BOTEQUIM

 Erramos o nosso discurso

 


As gerações que fizeram a guerra colonial, que acreditaram no 25 de Abril, que abriram a democracia, têm agora pela frente, em vez de um tempo afagante, um horizonte áspero - porque de desamparos para os seus descendentes.

O País mais justo, mais ameno que pensaram construir não passou, para a maior parte, de uma ilusão, um engodo. Corrompida, a liberdade imergiu-as em novas (outras) desigualdades, indignidades, como as da precarização, da exclusão.

Direitos penosamente conquistados - na saúde, na assistência, no trabalho, no ensino, no lazer, na cultura - estão a ser dissolvidos em cascatas de cinismo light. Os jovens que entram no mundo do emprego fazem-no a prazo, a contracto volátil, vendo-se, sem a mínima segurança, impedidos de construir uma vida própria, entre zappings de sub-tarefas e de pós-formações ludibriadoras.

O problema não tem solução visível. Enquanto isso há quem, para confundir, culpabilize as vítimas pela situação de carência, de desigualdade em que se encontram. E pretenda penalizá-las.

Subir, por exemplo, a idade da reforma - alguns pretendem impô-la a partir dos 70 anos (aos 50 um trabalhador já é tratado pelos superiores e colegas como um estorvo) - aumentar horários laborais (quando a produtividade, hoje, depende mais da sofisticação tecnológica do que do esforço humano), congelar salários líquidos (enquanto a inflação os baixa) como defendem certos especialistas (que preservam, no entanto, para si retribuições e reformas milionárias), desarticulará o mecanismo social que a humanidade vem, penosamente, construindo no sentido de tornar a existência mais digna e solidária

As velhas gerações, a sair de cena, perderam as influências que julgavam merecer. Disfarçando desesperos, socalcam sem resultados, patéticas vias sacras de cunhas, súplicas, empenhos, hipotecas. As crispações que não sentiram quando, décadas atrás, iniciaram as suas carreiras (eram de outro tipo as, então, sofridas) experimentam-nas agora em relação à insegurança inquietante, sua, dos filhos, dos netos.

Ingénuas, acreditaram que bastava, como no seu tempo, um curso superior para eles ficarem protegidos. Fizeram-nos tirá-lo sem reparar que as universidades se


transformaram de clubes VIP emfábricas massificadoras, cada vez mais vazias de elitismos internos e poderes externos. Prevê-se que em cada cinco crianças nascidas actualmente em Portugal, três jamais arranjarão emprego estável.

Só os filhos de famílias dominantes (na direita, no centro e na esquerda, na economia, na política e nos lóbis) dispõem de recursos garantidos, defendidos, retirando espaço aos filhos das famílias desfavorecidas, não por serem mais inteligentes e criativos, mas por deterem o controle da ascensão social que lhes assegura impunidades e privilégios crescentes.

O empobrecimento das massas trabalhadoras, com ordenados a não permitirem sobreviver, debilita- as tragicamente. Só outras formas de retribuição, de distribuição poderão impedir apocalipses no futuro.

Portugal continua a ser, mentalmente, uma monarquia - não de sangue azulado mas de compadrio adensado, não de aristocratas aquosos mas de padrinhos gordurosos. Que será dos jovens quando se lhes acabarem a casa, a mesada, a protecção, os enlevos dos progenitores? Um futuro pardo tolda silenciosamente, para lá do pressentível, várias gerações de nós, entre nós. "Errei todo discurso de meus anos!" murmurava, a morrer, Luiz Vaz de Camões. Erramos, nós, cinco séculos depois, o discurso de nossos anos?

https://youtu.be/Er9zwUSdpSc?si=FC3CC8Cdo6-Cgm2u

Edição de 19  a 26 de Janeiro de 2026, sujeita a actualizações diárias

Trump afundou a NATO 


Mette Frederiksen (Dinamarca) Avisou que qualquer agressão ou pressão forçada sobre a Gronelândia significará o "fim imediato da NATO"A NATO sobreviveu à "Guerra Fria" mas pode não sobreviver à "Guerra da Gronelândia". A aliança inquebrável está a ser posta em causa com a obsessão do presidente dos EUA, Donald Trump em comprar ou ocupar a Gronelândia

A enorme ilha de gelo transformou-se numa arma de arremesso que coloca os Estados Unidos em rota de colisão direta com os seus parceiros europeus.  O que está em causa não é apenas um bloco de gelo estratégico; é a dignidade das nações europeias e a própria 

https://youtu.be/LtNy1QhEZ2w?si=Li-X8d7FhU8_sW-u


sobrevivência do pacto transatlântico sob o peso de uma "chantagem" sem precedentes. Ao utilizar tarifas punitivas de 10% a 25% sobre as economias europeias como moeda de troca para a posse da ilha, Trump não está a agir como um aliado, mas como um invasor económico.

Os EUA estão a empurrar a Europa para uma autonomia militar e económica forçada. O divórcio parece estar assinado; resta saber quem ficará com os destroços da segurança mundial.

António Costa recusa "tarifaço"

  • António Costa (Conselho Europeu): Garantiu que a União Europeia responderá com "firmeza e unidade", recusando-se a ceder a um "tarifaço" que visa submeter o direito internacional aos interesses de Washington.

  •  Macron (França): Classificou as ameaças como "inaceitáveis" e afirmou: "Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, seja na Ucrânia ou na Groenlândia."

  • Keir Starmer (Reino Unido): Considerou a tática de Trump "completamente errada", sublinhando que punir aliados por defenderem a segurança coletiva é um erro histórico.

  • Ulf Kristersson (Suécia): Foi curto e grosso: "Não nos deixaremos chantagear."


  • Niviaq a voz famosa da literatura da Gronelândia 


    Niviaq Korneliussen: Atualmente é a voz mais famosa da Gronelândia no exterior. Em 2021, tornou-se a primeira autora gronelandesa a vencer o prestigiado Prémio de Literatura do Conselho Nórdico com o livro Naasuliardarpi (Vale das Flores). As suas obras exploram temas como a identidade jovem, sexualidade e os traumas pós-coloniais.

    Niviaq Korneliussen nasceu a 27 de janeiro de 1990 em Nuuk e cresceu em Nanortalik, uma pequena cidade no sul da Gronelândia. Filha de Arnaq e Jens Korneliussen, cresceu numa família com duas irmãs.

    Ao nível académico, estudou Ciências Sociais na Universidade da Gronelândia (Ilisimatusarfik) e, mais tarde, Psicologia na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, embora tenha acabado por interromper os estudos para se dedicar à escrita. A sua carreira literária começou em 2012, quando venceu o concurso de contos para jovens Allatta! (Vamos Escrever!).

    Em 2021, tornou-se a primeira escritora gronelandesa a vencer o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico, o galardão literário mais prestigiado da região nórdica. Atualmente reside em Nuuk.

    HOMO sapienne (2014) Publicado em inglês como "Crimson" ou "Last Night in Nuuk". Resumo: O romance de estreia de Korneliussen quebrou tabus na literatura gronelandesa. A narrativa acompanha a vida de cinco jovens em Nuuk — Fia, Inuk, Arnaq, Ivik e Sara — enquanto exploram as suas identidades, sexualidade e relações.  A obra aborda temas como o amor, a amizade e a libertação de normas sociais num contexto pós-colonial, focando-se em personagens que lutam com os seus próprios "demónios", dependência de álcool e a procura de um lugar no mundo.

    Naasuliardarpi / Blomsterdalen (2020) Título em português: "A Vale das Flores" (tradução livre). Resumo: Esta obra valeu-lhe o Prémio do Conselho Nórdico. Contada a partir da perspetiva de uma protagonista sem nome, a história mergulha num tema profundamente sensível na Gronelândia:  o suicídio entre os jovens. O livro explora o luto, os traumas geracionais e a sensação de isolamento, descrevendo uma sociedade onde quase todas as famílias são tocadas pela perda, mas onde o silêncio e a falta de recursos para a saúde mental ainda persistem.

    O livro de Mathias Storch "O Sonho de um Gronelandês" (em gronelandês: Sinnattugaq) é um marco histórico absoluto, pois foi o primeiro romance escrito por um nativo da Gronelândia, publicado em 1914.

    Mathias Storch (1883–1957) era um pastor luthier, educador e intelectual gronelandês. Ele escreveu o livro com o objetivo de despertar a consciência do seu povo e criticar o estado de estagnação em que a sociedade se encontrava

    O livro foi traduzido para dinamarquês pelo famoso explorador Knud Rasmussen em 1915, o que ajudou a que a voz de Storch chegasse à elite política na Dinamarca, gerando discussões sobre o futuro da colónia.

    Foi o primeiro livro a usar a ficção para pedir reformas sociais e políticas. Storch acreditava que os gronelandeses precisavam de educação para poderem tratar os dinamarqueses de "igual para igual".

    Crítica à Religião e Tradição: Sendo pastor, Storch não criticava a fé, mas sim a superstição e a falta de visão crítica que mantinha as pessoas presas ao passado.

    Utopia Nacionalista: O livro é considerado o nascimento da literatura nacionalista gronelandesa. Ele deu ao povo um "horizonte" — a ideia de que o futuro poderia ser diferente se eles tomassem as rédeas do seu destino.

    Cartonistas d'olho 

    no apetite

    de Trump


    Tesouros do Scheikh Al Thani estão em Paris 

    .

    Muitas jóias são eternas, podemos falar sempre delas, e por isso vaie lembrar a inauguração da mostra "Tesouros da India: Jóias da Colecção de Al-Thani" no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, que pude presenciar

    Uma exposição lindíssima com cerca de sessenta jóias, provenientes da colecção privada formada pelo Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, que apresentou a evolução dos estilos das artes joalheiras na Índia desde o período Mogol até os dias actuais, com destaque nas trocas posteriores com o Ocidente.

    https://youtu.be/h8pOKAsc6ao?si=unB7IuFG7Z1Cp5Fz

    Pude ver as jóias indianas incríveis do início do século XVII até à actualidade, que destacou como a Europa foi influenciada pela técnica e estética indiana e vice-versa. Os marajás sempre amaram e ostentaram jóias. É lógico que para mostrar o seu poder e opulência, mas, apesar do excesso, a beleza e elegância das suas pedras preciosas, tornaram estas jóias sublimes.

    Nesta exposição fiquei conheci o dono da colecção o Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, Príncipe do Qatar , onde lhe disse que tinha ficado encantada com as suas peças expostas. O Príncipe convidou-me para ir ao seu país visitar um dos seus museus onde está a maior colecção de pérolas e confidenciou-me que iria adquirir um edifício em Paris para expor estes tesouros.

    Voltei a ver os "Tesouros da Colecção Al Thani" já no Hotel de la Marine, em Paris, expostos permanentemente em quatro galerias do edifício histórico. A colecção inclui 120 obras de arte excepcionais, desde a Antiguidade até ao século XIX.

    O Hotel de la Marine está localizado na Place de la Concordeeste e acolhe também uma série bienal de exposições temáticas e empréstimos individuais de museus internacionais.

    O espaço museológico é o resultado de um acordo de longo prazo entre a Fundação da Colecção Al Thani e o Centre des Monuments Nationaux (CMN), responsável por este edifício histórico emblemático.

    Agora o Hotel de la Marine volta a ser uma vitrine destes tesouros principescos.

    .

    O Sheikh Hamad bin Abdullah Al Thani contou-me que a sua "família tem um grande afecto pela França e pelo seu patrimônio cultural e por isso apresentar a Colecção Al Thani no coração de Paris tem um significado especial" para ele".

    Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani

    Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani é um membro da família real do Qatar, conhecido pela sua ligação com a arte e colecções de valor, mas não é o governante actual. O governo do país é exercido pelo seu primo Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, filho do ex-Emir H amad bin Khalifa Al Thani que abdicou em 2013.

    O Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani é agora mais conhecido como coleccionador de arte e antiguidades, particularmente de peças indianas e islâmicas. Peças das sua colecção já foram expostas no Museum of Islamic Art (MIA), Doha, Qatar, no Metropolitan Museum of Art, New York e no Victoria and Albert Museum (V&A), London.

    O director da coleção do Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani "Desde o início, o Sheikh, Amin Jaffer, disse não fazer sentido reproduzir uma experiência de museu que já tenha sido feita". "O Sheikh tem uma visão definida, um gosto apurado e um amor por determinadas formas de arte, mas também tem interesses universais.

    "Nunca o ouvi dizer que o Sheikh Al Thani não se interessasse por algo," disse Amin Jaffer

    Os leitores ao visitarem Paris não percam uma ida ao Hotel de la Marine para admirar estes magníficos tesouros do príncipe da família real do Qatar, um homem , um grande mecenas, cheio de amor à joelharia e a todas as formas de belas artes.o.

     Sacerdotisas do amor

     Ao entrar, de madrugada, na rua onde vivia (zona de fecunda prostituição), Natália Correia abria a janela do carro e exortava, "meninas, não se deixem humilhar, lembrem-se que são sacerdotisas do amor!"

    Logo era rodeada de estrídulas afectuosidades das prostitutas, dos prostitutos, dos travestis, dos chulos, dos vadios, dos guardas-nocturnos, todos rendidos ao incitamento da "senhora poeta" a falar-lhes como ninguém lhes falava – os elevava.

    Quase ao mesmo tempo, outro poeta de provocações, Jorge de Sena, perguntava através dos jornais (Diário Popular, Agosto de 1975), nessa altura bastante mais ousados do que hoje, "se se faz amor por tanta coisa, porque não faze-lo por dinheiro?"; e reivindicava "o direito de todo o ser humano à liberdade de se relacionar intimamente com quem quiser ou puder, desde que mutuamente consentido, independentemente do sexo, da idade, do número, do parentesco". 

    "Se não fossem os profissionais do sexo, que seria dos velhos, dos disformes, dos tímidos?" E de seguida defendia "a gratuitidade da pornografia para os que não podem comprar pessoas como os ricos".

    Quando a política (a religião, a justiça, a moral) entra na cama das pessoas dá asneira, porque jamais acabará - como mostra a natureza humana - a (considerada) profissão mais velha do mundo.


    Salazar, que não era muito puritano, regulamentou-a por entende-la um serviço público, medicamente assistido, até que, contrariado, a ilegalizou devido a pressões de senhoras do Movimento Nacional Feminino cuja acção lhe convinha dada a guerra colonial.A um amigo confidenciaria, resignado, "bom, elas podem tornar-se patrioticamente úteis em África a consolar os nossos rapazes!"

    Jorge Sena rematava, "se a vocação dos portugueses é serem prostitutos, como mostra a história, por que razão as prostitutas não podem sê-lo?"

     A Milão do quarto de hora


    Apercebi-me à minha quarentena de anos que, quando em viagem, em vez de ir voltava ao lugar. Que escolhia a nostalgia em vez do exotismo, os favores do regresso em vez da curiosidade. E tinha os meus achaques. Em Milão, por exemplo, vadiava em fidelidade pela igreja de Santa Maria delle Grazie. é onde está o fresco do Da Vinci, 'A Última Ceia'. 

    De passar por uma trindade de portas calafetadas, do marmanjo me dizer: 'respire, mas devagar'. De ciclicamente haver um novo restauro por conta do Leonardo se ter posto ao fresco e, julgava ele, se ter pirado a tempo. 

    E quando lá volto começo pela parede oposta, a 'Crocifissione' do Monfortano (1460-1502) a que ninguém liga patavina. Lembra-me o marmanjo dos museus do Vaticano cujo trabalhinho era dizer 'ssshhh, ssshhh' dez vezes por minuto à malta que com perigo de torcicolo sem se calar se espantava com o tecto da Sistina. 

    E reclamava ele: "qual é a parte da palavra 'capela' que vocês não percebem?!". Aquilo a que a mais nova das minhas sobrinhas (Mendes Solnado de apelido, que lá por casa não brincamos em serviço) acenando a mão à frente da cara como um pára-brisas chama o 'momento daaahaaa'.

     Quando a liberdade corre perigo


    Em poucas palavras, Santo Agostinho ensinava que a verdade se defende sozinha, enquanto Churchill via no populismo o combustível para a tirania. Quem se esconde atrás de palavras fáceis foge da realidade para impor o controlo. O discurso populista não procura esclarecer, mas sim camuflar a sede de poder absoluto através da manipulação das massas.

    A ditadura alimenta-se da erosão da linguagem honesta. Quando a retórica substitui os factos, a liberdade corre perigo imediato. Para ambos os pensadores, a palavra vazia é a ferramenta predileta de quem teme a verdade. No fundo, a imposição do autoritarismo começa sempre no silêncio de quem aceita a mentira como solução. Desmascarar o populismo é o primeiro passo para preservar a dignidade e a autonomia individual. (cartoon de zé bandeira)

    ICE mata a tiro 

    Renee , a poetisa

    https://youtu.be/5SafgHV2wLM?si=jVGNVphQ4fno-QpX


    Renee Nicole Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos e poetisa foi morta a tiros por um agente do ICE no dia 7 de janeiro. O incidente ocorreu enquanto ela dirigia o seu carro, após ter deixado o filho na escola. 

    O video do New York Times mostra a forma brutal como o agente do ICE disparou, 2 dos tiros pela janela lateral matando Renee.

    O governo alegou que ela agiu como "agitadora" e tentou usar o veículo contra os agentes durante uma operação. Os vídeos de testemunhas contestam essa versão, mostrando que o carro se afastava quando os disparos foram feitos. 

    Renee era descrita pela família como uma poetisa carinhosa e sem qualquer historial criminal. O episódio é visto como um dos momentos mais críticos da política de imigração de Trump


    https://youtu.be/o5asV1sFl50?si=O06jv1JZcsWlvygH

    A  morte dde Renee continua a gerar uma onda de protestos e reacendeu debates sobre o uso de força letal por agentes federais e a imunidade destes perante leis locais. O FBI assumiu a investigação, o que causou tensão com as autoridades de Minnesota, que pediam transparência. 

    A opinião dos Cartoonistas americanos

    Lula conviado para Conselho de Gaza

    O genocídio da Palestina

    O video da menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. 

    O plano de Trump para Gaza e a Cisjordânia está agora também dependente do Brasil. Lula da Silva foi convidado inesperadamente para um Conselho para a <Paz em Gaza por Donald Trump.

    A grande esperança poderá ser o envio de tropas de manutenção de paz.

    https://youtu.be/jH9UZlGaYRI?si=JhPBqi-oNw8VvgrK

    https://youtu.be/PslOp883rfI?si=FXkjwp3oWa7s6FVA

    ando com uma camisa ao vento

    ...que medo vos pôs 

    na ordem?

    A defesa do poeta

    Senhores jurados sou um poeta
    um multipétalo uivo um defeito
    e ando com uma camisa de vento
    ao contrário do esqueleto.

    Sou um vestíbulo do impossível um lápis
    de armazenado espanto e por fim
    com a paciência dos versos
    espero viver dentro de mim.

    Sou em código o azul de todos
    (curtido couro de cicatrizes)
    uma avaria cantante
    na maquineta dos felizes.

    Senhores banqueiros sois a cidade
    o vosso enfarte serei
    não há cidade sem o parque
    do sono que vos roubei.

    Senhores professores que pusestes
    a prémio minha rara edição
    de raptar-me em crianças que salvo
    do incêndio da vossa lição.

    Senhores tiranos que do baralho
    de em pó volverdes sois os reis
    sou um poeta jogo-me aos dados
    ganho as paisagens que não vereis.

    Senhores heróis até aos dentes
    puro exercício de ninguém
    minha cobardia é esperar-vos
    umas estrofes mais além.

    Senhores três quatro cinco e sete
    que medo vos pôs por ordem?
    Que favor fechou o leque
    da vossa diferença enquanto homem?

    Senhores juízes que não molhais
    a pena na tinta da natureza
    não apedrejeis meu pássaro
    sem que ele cante minha defesa.

    Sou um instantâneo das coisas
    apanhadas em delito de perdão
    a raiz quadrada da flor
    que espalmais em apertos de mão.

    Sou uma impudência a mesa posta
    de um verso onde o possa escrever.
    Ó subalimentados do sonho!
    A poesia é para comer