das ruas. Onde antes imperava a injustiça da multidão desgovernada, voltou a erguer-se o braço da justiça organizada, mostrando que até a mais legítima das revoltas decai em tirania se não se submeter ao império da lei e da razão.
Guilherme Silva, o fotógrafo
que seguiu o caminho certo
Reduziram-lhe agora a pensão para 128 euros num país que dá um bónus de 7,5 milhões de euros a gestor e onde o presidente do Pingo Doce ganha 350 mil euros mensais

Eu conheci Guilherme Silva, quando os nossos caminhos se cruzaram num jornal. Ele foi sempre um fotógrafo excepcional, mas uma foto de Simone Oliveira, demasiado contrastada, arrasou o futuro profissional de Guilherme, como repórter-fotográfico. Ali à minha frente e no julgamento de Vitor Direito.
VItor Direito, o mago do jornalismo, pretendia um jornal a apontar a felicidade ao Povo, ocultando a inveja, calúnia e a dor que sempre foram marca nacional, no entender de Camões ou de Padre António Vieira.
Ainda muito novo, fiquei perante dois caminhos opostos no mesmo país. Por um lado Guilherme Silva que não perdoava a realidade. Por outro Vitor Direito a bailar na fantasia da felicidade, para dar emprego a 400 pessoas e ficar podre de rico.
Qual deles fez o caminho mais certo? Ainda hoje estou dividido e as minhas duas mãos não querem conversar sobre o assunto.
Mas estão ambas de acordo sobre a ignomínia da parca pensão agora reduzida a 128 euros mensais, por um governo que permite um bónus de 7 milhões e 500 mil euros a António Ramalho, marido da ministra do Trabalho, e 1.400 milhões de euros de lucro líquido obsceno à senhora Galp. Abraço Guilherme, jrr

foto da série Fátima

fotos da série Hospício de Lorvão




"No dia 2 de Junho, o fotógrafo Guilherme Silva, após ter tido conhecimento de que o seu SMC, que já não recebia desde Janeiro por motivos que desconhecia, passara de 470 para 128 euros, tentou passar a outro mundo.
Aos 78 anos, com despesas de habitação e saúde a seu cargo, e dadas as consequências a longo prazo da precariedade que caracteriza o trabalho na Cultura, considerou que o seu acto serviria "para quem vem a seguir":
um manifesto de indignação por parte de quem se sente privado de uma caução de dignidade. Fotografou o 25 de Abril, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, dedicou a vida à fotografia."



A guerra que não serviu para nada...
O regime dos aiatolas no Irão saiu reforçado da guerra declarada pelos Estados Unidos, que aparentemente queriam limitar a capacidade nuclear iraniana e proteger os fluxos de petróleo.

Os iranianos não conservadores imaginaram uma libertação do regime teocrático, mas tudo acabou num banho de sangue interno com mais de 30 mil vítimas civis.
Ao fim de 100 dias de guerra, os Estados Unidos chegam agora a um acordo onde fica tudo na mesma ou pior. O Irão exige indemnizações de guerra e portagens no Estreito. Por outro lado, os Estados Unidos ficaram com as suas melhores armas expostas aos observadores russos e chineses.
Não se percebe qual foi o verdadeiro objetivo desta guerra, a não ser apoiar Netanyahu no arrasar numa faixa de 30 km no sul do Líbano e no bombardeamento do Irão - para transformar um país de 90 milhões de habitantes numa nova Faixa de Gaza.
Apenas se vislumbra um padrão habitual: a vitória da indústria do armamento, como aconteceu durante 20 anos com o Afeganistão a poucos quilómetros. É impossível a robusta comunidade de informações americana não ter previsto este final infeliz para Trump. ABJ
Gisberta Salce Júnior injustiçada
O homem - que fugiu do Brasil para ser mulher - foi apedrejada e afogada por 13 menoress no Porto
PSD e Chega insistem na transfobia
O PSD e o Chega têm o condão triste de fazer com que o país recue, em especial em matéria de direitos humanos e questões sexuais meramente pessoais. A aprovação da iniciativa legislativa do partido da extrema-direita, que contou com a conivência e o viés ideológico da direita tradicional, representa um rude golpe na dignidade humana e no caminho de progresso social que Portugal tinha vindo a trilhar.
Gisberta, uma mulher trans, sem-abrigo e doente, foi brutalmente torturada e assassinada em 2006, na cidade do Porto, por um grupo de jovens. O seu corpo foi moldado pela exclusão social, pelo abandono institucional e pelo ódio cego

Ao focar-se em escrutinar, limitar e politizar as vidas e os corpos das pessoas transexuais, esta aliança parlamentar demonstra uma total falta de empatia, transformando a esfera mais íntima e pessoal dos cidadãos num campo de batalha ideológico e populista.
A memória dolorosa de Gisberta
No centro deste debate, a deputada socialista Isabel Moreira voltou a recordar o caso de Gisberta Salce Júnior, trazendo à memória coletiva um dos episódios mais negros e trágicos da história recente do país no que toca à transfobia.
Medidas Tutelares Educativas: Em vez de penas de prisão, os 12 menores foram submetidos à Lei de Tutelar de Menores e internados em centros educativos (como as Oficinas de São José) pelo período máximo previsto por lei, que na altura era de 2 a 3 anos. O único jovem que já tinha 16 anos à data do julgamento foi julgado como adulto, mas o tribunal aplicou uma pena suspensa por não ter sido provada a sua participação direta nas agressões fatais, tendo sido condenado por omissão de auxílio.
Proteção do Anonimato: Como o processo envolveu menores, as suas identidades foram e continuam a ser estritamente protegidas pelo segredo de justiça e pelos direitos de privacidade de dados.


Manifesto de Isabel Moreira contra o Chega, pela República
Isabel Moreira faz um libelo acusatório contra O Chega e pede à República que se defenda do populismo que estriba a apatia e a desilusão dos portugueses. Devido à natureza on-line dividmos em uatro o texto. Publicamos a primeira.
Desde a sua fundação, o Chega já propôs: a prisão perpétua, exigindo uma revisão da Constituição;
A castração química de agressores sexuais;
A perda da nacionalidade portuguesa para cidadãos naturalizados condenados por determinados crimes graves; a revisão profunda da Constituição (na verdade a sua destruição);
A privatização alargada da saúde e da educação e a extinção do Ministério da Educação; o fim do financiamento público de interrupções voluntárias da gravidez e de tratamentos de afirmação de género no Serviço Nacional de Saúde;
A proibição da "propaganda da ideologia de género" nas escolas, acompanhada de uma revisão dos conteúdos curriculares relacionados com educação sexual e identidade de género; r
Restrições muito severas à imigração, incluindo endurecimento do acesso à nacionalidade, limitação do reagrupamento familiar, reforço das expulsões e maior facilidade na retirada de autorizações de residência em determinadas situações;
A redução drástica do Estado social nas primeiras formulações do partido, defendendo um "Estado arbitral" em vez de um Estado prestador.
Entretanto variou em matéria de Estado social conforme os resultados eleitorais.
Uma moção aprovada na Convenção de 2020 defendia a esterilização de mulheres que recorressem repetidamente ao aborto.
É um Partido que nasce depois de declarações racistas sobre a comunidade cigana e já propôs sua segregação durante pandemia.
O Chega adere sem problemas ao lema "Deus, Pátria, Família", pelo seu simbolismo histórico.
Está tudo a acontecer muito rápido. Temos todos que agir. Todos. Todos os democratas de esquerda e de direita.
Descrimina
Quotidianamente, sucedem-se declarações xenófobas, racistas, misóginas e homofóbicas.Entre os seus apoiantes declarados há nazis orgulhosos. É o Partido que produz mais mentiras no espaço público, desrespeita as instituições e alimenta o conflito social.
Não há nenhum partido português simétrico ao Chega. Atualmente é o único partido que discrimina migrantes, pessoas não brancas e comunidades ciganas.
Posto isto, o Chega seria ameaça ao Regime se direita clássica o abraçasse. O PS cometeu erros: nunca acreditei que fosse boa a caminhada para uma escolha entre Chega e PSD.
Mas foram PSD e CDS que se traíram. Já não são as direitas personalistas e democrata-cristã.
Desde que estão no poder, contrariamente ao que estava previsto no seu programa eleitoral, escolheram o Chega. Desde o dia um. Desde a eleição para a presidência da AR.
Depois criaram uma narrativa: falamos com todos, não temos maioria. É mentira.
O que fazem é, à partida, entregar no Parlamento propostas inaceitáveis já negociadas com o Chega – como a lei da nacionalidade e a lei da imigração que continham aqueles sonhos do Chega atrás descritos – e pedir colaboração.
Foi o princípio do fim
A TV mostrava cidadãos não brancos encostados à parede na Rua do Bem-Formoso. Ali, onde vários Deputados do Chega fazem vídeos contendo crimes de ódio contra imigrantes do Indostão.
Foi o princípio do fim
porque começou a normalização do que tínhamos por indigno. Passámos a ouvir falar em "revistas normais" e a ouvir piadas no Parlamento como "querem que os revistem como? De frente?".
Todos, todos, todos os dias falam de imigração, isto é, perseguem imigrantes, os crimes de ódio aumentaram 200% em comparação com a última década, há corpos em risco, porque fazem dos imigrantes a grande questão nacional. Que se esqueça a escola publica, a saúde, que está numa crise tremenda, a habitação, que é um luxo e devia ser direito fundamental, o custo do cabaz alimentar.
Imigração e nacionalidade. Subitamente, a direita que era clássica fala em sangue, em portugueses puros, ouve-se o deputado João Almeida dizer "que na rua já não reconhece o país". Perguntei atónita se era por causa da cor. O mesmo João Almeida, há uns anos, teria coragem de associar nacionalidade portuguesa a cor de pele branca? Se visse António Costa na rua, e não fosse ele figura pública, presumiria ser estrangeiro?
É muito grave e está tudo a acontecer muito rápido.
O único debate que houve antes das eleições sobre direitos LGBTI teve a promessa do PSD de que nada seria revogado. Eis que AD aprova a destruição da autonomia das pessoas trans e legisla sobre o que pode e o que não pode um médico fazer. Legisla sobre medicamentos. E junta-se a todos os fanáticos que andam há anos a apelidar as pessoas trans de doentes.
Parece um filme de terror, está tudo a acontecer muito depressa.
O CHEGA TEM MEDO
O Chega tem medo da diversidade, todos os fascistas têm medo da diversidade, querem a segurança deles, a liberdade deles. Mas a AD aprovou a proibição do hastear da bandeira arco-íris em edifícios públicos, quando a homofobia é constitucionalmente repudiada e há um dia nacional consagrado para combater esse fenómeno tão duro, com uma história carregada de internamentos compulsivos, assassinatos, campos de concertação, espancamentos e abandono.
Os crimes de género disparam e a melhor solução que a direita clássica encontra é ceder à tara que o Chega tem com a sexualidade, pelo que já não há educação para cidadania obrigatória.
De caminho ouve-se Hugo Soares dizer que "o trabalho honra" após terem defendido que quem acede a prestações socais, porque é pobre ou doente, deve fazer trabalho social. Já andou mais longe da oratória parlamentar uma outra expressão sobre o trabalho…
Falam sobre regularizar imigrantes.
É mentira.
Tiraram-lhes as garantias processuais de defesa.
Revogaram em conselho de ministros a criminalização da omissão de declaração de trabalho doméstico. A direita sabe bem que serão imigrantes indocumentados, na sua maioria mulheres não brancas, a voltarem para uma espécie de senzala moderna. A AD faz vídeos a fingir que trabalha. Como a do Ministro da Presidência em mangas de camisa a roer as unhas a fingir que nos salvava da tempestade. É mitómano.
Luís Montenegro gosta de falar sem direito a perguntas. Anuncia algo e segue-se o hino nacional.
Entretanto, foram mais longe do que o pacto das migrações. Nada os comoveu em matéria de detenção por períodos alargados de menores não acompanhados. Essa desumanidade faz do retrocesso que era o pacote laboral um dia normal.
Na TV, fala-se pouco sobre a substância, é muita coisa ao mesmo tempo, o Código Penal vai sendo alterado por proposta do Ministério Publico, sem mais ninguém envolvido, enquanto leio a carta de Ivo Rosa que nos dá conta do que já sabíamos.
Isto está tudo a acontecer muito rápido. Hugo Soares não terá gostado do cartaz do Chega que apelidava Luis Montenegro de corrupto, mas que interessa isso, quando podem assinar um acordo de suspensão de prazos de revisão constitucional para o golpe final no Regime?
Está tudo a acontecer muito rápido. Temos todos que agir. Todos. Todos os democratas de esquerda e de direita.
Cada viagem de Falcon 900
Lisboa-Dallas-Lisboa custa 190 mil euros
A hora de voo do avião Falcon 900 do Governo português custa 6.500 euros. Um vôo Lisboa-Dallas- Lisboa num Falcon 900, tudo incluído, custa entre 190 mil e 210 mil euros.
Três viagens, ida e volta custam 570 mil euros (o equivalente a 2.303 RSI ao valor de 247,5 euros mensais.
O preço de um bilhete num avião comercial em época alta (julho/agosto ou reservas de última hora: 1.100 a 1.500 euros.

Em detalhe: combustível (Jet A-1): 90.000 euros, cerca de 23.000 litros consumidos pelos três motores nos dois trajetos
Taxas de Aeroporto, Navegação e Apoio em Terra (Handling): 30.000 (Serviços nos terminais privados de Lisboa e Dallas, taxas de aterragem e controlo aéreo). Tripulação (2 Pilotos + 1 Assistente): 25.000 euros (horas de voo, alojamento em hotel em Dallas, alimentação e ajudas de custo) Estacionamento do Avião (Destaque em Dallas): 5.000 euros (Taxa diária para manter o jato parqueado no aeroporto americano). Margem de Manutenção e Gestão Operacional: 30.000 mil euros (custo de desgaste por hora incorporado pelo operador do jato)
Valor estimado 190.000 a 210.000 euros
O valor exato pode oscilar dependendo do preço do combustível na semana da viagem e do número de dias que o avião ficar à tua espera em Dallas antes de fazer a rota de regresso a Lisboa.

História dos números difíceis que nos atrapalham
Afinal quantos éramos em 1930, em 1974, em 2011 e... em 2024

Os números da imigração deixam-nos 'apardalados' entre as falas do senhor Ventura e o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) . Vejamos.
Nos recuados anos de 1930 éramos de 6.826.000 habitantes. E em 1963 atingimos os 9.042.000,ou seja mais 2.216.000
A seguir 1971 baixámos para 8.624.000. Enviámos 418.000 portugueses para o mundo, para escadas, portarias e construção civil, em França, África do Sul e Venezuela.
Em 1974 a população subiu 8 879000, quando alguns regressaram desses martírios.
Com o fim das Colónias, em 1976, subimos para 9.405.000, mais 526.000 (e não 1 milhão). Fomos aumentando até 10.562.178 em 2011, ou seja mais 1.157.178, em 35 anos.
Em 2020 baixámos para 10.298.252, a 'Troiquice' mandou 263.926 habitantes para fora do País.
E depois? 2021 - 10.344.802 habitantes (Ano de Censos); 2022 - 10.467.366; 2023 - 10.639.726; 2024 - 10.749.635 habitantes.
E depois num passe de mágica passámos para 11.424.031, em 2025, ou seja mais 674.396 e no Governo de Luís Montenegro
Fica claro que não enviámos 1 mihão de portugueses para o mundo entre 1960 e 1973 (que teriam resultado em 5 milhões) e que não regressou um milhão das Colónias. Também se estranha num ano apenas de 2024-2025 tamanho salto populacional de 10.749.635 habitantes para 11.424.031 em pleno Governo de Luís Montenegro.
Ah! Aconteceu num País já com 730 mil casas fechadas, em 2023, segundo relatório da OCDE, publicado pelo Jornal Expresso.
E já agora existiam 2.700.000 a 2.800.000 fogos (casas) em 1974 em Portugal. Mas no Censos de 2021, o INE registou exatamente 5.961.328 alojamentos familiares clássicos em Portugal. Cerca do dobro de casas, mas a população não dobrou de 8.624.00 para 17.248.000. Está em 11.424.031. jrr

Qual é o valor da pensão de viuvez
Lei garante tecto mínimo para o falecido com menos de 15 anos de descontos:
viúvo recebe 166,66
se tinha mais de 31 anos de descontos: viúvo recebe 240,65 €.

Em Portugal, o valor da Pensão de Viuvez (ou Pensão de Sobrevivência) não é um valor fixo. Ele corresponde exatamente a uma percentagem da reforma que o cônjuge falecido recebia (ou tinha direito a receber):
60% da reforma do falecido (se for paga apenas ao viúvo/a).
70% da reforma do falecido (se o viúvo/a já estiver divorciado/a e houver mais do que um -cônjuge com direito à pensão, dividindo-se o valor entre eles).Valores Mínimos Garantidos (Caso a reforma do falecido fosse muito baixa):
Se 60% da reforma do falecido der um valor extraordinariamente baixo, a lei garante os tectos mínimos de subsistência:
Se o falecido tinha menos de 15 anos de descontos: O viúvo recebe o valor fixo de 166,66 €.
Se o falecido tinha entre 15 e 20 anos de descontos: O viúvo recebe 177,15 €.
Se o falecido tinha entre 21 e 30 anos de descontos: O viúvo recebe 192,80 €.
Se o falecido tinha mais de 31 anos de descontos: O viúvo recebe 240,65 €.
Portugueses já foram 'bangladeshs' em França
Governo quer até 12 meses de detenção para imigrantes ilegais

A memória de um país é curta, os portugueses já foram os Bangladesh de França, nas décadas de 1960 e 70, há cerca de 60 anos. Mas nunca se ouviu por lá falar em centros de detenção temporária de 360 dias (um ano), como quer agora o Governo de Montenegro.
Largas centenas de milhar atravessaram a fronteira ilegalmente e viviram sem documentos nos arredores de Paris, em bairros de lata chamados de bidonvilles, por terem sido construídos com chapas e desperdícios. O fotógrafo Gérald Bloncourt imortalizou e documentou a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles franceses, o célebre foi Champigny-sur-Marne.

Paris tem hoje quase um milhão de portugueses e seus descendentes, os chamados luso-descendentes. O Governo esqueceu o acolhimento progressivo que os portugueses tiveram em França, tão necessários ao desenvolvimento daquele país.
O Governo de Montenegro ignora este passado e avança com um endurecimento drástico das suas políticas migratórias através da nova "Lei do Retorno", assente nos seguintes pontos fundamentais: jrr

Deportação imediata dos imigrantes ilegais
O Governo decidiu eliminar a atual Notificação para Abandono Voluntário (NAV). Atualmente, quando um imigrante ilegal é detetado, recebe um prazo (geralmente de 20 dias) para sair do país pelo seu próprio pé. O Executivo considera que isto gera arrastamentos e ineficácia, pelo que as decisões de afastamento coercivo (deportação) passarão a produzir efeitos imediatos.
Prazos de Detenção Alargados até 360 Dias
Para garantir que o Estado tem tempo para organizar os processos de repatriamento, o limite máximo de detenção nos Centros de Instalação Temporária (CIT) sofre uma alteração drástica: o limite de detenção estende-se agora até 360 dias (12 meses) para a execução do retorno.

Fim do Efeito Suspensivo do Asilo
Até agora, se um cidadão em processo de expulsão avançasse com um pedido de asilo-proteção internacional, o processo de deportação ficava automaticamente congelado. A proposta do Governo dita que o pedido de asilo deixa de suspender o processo de afastamento.

Criação de Medidas de Coação Alternativas
Para que a detenção seja mesmo o último recurso, a lei passa a prever alternativas para os imigrantes que aguardam o repatriamento, tais como: O pagamento de uma caução/garantia financeira, entrega obrigatória dos documentos de viagem às autoridades. A colocação do cidadão num regime de instalação aberto nos centros.
Detidos em módulos e menos critérios de proteção
O Governo anunciou o reforço urgente da capacidade dos CIT (Lisboa e Porto), recorrendo inclusive a estruturas de construção modular temporárias para criar entre 300 a 600 novas vagas até ao verão. Além disso, os critérios humanitários que antes protegiam os cidadãos da expulsão imediata serão significativamente revistos e restringidos.
Terramoto na Venezuela: 119 portugueses entre as vítimas mortais, 22 crianças e 97 adultos
José Saramago
o escritor maldito do terramoto de 1755
A Venezuela carrega um novo fardo: os dois terremotos simultâneos. Já não bastava os desgovernos de Chavez e Maduro e agora também as investidas da Nobel Corina Machado e do SenhorTrump.
A propósito deste terremoto, catástrofe que toca profundamente o coração de todos, recordamos alguns autores uie abordaram este tema. Entre os quais José Saramago, o escritor maldito do tempo de Cavaco e Silva e agora de novo acoçado por Luiz Montenegro. que o quer retirar do ensino escolas portuguesas
O livro de referência absoluta e de grande peso literário que retrata de forma magistral o drama e a devastação de um sismo é o Memorial do Convento, (1982), do prémio Nobel português José Saramago.
Embora o foco central do livro seja a construção do Convento de Mafra e a história de amor dos protagonistas, o Terramoto de 1755 em Lisboa é um dos momentos mais dramáticos, viscerais e impressionantes de toda a narrativa.
Lisboa destruida pelo Terramoto
Saramago descreve o cataclismo não apenas como um evento geológico, mas como o desabar físico e psicológico de uma capital inteira, mostrando o pânico da população, a destruição das igrejas e o incêndio que se seguiu.
A cidade antes do Terramoto de 1755
Montenegro quer 'despedir' Saramago
A polémica estalou após o Ministério da Educação (do governo liderado por Luís Montenegro) apresentar uma proposta de revisão curricular das Aprendizagens Essenciais de Português para o secundário.
O que a proposta faz: Retira a obrigatoriedade de leitura integral de uma obra de José Saramago (como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis) no 12.º ano. Em vez disso, a obra do único Prémio Nobel da Literatura português passa a ser opcional, permitindo que as escolas escolham, em alternativa, um livro de outro autor (como Mário de Carvalho).
A posição do Governo: O ministro da Educação defende que a revisão é "absolutamente técnica", que o autor não é banido das escolas (mantém-se como opção ou contrato de leitura) e que se pretende dar maior autonomia aos professores para diversificar o repertório literário.
Os críticos (Fundação Saramago, escritores e professores): Manifestaram enorme indignação através de cartas abertas. Defendem que abrir a porta à opcionalidade fará com que milhares de alunos terminem o liceu sem nunca ler Saramago. A Fundação José Saramago sugeriu ironicamente que o governo devia usar a palavra "e" em vez de "ou", adicionando novos autores sem excluir o Nobel. Até o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, classificou a intenção como "um bocadinho estranha".
Grandes livros sobre
o drama de um terramoto
O Terramoto no Chile (Das Erdbeben in Chili), de Heinrich von Kleist (1807)

Este clássico da literatura alemã é uma das novelas mais dramáticas alguma vez escritas sobre o tema.
Passado em Santiago do Chile durante o sismo de 1647, a história acompanha dois amantes condenados à morte pela sociedade e pela Igreja. O terramoto destrói a cidade e a prisão, libertando-os temporariamente. A obra usa o sismo como uma força brutal da natureza que expõe a hipocrisia, a crueldade e o fanatismo religioso dos sobreviventes.
Voltaire escreveu livro sobre Terramoto
de Lisboa

Outro escritor gigante da literatura mundial que escreveu uma obra-prima centrada num terramoto foi Voltaire (1694–1778), com o seu célebre livro Cândido, ou o Otimismo (1759).
O filósofo e escritor francês usou o devastador Terramoto de Lisboa de 1755 como o cenário central para desabar com a filosofia da sua época. No livro, o protagonista Cândido chega a Lisboa exatamente no momento do cataclismo.
Voltaire descreve a destruição da cidade, as mortes e, logo a seguir, a reação absurda das autoridades e da Inquisição, que decidem realizar um "auto de fé" (queimar pessoas vivas) para convencer a terra a parar de tremer. É uma das sátiras mais brilhantes, negras e profundas sobre o drama de uma catástrofe natural e a estupidez humana que se lhe segue.
Após o Anoitecer ou Contos de Páscoa, de Haruki Murakami

O famoso escritor japonês escreveu a coletânea de contos Depois do Terramoto (2000)
especificamente como uma resposta ao devastador sismo de Kobe em 1995. Embora as personagens não estivessem necessariamente no epicentro no momento exato, as suas vidas foram fraturadas psicológica e emocionalmente pelo abalo. Murakami retrata o drama invisível, o trauma e o vazio que um desastre desta magnitude deixa na mente humana.
Richter 10, de Arthur C. Clarke e Mike McQuay (1996)
No campo da ficção científica e do drama especulativo de grande escala, este livro aborda o trauma de um jovem que perde a família num sismo quando era criança. Ele torna-se um sismólogo obcecado em prever o próximo grande terramoto ("The Big One") que ameaça destruir a Califórnia. É uma obra que mistura o drama psicológico com a tensão científica da iminência de uma catástrofe.

Gérald Bloncourt: o fotógrafo dos portugueses dos Bidonville

Gérald Bloncourt.
Apesar de ser amplamente conhecido como um fotógrafo francês, Bloncourt nasceu no Haiti em 1926 e exilou-se em França na sua juventude, onde desenvolveu uma carreira marcante como fotojornalista humanista e militante.

Ele ficou profundamente tocado pela miséria e pelas condições em que os portugueses que fugiam do regime de Salazar e da Guerra Colonial viviam nos arredores de Paris.

Bloncourt não só os fotografou com enorme dignidade e respeito, como chegou a fazer a pé a rota clandestina do "salto" através dos Pirenéus com os emigrantes para registar os perigos da viagem.

As suas fotografias tornaram-se o arquivo visual mais importante e comovente da história da emigração portuguesa em França. Gérald Bloncourt faleceu aos 92 anos


Este livro reúne cerca de 150 fotografias históricas captadas por Bloncourt, documentando não só a miséria dura dos bairros de lata nos arredores de Paris, mas também a viagem clandestina "a salto" através dos Pirenéus que o próprio fotógrafo fez ao lado dos emigrantes portugueses nos anos 60.
Literatura chinesa em destaque
"Sorgo Vermelho" Mo Yan
a luta da China contra o exército invasor japonês
"Sorgo Vermelho" (Hong Gaoliang Jiazu), publicado em 1986 pelo escritor chinês Mo Yan é uma das obras mais importantes da literatura contemporânea chinesa.
O livro é um romance histórico e uma saga familiar que se passa na província de Shandong (na vila fictícia de Northeast Gaoliang) e estende-se ao longo de várias décadas, concentrando-se principalmente nos anos 1930, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

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Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.

Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.
Urso de Ouro em Berlim
O livro quebrou os moldes da literatura na China, ao mostrar heróis que eram imperfeitos, violentos e motivados por paixões pessoais. A obra ganhou ainda maior projeção internacional com a icónica adaptação ao cinema em 1987, realizada por Zhang Yimou e protagonizada por Gong Li, que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
O realismo mágico
Violência e Crueldade: Mo Yan utiliza um realismo visceral. O livro descreve com detalhe a brutalidade da guerra, execuções, tortura (como o famoso episódio do homem esfolado vivo pelos japoneses) e a fome. Não há romantização da guerra. Apesar da opressão e da tragédia, as personagens transbordam uma paixão primitiva pela vida, pelo sexo, pela terra e pela liberdade.
Mo Yan mistura a crueza histórica com elementos míticos e superstições locais. Os cães da vila tornam-se selvagens e lutam pelos corpos dos mortos; o vinho de sorgo parece ter propriedades de cura e coragem.

O cenário e o simbolismo do sorgo
O sorgo vermelho (um cereal muito comum na China) não é apenas o cenário onde a história se passa; é o elemento central e simbólico de todo o livro. Ele representa a própria essência do povo chinês daquela região: rústico, resistente, violento e indomável. É no meio dos campos de sorgo que as personagens amam, lutam, escondem-se e morrem. O sorgo também é a matéria-prima para o famoso vinho local, que ganha contornos misticos na história.
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A invasão japonesa
A trama começa com o casamento arranjado de Dai Fenglian com o filho leproso do dono de uma destilaria de sorgo. Durante a procissão do casamento através dos campos de sorgo, ela conhece Yu Zhan'ao, um dos carregadores da sua liteira. Há uma atração imediata.
Pouco tempo depois, o marido leproso e o sogro de Dai Fenglian são misteriosamente assassinados (subentendendo-se que o autor foi Yu Zhan'ao). Dai Fenglian assume o controlo da destilaria. Yu Zhan'ao junta-se a ela, e os dois tornam-se os patriarcas da família, gerando o pai do narrador.

A vida de crime e a gestão da destilaria são brutalmente interrompidas pela invasão do exército imperial japonês. A partir daí, o livro transforma-se numa crónica de guerra sangrenta. Yu Zhan'ao organiza uma milícia local de camponeses e bandidos para combater os invasores japoneses através de táticas de guerrilha nos campos de sorgo.
"Viver" escrito pelo entregador de pizzas Yu Hua
atinge 20 milhões de exemplares

A maior tiragem da atualidade na China de um romance literário de alta qualidade e prestígio pertence é a obra-prima Viver (活着 - Huózhe), de Yu Hua, um entregador de pizzas.
Este livro é o exemplo perfeito de "sucesso literário de qualidade" — aclamado pela crítica, estudado nas universidades e com 20 milhões de cópias vendidas. Ya Hua levou 20 anos até conseguir o sucesso para arrumar em definitivo a sua bicicleta e mochila das pizzas.
Viver já foi traduzido para mais de 20 línguas (incluindo o português). Na China, Viver tornou-se uma leitura obrigatória e recomendada em escolas e universidades, o que garante reimpressões massivas e tiragens contínuas todos os anos.
Trabalhar nos armazéns de logística
Em 2020, durante os confinamentos da COVID-19, Hu Anyan começou a publicar ensaios e relatos num blogue pessoal sobre as suas experiências reais a trabalhar nos armazéns de logística e a entregar encomendas nas ruas de Pequim sob condições extremas.
Os seus textos — que descreviam de forma crua, mas com uma dignidade e um humor muito próprios, a pressão diária de ter de entregar encomendas a cada quatro minutos para manter a rentabilidade — tornaram-se virais na internet.
O sucesso online deu origem ao seu livro de memórias I Deliver Parcels in Beijing (Eu Entrego Encomendas em Pequim), publicado em 2023, que já atingiu perto de 2 milhões de cópias vendidas na China, e "puxou" as vendas de Viver.
A escrita de YU Hua ressoa profundamente com uma geração de jovens exaustos pela pressão laboral. O livro I Deliver Parcels in Beijing é aclamado pela crítica internacional e está traduzido para mais de 15 línguas, transformando Hu Anyan numa voz literária global que usa os livros para encontrar espaço de liberdade e expressar a individualidade da classe trabalhadora moderna.
Casa da Imprensa lança apoio anti-solidão

A solidão é uma das correntes mais silenciosas do nosso tempo. Curiosamente, atinge com frequência aqueles cuja missão de vida é ligar o mundo e contar as histórias dos outros: os jornalistas e profissionais dos media.
Habituados ao ritmo frenético das redações, muitos destes profissionais enfrentam o reverso da medalha com a chegada da reforma ou o avançar da idade. O telefone deixa de tocar e o fervilhar de contactos desvanece-se. Quem passou a vida a escutar e a dar voz à sociedade vê-se, muitas vezes, sem ninguém para partilhar as rotinas mais simples. É contra este isolamento que a solidariedade e o apoio mútuco se tornam urgentes.
VOLUNTARIADO Casa da Imprensa
Na sequência do inquérito feito no primeiro trimestre deste ano e de contactos desenvolvidos pelos Serviços Sociais da Casa da Imprensa (CI), foi possível apurar que várias(os) associadas(os) necessitam de apoio domiciliário indiferenciado: alguém que lhes faça companhia, que leia para elas(eles), com quem possam conversar, ir a uma consulta ou ir às compras, por exemplo.
Para sabermos exatamente quem precisa de acompanhamento no imediato, ou poderá precisar num futuro próximo, a Dr.ª Catarina Pires, assistente social da CI, tem estado a contactar as(os) associadas(os) por faixas etárias.
Enquanto o processo decorre, gostaríamos de saber se há associadas(os) disponíveis para dar este tipo de apoio a outras(os) associados.
Se quiser ser voluntária(o) da CI, por favor, diga-nos: Qual a sua área de residência. Se tem transporte próprio ou em que zona pode deslocar-se com custos mínimos. Qual a sua disponibilidade de tempo. Que tipo de apoio se sente vocacionado para dar. Este é o apelo da Casa da Imprensa aos seus sócios

era uma vez um Saab
Há uns anos, no Brasil, o condutor do carro onde eu ia - português que tinha vivido em Inglaterra - parou educadamente numa passadeira para uma senhora atravessar e ela ficou assustada.
Pensou - explicou-nos o outro passageiro do carro, esse brasileiro - que ia ser assaltada...Na Suécia, há 40 anos, recordo-me de ir num velhinho Saab, e na Suécia parecia haver na estrada nada mais do que velhinhos, seguros e suaves Saab, na mesma altura que em Portugal, a reboque do crédito e da ignorância, todos os carros eram pequenos, novos e maus, enfim de lata, dizia eu na Suécia o meu amigo, sueco, que ia a conduzir, parou o carro numa berma, íamos a 50km hora, para dar passagem a um tipo que ia a 60km hora.

Este baile de ópera vienense na estrada sempre me assalta a memória quando hoje, em Portugal, estou numa passadeira e uma condutora acelera para só parar mesmo em cima; ou um cavalheiro vai na auto estrada a 120 km hora colado à traseira do meu carro para ultrapassar; ou sicrano atravessa uma aldeia a 50km hora, também a 60km e até a 90km! 2 mortos por dia, é o saldo.
Passo férias em lugares, na Europa central, onde os carros param para dar lugar aos ciclistas e o condutor faz um gesto suave de - a senhora dança? Fujo de lugares onde a violência se impõe à delicadeza. Excerto de crónica de Rauel Varela
.
O lendário Saab Automobile já não existe. A empresa formalizou em dezembro de 2011 o fim de uma das marcas mais importantes da indústria automóvel. Famosa pela herança aeronáutica, pioneirismo na segurança e motores turbo, a fabricante sueca sucumbiu à gestão sufocante da General Motors (GM), que a adquiriu em 2000.

A GM tentou massificar a Saab forçando a partilha de componentes com a Opel. Contudo, os engenheiros de Trollhättan resistiram e redesenharam os veículos para manter os padrões da marca, o que inflacionou os custos e gerou prejuízos. Com a crise de 2008, a GM decidiu alienar a subsidiária.
A neerlandesa Spyker Cars tentou salvar a Saab em 2010, mas a falta de liquidez paralisou as fábricas no ano seguinte. O golpe final ocorreu quando a GM bloqueou a venda a investidores chineses, recusando transferir as patentes e licenças dos motores. Sem alternativas, a Saab declarou falência. Os ativos foram comprados pelo consórcio NEVS, mas o direito ao nome e ao icónico logótipo perdeu-se para sempre.
Nomes importantes de Ceuta

Cadí Ayyad, Qadi Ayyad, 1083–1149
Jurista, historiador, biógrafo e um dos mais prestigiados sábios e escritores de teologia e direito islâmico do Ocidente muçulmano.
Foi nomeado Cadí (juiz supremo) de Ceuta em 1121, cargo que exerceu durante longos anos e onde escreveu a maioria da sua vasta obra.

Foi um dos maiores geógrafos, cartógrafos, botânicos e escritores de viagens da Idade Média. Foi em Ceuta que passou a infância e juventude e iniciou os seus estudos antes de viajar pelo Mediterrâneo e, mais tarde, regressar a Ceuta para passar os seus últimos anos. Autor do famoso Kitab Ruyar (O Livro de Roger / Nuzhat al-Mushtaq), encomendado pelo rei Rogério II da Sicília.
Al-Idrisi (Abu Abd Allah Muhammad al-Idrisi, 1100–1165)
Um dos maiores geógrafos, cartógrafos, botânicos e escritores de viagens da Idade Média.
Nasceu em Ceuta no seio de uma família nobre descendente dos idríssidas. Foi em Ceuta que passou a infância e juventude

e iniciou os seus estudos antes de viajar pelo Mediterrâneo e, mais tarde, regressar a Ceuta para passar os seus últimos anos.
Autor do famoso Kitab Ruyar (O Livro de Roger / Nuzhat al-Mushtaq), encomendado pelo rei Rogério II da Sicília. Este texto, acompanhado pelo famoso mapa Tabula Rogeriana, foi a descrição geográfica do mundo conhecido mais precisa e detalhada produzida em toda a Idade Média.
Escritores de Ceuta de hoje
Suaad Mohamed (Suaad Mohamed Abselam) é uma poetisa, escritora e ativista cultural natural de Ceuta, reconhecida por ser uma das vozes mais representativas da literatura ceutense com raízes hispano-marroquinas.

A sua escrita reflete a realidade da vida na fronteira de Ceuta, explorando a convivência intercultural, o sentimento dividido entre a Europa e o Magrebe e o papel da mulher árabe-espanhola na sociedade contemporânea.
Escreve essencialmente poesia e relatórios narrativos. A sua linguagem é íntima e lírica, abordando temas como a memória, a tradição, o mar, a perda e a procura pela igualdade e tolerância.
É uma figura ativa na promoção o diálogo entre as comunidades muçulmana e cristã em Ceuta, utilizando a literatura como meio de integração social e combate ao preconceito.
María Jesús Fuentes

María Jesús Fuentes é uma influente poetisa, romancista e professora espanhola, considerada uma das vozes mais destacadas da cultura contemporânea em Ceuta.
Nasceu em Málaga (1961), mas vive há várias décadas em Ceuta, onde construiu a sua vida, carreira docente como professora de Literatura e toda a sua produção artística.
É autora de vasta obra, com destaque para a poesia e a ficção narrativa. Entre as suas publicações mais conhecidas encontram-se títulos como Con el derecho a la palabra, La mala vida, Hebras de silencio e o romance Lunas de cera.
A sua poesia é caracterizada pela intensidade emocional, reflexão sobre a condição humana e a identidade.
Ezequiel Teodor
é Jornalista, romancista e ensaísta espanhol. É uma das vozes mais ativas da literatura contemporânea na cidade autónoma de Ceuta.

Destaca-se no género do thriller histórico, romance de mistério e ficção científica/distopia. Entre os seus livros mais conhecidos encontram-se:
La Herencia de Mahoma.
Cuaderno de Ceuta (onde aborda a identidade multicultural, a história e a realidade da cidade).
El Manuscrito de Avicena (romance histórico/mistério com grande êxito de vendas).
Ligação a Ceuta: Além de aí residir e escrever, Ezequiel Teodoro é um fervoroso promotor da cultura ceutense, colaborando regularmente com a imprensa local e organizando eventos literários na cidade.
CEUTA voltará a acontecer
Se não houver desenvolvimento económico periférico à Europa, em benefício também da economia europeia
O fluxo migratório repentino de Ceuta está carregado de suspeitas e revelou graves fracturas sobre os caminhos para o futuro da Europa. Neste cenário apenas com os patriotas a acirrem ódios, Ceuta poderá voltar a acontecer em breve.
No passado, os portugueses conquistaram e assassinaram milhares de pessoas em Ceuta, a 17 de Agosto de 1415. Íamos à procura de riquezas. Desta vez, foram marroquinos a lançarem-se sobre a sua cidade. Supostamente à procura de uma vida melhor, mas não mataram ninguém. Morreram eles, sim, 88.
As populações à volta da Europa não têm trabalho, são muito jovens. e não vislubram futuro aos pés de um continente rico e arrogante.
Os patriotas europeus têm defendido muros mais altos na Europa e a utilização de armas para travar as ondas migratórias, que as teorias da conspiração dizem ser geradas por interesses americanos em corroer a coesão europeia, para aprisionar economicamente os europeus.
Convém lembrar que a génese da actual Europa recua aos longos séculos do Império Romano, construído à volta do mar Mediterrâneo, com o vibrante apoio da cidade de Cartago, no norte de África.
Mas Europa de hoje está mais a Norte e a Ocidente e empapada em ondas de ódio propagadas pelo Facebook, Instagram, Whatsapp e Google. Estas empresas são controladas por 3 grandes grupos norte -americanos transversais a toda a economia mundial, com exclusão da China: a BlackRock, a Vanguard Group e a State Street. Os rostos
destes terríveis cavalos de Tróia são Mark Zuckerberg e Elan Musk, apontados como financiadores da AdF alemã, do Reform na Grã-Bretanha e do Vox espanhol.
Depois da Segunda Guerra Mundial, os americanos têm ensaiado vários "Planos Marshall" em benefício da sua própria sustentabilidade económica, baseada na indústria das armas. E são apontados como "a mão por trás de arbustos", como a Guerra nos Balcãs ou a desastrosa Primavera Árabe.

A Europa tem de construir com urgência o seu Facebook, Google, Hollywood, Iphone, IA e mais, à semelhança do que fez com a criação da Airbus para nos livrarmos dos cowboys que dizimaram milhões de indíos e ameaçam a existência de uma Europa federal de nações livres, esclarecidas, democratas (em rigor) e solidárias.
Se a Europa não trabalhar no desenvolvimento das zonas periféricas, dando sentido de vida e bem-estar aos povos (que já matou milhares), Ceuta voltará a acontecer. E em breve. JLB
Existem 2 Espanhas o outro lado da invasão magrebina












Judeus fomentaram
as invasões do Norte de África
A recente invasão de Ceuta por povos magrebinos conduz-nos às sangrentas invasões de Portugal às cidades do norte de África, em 1415, incentivadas por 5 judeus extremamente ricos e influentes de Lisboa.
Qual era o benefício imediato? A comunidade judaica, pretendia evitar a todo o custo a cooperação entre cristãos e Islâmicos, que acabou, aliás, por ser inevitável para completar o Caminho Marítimo para a Índia (na parte final do Oceano Índico).
São eles Judah Abravanel, Moisés Rava, David Negro, Joseph Abarbanel e Jehua Cresques.

Gavura de Judah Abravane
Os judeus, ou melhor os hebreus, tinham já menorizado os cristãos, envolvendo a sua doutrina numa chamada Bíblia - que agregou os seus livros mais fanáticos com cartas, epístolas e 4 evangelhos escolhidos (dos 14) do cristianismo primitivo, no Concílio de Niceia (Turquia) no ano de 315.
A grande oposição aos hebreus continuava a ser o islamismo, fundado por Maomé, casado com uma rica comerciante, para combater o domínio judaico das rotas comerciais do Levante e da Península Arábica - desde o ano de 610 dc.
Os judeus temiam a qualquer momento uma aliança já tentada pelos Templários (com um fim trágico). Jacques Molay, grão-mestre da Ordem do Templo teria percebido que a verdadeira ameaça aos cristãos seriam os judeus - que se auto-proclamavam o único povo escolhido por Deus (até hoje!) para ser salvo no final dos tempos.

Entre os primeiros proprietários, conhecidos, do termo de Almada está o Almoxarife das Alfândegas, do rei D. Fernando, David Negro (David ibn Yaḥya Negro ben Gedaliah (ha-Rab shel Sefarad)

Brasão da família Abravanel (em hebraico: אברבנאל)
Quem eram esses judeus?
Judah Abravane
era membro de uma das famílias judaicas mais ricas e distintas da Península Ibérica. Judah foi tesoureiro real e conselheiro financeiro direto de D. João I.
A sua enorme fortuna pessoal permitiu-lhe financiar operações militares da Coroa e fornecer o capital necessário para os preparativos da expedição à conquista de Ceuta em 1415.
Moisés Rava
era físico-mor (médico pessoal) do rei D. João I e homem de grande confiança na corte.
Além da medicina, atuava como embaixador e diplomata. Pela sua posição privilegiada junto do monarca, intercedia frequentemente em favor da comunidade judaica e geria importantes negócios e propriedades na capital.
David Negro
Havia sido Rabi-Mór e tesoureiro de D. Fernando I. Embora tenha tido uma posição ambígua durante a crise de 1383-1385, a família Negro continuou a ser uma das mais prósperas e influentes em Lisboa durante o início do reinado de D. João I, detendo grandes propriedades na Judiaria Grande de Lisboa.
Joseph Abarbanel
Grande comerciante e banqueiro radicado em Lisboa. Dominava as redes de comércio internacional e de câmbios entre Portugal, a Flandres e a Itália, financiando grandes mercadores portugueses e a própria casa real.
Jehuda Cresques
Cartógrafo e cosmógrafo de renome. Embora tenha chegado a Portugal já na fase final da vida de D. João I (contratado pelo Infante D. Henrique), era uma figura de enorme prestígio e recursos, fundamental para o planeamento científico das navegações.
Estátua do famoso cartógrafo judeu nascido em Maiorca. Ele é célebre pela coautoria do Atlas Catalão de 1375 com seu pai Abraham Cresques e que terá coordenado os primórdios da expansão marítima portuguesa
Como exerciam o seu poder em Lisboa?
Estes homens residiam maioritariamente na Judiaria Grande de Lisboa (na zona da atual Rua da Judiaria e Bairro Alto/Baixa). O seu poder advinha de três fatores principais:
Arrendamento de Impostos (Rendas da Coroa): Eram eles que adiantavam dinheiro vivo ao Rei e, em troca, cobravam as taxas sobre o comércio e produtos em Lisboa.
Medicina e Diplomacia: O acesso direto aos aposentos reais como médicos garantia-lhes uma influência política que nenhum outro súbdito comum possuía.
Financiamento da Expansão: A conquista de Ceuta em 1415 só foi financeiramente viável graças aos empréstimos e à gestão de crédito concedida por estes grandes financeiros judeus de Lisboa.
Esta influência conjugada da comunidade judaica (ignorada pelo corte portuguesa com total ingenuidade) conduziu-nos ao desastre de Alcácer Quibir.
Ali morreram os 3 reis da batalha : D. Sebastião – morto em combate. Abu Abdallah (Sultão deposto de Marrocos) afogou-se no rio Mocazim ao tentar fugir do campo de batalha. Abu Marwane Abd al-Malik (Sultão de Marrocos em título) morreu no início da batalha devido a uma doença grave que já sofria . Uma tragédia para Portugal e para o Magrebe. jrr

Jason Arday, desapareceu o mais jovem professor negro de Cambridge
A pressão pública mata
A dúvida e a pressa no julgamento público podem ter precipitado o fim trágico de Jason Arday, encontrado sem vida a 14 de agosto na sua residência em Battersea, em Londres, na sequência de uma vaga implacável de acusações de plágio e fraude curricular
O caso do sociólogo que se tornou o catedrático negro mais jovem de sempre em Cambridge expôs a velocidade com que a aclamação pública se pode transformar num linchamento mediático e digital destruidor, levantando sérias questões éticas sobre a falta de presunção de inocência, o cancelamento sumário e o impacto devastador de campanhas públicas de descrédito sobre a saúde mental.
A família de Arday expressou profundo choque, declarando que o sociólogo sucumbiu ao peso de uma campanha contínua de desinformação e abuso. O caso gerou uma comoção internacional e reabriu um aceso debate no Reino Unido sobre a pressão no meio académico, o impacto do escrutínio mediático implacável na saúde mental e as tensões em torno das políticas de diversidade
e representatividade racial no ensino superior.
Pouco antes da sua morte, Arday acabou por apresentar a sua demissão da Universidade de Cambridge a 5 de agosto de 2026, na sequência do anúncio de abertura de um inquérito formal às suas qualificações, afirmando ter atingido o limite humano perante o ataque sistemático e linchamento público, apesar de rejeitar veementemente qualquer conduta imprópria intencional.
O académico tinha-se tornado alvo de um intenso escrutínio público e mediático após surgirem denúncias que apontavam para passagens idênticas e falta de referenciação na sua tese de doutoramento, concluída na Liverpool John Moores University, e noutros trabalhos académicos, a par de questionamentos sobre o seu currículo e narrativas pessoais de conquistas desportivas e de angariação de fundos.
Jason Arday (1985–2026) foi um sociólogo britânico que alcançou notoriedade mundial em 2023 ao tornar-se, aos 37 anos, o professor catedrático negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge. A sua trajetória era celebrada como um símbolo inspirador de superação, pois, diagnosticado na infância com autismo e atraso global do desenvolvimento, só aprendeu a falar aos 11 anos e a ler e escrever aos 18, tendo chegado ao topo da academia britânica como especialista em sociologia da educação, desigualdade e relações raciais.

Sócrates: temos um homem
a caminho de ser mártir
O arrastamento do processo que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, há mais de uma década, deixou de ser um caso de aplicação da justiça para se transformar num espetáculo inaceitável.

Assiste-se a um cenário incompreensível: jornalistas a exiberem o acesso direto a documentos trancados a sete chaves num cofre-forte da justiça
Estas fugas de informação cirúrgicas e sistemáticas revelam uma conivência perigosa entre elementos do aparelho judicial e a comunicação social, transformando o segredo de justiça numa comédia.
Ao ser alvo desta máquina de trituração, José Sócrates começa, inevitavelmente, a erguer-se como um mártir da justiça portuguesa.
A forma como têm sido atropelado ao longo dos anos, faz de José Sócrates, símbolo dos injustiçados. Um espelho desconfortável do sistema judicial.
Para quem ainda acredita na história dos 35 milhões, vale lembrar que um Berardo (nos seus 990 milhões de dívida confessada da Fundação na Assembleia da República) seria o equivalente a 28 Sócrates. Se algum dia forem provadas as acusações contra o "menino de ouro" do PS. jrr

USS Abraham Lincoln entre o lucro e o esgotamento
pergunta: o dilema de Trump pode acelerar o fim da política belicista que nos faz pagar a gasolina tão cara?
A boda de Trump à indústria de defesa próxima da esfera política contrastam com o desgaste crónico das Forças Armadas americanas.
O ataque com drones e mísseis Houthi repelido pelo USS Abraham Lincoln ilustra a vulnerabilidade operacional e a exaustão naval provocadas por conflitos intermináveis no Médio Oriente.

Décadas de destacamentos ininterruptos e operações navais permanentes geraram contratos bilionários para a indústria de defesa e do complexo militar-industrial - frequentemente associada a doadores e grupos de pressão ligados a esferas políticas, incluindo figuras próximas do círculo de Donald Trump.
Os fabricantes de armamento e fornecedores logísticos registam lucros recorde com a reposição de mísseis e a manutenção naval, mas o custo humano e material recai diretamente sobre a capacidade operacional das Forças Armadas americanas
Enviado para o Médio Oriente para dissuadir o Irão e proteger as rotas marítimas no Mar Vermelho e Golfo de Omã, o grupo de combate do Lincoln enfrentou múltiplos ataques de mísseis de cruzeiro e drones lançados pelas forças Houthi do Iémen.
O caso do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln (CVN-72) tornou-se um dos exemplos mais evidentes desta pressão.
O Pentágono tenha confirmou que os contratorpedeiros de escolta interceptaram com sucesso todos os projéteis e que o porta-aviões USS Abraham Lincoln não sofreu danos. Mas a intensa campanha de propaganda adversária explorou o evento para questionar a invulnerabilidade dos navios capitais americanos.

Mais do que o risco tático imediato, o episódio do USS Abraham Lincoln expôs o desgaste crónico da Marinha dos EUA.
A extensão sucessiva de missões em teatros de alto risco provoca exaustão extrema das tripulações, adia ciclos vitais de manutenção nos estaleiros e reduz a prontidão estratégica global da frota, revelando o fosso entre o lucro político-empresarial e o esgotamento efetivo dos meios militares. jbl


AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS E A MINHA REVOLTA:A idade e a vida domesticaram o meu espírito revolucionário. Hoje, desiludido com aquilo que a política nos oferece, cansado de escutar medíocres e gente vulgar que são líderes de capelas partidárias, cansado da demagogia barata, do populismo sebosos, vivo em abstenção.
Não os vejo, não os escuto, numa manifestação militante de mudar de canal de televisão cada vez que um deles aparece. Porém, no fundo das minhas forças dei por mim a vibrar com um grito de revolta. Os combustíveis vão aumentar, outra vez, na abertura desta semana. AUMENTAR! Neste momento, o barril de petróleo está ao preço de antes da guerra de Trump contra o Irão. Em vez baixar, as empresas aumentam os preços com a cumplicidade do Governo e dos partidos da Oposição.
Silêncio absoluto. Compromisso com as grandes empresas petrolíferas, sem compaixão pelos consumidores. É infame! Um insulto a quem trabalha!
D. Manuel I retratado em quadro anónimo

È possível saber como era fisicamente o rei D. Manuel I se for comprovada a encomenda na Flandres do painel Fons Vitae apresenta em primeiro plano a família real em oração. Em destaque para o próprio monarca, a sua segunda esposa Maria de Aragão e Castela e os respetivos infantes e infantas, ladeando o corpo de Jesus Cristo morto, a Virgem Maria e o apóstolo São João em torno de uma fonte onde se acumula o sangue das chagas divinas.
Esta obra anónima da escola flamenga, realizada entre 1515 e 1517 e atribuída por peritos a Colijn de Coter ou a Bernaert van Orley, constitui uma das mais celebradas peças de pintura a óleo sobre madeira da época, encontrando-se atualmente no Museu da Misericórdia do Porto após ter integrado o retábulo da capela da confraria na Sé Catedral da mesma cidade.
Construída como uma alegoria da Eucaristia num período de intensas trocas comerciais entre o Porto e o norte da Europa, a composição guarda forte paralelismo iconográfico com o Tríptico do Banho Místico de Jean Bellegambe e com uma pintura do século XVII na capela das Santas Chagas da Igreja da Cividade, em Braga, marcada pela citação de Isaías sobre as fontes da salvação. António Brás
Seu Título
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Enigma persiste:
Amadeo Souza-Cardoso
em sotãos americanos
O Salto do Coelho era um dos quadros mais procurados de Amadeo Souza-Cardoso e foi comprado pelo Art Institute of Chicago de Chicago. Mais de cem anos após a morte do pintor circulam rumores sobre paradeiros desconhecidos dos seus quadros.
Variações e estudos menores enviados para a digressão de Boston e Chicago mantêm lacunas completas de proveniência, alimentando até hoje o mito das telas perdidas em sótãos e coleções anónimas americanas.
A história de Amadeo Souza-Cardoso na América começa no Armory Show de 1913 (a mítica International Exhibition of Modern Art em Nova Iorque, Chicago e Boston) que foi a grande montra internacional de Amadeo de Souza-Cardoso.

O Salto do Coelho foi pintado em 1911, mede 50 cm de altura por 61,3 cm de largura.A pintura pertence ao Art Institute of Chicago de Chicago
Amadeo foi um dos artistas mais bem-sucedidos do evento, vendendo sete das oito pinturas que levou aos Estados Unidos. No entanto, essa consagração deu início a um dos maiores mistérios da arte moderna portuguesa: o rasto perdido de várias dessas obras.
O Sucesso e a Dispersão Imediata
Amadeo participou a convite de Walter Pach com oito obras modernistas (incluindo composições com lebres, caçadores e naturezas-mortas cúbicas/futuristas).
Entre os compradores encontravam-se grandes pioneiros do colecionismo moderno americano, como Arthur Jerome Eddy e John Quinn. Com a morte precoce de Amadeo (1918) e o falecimento posterior destes primeiros compradores
nos anos 1920, as suas coleções foram a leilão e dispersaram-se pelo mercado privado norte-americano sem registos fotográficos detalhados da época.
O Enigma do "Saut du Lapin"
A Tela Mais Cobiçada: A pintura a óleo "Saut du Lapin" (O Salto do Coelho, c. 1912-1913) e outras composições cubistas de caça estiveram dadas como paradeiro desconhecido durante quase um século.

Durante décadas, historiadores de arte portugueses (como José-Augusto França) e equipas da Fundação Calouste Gulbenkian tentaram cruzar os números de catálogo do Armory Show com leilões em Nova Iorque, Chicago e Filadélfia.
A obra Saut du Lapin e o óleo Château-Fort acabaram por ser localizados décadas depois em coleções privadas nos EUA (como no Art Institute of Chicago e coleções particulares), sendo mais tarde exibidos em retrospetivas internacionais. JBL
FMI afasta economista Ricardo Reis por criticar Trump
O FMI preparava-se para anunciar o economista português como novo economista-chefe, mas recuou depois de recuperar declarações em que criticava o impacto das tarifas de Donald Trump

O economista português Ricardo Reis foi pré-selecionado para o cargo de economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a sua nomeação foi cancelada antes do anúncio oficial.
Segundo o Financial Times, a decisão deveu-se a declarações públicas anteriores de Reis contra a política tarifária da administração de Donald Trump.
O docente da London School of Economics havia afirmado que as taxas aduaneiras aplicadas à União Europeia prejudicariam os consumidores norte-americanos e impulsionariam a inflação.
Em seu lugar, o FMI nomeou Silvana Tenreyro, também professora na mesma instituição, cujas posições públicas sobre as políticas económicas dos Estados Unidos foram consideradas mais moderadas.
Ricardo Reis não quis comentar o assunto. O FMI afirmou que a seleção decorreu através de um processo competitivo regular. Os Estados Unidos são o maior acionista da instituição. jlb
ERC afirma: Governo controla LUSA
O Conselho Regulador da ERC determinou que a atual estrutura da agência Lusa não cumpre o quadro normativo nem as recomendações de independência para a comunicação social pública face ao poder político.
Na sequência de uma queixa do Sindicato dos Jornalistas (SJ), a entidade reguladora considerou que as regras estatutárias devem ser definidas pela Assembleia da República e não por deliberação do Governo, tendo ainda instaurado um procedimento autónomo para avaliar o impacto concorrencial das sinergias com a RTP.
O SJ defendeu que o processo legislativo acolha este parecer para assegurar a conformidade com a Constituição e com o Regulamento Europeu relativo à Liberdade dos Meios de Comunicação Social.
A falta de independência face ao poder político decorre dos seguintes pontos:
Método de fixação dos estatutos: As regras estatutárias da agência foram aprovadas por mera deliberação do poder executivo (governo), em vez de terem sido fixadas por lei da Assembleia da República (o parlamento).
Vulnerabilidade a interesses partidários: Por terem sido definidos diretamente pelo executivo, os estatutos ficaram sujeitos à discricionariedade do governo de turno, em vez de estarem blindados por garantias legislativas amplas.
Incumprimento de normas e boas práticas: A estrutura adotada não respeita o quadro normativo, as recomendações internacionais nem as salvaguardas exigidas pela Constituição e pelo Regulamento Europeu relativo à Liberdade dos Meios de Comunicação Social para proteger a autonomia da redação.
Alemanha vitória histórica na Saxónia-Anhalt
Extrema-direita pró-rússia com 43% na Alemanha
O fim do apoio militar e financeiro à Ucránia e aproximação imediata à Rússia são as duas grandes metas do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) que ganhou as eleições no estado federado da Saxónia, na Alemanha, com 43,8 por cento dos votos. O AfD tem sido acusado com frequência de ser financiado pelo bilionário americano Elon Musk da X, Tesla e SpaceX
Quais são os pontos principais do programa do ADF
Imigração zero e remigração: Defesa do encerramento de fronteiras com controlo físico rigoroso, suspensão total de novos pedidos de asilo e aplicação de programas de repatriação em larga escala de cidadãos estrangeiros sem direito de residência ou condenados por crimes.
Euroceticismo radical e "Dexit": Oposição contínua às diretrizes da União Europeia, propondo o regresso de competências nacionais, a rejeição das dívidas mútuas europeias e, em último caso, a realização de um referendo sobre a saída da Alemanha da UE ou o abandono do Euro.
Reversão total da transição ecológica (Klimawahn): Fim imediato dos subsídios estatais a energias renováveis, cessação das proibições de veículos a combustão e reativação plena das centrais nucleares e a carvão, rejeitando as metas climáticas do Acordo de Paris.
Geopolítica pró-Moscovo e fim de sanções: Fim do apoio militar e financeiro à Ucrânia, normalização total das relações comerciais e energéticas com a Rússia (incluindo o regresso do gás russo barato) e desconfiança face à influência dos EUA e da NATO.
Defesa da identidade cultural tradicional: Rejeição veemente do multiculturalismo e das políticas de identidade de género e promoção do modelo familiar tradicional através de incentivos à natalidade exclusivos para cidadãos de nacionalidade alemã.
José Saramago: a leitura não é obrigatória
"Vou expor uma teoria que tenho sobre a leitura, uma teoria que não é muito popular; poder-se-ia até dizer que não é politicamente correta. É que a leitura não é obrigatória. Ler não é obrigatório. Posso perguntar a um rapaz:
"Olha, por que você não lê? Não gosta de ler?". E ele pode responder: "Não, não gosto". E eu direi: "Você não percebe o que está perdendo?".
Mas imaginemos que esse rapaz seja um mergulhador e me responda: "E o senhor não percebe o que está perdendo por não mergulhar?". E ele tem razão. Isso quer dizer que não devemos ler? Não, não quero dizer isso.
O que quero dizer é que não vale a pena inventar desculpas ou explicações para algo que está muito claro desde que o livro existe.
A leitura não é uma obrigação. A leitura é uma devoção, é uma paixão, é um amor". José saramago
A nova fraude nacional-socialista (nazi) alemã
Alice Weidel
Assumida lésbica está contra a homosexualidade na Alemanha
A História volta a repetir-se, Alice Weidel, líder de extrema-direita AdF declara-se contra a homossexualidade, mas identifica-se publicamente como lésbica e vive numa união civil com a sua companheira Sarah Bossard, produtora de cinema.
Weidel também afirmou considerar o aumento no número de islâmicos na Alemanha uma ameaça aos homossexuais


É contra a adopção de crianças por homossexuais mas adoptou duas crianças com a sua companheira Sarah Bossard.
É contra a imigração mas a sua companheira Sarah Bossard nasceu no Sri Lanka e foi adotada em criança por uma família suíça, crescendo na Suíça e detendo a nacionalidade helvética. Quando vivem na Suíça, Weidel é cidadã estrangeira residente e na Alemanha, Bossard tem estatuto de estrangeira/imigrante.
Alice Weidel diz-se patriota alemã mas reside no cantão suíço de Schwyz, onde vive com a companheira e os dois filhos. Anteriormente, residiam em Biel/Bienne.

No estado de Baden-Württemberg, junto ao Lago de Constança, mantém residência oficial para ter base eleitoral na Alemanha e apoio ao tempo de trabalho em Berlim devido às funções no parlamento (Bundestag).
Recorde-se Adolf Hitler, nasceu em Braunau am Inn, uma pequena localidade no estado da Alta Áustria, junto à fronteira com a Alemanha (Baviera), a 20 de abril de 1889. jrr
Ascensão de Adolf Hitler
A manipulação da Democracia
O surgimento e a radicalização (1919–21)
O Partido Nacional Socialista de Hitler
Após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, Hitler juntou-se ao insignificante Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP), em Munique. Graças à sua oratória agressiva e populista, assumiu rapidamente o controlo do grupo, transformando-o no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, ou Partido Nazi). Criou também as SA (Sturmabteilung), forças paramilitares responsáveis por intimidar opositores nas ruas.
A tentativa de golpe e nova estratégia (1923–25)
Em novembro de 1923, tentou derrubar o governo da Baviera no chamado Putsch da Cervejaria. O golpe fracassou e Hitler foi condenado a prisão, onde redigiu o primeiro volume de Mein Kampf ("A Minha Luta"). Libertado ao fim de apenas nove meses, percebeu que a conquista do poder não seria feita pelas armas, mas sim através dos mecanismos legais da democracia de Weimar.
A Grande Depressão e o sucesso eleitoral
(1929–32)
O colapso económico global de 1929 mergulhou a Alemanha no desemprego em massa e na miséria. O Partido Nazi explorou o ressentimento popular contra o Tratado de Versalhes, a instabilidade política e o receio da expansão comunista. Com a ajuda da propaganda liderada por Joseph Goebbels, o partido passou de força marginal à maior bancada no parlamento (Reichstag) em 1932.
A chegada a chanceler (30 de janeiro de 1933)
Políticos conservadores e industriais convenceram o envelhecido Presidente Paul von Hindenburg a nomear Hitler chanceler, acreditando ingenuamente que poderiam controlá-lo e conter a ameaça de esquerda.
O Incêndio do Reichstag
e a suspensão de liberdades (fevereiro de 1933)
Quatro semanas após tomar posse, a 27 de fevereiro de 1933, o edifício do parlamento alemão foi consumido pelas chamas. O regime culpou imediatamente uma conspiração comunista e aproveitou o incidente para aprovar o Decreto do Incêndio do Reichstag. Este decreto suspendeu as liberdades civis básicas (liberdade de imprensa, de reunião e inviolabilidade da correspondência) e autorizou prisões arbitrárias em massa de deputados e ativistas de esquerda.
A Lei de Plenos Poderes e o fim da democracia (março–julho de 1933)
Sob um clima de ameaça e com muitos opositores já encarcerados, o parlamento aprovou a Lei de Plenos Poderes (Ermächtigungsgesetz). Esta lei retirava os poderes ao parlamento e permitia a Hitler governar por decreto, sem necessidade de aprovação legislativa ou constitucional. Nos meses seguintes, todos os outros partidos políticos e sindicatos foram dissolvidos e proibidos, restando apenas o Partido Nazi.
A Noite das Facas Longas e a fusão (1934)
Entre junho e julho de 1934, Hitler ordenou uma purga sangrenta conhecida como a Noite das Facas Longas, assassinando rivais políticos e a liderança das próprias SA (incluindo Ernst Röhm), garantindo a fidelidade incondicional do exército regular. Pouco depois, com a morte de Hindenburg em agosto de 1934, Hitler aboliu o cargo de presidente e fundiu-o com o de chanceler, proclamando-se Führer (líder) e comandante supremo das forças armadas. O Estado de direito foi definitivamente desmantelado, instaurando-se o regime totalitário do Terceiro Reich.
Um aviso chamado Guernica

Guernica (1937) é o mais contundente manifesto contra a guerra da arte moderna e um aviso da brutalidade anunciada do que viria a ser a política de Hitler.
Criado em resposta ao bombardeamento nazi da cidade basca homónima, o mural recusa representações literais de armas ou aviões para focar exclusivamente o horror imposto aos civis. Em tons estritos de preto, branco e cinzento, evoca o registo documental da imprensa da época num cenário de caos e claustrofobia.
O seu significado assenta em símbolos viscerais de dor e resistência: A mãe com o filho morto: encarna o luto absoluto e a perda da inocência.
O cavalo agonizante: representa o povo desmembrado pela violência mecanizada. O touro: traduz a brutalidade cega do autoritarismo e da tirania.
O soldado caído e a flor: no chão desfeito, a espada partida e a flor débil lembram a derrota militar e a ténue esperança de renovação.A lâmpada e a vela: confrontam a tecnologia destrutiva com a luz frágil da verdade e da consciência.
Pablo Picasso Figura cimeira das vanguardas e cofundador do cubismo, Pablo Picasso (1881–1973) revolucionou a pintura ao romper com a perspetiva clássica e fragmentar o espaço. Com Guernica, colocou a sua genialidade formal ao serviço direto do compromisso político antifascista. Numa recusa firme da ditadura, estipulou que a tela só regressaria a Espanha após a restauração plena da democracia — o que se concretizou apenas em 1981, integrando hoje o acervo do Museu Reina Sofia, em Madrid.


































