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Edição botequim.pt de 01 de Abril o a 06 de Abril de 2026, com actualizações diárias
Os azares portugueses de Saramago
Natália Correia disse que comparar Balada da Praia dos Cães de José Cardoso Pires, ao Memorial do Convento de José Saramago era "o mesmo que comparar um Opel com um Mercedes" - o Mercedes era, claro, o Memorial.

Há muita gente em Portugal a detestar José Saramago, sobretudo depois de ele ter recebido o Nobel da literatura. O prémio, ao dar-lhe projecção mundial projectou-o para dimensões intocadas o que se tornou abafante para muitos, muitos que, conhecendo-lhe a origem, a carreira, a ideologia, a aspereza, o orgulho, o talento não o suportaram, não o suportam - ainda.
Não podendo destrui-lo, desvalorizam-no; não conseguindo controlá-lo, limitam-no. Foi sempre assim, mesmo (sobretudo? ) nos meios intelectuais, académicos e políticos onde era subalternizado por não ter canudo, não dispor de obra, não ser obediente.
Os júris da Associação Portuguesa de Escritores recusaram, durante anos, premiá-lo - sendo vários deles seus camaradas de partido.
Recorde-se que preferiram, por exemplo, galardoar a Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires, ao Memorial do Convento, obra cimeira da nossa literatura. Isso levou Natália Correia a dizer que comparar um livro com o outro era "o mesmo que comparar um Opel com um Mercedes" - o Mercedes era, claro, o Memorial.
Ele só seria distinguido pela APE com o Evangelho Segundo Jesus Cristo quando, membro do júri, desempatei a votação argumentando corrermos o risco de fazer a mesma figura dos que preferiram A Romaria do Padre Vasco Reis, à Mensagem do Fernando Pessoa.
Enguiçado, o Evangelho seria impedido pelo titular da Cultura de então de concorrer ao Prémio Literário Europeu, por ofender a moral cristã, o que levou ao auto-exílio do autor na ilha de Lanzarote, em Espanha.
Distinguido com o Nobel, os espanhóis organizaram-lhe uma poderosa conferência de imprensa em Madrid apresentando-o como escritor ibérico, forma subtil de o puxarem para si, ultrapassando a inoperância de Portugal. Jorge Sampaio, presidente da República, tentou compensá-lo deslocando-se a Oslo para a cerimónia da entrega do galardão.
Medido por opções político partidárias, não por singularidades literárias, Saramago viu-se sempre condicionado (o Estado português alheou-se do seu funeral), deixando de ser, ao que agora se anuncia, leitura obrigatória no ensino oficial.
"Sou português porque sou filho de Portugal, mas também sou espanhol porque sou adoptado por Lanzarote", sublinhava-nos, " sinto-me como se fosse de um país aumentado que se prolonga até às Canárias, até ao Brasil, até África".
Sibilas fazem já ecoar: o Nobel de Saramago é um canto de cisne na literatura portuguesa.
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O triunfo da indiferença
durante 120 meses de copo na mão
Saramago foi celebrado no Largo dos Bicos

Um dos Copos por Saramago e por nós onde se vê Alípio de Freitas, Vitorino entre outros, foto tirada por mim

Os pioneiros do Copo no primeiro encontro em Setembro de 2010








De copo em punho, com bom vinho, o extraordinário José Saramago foi celebrado durante 120 meses seguidos, em Lisboa.
Admiradores, católicos ou maçons, todos de copo cheio. Um facto único no mundo. Dezenas de pessoas exultaram José Saramago, mas Pilar surgiu apenas quatro vezes, em 1o anos. Duas vezes para se juntar ao grupo por escasso tempo - porque é talvez pessoa muito atarefada - outras duas em fugazes aparições à janela da fundação, no largo dos Bicos.
Aos dias 16, 17 ou 18, conforme o calendário, os admiradores lá estavam no botilhão a beber e a ler passagens dos seus livros. Foram momentos extraordinários que a pandemia interrompeu, afastando as pessoas de um evento que fazia história e criava novos leitores e amigos.
Beberam-se mais de 440 garrafas de bom vinho. E o botilhão cresceu para um jantar e depois para uma saída à noite, por iniciativa das gentes de Espanhas, mais alegres e festivas.
"Um Copo por Saramago e por nós" devia de ser retomado Um país só é nação fraterna e feliz quando se escora na literatura, teatro, cinema, ballet, pintura, música ... na Cultura comungada. Expurguemos pois da nação os políticos ordinários e analfabetos. Que varreram as ruas, com o devido respeito pelo "almeidas". José Ramos e Ramos

O Presidente da República António José Seguro condenou firmemente o governo isra3lita por ter impedido o Patriarca de Jerusálem de celebrar missa na Igreja do Santo Sepulcro, classificando-o como um facto sem precedentes. Esta reação oficial sugere que o governo português poderá adotar no futuro uma atitude política crítica face a Isra3l.
Ao defender a liberdade religiosa como pilar democrático, o Estado sinaliza que não tolerará violações ao direito internacional. Esta posição demonstra também uma clara continuidade na proximidade à Igreja Católica, tal como sucedeu no mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.
A condenação do procedimento de Isra3l coloca também o presidente na rota das posições assumidas por Espanha.
O incidente serviu para clarificar que presidente português prioriza a proteção do património espiritual e os direitos das comunidades religiosas.
Portugal está envolvido na guerra no Irão
A Autoridade Aeronáutica Portuguesa quer mais esclarecimentos sobre os certificados dos pilotos que irão operar estes drones, bem como a área prevista para amaragem em caso de emergência. Estas questões foram dirigidas à embaixada dos EUA em Lisboa.

As perguntas "idiotas"
Armas como esta foram usadas pelos americanos no Afeganistão. E afinal qual foi o resultado?
Essa é uma questão que toca no centro da estratégia militar moderna e na própria ética da guerra. O uso intensivo de drones (como o MQ-1 Predator e o MQ-9 Reaper) pelos EUA no Afeganistão e nas regiões de fronteira foi motivado por uma mudança radical na forma de combater a insurgência.
Alcance e Persistência: Diferente de jatos tripulados, os drones podem sobrevoar uma área por até 24 horas seguidas. No terreno montanhoso e remoto do Afeganistão, isso era essencial para monitorar movimentos de grupos que se escondiam facilmente. E depois? Como ficou o Afeganistão?
Os drones foram apresentados como armas de "precisão extrema". A ideia era usar mísseis para eliminar líderes específicos sem precisar enviar um batalhão o que teoricamente reduziria o rastro da guerra. Não foi o ue aconteceu na escola iraniana onde um drone matou 165 crianças.
O Reaper é um drone classificado como MALE (Medium Altitude, Long Endurance), ou seja, voa a média altitude, mas mantém-se no ar durante longos períodos. Além disso, combina vigilância e reconhecimento com apoio a tropas no terreno.
Tornou-se uma peça central na guerra moderna porque reduz o risco humano direto, permite vigilância contínua durante horas ou dias e executa ataques rápidos e precisos.
O MQ-9 Reaper tem 11 metros de comprimento e uma envergadura de que pode ir até aos 24 metros, o equivalente a um avião comercial pequeno.
De acordo com o fabricante, os MQ-9A têm uma autonomia de mais de 27 horas e podem voar até 15.240 metros de altitude e transportar 1361 quilos de carga externa.
Este drone não é autónomo, sendo controlado por pilotos e operadores em bases terrestres. Pode também ser operado via satélite, o que permite missões globais sem risco direto para pilotos.
Trump vai invadir o Irão

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A guerra de Trump e Netan contra o Irão está à beira de uma catástrofe: o envio e 7 mil marines para um vespeiro. Por dia, custa aos americanos mil milhões de euros. Os EUA precisam de acbar com a guerra para ressuscitar a sua economia. O dólar está a ficar fraco.
A China já impõe no mercados internacionais a sua moeda, yuan, e precisa do petróleo do Golfo Pérsico - porque já perdeu o abastecimento da Venezuela, onde nada mudou com o sequestro de Maduro.
No contexto do Irão, o primeiro sinal de fraqueza de Trump foi a retirada do porta-aviões nuclear Gerald Ford, agora nas águas de Creta por causa de um incêndio na cozinha.
O Irão mantém-se firme, que continua a despejar drones na região, onde os EUA têm 25 bases militares. Os drones do Irão são máquinas baratas e eficazes: Os aviões dos EUA e de Isra3l são caríssimos . É o triunfo do pouco contra o muito, da astúcia contra a opulência.
Mesmo sem drones, será dificil transformar o país dos 90 milhões de persas noutra Faixa de Gaza. E os sucessivos ataques ao Irão apenas fortalecem a teocracia Xiita, que repete ao povo: "estão a ver quem vos vinha libertar?"
Trump é contraditório, inculto, desrespeitoso e não tem soluções para além dos ´resortes`. E Netan tem demasiados mísseis hipersónicos a cair em Isra3l. Na sua trapalhice infantil, Trunp acena também com uma intervenção em Cuba, como fuga, mas a Flórida não quer concorrência.
Trump e Netan transformaram-se, eles próprios, em grandes problemas. O mesmo acontece com Putin, que abriu a caixa de Pandora.
Qual o destino que a alta finança reserva, para breve, a Trump, Netan e Putin?
E os poderosos (que estão por detrás dos arbustos) vão apoiar a Europa? O Costa vai indicar-lhe o rumo que Portugal iniciou há 500 anos, quando abriu caminho para a India, Brasil, China e Terra Nova, hoje Canadá?
Depois do caos, os poderosos adoram os ciclos de prosperidade porque lhes enchem os bolsos e alimentam a vaidade. A.J.Breda
Duas dramáticas grandes reportagens na RTP
e o resultado?

Um regime a afundar-se
É o cidadão comum que tem culpa do despesismo administrativo, da ostentação nova-rica, das engenharias financeiras, dos branqueamentos dominantes?

Quando os responsáveis não têm argumentos para justificar os seus falhanços, costumam atirar com frases do género, a crise deve-se porque os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Depois ficam, enfáticos, a saborear o efeito, o complexo inibitório que provocam no mexilhão (nós).
Nas suas argumentações, as vítimas passam a culpados, os culpados a inocentes - e a salvadores.
Cada vez mais portugueses sabem, porém, que para viver dentro das suas possibilidades já lhes bastou o passado; sabem que não é a renunciar, a adiar que se dignificam enquanto à volta os dirigentes se banqueteiam insaciáveis; sabem que os pés de meia não são garantia de nada, que o melhor é viver a vida pelo melhor pois a mentira, a corrupção, o amiguismo, a demagogia, as impunidades tornaram-se totais.
Tirar a ética pela desfaçatez, o coração pele carteira, o pudor pelo exibicionismo são comportamentos irresistíveis (rendíveis) em tempos de bezerros de oiro – como se fizeram os actuais.
Viver dentro das nossas possibilidades significa, porém, o quê? Voltar à frugalidade (leia-se miséria) de outrora — na comida, na saúde, no agasalho, na assistência, na educação, na cultura, no conforto? ao não aquecimento no Inverno, aos abanicos no Verão, às meias solas nos sapatos, aos fatos virados, à carne duas vezes por ano, às sardinhas de barrica? Significa descrer dos que combateram pela democracia, pela liberdade, pela justiça?
Nenhum governante, nenhum intelectual veio a público dizer o que quer que seja sobre isso, explicar o que vai ser feito ao nosso futuro, e como vai ser feito.
Decididamente, os partidos políticos transformaram-se em partidos autistas, os órgãos de comunicação social em órgãos de adormecimento colectivo.
É o cidadão comum que tem culpa do despesismo administrativo, da ostentação nova-rica, das engenharias financeiras, dos branqueamentos dominantes? Como mobilizá-lo se ele apenas vê serem premiados os incompetentes (vejam-se os administradores que espatifam empresas e logo passam para outras), promovidos os subservientes, festejados os oportunistas, retribuídos os videirinhos, protegidos os corruptos?
As ajudas da Comunidade não foram comunitárias mas lobistas. Concentrações, tecnologias, sinergias, modismos não passam de ludíbrios para diluir-nos a afirmação, a resistência. De antepenúltimos, há 50 anos, no velho continente, passamos para últimos .
A distância entre nós e a Europa (somos o país dela onde mais se trabalha e menos se produz, onde menos se ganha e mais se paga) só aumentou com a integração.
Tijolo a tijolo, o edifício da utopia, sonhado pelos que lutaram contra a ditadura e, depois do 25 de Abril, pela democracia, vai sendo, sem pressa mas com rigor, desmoronado. Ironicamente, alguns dos que ontem prometeram o progresso, são os mesmos que hoje, ajudados pelas suas proles, o querem retroceder.
Tudo aquilo que (com sacrifício, com direito, com merecimento, com persistência) conseguimos juntar, corre o risco de ser penalizado. Combustíveis, portagens, patrimónios serão, ao que se anuncia, aumentados; salários, empregos, assistência, fragilizados.
Triste ironia ouvir, no ano 2026, que por abusos cometidos (por quem?), temos de voltar ao ciclo do cinto apertado, que tão penosamente marcou o século XX.
O fosso entre os integrados no regime e os excluídos dele não pára de crescer. O País fractura-se. Uma guerra civil — com outro nome, outras armas, outros afrontamentos, outras retóricas lavra subterraneamente, enquanto as orquestras de serviço aceleram acordes de um regime a afundar-se.
O mar foi a paixão comum
de D. Carlos e Alberto Grimaldi
Ao longo de décadas D. Carlos I e Alberto do Mónaco lançaram bases fundamentais para o estudo das profundezas oceânicas

Um extraordinário acontecimento ocorrido nos mares dos Açores em finais do século XIX projectou o arquipélago no mapa das grandes realizações científicas de então.
Protagonizando uma ousada campanha oceanográfica ao largo da ilha de São Miguel, o Rei D. Carlos e o príncipe de Mónaco, Alberto Grimaldi realizaram, à época, experiências decisivas para o conhecimento das correntes e habitat do Atlântico
Ambos os monarcas tinham a paixão da navegação, faziam desportos e seguiam os progressos ocorridos no estudo dos mares. Alberto do Mónaco era mesmo considerado um importante cientista na área.
O seu iate estava equipado com as melhores tecnologias, permitindo-lhe efectuar colheitas a mais de 5000 metros de profundidade. As quatro embarcações que possuiu ao longo de trinta anos deram um contributo fundamental para o incremento e expansão das ciências marítimas.
Ele gostava especialmente de trabalhar nos Açores, onde realizou onze campanhas, por a sua fauna ser muito rica e pouco conhecida. A localização do arquipélago permitia-lhe, por outro lado, encontrar facilmente um local de abrigo em tempo de tempestades.
As suas actividades influenciaram D. Carlos que equipou o seu iate Amélia com um inovador laboratório para pesquisas ao longo do Atlântico, levando à descoberta de inúmeras espécies. Esse espolio conserva-se actualmente no Aquário Vasco da Gama, em Lisboa.
Ambos tiveram grande influência, embora indirecta, na criação em 1880 do Museu de História Natural de Ponta Delgada - que guarda um núcleo precioso de peixes, mamíferos e crustáceos
Ao longo de décadas D. Carlos e Alberto do Mónaco lançaram, sem o saber, bases fundamentais para o estudo das profundezas oceânicas – que constituirão no futuro uma riqueza ímpar para Portugal.
Os Açores, mais do que por bases militares estrangeiras, afirmaram-se sempre nos planos cultural, científico e humanista.
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O actor mais velho do mundo
O ator nasceu a 1 de março de 1927, em Lisboa, e celebrou o seu 99.º aniversário no início de março de 2026. É oficialmente reconhecido como o ator mais velho do mundo ainda em atividade, um marco impressionante que ele continua a honrar com o seu regresso aos palcos.
É um acontecimento extraordinário! O Ruy de Carvalho, aos 99 anos, vai mesmo regressar aos palcos com a peça "A Ratoeira" no Coliseu Porto.
Data: O espetáculo está marcado para o dia 22 de abril de 2026, às 21h30. Este regresso acontece após um período de recuperação do ator, que sofreu um AVC em dezembro de 2025. Segundo o encenador Paulo Sousa Costa, foi o próprio Ruy de Carvalho quem mais insistiu para voltar a trabalhar.
A Peça: Trata-se do clássico de Agatha Christie. Ruy de Carvalho interpreta o papel de Major Metcalf. A escolha desta peça foi também estratégica, pois permite ao ator estar presente em momentos-chave sem a exigência física de uma permanência contínua e exaustiva em palco.
Bilhetes: Já se encontram à venda, com preços que variam entre os 28€ e os 35€ (dependendo do lugar, como plateia ou tribuna).
Notável, fantástico, muitos parabéns

Passar-a-Palavra de Francisco Moita Flores
BOMBEIROS-PARTEIROS
Francisco Moita Flores é o mais excecional novelista de TV da nossa história, um mestre que soube transpor a alma de Portugal para o ecrã com um rigor e uma vivacidade inigualáveis. Obras como a inesquecível "A Ferreirinha", ou a força de "Alves dos Reis". Aqui trazemos, palavras suas avisadas, de lucidez e a coragem de quem não teme dizer as verdades

Aquilo que, noutros tempos, era um caso estranho, está a tornar-se numa normalidade. As ambulâncias são com uma frequência anormal, verdadeiras salas de parto. As notícias tornaram-se vulgares.
Hoje foi com uma grávida da Moita. Um parto planeado, vejam bem. O hospital do Barreiro recusou a grávida, o hospital de Almada recusou-a também, e acabou ….no parque de estacionamento do hospital de Santa Maria. Dentro da ambulância. Não entendo isto. É indigno de país decente e asseado. Trazido do Face de Moita Flores

Passar-a-Palavra de Raquel Varela
os assassinos não têm salvação
De Raquel Varela, historiadora de formação, destacam-se obras fundamentais como "História do Povo na Revolução Portuguesa", "Breve História da Europa", e "O Futuro do Trabalho", onde analisa as precariedades da era moderna.
Aos cúmplices - porque os assassinos não têm salvação, que são os que normalizaram a IA como "mais uma ferramenta", como se em todas as ferramentas não fôssemos obrigados a perguntar para quê e para quem, que durmam mal o resto da vida.
"Segundo a Associated Press, há indícios de que a matança na escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, resultou de dados de inteligência desatualizados dos EUA sobre a Guarda Revolucionária.
Não será surpresa se vier à tona que a seleção incompetente de alvo e o assassinato de 165 pessoas –na maioria crianças– resultaram do uso de inteligência artificial (IA)." Marcelo Leite Folha de São Paulo via Sylvia Moretzsohn. Trazido do Face de Raquel Varela

Passar-a-Palavra de Margarida Davim:
três mulheres
Margarida David Ferreira é uma voz sólida do jornalismo televisivo em Portugal.cCom uma carreira pautada pela excelência na análise política e social, a sua presença no ecrã transmite uma confiança rara, fruto de uma preparação minuciosa e de uma dicção irrepreensível.
Fui ter com a Hortência, a Ana e a Márcia à pensão onde vivem há mais ou menos um mês, desde que foram despejadas pela Câmara de Odivelas. São três gerações de mulheres, com dois menores a cargo, na incerteza completa de quem se vê sem tecto.
Esta semana, na @revista_visao contamos a história delas e de muitas outras pessoas, cada vez mais pessoas empurradas para fora do jogo de especulação em que se transformou a habitação, num país em que a manta da habitação pública é cada vez mais curta e as câmaras apertam o cerco aos que estão nos bairros municipais para dar lugar a quem está há décadas em listas de espera, desalojando pobres para alojar outros pobres. trazido do Face de Margarida Davim

Passar-a-Palavra de Alexandra Prado Coelho
como é que o cinema pode mostrar o horror?
Impossível esquecer o sorriso de Fatima Hassouna (primeira imagem) no filme Com a Alma na Mão, Caminha, da realizadora iraniana Sepideh Farsi. Fatima foi morta, em Gaza, com toda a sua família, num ataque israelita, um dia depois de ter sido anunciado que o filme iria ao Festival de Cannes.

No podcast #No Escuro, do @publico.pt, eu e o @camaraescuro falamos dela a propósito de um outro filme que acaba de estrear, A Voz de Hind Rajab (fotos 2 e 3), que conta a tragédia de uma criança palestiniana sozinha num carro, rodeada por familiares mortos, e que pede ajuda ao Crescente Vermelho por telefone.
A realizadora, a tunisina Kahouter Ben Hania, justifica o uso das gravações e da voz real.
E nós discutimos os limites da ética, a mistura, ou não, de realidade e ficção, e até que ponto a eficácia de uma mensagem política deve sobrepôr-se a tudo o resto.
O documentário No Other Land, uma coprodução de palestinianos e israelitas (imagem 4), abre ainda mais o debate, que inevitavelmente chega ao Holocausto (na última imagem, o Filho de Saul) e à pergunta: como é que o cinema pode mostrar o horror? Podem ouvir-nos no site do Público ou nas plataformas de podcasts. trazido do Face de Alexandra Prado Coelho

uma unidade ibérica, que infelizmente não existe
A Europa e o Mundo ficam a conhecer melhor Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha. Além do seu rotundo "não à guerra",
Ele havia reconhecido o Estado da Palestina, clamara – e ei-lo agora a enfrentar o imperador Trump na questão dos acordos comerciais celebrados entre os dois países.
Devia a Europa saudar a ideologia, a firmeza e as convicções deste político que nos tange a partir de Espanha contra a fralda suja do mundo. E devia este triste governo português abrir os olhos, usar da razão e da consciência por esta voz que nos apela a uma unidade ibérica que infelizmente não existe, nunca existiu e não se sabe porquê. trazido do Face de João de Melo





o senhor é o salvador
o senhor é o salvador.amamentado, passe-se o termo de leite, na caixa do ponto e nos estreitos corredores dos teatros do parque mayer, havia entre plumas e piadas e correrias e caixas de maquilhagem e palmas e camarins um farol da minha meninice que à vez era a lanterna do
senhor meu pai. e em nunca lhe ter chegado ao colo, mil vezes o vi passar ao colo do ponto, na caixa à boca de cena, até ter idade e tamanho para me render em temperamento ao seu génio.
um dia tratei-o por 'pá'. ou 'tu', ou algo de parecido e de igual substância. em estéreo, eu e o meu irmão fernandinho à porta do camarim do eugénio só queriamos que ele soubesse que em o querendo tão bem o adorávamos ao ponto de lhe emprestar os nossos berlindes dos marrais, bilas ou ganhas.
e disse o mestre: 'vocês, os Mendes, são uns amores mas por causa da diferença de idade daqui para frente tratam-me por 'senhor Salvador'. e assim se fez e disso é feito. lembro-me de o ver soprar as velas do bolo, um 31 de março parecido com o de hoje, de lhe estar acotovelado não fosse ele deixar esquecida uma vela acesa por benesse. uma entre 118, agora que cuido das contas feitas.

Miguel sujeito a terapia anti-gay

Nos últimos dias, o país foi novamente confrontado com a história do Miguel Salazar e com o seu relato corajoso sobre os maus-tratos físicos e psicológicos que sofreu às mãos de sua mãe, Maria Helena Costa, ideóloga e dirigente do Chega.
Miguel foi submetido a "terapias" de conversão, como se a homossexualidade fosse uma doença que é preciso tratar. Em 2024, Portugal deu um passo importante ao proibir estas práticas. Hoje, no plenário do Parlamento Europeu, será debatida a proibição das terapias de conversão na União Europeia.
Este debate nasce através de uma iniciativa de Cidadania Europeia, que recolheu mais de um milhão de assinaturas contra estas "terapias".Porque ninguém precisa de ser "curado" ou deve ser punido por ser quem é. Porque dignidade não se negocia.Porque os direitos humanos não têm fronteiras.Quando há direitos humanos em risco, são os direitos de todos que estão ameçados. trazido face Ana Caytarina Mendes
José Marques Vidal
resume 'O Herói Esquecido'
"Recriar a história de um ser humano desaparecido há quase século e meio, que com 16 anos começou a combater no Rossilhão, depois nas Invasões Francesas e na Guerra Civil entre Miguelistas e Liberais é um bico-de-obra, porque a realidade de uma vida aventurosa e sedutora, pois casou quatro vezes, supera sempre a imaginação a quem procura suprir-lhe as lacunas pelo recurso à inventiva.
Motivado pela recta intenção de retratar um herói do povo do meu concelho, ignorado pela História que é fértil em bajular os grandes e esquecer as massas anónimas que lhe sustentam a glorificação, corri o risco de, levado pela imaginação, deturpar os passos e sentimentos reais da vida de João Ferreira de Vasconcelos, que teria sido homem de muitas mais virtudes do que as que lhe atribuo na pele de João do Préstimo."

O afável director da Judiciária
José Marques Vidal prepara-se para lançar "O Herói Esquecido", uma obra que promete resgatar do silêncio figuras e episódios cruciais da nossa história. Fora dos holofotes, Marques Vidal foi sempre um homem afável, mas no terreno revelou-se um estratega empenhado no combate ao crime sem tréguas. O antigo diretor da Polícia Judiciária somou polémicas, é certo, mas fê-lo sempre com uma clareza rara, sem nunca se esconder atrás de jogos de palavras.

O elogio da estupidez de Felipe de Melo
O caso Eva Cruzeiro: do insulto do Chega à distração do PS
A loucura está à solta na Assembleia da República e o caso da deputada Eva Cruzeiro é o exemplo mais evidente. Um deputado do Chega, Filipe Melo, decide mandar uma deputada "para a sua terra", por causa da sua cor de pele e a resposta do sistema foi um insulto aos eleitores portugueses.
Em rigor, o deputado Felipe Melo tem estado associado a vários comportamentos muito censuráveis. Por exemplo, os beijos para Isabel Moreira, em plena sessão da Assembleia da República.
Por causa do vai para a tua terra, Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista, acusou o deputado do Chega de racismo e xenofobia. E o que faz a comissão parlamentar nomeada para o assunto? Sancionou Eva Cruzeiro, por considerar a resposta da deputada "desapropriada".
Pior, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista afirma agora que votou por distração a favor da sanção, contra a deputada. Foi "por engano".
E elogio da loucura do Chega já contaminou o Partido Socialista. josé ramos e ramos
Cartoonistas americanos riem de Trump e Companhia










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Fui a Paris para ver Renoir
Fui visitar de propósito o Museu d'Orsay, em Paris, para ver o quadro "O Baile no Moulin de la Galette", de Renoir, que tanto me apaixona, até porque o museu faz 40 anos desta casa de luz. Que tempo este, em que a matéria se faz claridade! A obra é o coração de "Renoir e o Amor", onde o mundo parece uma manhã eterna.
Em Montmartre, o povo dança sob um sol que pinga das árvores, criando manchas de ouro na carne e nos trapos. É uma modernidade alegre, de pincelada fluida, celebrando o baile e a vida no seu 150.º aniversário.
Mas, entre tanta claridade, espreita a sombra. "O Desesperado" de Courbet, vindo de mãos privadas, olha-nos com olhos de abismo. Tu sentes o contraste?De um lado, o riso que flutua no ar de Paris; do outro, o grito mudo de um homem que se rasga.
O museu é este lugar onde o contentamento se cruza com a dor mais funda, oferecendo-nos a angústia de um e o esplendor de outro. Vós que passais, vede como a tinta ainda pulsa, quente e terrível.
J.P.Saragoça
Estamos fritos com a IA?




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De novo o Lago dos Cisnes
Marta Cinta recorda coreografia
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A Nova VISÃO
de Margarida Davim
Os jornalistas da Visão planeiam um negócio "prudente e realista" para os próximos dez anos. A estratégia foca-se na viabilidade económica, evitando riscos financeiros desnecessários.

A meta de 200 mil euros foi atingida para permitir a compra do título em leilão.
Gaza está arrasada
agora segue-se o Libano
https://youtu.be/828CNVdQZ1I?si=OqIvzQfoi1FWLQLH
Os palestinianos morrem de sede sob um céu de fogo, enquanto a água lhes é roubada pela mão de ferro que tudo boicota. É o horror puro: eles não têm pão, eles não têm combustível, eles não têm nada senão o pó da destruição. Em Telavive, vive-se o brilho fútil de uma cidade europeia; ali mesmo ao lado, na Faixa de Gaza, morre-se com a crueza do Sudão do Sul. Nós olhamos e nada fazemos.
Tu sentes o aperto na garganta perante este silêncio? Vós, que detendes o poder, permitis que eles sejam reduzidos ao nada. É inaceitável que uns habitem o conforto enquanto outros se finam na lama da miséria. A morte por sede é a mais lenta das demolições humanas. Raul B. Gomes
https://youtu.be/3RT_0wBThns?si=OG-psgrEMaCgboK5
Menina carrega irmã em busca de auxilio
O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. As crianças estão a morrer de fome em casa enquanto os bombardeamentos incessantes reduzem a pó os acordos inúteis assinados em gabinetes distantes.
https://youtu.be/2oDByFG1jVk?si=L_eC60dKFGyYkYf8
O drama da Estátua da Liberdade




China lidera 'ranking' mundial de universidades
https://youtu.be/Cs45UV_DUIw?si=nEhhAa2ikP32KHD_
https://youtu.be/qdlEqd30MYM?si=LIlQS5xZDiNbnjxX
https://youtu.be/m4AZcZKpf-s?si=3j6svEpH-EH__j9u
A China lidera agora o ranking mundial de universidades, consolidando a sua hegemonia no conhecimento e na inovação tecnológica. Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global.
Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
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Natália Coreia
"este é o País que a dor inventa"
Este é o país que a dor inventa. / Onde a luz é um punhal de mansidão. / E o povo que em silêncio se alimenta. / Do pão que amassa com a solidão.
Devo-me eterna vendida em hasta pública
Dos olhos tomai pranto, é boa rega,
já que a chorar por vós vos dei fartura.
Dos ouvidos, silvos que os ocuparam,
tomai que até farelo pus em música.
Nos fúlgidos milagres da pombinha
embua-se o divino no profano.
Tomai polme a ferver de ilhoa irada,
mesmo o coice que dá depois de morta.
Eu deito fogo para não ser queimada.
Mas serva e cerva sou por trás da porta.
Tomai gestos que são dos sete palmos
e para vermes eu não ponho a rubrica.
De publicar-me em pó estais perdoados.
Devo-me eterna vendida em hasta pública
Sobre o poema
A Rebeldia: Ela afirma que "deita fogo para não ser queimada", uma metáfora da sua vida de intervenção constante contra o sistema.O Desprezo pela Morte: Ao dizer que não "põe a rubrica" para os vermes, Natália reafirma que a sua essência (a poesia) não morre com o corpo.A "Hasta Pública": É uma ironia sobre como a obra de um poeta, após a morte, passa a pertencer a todos, sendo discutida e "leiloada" pelo público.

Este é o País que a dor inventa
Este é o país que a dor inventa. / Onde a luz é um punhal de mansidão. / E o povo que em silêncio se alimenta. / Do pão que amassa com a solidão. / Ó pátria de naufrágios e de lendas. / Onde o mar é o limite do desejo. / Abre as janelas, tira as tuas vendas. / E vê o sol no último bocejo. / Porque a vida é um fogo que se acende. / No peito de quem nunca se rende.

Um dos poemas de Natália Correia com maior carga de intervenção social — e que se tornou um hino contra a repressão do Estado Novo — é a "Queixa das Almas Jovens Censuradas".
Este poema é uma crítica feroz à forma como a ditadura tentava "domesticar" a juventude, oferecendo uma educação vazia e um futuro sem liberdade. Foi mais tarde imortalizado pela voz de José Mário Branco.
Queixa das Almas Jovens Censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade.
Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa história sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo.
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
Dão-nos marujos de papelão
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte.

Em 1982, durante um debate sobre o aborto, o deputado João Morgado afirmou que "o ato sexual é para fazer filhos". Natália pediu a palavra e, de improviso, declamou:
"Já que o coito — diz Morgado —
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou — parca ração! —
uma vez.
E se a função
faz o órgão — diz o ditado —,
consumada essa exceção,
ficou capado o Morgado."
Este episódio ficou para a história como um dos momentos de maior irreverência e inteligência na resposta ao conservadorismo da época.
Jóias Dinásticas
no Hotel de la Marine, em Paris

Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, é um proeminente coleccionador do Qatar e um apaixonado por arte e um grande mecenas.
Este Príncipe lembra a família Medici, que governou Florença e depois a Toscana até 1737, com alguns intervalos no meio. Além de muitos empreendores, os Medicis amavam arte e como mecenas financiavam e investiam em arte.
MEDICI: MASTERS OF FLORENCE (Starring Richard Madden) - Official Trailer
O espólio "Tesouros da Colecção Al Thani" do Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani está exposto permanentemente em quatro galerias do edifício histórico, Hotel de la Marine, na Place de la Concorde, em Paris. A colecção inclui 120 obras de arte excepcionais, desde a Antiguidade até ao século XIX.
A Colecção Al Thani no Hôtel de la Marine
Esta magnífica colecção tem um direito de uso por 20 anos sobre um espaço expositivo no Hotel de la Marine, este espaço museológico apresenta as obras de arte provenientes de toda a colecção, além de acolher uma série bienal de exposições temáticas e empréstimos individuais de museus internacionais.
O espaço museológico é o resultado de um acordo de longo prazo entre a Fundação da Colecção Al Thani e o Centre des Monuments Nationaux (CMN), responsável por este edifício histórico emblemático.
Até Abril de 2026, a Colecção Al Thani, no Hotel de la Marine, em Paris, apresenta o terceiro capítulo de uma trilogia de exposições organizada em colaboração com o Victoria and Albert Museum, a mostra: Jóias Dinásticas.
Após as duas edições anteriores, dedicadas respectivamente às artes da Idade Média e do Renascimento, esta exposição agora patente no Hotel de Paris, reúne jóias magníficas, raras, históricas e de grande importância, provenientes tanto das colecções do prestigiado museu londrino Victoria & Albert quanto da Colecção Al Thani, muitas das quais são exibidas na França pela primeira vez.

Ainda bem, que este magnífico espólio com diademas lindíssimos das imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória e de outras princesas, estavam no Hotel de la Marine, em Paris e não no Louvre, senão tinham sido também roubadas em Outubro 2025.
Poder, prestígio e paixão: estas três palavras resumem, por si só, a exposição Jóias Dinásticas e condensam os desafios ligados à posse de gemas e jóias por soberanos e elites.
Poder, antes de mais, porque as jóias não são apenas adornos, mas verdadeiros atributos do poder. Embutidas em coroas, disseminadas nas vestes, integradas nas insígnias régias, encarnam a autoridade soberana, a legitimidade dinástica e a estabilidade do trono.
Prestígio, em seguida, porque as gemas afirmam a posição social, a prosperidade e também o poder de sedução de uma corte, a sua capacidade de maravilhar, impressionar e até intimidar.
Paixão, por fim, de que as jóias são portadoras: paixão íntima pela beleza pura das pedras, paixão amorosaquando a jóia se torna penhor de união e fidelidade, e também paixão pela posse das peças mais raras.
Assim, diamantes, pérolas, safiras, rubis e esmeraldas são exibidos ao longo dos séculos em diademas, coroas, colares, pulseiras, anéis, pregadeiras, brincos e punhos de espada, graças ao talento de artistas e artesãos prodigiosos. Os soberanos e as cortes reais e imperiais europeias dos séculos XVIII e XIX, seguidos
Diadema Manchester. Cartier Paris, 1903. Diamantes, prata, vidro. Créditos da imagem: ©Victoria and Albert Museum, London. Doação ao governo britânico, atribuída ao Victoria and Albert Museum, 2007. Colecção Victoria and Albert Museum, London, 1979. Cortesia Al Thani Collection, Paris.

pelos ricos da "Gilded Age", da Era Eduardiana e da Belle Époque, fizeram largo uso desses tesouros para brilhar, antes que a viragem do mundo redistribuísse essas pedras preciosas e jóias por outras mãos ou as transferisse para as vitrinas dos museus.
É à descoberta desta epopeia verdadeiramente espetacular que "Jóias Dinásticas" nos convida, a exposição homónima da qual o Centre des Monuments Nationaux (CMN), se orgulha de participar.
O evento oferece-nos a oportunidade de admirar as "Jóias Dinásticas" pela imensa qualidade e ambição desta exposição, que dialoga de forma poderosa com o cenário que a acolhe: o Hotel de la Marine. É de considerar também o Victoria & Albert Museum, que se associa a esta aventura com o comissariado de Emma Edwards e o empréstimo de cerca de sessenta jóias de dinastias russas, francesas e inglesas. É de apreciar os proprietários públicos e privados que aceitaram separar-se temporariamente de gemas raras e de joias para esta exposição.

Créditos da imagem:© The Al Thani Collection, 2018. All rights reserved. Fotografia: Prudence Cuming Associates Ltd. Colecção Al Thani Collection, Paris. Cortesia Al Thani Collection, Paris
Os visitantes do Hotel de la Marine podem admirar estas preciosidades de outros tempos, que nada perderam do seu poder de fascínio ao lado dos retratos das soberanas que as usaram..
A jóia, expressão intemporal de poder e prestígio, revela-se aqui também como um objecto íntimo, portador de sentimentos e mensageiro de favores reais. A exposição reúne jóias associadas ao reinado de figuras emblemáticas da história europeia, como as imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória.
A mostra conta com empréstimos excepcionais de instituições como a Royal Collection, graças à generosidade de Sua Majestade o rei Carlos III; os "Historic Royal Palaces", graças à generosidade do Duque de Fife; o "Musée National du Château de Compiègne"; o "Domaine National du Château de Fontainebleau";

o "Musée National d'Histoire Naturelle"; e o Musée de Minéralogie Mines, Paris; assim como as colecções patrimoniais da Cartier, Chaumet, Mellerio e Van Cleef & Arpels.
Pedras lendárias, diademas sumptuosos, alfinetes deslumbrantes e colares de aparato compõem uma linguagem faustosa — a das cortes reais — na qual cada gema revela o status, a linhagem e a autoridade do seu ilustre detentor.


















