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Edição de botequim.pt, 29 de Maio a 02 de Junho de 2026, sujeita a alterações diárias
Ditadura de canudo
Num dos seus estimulantes programas televisivos, Ricardo Araújo Pereira, picando os líderes da CIP e da UGT antes de os reconciliar através do futebol, questionou o representante dos patrões por eles (patrões) serem, segundo as estatísticas, menos escolarizados do que os seus empregados.

Num dos seus estimulantes programas televisivos, Ricardo Araújo Pereira, picando os líderes da CIP e da UGT antes de os reconciliar através do futebol, questionou o representante dos patrões por eles (patrões) serem, segundo as estatísticas, menos escolarizados do que os seus empregados.
Com ironia, o visado lembrou que a competência das pessoas não vem só da instrução, vem também da experiência de vida, da sensibilidade, da imaginação, do bom senso, da perseverança.
RAP utilizou, provocando, um preconceito muito arreigado entre nós, o da superioridade do canudo universitário; preconceito que tem sido excessivamente redutor e, acima de tudo, injusto.
Até porque, e curiosamente, nomes cimeiros da nossa cultura não precisaram de licenciaturas nem de doutoramentos para se excepcionalizarem, nos excepcionalizarem. Fernando Pessoa, Raúl Brandão, Teixeira Gomes (que foi presidente da República), Almada Negreiros, Natália Correia, José Saramago, Amália Rodrigues, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner, Herberto Hélder, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Mário Cesariny, Amélia Rey Colaço, entre muitos, muitíssimos outros, não completaram cursos superiores - alguns nem frequentaram sequer universidades o que os esquivou, no dizer de Cesariny, à formatação delas..
Agostinho da Silva, que co-fundou no Brasil algumas universidades (caso da de Brasília) desconcertaria, a propósito,
a Assembleia da República portuguesa numas comemoraçõesdo 25 de Abril - onde fora o orador convidado - ao sublinhar que a pessoa mais sábia que conheci na vida foi uma camponesa analfabeta de Barca Alva, e as mais burras certos professores catedráticos.
Ele reivindicava, aliás, para o evitar, a alteração do nosso ensino, batendo-se pela gratuitidade do universitário para todos, maneira de fazer evoluir o País. Enquanto não o fizermos Portugal não sairá da situação em que se encontra.
O que se assiste é, porém, o contrário disso: propinas caras, abandono dos cursos pelos estudantes, falta de condições de estudo, perda de prestígio, de remunerações condignas (empregos) dos licenciados, deploravelmente empurrados, findos os cursos, para emigrações e caixas de supermercados, sob o pomposo rótulo da geração melhor preparada de sempre (?)
A cultura não serve para mobilar espíritos, serve para os ajudar a pensar, sabe-se. Ao ser um dia entrevistada por uma repórter que, untuosa, insistia em chamar-lhe doutora, Natália Correia explodiu: "Mas a menina ainda não percebeu que eu sou muito, muito mais que doutora? Por favor, não me diminua, basta de ditadura de canudos!
Apaguem a luz!
acabou a Fundação da risota

Joe Berardo: foi o penúltimo a rir
Acabou a Fundação Berardo por via de sentença definitiva do Supremo Tribunal Administrativo que colocou um ponto final ao impasse de vários anos. O tribunal concluiu que a fundação tinha deixado de prosseguir os fins de interesse social e cultural para os quais fora criada,
A partir do momento em que a fundação deixa de existir legalmente, as obras de arte (o famoso acervo com peças de Picasso, Miró, Dalí e Warhol) perdem a sua "capa" protetora. Embora os quadros continuem fisicamente guardados e expostos no MAC/CCB em Belém — porque o Estado português os blindou com o estatuto de interesse público para que não saiam do país —, a titularidade jurídica muda de mãos. Os bancos credores assumem o controlo desses títulos para começar a abater a dívida.
A caça aos bens e às "Portas Giratórias"
Os grandes bancos (CGD, BCP e Novo Banco) avançam agora sem entraves para tentar reaver os 980 milhões de euros. O foco sai da fundação e vira-se para o património pessoal, para as empresas satélite e para as famosas "portas giratórias" financeiras. O objetivo é executar todas as garantias financeiras e reter saldos bancários, participações sociais e imóveis que estivessem sob o raio de ação de Berardo e dos seus familiares diretos.
O desfecho na Justiça Criminal
A par da extinção administrativa da fundação, corre em paralelo o processo-crime no Tribunal Central de Instrução Criminal, onde Joe Berardo e o seu advogado de longa data foram pronunciados por crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Sem o argumento de que a fundação era uma entidade autónoma de utilidade pública, a tese da acusação ganha ainda mais força, deixando a defesa civil e criminal praticamente sem margem de manobra.

O quadro "Tête de Femme" (1909) – Pablo Picasso é uma das joias da coroa da coleção. Trata-se de uma obra-prima do cubismo analítico, uma fase crucial da história da arte mundial onde Picasso começou a desfragmentar a perspetiva tradicional e as formas geométricas. É uma das peças mais valiosas e requisitadas para exposições internacionais.
"Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual."Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

Outras obras de importância equivalente "Tête de jeune fille à la frange" – Amedeo Modigliani
Um retrato expressionista com o traço melancólico e os olhos amendoados típicos do mestre italiano, de altíssimo valor museológico.
"Judy Garland" (1979) – Andy Warhol Representando a Pop Art, este retrato icónico da famosa atriz americana demonstra a transição da coleção para as vanguardas da segunda metade do século XX.. "Oedipus Rex" (1922) – Max Ernst Uma pintura marcante do Surrealismo, carregada de simbolismo psicológico e enigma visual.

"Tableau with Yellow, Black, Blue, Grey" (1923) – Piet Mondrian Uma obra fundamental do Neoplasticismo. É um exemplo perfeito da pureza geométrica e do uso de linhas e cores primárias que definiram a revolução abstrata de Mondrian.

A MENINA DOS CINCO OLHOS
Num dos canais televisivos da nossa praça mediática, foi exibido, com pompa, o horrível artefacto com que se puniam os indígenas do nosso Império Colonial.
Não, não era o potro, não era o garrote, não era a vetusta G3: tratava-se de uma palmatória talhada em sólida madeira, instrumento punitivo em tudo semelhante ao que, na metrópole profunda, a regente escolar punia a miudagem "branquela" nas nossas escolas, ditas, à época, de primárias.

O interior das paredes da sala de aula forradas com os cartazes "A Lição de Salazar, onde se ministrava a literacia do Estado Novo, "ler, escrever e contar." Aos sábados, de manhã, era o dia de a regente, com a sua voz levemente esganiçada, cantar o Hino da Mocidade, seguida de imediato pelo coro desafinado e estridente da miudagem: "Lá vamos, cantando e rindo..."
A regente escolar, que também mais não tinha como habilitações que a quarta classe ou "segundo grau," sem vencimento, remunerada apenas com uma pequena retribuição do Estado, emparceirava com a catequista, que distribuía o correio na porta entreaberta da sua casa, pegada à escola. Sentada num mocho de madeira, grossos óculos pretos encavalitados na ponta do nariz, fitava demoradamente, um a um, os que se iam abeirando, vagarosos e inquietos, na esperança de receber a ansiada carta da África, do Brasil, da França, a reformazita da Caixa.

À medida que distribuía as cartas, recomendava-lhes que não se esquecessem de guardar os selos dos envelopes. Eram para ajudar as Missões na sua nobre tarefa de levar a fé de Cristo e a nossa civilização para a África. E por detrás do altar-mor, guardava, ciosa, não uma palmatória, mas uma caveira para ameaçar a miudagem com as penas do inferno quando se enganava a titubear as orações.

A canalha era, assim, dominada por estas duas mulheres: solteiras; empedernidas; buço negro e espesso do lábio superior a impor o respeito do bigode de um homem; casacos escuros de ombros direitos como um dólman; disciplina como a militar, a que só faltava a ordem unida com toques de clarim; direito ao tratamento de "senhora." Eram o longo braço autoritário do Estado Novo, de Salazar, e da Igreja, de Cerejeira.
E, como se isto não bastasse, havia o frio cortante das manhãs de inverno! Campos esbranquiçados da geada! Árvores rendilhadas com o sincelo! Água gelada nos cântaros!
As brasas, levadas nas escalfetas, cedidas pelo forno comunitário quando havia cozedura do pão, não conseguiam atenuar o torpor doloroso do frio nos pés.

Só as "sopas de cavalo cansado," feitas de bocados de pão misturados com vinho e uma pitada de açúcar, ou de sal quando não havia o precioso adoçante, inundavam o corpito com alguma réstia de calor. O vinho era o leite das crianças pobres, espremido do xisto. Crianças que iam para a escola de pés descalços, acomodadas em casas cobertas de colmo, de chão de terra batida, enlameada, onde coabitavam com os animais domésticos, que lhes davam alguma réstia de calor. Lá se amontoavam corpos e almas. Não, isto não se passava na África profunda, mas no interior profundo da metrópole.
Pousada na secretária, ameaçadora, a palmatória, a "menina dos cinco olhos:" um longo cabo de madeira rematado por uma roda com cinco orifícios dispostos segundo a ordem das

cinco quinas da bandeira nacional, habilmente manejada pela regente escolar. Era o terror da miudagem, que, conformada, aguardava, com as mãozitas estendidas, a aplicação das palmatoadas, "os bolos." E ai de quem ousasse subtrair a mão ao certeiro castigo.
O número de "bolos" aplicável em cada mão obedecia a um código bem definido: um por cada erro de ortografia dado no ditado; dois, por quem se enganasse a cantar a tabuada; três a quem se atrevesse a cochichar com o parceiro da carteira ou soltasse algum risinho inoportuno; finalmente, suma gravidade, quatro "bolos" a quem deixasse escapar certos odores que empestavam o ar da sala, que tinha de ser prontamente denunciado pelo companheiro da carteira, sujeito à mesma punição caso não denunciasse o infractor. Como no país, a delação, na sala de aula, estava instituída como uma virtude! E era recompensada!
"Menina dos cinco olhos," que, não obstante as gerações por ela corrigidas ao longo dos tempos, contrariamente à sua congénere africana nunca mereceu uns escassos segundos de exibição nas nossas televisões.
(Albano Dias da Costa é licenciado em Direito e em Filologia Românica, com uma pós-graduação. É autor de obras sobre Linguística Aplicada e sobre a Guerra Colonial, tendo sido agraciado duas vezes com o primeiro Prémio Literário AntigosCombatentes – Memórias Militares instituído pelo Ministério da Defesa Nacional)
"ESPÓLIO"
Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa a Fernando Dacosta
António Gedeão
"Podemos soçobrar como País"
«Encontramo-nos num tempo de fuga à realidade, de alheamento dela. Podemos soçobrar como País. Sempre fomos sujeitos a grandes pressões do estrangeiro, sempre estivemos dependentes do exterior. Tivemos um grande papel na época dos Descobrimentos mas quem se aproveitou deles foram os outros, não soubemos tirar proveito do que descobrimos.
Ficámos sempre pobrezinhos. Fomos sempre utilizados pelos outros, colonizados pelos outros. Tivemos o salazarismo porque lá fora havia o nazismo, o fascismo. Descolonizámos porque os outros descolonizaram, temos a democracia porque os outros a têm, construímos auto-estradas porque os outros as constróem.
«Se amanhã os outros mudarem nós também mudamos. Se evoluírem num outro sentido nós também evoluiremos nesse sentido. Com atraso. Não temos respeito por nós próprios. Desconsideramo-nos bastante. Inferiorizados pelos estrangeiros, passamos a reverenciá-los e a amesquinhar-nos. Basta ver o que sucede com a língua portuguesa. Está a ser cada vez mais dominada por expressões alheias. Nas paredes do meu bairro os rapazinhos escrevem António love Francisca, Manuel love Anita. É impressionante! No passado foi o francês, agora é o inglês a invadir-nos. É um provincianismo incrível.
«Há uma grande incultura, sobretudo a nível político, literário e histórico. Há dias ouvi na televisão um professor dizer que um aluno seu julgava que Salazar tinha sido o último rei de Portugal. As televisões são as maiores culpadas pela desordem das mentalidades existente. Para conseguirem publicidade descem a tudo. O que é preciso é dinheiro, dinheiro. Quanto mais canais houver, pior.
« Passam-se coisas inquietantes a que ninguém está a dar a devida atenção. É o caso da acumulação de riqueza por elites cada vez mais restritas e poderosas (de indivíduos, de empresas, de estados) gerando pobreza generalizada, isto é maiores fossos sociais, o que a regra dos vasos comuniantes explica, fossos agravados no pós 25 de Abril; é o caso da desregulação demográfica, tornada gravíssima.
Enquanto houver excesso de população a poluição é imparável. E o desemprego. E a pobreza. O dramático é que os poderes instituídos não querem pôr em causa uma questão destas, pelo contrário, apelam a maiores natalidades mas não dão condições às pessoas para isso. Veja-se como a Igreja continua a opor-se à redução das populações, como o Vaticano prega aos miseráveis para se reproduzirem. Não tenho esperança no futuro desta sociedade. Estamos num beco sem saída.
«Escrevi a Pedra filosofal que o Manuel Freire divulgou numa altura em que pensei no suicídio. Deprimido, resolvi então reagir e inventar-me optimista. Fiz esse poema. Talvez por isso ele teve êxito».
( "ESPÓLIO" - Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa, já falecidos, a Fernando Dacosta)

Biografia
António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906-1997) foi um dos grandes poetas e cientistas do século XX português, através de uma obra originalíssima onde se concilia o científico com o

poético, o humanismo com o social, de maneira surpreendentemente inovadora e sedutora.
Professor de Física e Química no ensino secundário (a sua independência impediu de sê-lo no universitário, levando-o a pedir a demissão no Verão Quente de 75) viu mais tarde a data do seu nascimento, 24 de Novembro, ser instituída como o Dia Nacional da Cultura Científica entre nós.
Dos diversos títulos publicados destacam-se, entre outros, o Movimento Perpétuo e Poemas Póstumos (poesia), Teatro do Mundo e Máquina de Fogo (teatro), A Astronomia em Portugal e História da Biblioteca Nacional (ensaios); as suas obras de referência, pela popularidade e inovação, vão para Lágrima de Preta, Calçada de Carriche e A Pedra Filosofal, esta tornada um hino galvanizador: "Eles não sabem que o sonho/ é uma constante da vida/tão concreta e definida/como outra coisa qualquer (…) Sempre que um homem sonha/ a vida pula e avança/ como bola de cristal nos pés de uma criança…"
Fernando Dacosta
Aguarelas da Rainha Dona Amélia em exposição

É uma excelente notícia: algumas das mais belas aguarelas de Portugal, feitas pela Rainha Dona Amélia, estão agora patentes numa grande exposição neste Palácio de Vila Viçosa até Agosto. É a altura de serem vistas antes de serem de novo guardadas nas salas frias do palácio, rodeadas de silêncio.
Estas obras foram executadas em papel de excelente gramagem, utilizando aguarela luminosa e guache para os pormenores mais densos. Os formatos variam entre pequenos esboços de viagem e folhas médias de álbum, mas o traço é sempre firme. A rainha pintou a planície alentejana com traços limpos, capturando a luz dourada, as casas caiadas de branco, os olivais e a solidão dos montes.

Entre estas imagens da planície, destaca-se uma aguarela invulgar e sombria, onde a rainha pintou um velho moinho de vento abandonado sob um céu carregado de tempestade; os tons cinzentos e violetas rompem com a habitual luminosidade alentejana, revelando uma densidade psicológica incomum e um traço carregado de melancolia.
Fixou também no papel o património histórico e monumental do país, registando com rigor arqueológico capelas antigas,
e a própria Custódia de Belém, detalhada joia a joia na transparência da tinta.
O seu marido, Dom Carlos, também pintava. Era um homem forte que conhecia o mar. Ela era uma mulher difícil para o seu

tempo, dona do iate real que levava o seu nome. Este ano marcou os 165 anos do seu nascimento. Os interessados em coisas autênticas devem aproveitar este momento para poderem ver estas obras.
Nessa altura, fora do palácio, só poderão ser vistas algumas raras aguarelas da Rainha Dona Amélia no Museu Luciano de Castro, na Anadia. Este museu reúne um espólio muito particular ligado a figuras históricas da monarquia e do final do século XIX, conservando entre as suas relíquias algumas obras e registos artísticos da autoria da própria rainha.

A China em português
Estes livros são fundamentais para entender a China do século XX e XXI. A China é hoje também uma fascinante "potência" literária:
"Viver" (Yu Hua): Um dos livros mais emocionantes da literatura mundial. Acompanha a vida de um camponês através da guerra civil, da fome e da Revolução Cultural. Editora em PT: Relógio D'Água.
"Sorgo Vermelho" (Mo Yan): Obra do Prémio Nobel que mistura lendas familiares com a invasão japonesa. É uma escrita visual e poderosa. Editora em PT: Cavalo de Ferro / Porto Editora.

"A República do Vinho" (Mo Yan): Uma sátira bizarra e surreal sobre a corrupção e a obsessão pela comida na China.Editora em PT: Cavalo de Ferro.
"Servir o Povo" (Yan Lianke): Uma sátira proibida na China que mistura política e erotismo durante a era de Mao Zedong. Editora em PT: Sextante Editora.
"O Problema dos Três Corpos" (Liu Cixin): O primeiro volume de uma trilogia épica que começa na Revolução Cultural e termina no fim do universo. Editora em PT/BR: Relógio D'Água / Suma.

"A Floresta Sombria" e "O Fim da Morte" (Liu Cixin): As sequelas do livro acima, também publicadas em português.
"O Sonho da Câmara Vermelha" (Cao Xueqin): A maior obra-prima da literatura clássica chinesa. Existe uma edição monumental traduzida diretamente para português. Editora: Assírio & Alvim (Edição em dois volumes).
"Antologia da Poesia Chinesa": Existem várias seleções, mas a traduzida por Bento Itamar ou as edições da Assírio & Alvim são excelentes para conhecer poetas como Li Bai e Du Fu.
"Diário de um Louco" (Lu Xun): Contos curtos que mudaram a história da China no início do século XX. Editora em PT: Antígona.
"Desejo, Cuidado" (Eileen Chang): Contos sobre espionagem e amor na Xangai ocupada pelos japoneses. Editora em PT: Relógio D'Água.
"A Rapariga de Xangai" (Wei Hui): Um livro que causou escândalo na China pelo retrato da vida boémia, sexo e drogas da juventude moderna. Editora em PT: Presença.
Mo Yan: o camponês que se tornou Nobel
Mo Yan, pseudónimo de Guan Moye que significa "Não Fales", é o maior expoente do realismo alucinatório contemporâneo. Nascido numa zona rural da província de Shandong, a sua infância foi marcada pela fome e pela dureza da Revolução Cultural,
experiências que moldaram a sua escrita crua e sensorial. Em 2012, tornou-se o primeiro cidadão chinês a receber o Prémio Nobel da Literatura,consagrando uma obra que funde a história da China com contos populares e o surreal.

O seu estilo é uma explosão de imagens, onde o passado e o presente se misturam em narrativasépicas. Em "Sorgo Vermelho", retrata a resistência à invasão japonesa com uma vivacidade visceral, enquanto em "As Baladas do Ajo" e "A República do Vinho" utiliza a sátira e o grotesco para criticar a corrupção e os traumas sociais. Mo Yan transforma o sofrimento da sua terra natal numa mitologia universal, onde a brutalidade e a beleza coexistem de forma inseparável.
"Sogro Vermelho"
Mo Yan
a luta da China contra o exército invasor japonês
"Sorgo Vermelho" (Hong Gaoliang Jiazu), publicado em 1986 pelo escritor chinês Mo Yan é uma das obras mais importantes da literatura contemporânea chinesa.
O livro é um romance histórico e uma saga familiar que se passa na província de Shandong (na vila fictícia de Northeast Gaoliang) e estende-se ao longo de várias décadas, concentrando-se principalmente nos anos 1930, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

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Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.

Um livro na primeira pessoa
A história é contada na primeira pessoa por um narrador omnisciente que reconta a vida dos seus antepassados. A narrativa não é linear; ela salta constantemente no tempo (entre o passado e o presente), misturando memórias, lendas locais e factos históricos. O foco está em três gerações, mas principalmente nos avós do narrador:
Yu Zhan'ao (o avô), um antigo carregador de liteiras que se torna bandido e, mais tarde, líder de um exército de resistência local. Dai Fenglian (a avó, também conhecida como Jiu'er), uma mulher forte e determinada.
Urso de Ouro em Berlim
O livro quebrou os moldes da literatura na China, ao mostrar heróis que eram imperfeitos, violentos e motivados por paixões pessoais. A obra ganhou ainda maior projeção internacional com a icónica adaptação ao cinema em 1987, realizada por Zhang Yimou e protagonizada por Gong Li, que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
O realismo mágico
Violência e Crueldade: Mo Yan utiliza um realismo visceral. O livro descreve com detalhe a brutalidade da guerra, execuções, tortura (como o famoso episódio do homem esfolado vivo pelos japoneses) e a fome. Não há romantização da guerra. Apesar da opressão e da tragédia, as personagens transbordam uma paixão primitiva pela vida, pelo sexo, pela terra e pela liberdade.
Mo Yan mistura a crueza histórica com elementos míticos e superstições locais. Os cães da vila tornam-se selvagens e lutam pelos corpos dos mortos; o vinho de sorgo parece ter propriedades de cura e coragem.

O cenário e o simbolismo do sorgo
O sorgo vermelho (um cereal muito comum na China) não é apenas o cenário onde a história se passa; é o elemento central e simbólico de todo o livro. Ele representa a própria essência do povo chinês daquela região: rústico, resistente, violento e indomável. É no meio dos campos de sorgo que as personagens amam, lutam, escondem-se e morrem. O sorgo também é a matéria-prima para o famoso vinho local, que ganha contornos misticos na história.
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A invasão japonesa
A trama começa com o casamento arranjado de Dai Fenglian com o filho leproso do dono de uma destilaria de sorgo. Durante a procissão do casamento através dos campos de sorgo, ela conhece Yu Zhan'ao, um dos carregadores da sua liteira. Há uma atração imediata.
Pouco tempo depois, o marido leproso e o sogro de Dai Fenglian são misteriosamente assassinados (subentendendo-se que o autor foi Yu Zhan'ao). Dai Fenglian assume o controlo da destilaria. Yu Zhan'ao junta-se a ela, e os dois tornam-se os patriarcas da família, gerando o pai do narrador.

A vida de crime e a gestão da destilaria são brutalmente interrompidas pela invasão do exército imperial japonês. A partir daí, o livro transforma-se numa crónica de guerra sangrenta. Yu Zhan'ao organiza uma milícia local de camponeses e bandidos para combater os invasores japoneses através de táticas de guerrilha nos campos de sorgo.
Parlamento Europeu: jornalismo é fundamental mas corta apoio...
Em Portugal, o cenário agrava-se pelo silêncio político: o Governo não respondeu, após mais de um mês, aos pedidos de reunião do sindicato para debater verbas e modelos de distribuição. Esta ausência de reação sinaliza desinteresse face ao colapso dos modelos tradicionais de financiamento que coloca os media num mínimo existencial histórico.

As organizações apelam agora à revisão desta dotação antes da decisão final, restando como nota positiva o
facto de a proposta incluir salvaguardas que associam os fundos à independência editorial e a condições de trabalho dignas.
O Sindicato dos Jornalistas e a Federação Europeia de Jornalistas alertam que a intenção do Parlamento Europeu de reduzir para metade os apoios comunitários (Quadro 2028-2034) ameaça a imprensa independente, ao destinar apenas 11,7% do orçamento ao setor — valor muito aquém da proposta original da Comissão Europeia.

Diário de Notícias vende 1000 jornais por dia, Correio da Manhã 30 mil
Jornais portugueses vão fechar portas!
e a Democracia vai morrer

A morte do jornalismo está a um passo em toda a Europa e ainda mais em Portugal, onde a dispersão urbanística consome quase 30% do preço de capa por causa do custo distribuição. Se juntar-nos 20% para o vendedor e 25% para a impressão, dá 75%.
Restam 25% para água, luz, amortizações e para pagar a 40 jornalistas, que tanto fazem um jornal para 300 mil leitores como para 30 mil.

A culpa pode ser da crise e da net: O Correio da Manhã tira 30 mil exemplares, o Jornal de Noticias 9 mil, o Público 8 mil e o Diário de Notícias mil, apenas
Dentro de poucos meses não existirão jornais e as tvs vão perder as agendas feitas em cima das noticias destes 4 jornais.
A culpa é nossa por colarmos o rabo no sofá e por abandonarmos o centro das cidades para infelizes imigrantes - presos a redes que lhes sacam altos valores por viagem, confiscam passaportes e os colocam a viver em paletes.
Temos casas com chão de mármore, pópó à porta,. Mas com as duas mãos no volante não conseguimos ler jornais. Contentamo-nos com novelas estúpidas e redes sociais de vómito.
Todos os dias acordamos a protestar contra o Estado, almoçamos a protestar contra o Estado e dormimos como santos a vociferar contra o Estado.
O Estado somos nós e deixamos que um Primeiro Ministro ganhe 4 mil euros de avença de uma bomba de gasolina.
Vociferamos contra a médica que passou centenas de reformas falsas, mas desculpamos quem ficou com elas. "Fizeram eles se não bem!".
Os jornais não devem ter apoios para ser independentes. O caminho reconquistar os leitores.
E nós, os leitores, precisamos regressar às cidades e acabar com o forrobodó dos políticos que gastam, por ano, 150 mil euros em almoços de "trabalho", e passam por ser excelentes.
Venha um Podemos à portuguesa!" para acabar com este hipócrita desleixo que nos está a matar.
Quando Gueterres falou da relação de confiança entre governantes e governados
As sucessivas investigações sobre partidos portugueses podem levar ao mesmo caminho dos partidos tradicionais italianos: o desaparecimento.
Somando os "tutti-fruta" às tradicionais transferências de militantes para ganhar eleições internas em autarquias, montou-se ao longo dos anos uma enorme opereta - a que se juntou o novel-partido que aglutina aldrabões, ladrões de malas, pedófilos e senhorios que alugam barracas a imigrantes a preço de moradias.

Tem acontecido 7 pessoas ganharem uma eleição partidária local, quando os elementos 8 elementos oponentes, mas contam com 120 transferidos.
E numa reunião partidária: como é que um deputado e autarca há mais de 40 anos, se queixa da sua freguesia ser agora um gigantesco Airbnb, com os moradores a serem postos da rua com 12 meses de renda de indemnização? Não deu por nada?
E na mesma reunião: um construtor lamenta-se de construir a 1500 euros e só conseguir vender a 4 mil.
E ainda nessa reunião: um alto dignatário da Assembleia da República estranha que uma casa, comprada por 200 mil euros. seja vendida, 3 meses depois, por 350 mil - quando a ASAE andou até a interromper casamentos para pedir facturas.
E já agora, como é que um ministra do Trabalho tem como marido o presidente de um banco bom (que financiámos com 5 mil milhões e que foi vendido com bónus de 500 milhões - com vencimento de23.542€00 por mês ) e passa agora para presidente das pontes (que um ministro negociou para se tornar presidente das.. pontes).
Há 25 anos António Guterres bateu com a porta porque o país iria cair num pântano. ABJ
Activistas presos e humilhados em acção ilegal de Isra3l
Governo português condena Isra3l
Paulo Rangel: é intolerável a atitude do ministro israelita Ben Gvir

A gota de água num garrafão cheio
"É uma situação absolutamente inaceitável"
afirmou perentoriamente o Primeiro-Ministro Luís Montenegro em Andorra, em declarações captadas pela RTP, referindo-se à interceção da flotilha humanitária por Isra3l.
E "Portugal já tem manifestado a sua disponibilidade para uma suspensão parcial do acordo com Isra3l", aguardando evolução nos próximos encontros.

Em sintonia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou veementemente o "comportamento intolerável" do ministro israelita Ben Gvir e o tratamento humilhante infligido aos ativistas.
Na embarcação intercetada em águas internacionais seguiam dois médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, que se encontram detidos, motivando uma exigência de intervenção diplomática urgente.
Médicos portugueses presos por militares de Isra3l
É ilegal a detenção de dois portugueses na "Flotilha", a caminho do Estado da Palestina. As forças armadas de Isra3l atuaram em águas internacionais, perto de Chipre, cometendo uma violação do direito marítimo ao deter Maria Beatriz Barroca Bartilotti Matos e Gonçalo Dias, que seguiam na embarcação Tenaz.
Maria Beatriz descreve-se como "internacionalista, ecologista e ativista com o coletivo 'Humans Before Borders'". "Acredito na ação direta e na desobediência civil como importantes ferramentas rumo à utopia pela qual lutamos", diz a médica com experiência em campos de refugiados.
Gonçalo Dias é um "ativista pelos direitos humanos, médico generalista e redutor de danos com experiência em busca e salvamento", que trabalha na rua no Porto. A interceção desta tripulação expõe o desrespeito pelas missões humanitárias, exigindo a intervenção imediata de Portugal.
Direito do Mar foi violado
Ao intercetar e deter os dois cidadãos portugueses a bordo da embarcação Tenaz em águas internacionais (alto mar) perto de Chipre, as forças armadas de Isra3l violaram normas fundamentais do Direito Marítimo Internacional e do Direito Internacional Público, consagradas principalmente na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM / UNCLOS).
Os principais artigos e princípios infringidos foram os seguintes:
Violação do Princípio da Liberdade do Alto Mar
Artigo 87.º da CNUDM (Liberdade do Alto Mar): Este artigo estipula que o alto mar está aberto a todos os Estados e garante a liberdade de navegação. Nenhum Estado pode legitimamente pretender submeter qualquer parte do alto mar à sua soberania. Ao intercetar uma embarcação civil em águas internacionais, Israel violou o direito de livre circulação da embarcação.
Violação da Jurisdição Exclusiva do Estado de Bandeira
Artigo 92.º da CNUDM (Estatuto dos Navios): Determina que as embarcações navegam sob a bandeira de um único Estado e estão sujeitas à sua jurisdição exclusiva em alto mar. Salvo em casos excecionais previstos em tratados internacionais (como pirataria ou tráfico de escravos), nenhum outro país tem o direito de abordar, revistar ou reter o navio sem autorização do Estado de bandeira da embarcação.
Abordagem Ilegal em Alto Mar
Artigo 110.º da CNUDM (Direito de Visita): Este artigo estabelece as únicas condições em que um navio de guerra pode abordar um navio civil estrangeiro em
alto mar (suspeita de pirataria, tráfico de escravos, transmissões não autorizadas, ou falta de nacionalidade).Como a frota humanitária não se enquadrava em nenhuma destas exceções, a abordagem militar constitui um ato ilegal de agressão e interferência.
4. Ofensa aos Direitos Consuetudinários de Assistência Humanitária

Direito Internacional Humanitário e Convenções de Genebra: Embora estas convenções regulem os conflitos em terra, o desvio e o bloqueio de pessoal médico e de assistência (ambos os portugueses são médicos ativistas) viola o princípio internacional de que missões humanitárias, médicas e de ajuda a populações civis em sofrimento devem ser protegidas e ter passagem facilitada, desde que não transportem contrabando de guerra.
Ao ignorar estes artigos, a ação militar transformou-se numa detenção arbitrária e ilegal de cidadãos estrangeiros sob o ponto de vista do direito internacional, gerando a base para o conflito diplomático com o Estado português.
China é o maior investidor internacional



A recente visita de Trump à China pode ser comparada a um barco de rumo errático, com um mau lastro. O lastro de várias guerras que alimentam a poderosa e gulosa indústria de armamento, que desgraça os americanos e o mundo.
A China tornou-se no maior investidor internacional. Os Estados Unidos da América tornaram-se na maior fábrica de guerras, que estrangulam a economia mundial e que nos fazem pagar a gasolina a 2,10 euros.
Todas as fotos de Trump com Xi Xiping espelham a enorme atrapalhação de um e a serena segurança do outro.
Trump é um empreiteiro da construção de prédios que utiliza a retórica de expansão e controlo que choca o mundo, querendo a anexação da Gronelândia e integração nos EUA do Canadá. Em contraste, Xi Jinping age com tradicional paciência chinesa, trocando delicadezas diplomáticas com Taiwan, que, há muito anos, reclama como parte integrante da China
Os Estados Unidos são aliados de Isar3l nos bombardeamentos de Gaza, Líbano e Irão, raptam de Maduro, atacam a Nigéria e vão invadir Cuba.
A China constrói pontes, barragens, estradas transnacionais e TGVs, que envergonham os EUA, pioneiros no transporte ferroviário.
A China tirou, em 20 anos, 650 milhões de chineses da pobreza elevando-os à classe média. Os EUA em 10 anos aumentaram para 26 milhões os americanos que vivem sem tecto nas ruas da América.
O exemplo mais emblemático desta gigantesca diferença será o Metro de Xangai ou Pequim e... o Metro de Nova York. Está tudo dito. jrr

Os "Gigantes" literários da China
Estes autores são os mais lidos internacionalmente e oferecem uma visãoclara da China moderna:
Mo Yan: O primeiro cidadão chinês a vencer o Prémio Nobel da Literatura (2012). A sua escrita é descrita como "realismo alucinatório", misturando contos populares, história e o surreal. Obra essencial: "Sorgo Vermelho".
Mo Yan: o primeiro Nobel chinês
Yu Hua: Conhecido pelo seu estilo direto e por retratar a brutalidade da Revolução Cultural e a transição para o capitalismo com um humor negro único. Obra essencial: "Viver" (um dos livros mais importantes da China moderna). Yan Lianke: Um dos autores mais controversos e frequentemente banido na China. As suas sátiras políticas são mordazes e profundas. Obra essencial: "Servir o Povo".
Ficção Científica
A China é hoje uma potência na ficção científica, explorando temas como tecnologia, política e o destino da humanidade.
Liu Cixin: O autor que colocou a ficção científica chinesa no mapa mundial. O seu trabalho é admirado por figuras como Barack Obama.Obra essencial: "O Problema dos Três Corpos" (agora uma série de grande sucesso).
Can Xue: a um passo do Nobel
Vozes Femininas
Eileen Chang (Zhang Ailing): Uma das escritoras mais queridas do século XX. Retratou como ninguém as tensões amorosas e sociais na Xangai e Hong Kong dos anos 40. "Lust, Caution" (Desejo, Cuidado).
Can Xue Frequentemente apontada como candidata ao Nobel, a sua escrita é experimental, vanguardista e muito próxima do universo de Kafka.
Para entender a alma chinesa, é impossível ignorar os autores da antiguidade: Lao Tzu (Laozi): Atribuído a ele o "Tao Te Ching", a base do Taoísmo. Li Bai e Du Fu: Os dois maiores poetas da Dinastia Tang (a idade de ouro da poesia). Li Bai é o romântico e livre; Du Fu é o mestre do realismo e da consciência social. Cao Xueqin: Autor de "O Sonho da Câmara Vermelha", considerada a maior obra-prima da ficção clássica chinesa, um retrato detalhado da aristocracia da Dinastia Qing.




Novo romance de Moita Flores já nas livrarias

Já está nas livrarias o último romance de Francisco Moita Flores SANGUE E SILÊNCIO NO POÇO DOS NEGROS.
Diz Francisco: "Fico sempre emocionado e com uma dose de angústia quando vivo estes momentos em que me desnudo perante o público. Entrego-vos 16 meses de trabalho intenso. Labuta invisível, solitária, que preenche os meus dias e os meus sonos.É um livro policial. O segundo da minha já longa carreira. O primeiro foi o Mistério do Caso de Campolide.
Agora, regressei ao Poço dos Negros onde o Quincas, contínuo da PIDE, foi assassinado em 1969. Os meus detetives Simão Rosmaninho e Arengas tomam conta do caso à procura do misterioso assassino e, como qualquer livro policial clássico, no último capítulo, ele revela-se a quem tiver interesse em lê-lo.
Desejo-lhe boa caminhada. A partir de agora, já não é meu. É vosso. Gozem-no com o mesmo prazer que eu vivi ao escrevê-lo".
Trump está a prejudicar Europa




.A bailarina
de Auschwit dança agora nos céus
Já não está entre nós a bailarina de Auschwitz: Edith Eva Eger subiu aos céus aos 99 anos. Edith foi uma psicóloga de renome mundial, conferencista e autora, amplamente conhecida por ser uma sobrevivente do Holocausto. A sua história é uma das mais poderosas demonstrações de resiliência e cura do século XXI.
Dançar para Mengele
Nascida na Hungria, Edith era uma jovem bailarina e ginasta quando, em 1944, foi enviada para o campo de concentração de Auschwitz com a sua família. Os seus pais foram assassinados na câmara de gás logo à chegada. Edith sobreviveu a condições inimagináveis, incluindo o momento em que foi forçada a dançar para Josef Mengele (o "Anjo da Morte") para salvar a sua própria vida.
Após a guerra, mudou-se para os Estados Unidos, onde reconstruiu a sua vida. Já adulta e mãe, decidiu estudar psicologia, doutorando-se na área. Tornou-se discípula e amiga próxima de Viktor Frankl (autor de O Homem em Busca de Sentido), que a ajudou a compreender que, embora não pudesse mudar o passado, podia escolher como reagir a ele.

Edith tornou-se mundialmente famosa com a publicação das suas memórias:
"A Bailarina de Auschwitz" (The Choice): Um best-seller onde detalha a sua experiência na guerra e o seu processo de cura. O tema central é que a pior prisão não foi o campo de concentração, mas sim a "prisão da mente" que construímos para nós mesmos.
"A Libertação" (The Gift): Um guia prático onde partilha ferramentas para lidar com o trauma, o luto e o medo.
A Dra. Eger era carinhosamente chamada de "Anne Frank que sobreviveu". O seu trabalho focou-se em ajudar as pessoas a saírem do papel de vítimas e a encontrarem a liberdade através do perdão (especialmente o perdão a si mesmas) e da escolha consciente da alegria.
"Não podemos escolher o que nos acontece, mas podemos escolher como viver depois do trauma." — Edith Eger
Carol Guzy
já ganhou 4 Pulitzers
A vencedora da World Press Photo of the Year de 2026 é a fotógrafa norte-americana Carol Guzy, com a imagem intitulada Separated By ICE, captada a 26 de agosto de 2025 no edifício federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque. A fotografia regista o momento angustiante em que Luis, um migrante equatoriano, é detido por agentes da imigração após uma audiência em tribunal, enquanto as suas filhas se agarram a ele desesperadas. Entre os vencedores e finalistas deste ano, que contou com mais de 57 mil fotografias de 141 países, destacam-se também Saber Nuraldin, que captou palestinianos a cercarem um camião de ajuda em Gaza, e Victor J. Blue, que retratou as mulheres indígenas Maya Achi na Guatemala após vencerem uma batalha legal de 40 anos. O prémio reforça a importância do testemunho visual em zonas onde a história acontece, muitas vezes, sem outras testemunhas, premiando imagens que denunciam políticas sistémicas e celebram a resiliência humana.
ICE ganha World Press 2026

Carol Guzy é uma das fotojornalistas mais respeitadas do mundo, sendo a primeira profissional a conquistar quatro Prémios Pulitzer. Antiga enfermeira, transpôs essa sensibilidade humanitária para a lente, focando-se no sofrimento e na resiliência em cenários de crise ao serviço do The Miami Herald e do The Washington Post. Os seus Pulitzers, atribuídos entre 1986 e 2011, documentam eventos históricos como a erupção do vulcão Nevado del Ruiz, a crise no Kosovo e o sismo devastador no Haiti. Atualmente a trabalhar para a ZUMA Press, Carol continua a ser uma voz visual indispensável na denúncia de injustiças sociais.
Em 2026, o seu legado foi novamente consagrado ao vencer o World Press Photo of the Year com a imagem Separated By ICE. A fotografia regista a detenção de um pai migrante perante o desespero das filhas em Nova Iorque, servindo de testemunho cru sobre a dureza das políticas de imigração. A sua carreira é marcada por uma empatia profunda, provando que o fotojornalismo é uma ferramenta vital para dar visibilidade aos esquecidos da história.

Cartoonistas 'a bombardear' Trump






Nas mãos de um Lobo Mau
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V. cita Hitler:
Fomos apunhalados pelas costas
Vamos banalizando. Até porque se presta pouca atenção à história. Hoje o líder da extrema-direita disse isto várias vezes. Tal como Hitler o dizia, no caso para propagar o mito de que o exército alemão não fora derrotado em 1918 no campo de batalha, mas traído internamente, nomeadamente por judeus e socialistas. Teriam sido então "apunhalados pelas costas". Lenda, claro: que Alemanha perdeu e esta foi a narrativa da vitimizacao usada para a ascensão do nazismo. Prestem atenção. É com "isto" que a AD se entende. 25 de abril sempre!

Workers of world

300.000 pessoas nas ruas de Roma, contra o genocídio na Palestina e a guerra no Irã. No meio da cidade, na rodovia da cidade. Jovens e velhos juntos, animados, barulhentos e determinados.Um protesto também contra o governo Meloni e todos os governos que estão saqueando o mundo com guerras para impor os interesses do capital global.Obrigada Roma, te amo muito
Educação. Já saiu um número especial da Workers of the World sobre educação, que coordenei, tem artigos de Roberto Leher Roberto Valdés Puentes, entre outros. Esta revista académica é editada pela Associação Internacional de estudos das greves e dos conflitos sociais. A edição é do João Carlos. E a tradução da entrevista que realizámos a Carlos Fernandez Liria em inglês pelo António Simões Do Paço.


PEDRO SÁNCHEZ, PRIMEIRO-MINISTRO DE ESPANHAA Europa e o Mundo ficam a conhecer melhor Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha. Além do seu rotundo "não à guerra", já ele havia reconhecido o Estado da Palestina, clamara contra o golpe na Venezuela, erguera a voz contra a invasão russa da Ucrânia, recusara contribuir com 5% do orçamento espanhol para a Nato, reagira ao compadrio da América com Israel nesta guerra do Irão – e ei-lo agora a enfrentar o imperador Trump na questão dos acordos comerciais celebrados entre os dois países.
Devia a Europa saudar a ideologia, a firmeza e as convicções deste político que nos tange a partir de Espanha contra a fralda suja do mundo. E devia este triste governo português abrir os olhos, usar da razão e da consciência por esta voz que nos apela a uma unidade ibérica que infelizmente não existe, nunca existiu e não se sabe porquê.

O melhor que sei fazer.. é sonhar
Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer



"Dói-te alguma coisa?-Dói-me a vida, doutor.(...) -E o que fazes quando te assaltam essas dores?-O melhor que sei fazer, excelência.-E o que é?-É sonhar."
humor ... dramático




Menina carrega irmã em busca de auxilio
O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. As crianças estão a morrer de fome em casa enquanto os bombardeamentos incessantes reduzem a pó os acordos inúteis assinados em gabinetes distantes.
Gaza prisão a céu aberto
China já tem estação espacial habitada

Natália Correia
a poesia é uma viagem
A Defesa do Poeta
"Digo-vos que a poesia é uma viagem ao fim da noite de quem a escreve. Uma coragem de se ser apenas a voz do que no homem é mais leve.
Digo-vos que os poetas são as antenas do mundo que se quer e não se atreve. São os que têm as mãos cheias de penas e os pés na lama que o tempo não deve.
Não me peçam palavras de ordem. A minha ordem é a desordem do coração. Não me peçam que as ideias concordem com a cinza fria da vossa razão.
A poesia é a minha única pátria. A liberdade é o meu único chão."
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