Edição semanal 01 a 11 Janeiro 2026- sujeita a actualizações diárias

Invasão da Venezuela

Todos os grandes escritores 

 contra Trump  menos Lhosa


com breves resenhas da sua vida e obras destes autores Latino-Americanos

Os grandes escritores da América Latina estão contra a operação dos EUA na Venezuela, com excepção de (já falecido) Mário Vargas Lhosa. Esta afirmação  fundamenta-se na análise das suas obras e tomadas de posição, auxiliadas pelo recurso a várias fontes de IA, que tornam as averiguações mais rápidas.

Deixamos aqui algumas frases que teriam, por certo, saído das suas canetas, máquinas de escrever ou computadores. 

Luis Sepúlveda (Chile) 

"O Velho que Lia Romances de Amor" (1989) 

América Latina é um romance de terror 



Sepúlveda foi guerrilheiro e guarda-costas do presidente chileno deposto pelo golpe militar de  Pinochet. Morreu nas Astúrias, Espanha, vítima de covid.  Ele provavelmente diria que a queda de Maduro é necessária, mas por ser feita por tropas americanas é uma derrota moral para a luta latino-americana.

Ele escreveria uma crónica amarga dizendo que: "A história da América Latina é um romance de terror que nunca termina. Troca-se um carrasco local por um salvador estrangeiro, mas as mãos que trabalham a terra continuam vazias. A verdadeira liberdade não vem de Washington nem de um palácio em Caracas; ela nasce da memória e da coragem de um povo que não aceita patrões.

https://youtu.be/LtZkY4heKFI?si=2o4G1ixocWRkKo62

Origens Luís Sepúlveda (1949–2020) foi um escritor, jornalista e ativista chileno, reconhecido como uma das vozes mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. A sua obra combina aventura, compromisso político e uma profunda consciência ecológica.

Origens e Ativismo: Nasceu em Ovalle, no Chile. Desde cedo envolveu-se na militância política, tendo sido membro da guarda pessoal do presidente Salvador Allende. Após o golpe militar de Pinochet em 1973, foi preso e torturado. Graças à pressão da Amnistia Internacional, a sua pena foi comutada para exílio. Viveu em vários países, incluindo Brasil, Uruguai e Equador.  No Equador, viveu entre os índios Shuar na Amazónia, uma experiência que mudou a sua visão do mundo. Mais tarde, na Europa, colaborou ativamente com a Greenpeace, navegando num dos seus navios. 

Vida na Europa: Viveu em Hamburgo e Paris antes de se fixar em Gijón, Espanha, onde fundou o Salão do Livro Ibero-Americano. Foi uma das primeiras figuras públicas da cultura a falecer devido a complicações da COVID-19, em abril de 2020.

Obra Principal

Sepúlveda é conhecido pelo seu estilo direto, narrativo e repleto de humanidade. As suas obras mais marcantes são: O Velho que Lia Romances de Amor (1989): Traduzido em dezenas de línguas, este livro nasceu da sua convivência com os índios Shuar. É uma crítica à destruição da Amazónia e uma homenagem à resistência da natureza e à dignidade humana. História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (1996): Um clássico contemporâneo que aborda temas como a solidariedade, a honra e o respeito pela diferença, através da improvável amizade entre um gato e uma cria de gaivota.  História de um Caracol que Descobriu a Importância da Lentidão (2013): Uma fábula sobre a identidade e o valor de seguir o próprio ritmo.

Crónicas e Viagens 

Patagónia Express (1995): Um livro de viagens e memórias que percorre as paisagens e as gentes do sul do mundo, reafirmando o seu talento como contador de histórias. Mundo do Fim do Mundo (1996): Um romance que mistura investigação e ativismo ecológico contra a caça ilegal de baleias. A Sombra do que Fomos (2009): Um olhar nostálgico e irónico sobre o destino dos antigos militantes políticos.

Isabel Allende (Chile)  

"A Casa dos Espíritos" (1982) 

retorno de um fantasma sombrio do Séc.XX

Isabel veria a captura de Maduro como o retorno de um fantasma sombrio do século XX .

Como sobrinha de Salvador Allende (deposto por um golpe apoiado pelos EUA), ela tem o trauma da intervenção externa no seu sangue. Isabel já declarou que intervenções armadas "sabem como se começam, mas não como terminam".

Isabel Allende é considerada a escritora de língua espanhola mais lida do mundo. Assim como Jorge Amado elevou a cultura baiana, Allende é a grande embaixadora da identidade latino-americana contemporânea, misturando factos históricos com o realismo mágico.

Origens e Família: Nasceu em Lima, no Peru (1942), mas é de nacionalidade chilena. É sobrinha (e afilhada) de Salvador Allende, o presidente do Chile que foi deposto e morto no golpe militar de 1973. Exílio: Após o golpe de Pinochet, a sua segurança foi ameaçada. Fugiu para a Venezuela, onde viveu 13 anos. Foi no exílio que começou a escrever o seu primeiro grande sucesso.

Carreira Inicial: Antes de ser romancista, foi uma jornalista de sucesso, apresentadora de televisão e escreveu peças de teatro e contos infantis.

Tragédia Pessoal: Em 1992, perdeu a sua filha, Paula, devido a complicações de porfíria. Este evento marcou uma viragem profunda e dolorosa na sua escrita.

\Atualidade: Vive na Califórnia desde a década de 80. Em 2014, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdadede Barack Obama e, em 2010, o Prémio Nacional de Literatura do Chile.

Principais Obras

A escrita de Allende é famosa por personagens femininas fortes, sagas familiares e uma forte componente de memória e justiça social.

A Casa dos Espíritos (1982): O seu romance de estreia e obra-prima. Narra a saga da família Trueba ao longo de quatro gerações, misturando política e misticismo no Chile. De Amor e de Sombra (1984): Um retrato corajoso da repressão durante a ditadura militar chilena através de um romance proibido. Eva Luna (1987): A história de uma contadora de histórias que usa a imaginação para sobreviver e ascender socialmente.

Memórias e Emoção

Paula (1994): Um livro de memórias escrito enquanto a sua filha estava em coma. É considerado por muitos o seu texto mais íntimo e poderoso. A Soma dos Dias (2007): Uma continuação das suas memórias familiares, focada na vida na Califórnia e na superação do luto.

Romances Históricos e Recentess

Inês da Minha Alma (2006): Sobre Inés Suárez, a mulher que participou na conquista do Chile. Longo Pétalo de Mar (2019): Narra a jornada de refugiados da Guerra Civil Espanhola que partem para o Chile no navio fretado pelo poeta Pablo Neruda. Violeta (2022): A história de uma mulher que vive 100 anos, entre duas pandemias (a Gripe Espanhola e a COVID-19). O Meu Nome é Emilia del Valle (2025): O seu lançamento mais recente, continuando a sua tradição de protagonistas femininas marcantes.

Curiosidade: Isabel Allende mantém uma tradição rigorosa: começa sempre a escrever os seus novos livros no dia 8 de janeiro, data em que começou a escrever a carta que se tornaria A Casa dos Espíritos.

Mário Vargas Llosa 

(Peru) "A Festa do Bode" (2000) 

foi um "mal necessário"


Lhosa é a grande exceção, apoiaria com reservas. O Nobel peruano era um conservador convicto e o crítico mais feroz de Maduro. Llosa já afirmara que a "pressão máxima" era necessária e que o regime venezuelano era uma "gangue de narcotraficantes". Ele provavelmente seria o único a dizer que a captura de Maduro, embora traumática, foi um "mal necessário" para restaurar a democracia e salvar vidas.

Mario Vargas Llosa (1936–2025) foi um dos maiores escritores e intelectuais do século XX, sendo o último sobrevivente do fenômeno literário conhecido como Boom Latino-Americano. Ao contrário do realismo mágico de Garcia Márquez, a sua obra foca-se numa análise crua das estruturas de poder, da política e da condição humana.

Biografia Origens e Juventude: Nasceu em Arequipa, no Peru. Durante grande parte da infância, acreditou que o seu pai tinha morrido, uma mentira contada pela mãe para esconder a separação. O reencontro com o pai, um homem autoritário, aos 10 anos, foi um trauma que influenciou a sua rebeldia e a sua escrita.

Formação Militar e Literária: Estudou no Colégio Militar Leoncio Prado, experiência que serviu de base para o seu primeiro grande romance. Mais tarde, viveu na Europa (Madrid, Paris, Londres), onde se consagrou como escritor. 

Viragem Política: Na juventude, foi entusiasta da Revolução Cubana, mas rompeu com o comunismo nos anos 70, tornando-se um defensor fervoroso do liberalismoCandidatura Presidencial: Em 1990, concorreu à presidência do Peru, mas foi derrotado por Alberto Fujimori no segundo turno. Após a derrota, mudou-se para Espanha e adquiriu a cidadania espanhola. Reconhecimento: Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 2010. Foi também o primeiro escritor de língua não francesa a ser admitido na prestigiada Academia Francesa. Falecimento: Morreu a 13 de abril de 2025, aos 89 anos, em Lima.

Obra Principal

A obra de Vargas Llosa caracteriza-se pelo uso de técnicas narrativas complexas (como diálogos simultâneos e saltos temporais) e pela exploração da corrupção e do autoritarismo.

Os Grandes Romances

A Cidade e os Cães (1963): O livro que o lançou para a fama. Retrata a brutalidade e a hipocrisia num colégio militar em Lima. Foi tão polémico que exemplares do livro foram queimados publicamente por militares peruanos.

Conversa n'A Catedral (1969): Considerada por muitos a sua obra-prima. Através de uma conversa de bar entre dois homens, o livro faz uma radiografia da corrupção e da decadência moral sob a ditadura de Manuel Odría no Peru. Contém a famosa pergunta: "Em que momento se tinha lixado o Peru?"

A Guerra do Fim do Mundo (1981): Um épico histórico sobre a Guerra de Canudos, no sertão brasileiro. É a sua obra mais ambiciosa e uma profunda reflexão sobre o fanatismo. A Festa do Chibo (2000): Um retrato magistral e terrível da ditadura de Rafael Trujillo na República Dominicana.

Obras Mais Leves e Pessoais

A Tia Julia e o Escrevedor (1977): Um romance semiautobiográfico que narra o seu escandaloso romance de juventude com uma tia política e a sua vida como redator de rádio.

As Travessuras da Menina Má (2006): Uma história de amor obsessiva que atravessa décadas e várias cidades do mundo (Paris, Londres, Tóquio). Peixe na Água (1993): O seu livro de memórias, onde intercala a história da sua infância com o relato da sua campanha presidencial.

Juan Rulfo (México)

"Pedro Páramo" (1955)

revoluções passam mas a fome fica



Rulfo provavelmente não diria nada. Apenas descreveria o silêncio que ficaria em Caracas após as bombas. Para Rulfo, não importa quem está no palácio; para o camponês morto de sede, o poder é sempre uma entidade distante e cruel que não lhe dá a terra, apenas a sepultura.

O autor de Pedro Páramo escrevia sobre abandono e fatalismo. No mundo de Rulfo, as revoluções passam mas a fome e a poeira permanecem.

Juan Rulfo (México)

"Pedro Páramo" (1955)

revoluções passam mas a fome fica



Juan Rulfo (1917–1986) foi um escritor, argumentista e fotógrafo mexicano. Embora tenha publicado apenas dois livros principais de ficção, a sua influência na literatura mundial é imensa, sendo considerado o "pai" espiritual do realismo mágico.

Juan Rulfo (México)

"Pedro Páramo" (1955)

revoluções passam mas a fome fica



Infância Marcada pela Violência: Nasceu no estado de Jalisco. A sua infância foi profundamente afetada pela Guerra Cristera (um conflito religioso e civil no México), durante a qual perdeu o pai e a mãe. Estas experiências de morte, orfandade e desolação rural tornaram-se o centro da sua obra.

Múltiplas Facetas: Além de escritor, Rulfo foi um fotógrafo extraordinário, capturando a paisagem e o povo mexicano com uma sensibilidade melancólica. Trabalhou também para o Instituto Nacional Indigenista do México.

Gabriel García Márquez (Colômbia) 

"Cem Anos de Solidão" (1967) 

soluções sem a tutela de Washington


Marquez veria a captura de Maduro como uma repetição do "destino manifesto" que ele tanto criticou em seus livros. Márquez era amigo íntimo de Fidel Castro e usou essa influência para libertar presos políticos cubanos. 

No seu discurso de atribuição do prémio Nobel, ele clamou para que a América Latina não fosse "território de manobra" das grandes potências. Para ele, o continente deveria encontrar suas próprias soluções sem a tutela de Washington. 

Origens: Gabriel García Márquez (1927–2014), carinhosamente conhecido como Gabo, foi um escritor, jornalista e ativista político colombiano. É o expoente máximo do Realismo Mágico e um dos autores mais lidos e amados de todos os tempos.

Infância e Influências: Nasceu em Aracataca, Colômbia. Foi criado pelos avós maternos; o avô, um coronel, contava-lhe histórias de guerras, enquanto a avó o fascinava com lendas e superstições fantásticas que moldariam o seu estilo literário. 

Jornalismo: Começou como repórter e crítico de cinema. O jornalismo foi, para ele, "a melhor profissão do mundo" e a base para a sua escrita precisa, mesmo quando narrava o impossível.

https://youtu.be/OkDIBPXZd_k?si=-vjOq-gFAgakHyFP

O Boom Latino-Americano: Na década de 60, foi uma das figuras centrais deste movimento literário que colocou a literatura da América Latina no centro do mapa mundial. Prémio Nobel: Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1982, tornando-se um herói cultural em todo o continente. Política e Amizades: Era conhecido pelas suas convicções de esquerda e pela sua amizade próxima e polémica com Fidel Castro. Viveu grande parte da sua vida adulta no México, onde faleceu.

Obras

A escrita de Gabo é marcada pela invenção de Macondo, uma aldeia mítica que serve de espelho para a história e a alma da América Latina.

Cem Anos de Solidão (1967): É o pilar do realismo mágico. Narra a ascensão e queda da família Buendía ao longo de sete gerações em Macondo. Mistura o quotidiano com o sobrenatural (como mortos que falam ou chuvas de flores) de forma natural.

O Amor nos Tempos de Cólera (1985): Uma das mais belas histórias de amor da literatura, inspirada na relação dos próprios pais do autor. Explora a persistência do amor de Florentino Ariza por Fermina Daza durante mais de 50 anos. Crónica de uma Morte Anunciada (1981): Um romance curto onde o narrador reconstrói um crime que toda a gente na cidade sabia que ia acontecer, mas que ninguém evitou. 

O Outono do Patriarca (1975): Uma exploração densa e quase poética sobre a solidão do poder e a figura do ditador latino-americano. Ninguém Escreve ao Coronel (1961): Uma obra mais realista e contida sobre a dignidade e a esperança de um velho militar que espera por uma reforma que nunca chega.

Contos e Jornalismo

Relato de um Náufrago (1955): Um trabalho jornalístico brilhante que narra a sobrevivência de um marinheiro à deriva, escrito com o ritmo de um romance de aventura. Doze Contos Peregrinos (1992): Histórias sobre latino-americanos na Europa, onde o estranho e o nostálgico se cruzam.

Nota Recente: Em 2024, foi publicado o seu livro póstumo, "Vemo-nos em Agosto", que ele escreveu nos seus últimos anos de vida enquanto lutava contra a perda de memória.

Jorge Luís Borges (Argentina)

"Ficções" (1944) 

mais um capítulo de uma "enciclopédia de infâmias


viveu o peronismo na Argentina e o descrevia como "uma forma de barbárie". Para ele, figuras como Maduro seriam apenas "personagens vulgares" de uma história repetitiva.

Ele veria Maduro não como um mártir ou um herói, mas como um homem sem substância intelectual, um "subproduto do caos". Provavelmente não teria pena do ditador capturado, pois via o autoritarismo como uma falta de imaginação.

Embora Borges tenha sido criticado por aceitar, em 22 de Setembro de 1976, uma condecoração de Pinochet (o que lhe custou o Nobel), ele não era um entusiasta de invasões épicas. E via os Estados Unidos com uma mistura de admiração por sua literatura (como Poe e Whitman) e perplexidade por sua política.

Borges diria que a invasão americana era apenas outro capítulo de uma "enciclopédia de infâmias". Ele provavelmente zombaria do espetáculo mediático de Trump, vendo-o como um personagem de um conto de piratas, e não como um líder civilizado.

Origens: Jorge Luis Borges (1899–1986) foi um dos maiores vultos da literatura do século XX. O seu estilo é único, misturando erudição enciclopédica, filosofia, fantasia e uma precisão de linguagem quase matemática.

Infância Bilíngue: Nasceu em Buenos Aires, mas cresceu a falar espanhol e inglês (graças à sua avó paterna). Aos 10 anos, já traduzia Oscar Wilde.

A Europa e o Ultraísmo: Viveu na Suíça e na Espanha durante a juventude, onde se envolveu com movimentos de vanguarda antes de regressar à Argentina em 1921. O "Destino dos Livros": Trabalhou durante anos como bibliotecário. Em 1955, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, curiosamente no mesmo ano em que a sua cegueira se tornou total.

A Cegueira: Borges herdou uma doença degenerativa do pai. Ele dizia, com ironia e poesia, que Deus lhe tinha dado, ao mesmo tempo, "os livros e a noite". Passou a ditar as suas obras e a depender da memória e de leitores.

Polémica e o Nobel: Apesar de ser o favorito eterno, nunca recebeu o Prémio Nobel de Literatura, possivelmente devido às suas posições políticas conservadoras e ao encontro que teve com o ditador Augusto Pinochet.Morte: Faleceu em Genebra, na Suíça, cidade que considerava a sua segunda pátria.

Obra 

A obra de Borges não é feita de romances longos, mas de contos curtos, ensaios e poemas densos. Ele acreditava que a filosofia e a teologia eram apenas ramos da literatura fantástica.

Labirintos e Espelhos: Símbolos do infinito e da confusão do real. O Tempo: A ideia de tempos circulares, paralelos ou estáticos. Bibliotecas Infinitas: O universo visto como um arquivo de todos os livros possíveis.

Ficções (1944): A sua obra mais icónica. Inclui contos como "O Jardim de Veredas que se Bifurcam" e "A Biblioteca de Babel". É o livro que o consagrou mundialmente.

O Aleph (1949): Contém o famoso conto homónimo sobre um ponto no espaço que contém todos os outros pontos do universo. Explora o conceito do infinito.

História Universal da Infâmia (1935): Uma mistura de biografia e ficção sobre criminosos reais, reescrita com o seu toque fantástico. O Livro dos Seres Imaginários (1967): Uma espécie de enciclopédia fantástica que reúne criaturas da mitologia e da literatura mundial.

O Livro de Areia (1975): Obra da fase final, onde retoma temas de objetos impossíveis e paradoxos matemáticos.

Borges costumava dizer: "Que outros se orgulhem das páginas que escreveram; eu orgulho-me das que li".

Jorge Amado (Brasil) 

"Capitães da Areia" (1937) 

Venezuela: a "Gabriela" sendo sequestrada


Amado veria a Venezuela como uma "Gabriela" sendo sequestrada por um novo coronel estrangeiro.

O mestre baiano manteve sempre uma postura anti-imperialista. Para ele, a liberdade vinda de fora, especialmente trazida por quem historicamente explorou a região, seria vista com profunda desconfiança. 

Origens: Nasceu em Itabuna, no sul da Bahia, numa fazenda de cacau. A infância em Ilhéus marcou profundamente a sua escrita. Carreira e Militância: Formou-se em Direito, mas dedicou-se ao jornalismo e à literatura. Foi um militante comunista ativo, o que o levou à prisão e ao exílio em países como Argentina, França e República Checa.

Política: Foi deputado federal pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) em 1946, sendo o autor da lei que assegura a liberdade de culto religioso no Brasil.

Reconhecimento: Em 1961, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (Cadeira 23). Recebeu o Prémio Camões (1994), o mais importante da língua portuguesa.

Vida Pessoal: Foi casado com a também escritora Zélia Gattai, com quem viveu grande parte da vida na famosa "Casa do Rio Vermelho", em Salvador.

Principais Obras A obra de Jorge Amado costuma ser dividida em duas fases: uma inicial de forte denúncia social e política, e uma posterior focada em costumes, sensualidade e humor.

O País do Carnaval (1931): A sua estreia literária. Cacau (1933): Retrata a vida dura dos trabalhadores nas fazendas de cacau. Capitães da Areia (1937): Um dos seus livros mais famosos, sobre um grupo de meninos de rua em Salvador. Terras do Sem-Fim (1943): Épico sobre as lutas violentas pela posse de terras de cacau.

Crónicas de Costumes e Personagens Femininas Gabriela, Cravo e Canela (1958): Marca a transição para um estilo mais leve e sensual, focado na transformação da cidade de Ilhéus. A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água (1959): Uma novela curta e magistral sobre a malandragem baiana. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966): Uma mistura de realismo e fantasia que se tornou um fenómeno mundial. Tieta do Agreste (1977): Outro grande sucesso sobre o regresso triunfal de uma mulher expulsa da sua terra natal.

Eduardo Galeano (Chile)

"As Veias Abertas da América Latina" (1971)


uma nova forma de colonialismo


seria o crítico mais mordaz. Para ele, a história do continente é a história da espoliação.

"Mudamos o tirano, mas não mudamos o dono." Ele veria a declaração de Trump sobre a administração do petróleo como a prova final de que a invasão não foi por democracia, mas por recursos. Para Galeano, a liberdade trazida pelas espingardas americanas é apenas uma nova forma de colonialismo.


Eduardo Galeano (1940–2015) foi um influente jornalista e escritor uruguaio, conhecido por ser a voz das veias abertas e das esperanças da América Latina. A sua obra é uma mistura única de documentário, ficção, jornalismo e análise histórica.


Nasceu em Montevidéu. Começou a sua carreira muito jovem; aos 14 anos, já vendia charges políticas para o jornal El Sol.

Jornalismo e Militância: Foi editor de publicações míticas como o semanário Marcha e o diário Época. O seu trabalho sempre foi marcado pelo compromisso com os Direitos Humanos e com as causas sociais da região. 

Prisão e Exílio: Após o golpe militar de 1973 no Uruguai, foi preso e, mais tarde, forçado ao exílio. Viveu na Argentina (onde fundou a revista Crisis) e em Espanha. Regressou ao seu país em 1985 com a redemocratização. Estilo Único: Galeano rejeitava as divisões tradicionais de géneros literários. Escrevia textos curtos, quase poéticos, que ele chamava de "caçador de histórias", procurando dar voz àqueles que a história oficial costuma esquecer.

Obra 

A sua bibliografia é vasta, mas alguns títulos tornaram-se símbolos do pensamento latino-americano: As Veias Abertas da América Latina (1971): É o seu livro mais famoso. Uma análise profunda da história de exploração do continente, desde a colonização até ao século XX. Tornou-se um livro de cabeceira para gerações de estudantes e ativistas.

A História Pelos Olhos dos Vencidos Memória do Fogo (Trilogia, 1982–1986): Uma obra monumental dividida em três volumes (Os Nascimentos, As Caras e as Máscaras e O Século do Vento). Nela, Galeano reconta a história da América através de pequenos relatos que misturam factos históricos com lendas e poesia.

Outras Obras Marcantes

O Livro dos Abraços (1989): Uma coletânea de textos curtos, sonhos e memórias, ilustrada pelo próprio autor, que celebra a humanidade e a resistência através dos pequenos gestos. 

O Futebol ao Sol e à Sombra (1995): Uma homenagem lírica e crítica ao futebol, esporte que ele amava, mas cujas estruturas de poder também denunciava. Espelhos – Uma Quase História Universal (2008): Uma tentativa de recontar a história do mundo sob a perspetiva dos excluídos e dos eventos ignorados pelos manuais tradicionais. Os Filhos dos Dias (2012): Um livro em formato de calendário, onde cada dia do ano revela uma história escondida ou uma efeméride esquecida.

Uma curiosidade: Galeano dizia que não era um historiador, mas um escritor que desejava ajudar a recuperar a memória "sequestrada" da América Latina.

Mariana Enríquez (Argentina) 

"Nossa Parte de Noite" (2019)

um ritual de poder bruto e sombrio


Mariana provavelmente retrataria Trump não como um líder político, mas como um "Sumo Sacerdote" de uma seita do norte, que atravessa fronteiras para reclamar uma oferenda. A invasão não seria uma "libertação", mas um ritual de poder bruto e sombrio. Ela veria a arrogância de Trump como uma forma de possessão demoníaca pela riqueza e pelo ego.

Em seus contos, Enríquez frequentemente descreve figuras de autoridade que se tornam grotescas. Ela não veria Maduro como um líder político, mas como um ídolo de barro que finalmente se quebrou.

Origens Mariana Enríquez (1973) é uma escritora e jornalista argentina, considerada uma das vozes mais potentes do horror contemporâneo e do "novo gótico latino-americano". A sua escrita utiliza o sobrenatural para explorar traumas sociais, desigualdade e o legado da ditadura militar na Argentina.

Nasceu em Buenos Aires e cresceu em Valentín Alsina. Estudou Jornalismo e Comunicação Social na Universidade Nacional de La Plata.

Carreira Jornalística: Trabalha como jornalista desde jovem e é subeditora do suplemento cultural Radar, do jornal argentino Página/12. A sua escrita é muito influenciada pelo rock, pela cultura punk e pelo submundo urbano. Estreia Precoce: Publicou o seu primeiro romance, Bajar es lo peor (1995), com apenas 21 anos, tornando-se rapidamente uma figura de culto na literatura argentina. Reconhecimento: A sua consagração internacional chegou com as suas coletâneas de contos de terror. Em 2019, venceu o prestigiado Prémio Herralde de Novela com A Nossa Parte da Noite.

Enríquez é mestre em misturar o realismo mais cru(pobreza, violência policial, corrupção) com elementos do fantástico e do macabro.

As Coisas que Perdemos no Fogo (2016): Um marco do terror moderno. Os contos exploram temas como a violência contra a mulher, a vida nas favelas (villas) e rituais obscuros. Os Perigos de Fumar na Cama (2009/2023): Histórias perturbadoras que envolvem crianças desaparecidas, maldições e o grotesco no quotidiano. Um Lugar Luminoso para Gente Sombria (2024): A sua mais recente coletânea de contos, mantendo o foco no estranho e no sobrenatural.

Romances e Outros Géneros

A Nossa Parte da Noite (2019): Um romance épico de mais de 600 páginas que mistura uma seita que procura a vida eterna, a relação entre um pai e um filho e os anos de chumbo da ditadura argentina.

A Irmã Menor (2014): Uma biografia fascinante sobre a escritora argentina Silvina Ocampo. Alguém Caminha Sobre o Teu Túmulo (2013): Um livro de crónicas de viagens onde a autora relata as suas visitas a diversos cemitérios pelo mundo. Este é o Mar (2017): Uma novela que explora o fanatismo por ídolos do rock através de uma lente mitológica e sombria.

Estilo: A sua obra é frequentemente descrita como "horror social". Ela utiliza fantasmas e demónios para dar rosto a horrores reais, como a desigualdade económica e os desaparecidos políticos.

Fernanda Melchor (México) 

"Temporada de Furacões" (2017) 

O monstro mudou de rosto


o seu olhar seria visceral, cru e desprovido de qualquer romantismo político. Melchor é conhecida por uma escrita impiedosa, que explora a violência sistémica, o machismo, a miséria e como o poder corrompe não apenas as instituições, mas o próprio tecido da alma humana.

Elas escreveria: "O monstro mudou de rosto, mas cortina de fumaça para interesses económicos." Melchor diria que a queda de Maduro pelas mãos de soldados estrangeiros não limpa o país; apenas adiciona uma nova camada de trauma. 

Ela focar-se-ia nos bairros pobres de Caracas, onde a "libertação" americana será sentida como uma nova forma de ocupação por homens armados que não falam a língua daquelas pessoas.

A "salvação" americana, será considerada apenas mais uma forma de violência patriarcal e imperialista sobre um corpo (o país) já exaurido.


Fernanda Melchor (1982) é uma das vozes mais radicais e impactantes da literatura mexicana atual. A sua escrita é conhecida pela brutalidade, pelo ritmo frenético e pela exploração da violência estrutural e do machismo no México contemporâneo, utilizando uma linguagem que mistura o jornalismo policial com uma prosa barroca e visceral.

Origens: Nasceu em Veracruz, uma região que serve de cenário para grande parte das suas histórias e que é marcada por contrastes sociais e violência ligada ao narcotráfico.

Formação: Formou-se em Jornalismo pela Universidade Veracruzana. A sua técnica de investigação e o olhar atento aos detalhes da crónica policial (conhecida no México como nota roja) são a base da sua ficção. Consagração Internacional: Tornou-se um fenómeno global com o romance Temporada de Furacões, que foi finalista do International Booker Prize em 2020.

Reconhecimento: É considerada pela revista Granta e por diversos críticos como uma das escritoras mais importantes da sua geração na América Latina.

A obra de Melchor não é para leitores sensíveis; ela mergulha nas zonas mais sombrias da psique humana e das relações de poder.

A Obra-Prima Temporada de Furacões (2017): O livro começa com o assassinato da "Bruxa" de uma pequena aldeia chamada La Matosa. Através de um estilo de escrita denso, sem quase pausas para respirar (parágrafos longos e poucos pontos finais), o romance explora a miséria, o abandono, a misoginia e o desespero que levaram ao crime. É uma "radiografia do mal".

Outros Títulos de Relevo

Falsa Lebre (2013): O seu romance de estreia, que já apresentava os temas da violência juvenil e do abandono nas costas de Veracruz.

Aqui não é Miami (2013): Uma coletânea de crónicas jornalísticas (ou "relatos") que fundem factos reais com técnicas narrativas da ficção para retratar a vida cotidiana em Veracruz sob a sombra do crime organizado.

Páradais (2021): Explora a obsessão e a violência através de dois adolescentes de classes sociais opostas que se unem num plano terrível dentro de um condomínio de luxo. O livro analisa como o desejo e o ressentimento podem levar à barbárie.

Estilo e Temas

Linguagem Oral e Crua: Melchor utiliza uma linguagem cheia de calão, palavrões e expressões populares, criando uma imersão total na realidade das suas personagens.O Corpo e a Violência: A violência na sua obra não é gratuita; é uma consequência de sistemas sociais falhados, do machismo enraizado e da pobreza extrema.

Ritmo "Vertiginoso": A sua prosa é descrita frequentemente como um "furacão" ou um "torrente", obrigando o leitor a enfrentar a história sem desvios.

Dica de Leitura: Se queres conhecer o novo "boom" feminino da literatura latino-americana (ao lado de nomes como Mariana Enríquez), Temporada de Furacões é a porta de entrada obrigatória.

Clarice Lispector (Brasil)

 A Paixão Segundo G.H 


"náusea" diante do espetáculo de Trump


Clarice não era uma escritora de "manchetes" ou de ideologias externas; ela era a escritora do "ser", da perplexidade e do que sobra de um humano quando lhe tiram o poder ou a liberdade. Tinha uma profunda aversão ao que era óbvio e estridente.

Ela provavelmente sentiria uma certa "náusea" diante do espetáculo mediático de Trump e da prisão de Maduro. Ela diria que a encenação política é uma forma de mentira que nos afasta da essência humana.

Na sua obra (especialmente em A Paixão Segundo G.H.), Clarice explora como a liberdade pode ser aterrorizante. Ela poderia escrever que Maduro, ao ser preso, talvez tenha encontrado uma liberdade terrível: a de não precisar mais sustentar a mentira do poder. E diria que Trump, ao prendê-lo, torna-se prisioneiro de sua própria necessidade de controle.

Clarice Lispector (1920–1977) foi uma das escritoras mais originais e influentes da literatura do século XX. Embora tenha nascido na Ucrânia, declarava-se brasileira e tornou-se a maior expoente do Modernismo de 1945 no Brasil. A sua escrita é marcada pela introspecção, pelo fluxo de consciência e pela exploração da alma humana.

Aqui tens um resumo da sua vida e das suas obras fundamentais:

Origens: Nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, numa aldeia ucraniana, enquanto a sua família judia fugia da perseguição russa. Chegou ao Brasil com apenas dois meses, vivendo primeiro em Maceió e depois no Recife, cidade que guardou na memória com profunda nostalgia.

Formação e Carreira: Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e começou a trabalhar como jornalista. Em 1943, casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, o que a levou a viver quase duas décadas no estrangeiro (Itália, Suíça, Inglaterra e EUA), embora se sentisse constantemente "exilada" do Brasil.

O Enigma Clarice: Conhecida pela sua beleza enigmática e personalidade reservada, Clarice evitava entrevistas e a vida social literária. Em 1966, sofreu um grave acidente (um incêndio no seu quarto causado por um cigarro) que lhe deixou cicatrizes profundas e afetou a sua saúde. 

Morte: Faleceu no Rio de Janeiro, vítima de cancro, na véspera do seu 57.º aniversário.

Obra Principal

Ler Clarice não é apenas seguir uma história, mas mergulhar numa experiência sensorial e filosófica. Ela é famosa pelas epifanias: momentos em que um acontecimento banal (ver uma barata, um cego a mascar pastilha) revela uma verdade profunda sobre a existência.

Os Grandes Romances

Perto do Coração Selvagem (1943): O seu romance de estreia, que revolucionou a literatura brasileira pela sua estrutura introspectiva, sendo comparada na época a James Joyce e Virginia Woolf.

A Paixão Segundo G.H. (1964): Considerada a sua obra mais densa e radical. Uma mulher rica, no seu apartamento, entra num estado de transe filosófico após matar e comer uma barata, questionando toda a base da sua identidade. A Hora da Estrela (1977): Publicado pouco antes da sua morte. Narra a história de Macabéa, uma dactilógrafa nordestina pobre e invisível no Rio de Janeiro. É um livro que mistura denúncia social com uma profunda reflexão sobre o ato de escrever.

Contos (Onde a sua mestria brilha) 

Laços de Família (1960): Uma coletânea de contos que explora as tensões e os abismos escondidos nas relações familiares e quotidianas. A Legião Estrangeira (1964): Contém alguns dos seus contos mais famosos, onde o bizarro e o poético se encontram.

Estilo e Temas

Fluxo de Consciência: A narrativa acompanha o pensamento caótico e fragmentado das personagens. O "Inizível": Clarice tentava colocar em palavras sensações que a linguagem comum não consegue captar. A Condição Feminina: Muitas das suas protagonistas são mulheres presas à rotina doméstica que, de repente, sentem o peso do vazio existencial.

"Eu não escrevo para fora, eu escrevo para dentro." — Clarice Lispector

Pablo Neruda (Chile) 

"20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"


vieram para morder a terra que nos pertence


foi poeta, militante comunista fervoroso, senador no Chile e diplomata. Ele viveu na própria pele as tensões da Guerra Fria e a influência dos Estados Unidos na América Latina. Apoiou regimes de esquerda, mesmo os autoritários (ele chegou a escrever um polémico elogio a Estaline). Por isso poderia tentar defender Maduro como uma vítima do sistema capitalista.

Se Neruda estivesse vivo em 2026, ele talvez escrevesse algo como: "Vieram outra vez com suas leis de metal / e seus dentes de ouro para morder a terra que nos pertence. / Não buscam a justiça, buscam o petróleo e o medo. / Mas o silêncio de Caracas falará mais alto que as algemas do capitão do norte."

Pablo Neruda (1904–1973) foi um dos poetas mais influentes e populares do século XX. Chileno, diplomata e político, a sua obra é um vasto oceano que vai do romantismo mais puro ao surrealismo e ao compromisso político fervoroso.

Aqui tens um resumo da sua vida e das suas obras essenciais:

Origens: Nasceu como Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto em Parral, no Chile. O seu pai, ferroviário, opunha-se à sua inclinação literária, o que o levou a adotar o pseudónimo Pablo Neruda (em homenagem ao poeta checo Jan Neruda) para publicar os seus primeiros poemas.

Diplomacia e Viagens: Serviu como cônsul em diversos países (Birmânia, Java, Espanha, França, México). Estas viagens abriram o seu horizonte poético e político.

Guerra Civil Espanhola: Este evento foi um divisor de águas na sua vida. A execução do seu amigo Federico García Lorca e o horror da guerra transformaram-no num poeta combatente e comunista convicto.

Política: Foi senador no Chile, mas teve de se exilar em 1948 após o governo perseguir o Partido Comunista. Regressou triunfante anos depois, tornando-se um símbolo nacional.

Reconhecimento: Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1971, sendo chamado pelo escritor Gabriel García Márquez de "o maior poeta do século XX em qualquer idioma". Morte: Faleceu em 1973, apenas doze dias após o golpe militar de Pinochet. Embora a versão oficial tenha sido cancro, investigações recentes sugerem a possibilidade de envenenamento por motivos políticos.

Obra 

A poesia de Neruda costuma ser classificada em quatro grandes vertentes: A Poesia de Amor (A fase mais popular)

Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924): Escrito quando tinha apenas 19 anos, é um dos livros de poesia mais lidos do mundo. Celebra o amor e a melancolia com uma linguagem simples e direta.

A Fase Surrealista e Existencial Residência na Terra (1933–1935): Uma obra densa e sombria, onde Neruda explora a desintegração do mundo e do homem através de imagens complexas e metafísicas.

A Poesia Épica e Política Canto Geral (1950): A sua obra mais ambiciosa. É uma enciclopédia poética da América Latina, abordando desde a criação da terra e as civilizações pré-colombianas até às lutas sociais contemporâneas. Inclui o famoso poema "Alturas de Macchu Picchu".

A Poesia do Quotidiano Odes Elementares (1954): Aqui, Neruda simplifica a sua linguagem para celebrar as coisas simples da vida: a cebola, o tomate, a tesoura, o pão ou o mar. Memórias Confesso que Vivi (1974): Autobiografia publicada postumamente, essencial para compreender a sua vida, os seus amores e a sua visão do mundo.

Estilo e Legado

Versatilidade: Neruda conseguia ser íntimo e delicado num poema de amor e, na página seguinte, ser grandioso e revolucionário. Obsessão com a Natureza: O mar (especialmente em Isla Negra, onde vivia) e as pedras do Chile são temas constantes que dão textura à sua escrita.

As Três Casas: As suas casas chilenas (La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra) são hoje museus que refletem a sua personalidade colecionadora e náutica.

Roberto Bolaño (Chile)

"Os Detetives Selvagens" (1998) 

Trump é um detective fracassado


provavelmente escreveria sobre a natureza bizarra e fantasmagórica da operação. Veria Maduro e Trump como personagens de um romance de detetive fracassado, onde a verdade desaparece no deserto e o povo continua sendo a vítima de uma violência que ninguém consegue explicar ou deter.

Bolaño, em obras como 2666, explorou o mal absoluto e o vazio das instituições. Ele tinha um asco profundo por ditaduras (viveu o golpe no Chile), mas também rejeição em relação aos "salvadores".

Roberto Bolaño (1953–2003) foi um escritor e poeta chileno, amplamente considerado a voz mais influente da literatura latino-americana da sua geração. A sua obra rompeu com a tradição do "Boom" e introduziu uma narrativa focada em detetives literários, poetas marginais e a presença do mal.

Nasceu em Santiago do Chile, mas passou a adolescência no México. Regressou ao Chile em 1973, pouco antes do golpe militar, onde foi preso brevemente. Em 1977, mudou-se para Espanha, vivendo em Barcelona, Girona e, finalmente, em Blanes.

Militância e Poesia: No México, fundou o movimento literário de vanguarda Infrarrealismo, que se opunha ao establishment cultural. Embora se considerasse primordialmente um poeta, dedicou-se à prosa na maturidade para garantir o sustento da família.

O Escritor "Andarilho": Bolaño tinha uma saúde frágil e viveu de forma modesta durante grande parte da vida, escrevendo freneticamente nos seus últimos anos. Falecimento: Morreu aos 50 anos em Barcelona, vítima de uma falência hepática, enquanto aguardava por um transplante de fígado.

Obra 

A escrita de Bolaño é marcada pela intertextualidade, por estruturas narrativas labirínticas e por uma obsessão com o destino dos escritores e da literatura.

As Obras-Primas Os Detetives Selvagens (1998): O livro que o consagrou. Narra a busca de dois poetas (Ulises Lima e Arturo Belano) por uma escritora desaparecida no deserto mexicano, atravessando várias décadas e continentes através de múltiplos relatos de quem os conheceu.

2666 (2004): Obra póstuma monumental dividida em cinco partes. Explora os feminicídios na cidade fronteiriça de Santa Teresa (inspirada em Ciudad Juárez) e a busca por um escritor recluso, Benno von Archimboldi. É considerada a sua obra mais ambiciosa e sombria.

Outros Títulos Relevantes

Estrela Distante (1996): Um romance curto sobre um piloto da Força Aérea chilena que é também um poeta assassino durante a ditadura. A Literatura Nazi nas Américas (1996): Uma enciclopédia fictícia de autores fascistas e oportunistas, escrita com ironia mordaz. Noturno Chileno (2000): O monólogo de um padre e crítico literário moribundo que reflete sobre a sua cumplicidade com o regime de Pinochet.

Chamadas Telefónicas (1997) e Putas Assassinas (2001): Coletâneas de contos onde explora a solidão, o exílio e a violência. Curiosidade: Muitos dos seus personagens são recorrentes e cruzam-se entre diferentes livros, criando um "universo Bolaño" onde a fronteira entre a realidade e a ficção é constantemente desafiada.

Carlos Fuentes (México) 

"A Morte de Artemio Cruz" (1962)


a diplomacia do canhão


via a América Latina e os EUA como vizinhos condenados a um mal-entendido perpétuo. Ele veria a ação de Trump como um regresso à "diplomacia do canhão" do século XIX. Embora criticasse Maduro por trair os ideais da revolução, ele alertaria que uma democracia imposta de fora é uma árvore sem raízes, destinada a secar.

Carlos Fuentes (1928–2012) foi um dos escritores mais brilhantes e cosmopolitas do Boom Latino-Americano. Intelectual público, diplomata e romancista, ele dedicou a sua carreira a explorar a identidade mexicana e a história da América Latina através de técnicas narrativas inovadoras.

 Filho de um diplomata, nasceu no Panamá e passou a infância em cidades como Quito, Montevidéu, Rio de Janeiro e, especialmente, Washington, D.C. Esta vivência internacional deu-lhe uma perspetiva única sobre a relação entre o México e o resto do mundo.

Diplomacia: Seguiu os passos do pai e serviu como embaixador do México em França (1975–1977), cargo do qual se demitiu em protesto contra a nomeação de um ex-presidente para um posto diplomático.

Intelectual Ativo: Foi professor em universidades prestigiadas como Harvard, Princeton e Cambridge. Foi um crítico atento da política externa dos EUA e um defensor da integração latino-americana. Legado: Embora nunca tenha recebido o Prémio Nobel (uma omissão frequentemente criticada), venceu os prémios Miguel de Cervantes (1987) e o Prémio Príncipe das Astúrias (1994).

Obra 

Fuentes acreditava que o romance era uma ferramenta para preencher os silêncios da história oficial. A sua obra é vasta e utiliza frequentemente o monólogo interior e a fragmentação temporal.

A Região Mais Transparente (1958): O seu primeiro grande sucesso. É um retrato panorâmico e crítico da Cidade do México, onde se cruzam diferentes classes sociais, desde a burguesia até aos marginalizados.

A Morte de Artemio Cruz (1962): Considerada a sua obra-prima. No seu leito de morte, um poderoso empresário e ex-revolucionário recorda a sua vida. O livro é uma metáfora sobre a corrupção dos ideais da Revolução Mexicana.

Terra Nostra (1975): Uma obra monumental e complexa que revisita a herança espanhola na América, misturando tempos históricos e mitologias. Gringo Velho (1985): Baseado no desaparecimento real do escritor Ambrose Bierce durante a Revolução Mexicana. Explora o choque cultural entre o México e os Estados Unidos.

Novelas e Contos Aura (1962): Uma pequena joia do terror gótico e do realismo mágico. Escrita inteiramente na segunda pessoa ("tu"), narra a história de um jovem historiador que se perde numa casa sombria e num tempo circular.

Instinto de Inês (2001): Um romance que explora a paixão pela música e pela ópera, centrando-se na figura de um maestro e de uma cantora.

Temas e Estilo

A Identidade Mexicana: Fuentes via o México como um cruzamento de culturas: indígena, espanhola e moderna.

O Tempo: Tal como Borges, Fuentes brincava com a circularidade do tempo, onde o passado está sempre presente. Experimentalismo: Foi um dos autores que mais ousou na estrutura do romance, usando múltiplas vozes narrativas para contar a mesma história.

"O México é um país que tem um passado demasiado presente." — Carlos Fuentes

Itamar Vieira Junior

(Brasil)  "Torto Arado" (2019)


cortina de fumaça para interesses económicos


veria a intervenção como uma violação da soberania dos povos que realmente trabalham a terra. Para Itamar, a liberdade não é algo que se dá, mas algo que se conquista. 

Ele provavelmente denunciaria o espetáculo político de Trump como uma cortina de fumaça para interesses económicos que ignoram a vida das comunidades locais.

Itamar Vieira Junior (1979) é um dos maiores fenómenos da literatura brasileira contemporânea. Escritor e geógrafo, ele trouxe para o centro do debate literário o Brasil profundo, as questões da terra, o misticismo e a herança da escravidão, com uma linguagem que une o lirismo à denúncia social.

Nasceu em Salvador, na Bahia. É doutorado em Estudos Étnicos e Africanos. A sua grande influência vem do seu trabalho como servidor público do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), onde, durante anos, percorreu comunidades quilombolas e assentamentos, ouvindo as histórias que viriam a povoar os seus livros.

Ascensão Meteórica: Embora já escrevesse contos, o sucesso mundial chegou em 2019 com a publicação de Torto Arado. O livro venceu o Prémio Leya (Portugal) por unanimidade, além dos prémios Jabuti e Oceanos no Brasil. Voz Ativista: Itamar utiliza a sua projeção para defender o direito à terra e os direitos das populações negras e indígenas, sendo hoje uma das vozes intelectuais mais respeitadas do país.

A escrita de Itamar é herdeira do regionalismo de autores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, mas com uma perspetiva moderna e focada no protagonismo feminino e espiritual.

 O Fenómeno Mundial

Torto Arado (2019): Ambientado no sertão baiano (Chapada Diamantina), narra a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, marcadas por um acidente de infância com uma faca antiga. Através delas, o autor explora a relação ancestral com a terra, a religiosidade do Jarê e as formas de "escravidão moderna" que ainda persistem no Brasil rural.

A Oração do Carrasco (2017): Uma coletânea de contos que explora a violência, a exclusão e a resiliência humana em diversos contextos. Doramar ou a Odisseia (2021): Outra reunião de contos que mescla temas sociais com elementos do fantástico, reafirmando o seu domínio das narrativas curtas.

Salvar o Fogo (2023): O seu segundo romance, que faz parte de uma trilogia temática sobre a terra iniciada com Torto Arado. Foca-se numa família que vive num mosteiro no interior da Bahia, abordando as marcas da colonização, a educação religiosa e os traumas familiares.

Estilo e Temas

A Terra: Não é apenas um cenário, mas uma personagem viva, disputada e sagrada. Perspetiva Feminina: As suas protagonistas são frequentemente mulheres fortes que preservam a memória e a sobrevivência das suas comunidades.

Misticismo: O autor integra as crenças africanas e indígenas de forma natural na narrativa, criando um realismo que é, ao mesmo tempo, mágico e profundamente documental.

Curiosidade: Torto Arado foi traduzido para mais de 20 línguas e está a ser adaptado para uma série de televisão pela HBO.

Gabriela Mistral (Chile) 

"Desolação" (Desolación, 1922)


apelo à união dos povos latinos


A primeira Nobel da região sempre defendeu a paz e a educação como as únicas armas legítimas.

Ela apelaria para que os povos latinos se unissem para que intervenções desse tipo nunca fossem possíveis. Para ela, cada soldado estrangeiro em solo latino é uma prova do fracasso da fraternidade.

Gabriela Mistral (1889–1957) foi uma das figuras mais relevantes da literatura e da história da América Latina. Poetisa, educadora e diplomata chilena, tornou-se, em 1945, a primeira pessoa latino-americana a receber o Prémio Nobel de Literatura.

Origens: Nasceu em Vicuña, no Chile, como Lucila Godoy Alcayaga. De origem humilde e ascendência basca e indígena, cresceu numa aldeia nos Andes, o que influenciou a sua ligação à terra e à natureza.

A Educadora: Começou a trabalhar como professora primária aos 15 anos. Dedicou grande parte da sua vida à reforma dos sistemas educativos; foi convidada pelo governo do México em 1922 para ajudar a estruturar o sistema escolar e as bibliotecas daquele país.

Diplomacia: Serviu como cônsul do Chile em diversas cidades (Madrid, Lisboa, Nápoles, Nova Iorque). Em Portugal, viveu na década de 30, mantendo ligações com intelectuais portugueses.Vida Pessoal e Dor: A sua vida foi marcada por tragédias: o suicídio de um amor de juventude (que inspirou os seus primeiros versos famosos) e, mais tarde, o suicídio do seu sobrinho adotivo, Yin Yin, a quem amava como a um filho.

Pseudónimo: O seu nome artístico foi criado a partir da admiração pelos poetas Gabriele D'Annunzio e Frédéric Mistral.

Obra Principal

A poesia de Mistral é profundamente emocional, espiritual e humana. Ao contrário de outros poetas da sua época, ela focou-se em temas como a maternidade, o amor, a infância e a identidade do continente americano.

Obras Fundamentais

Sonetos da Morte (1914): A obra que a tornou famosa. São poemas de uma intensidade trágica, escritos após o suicídio do seu apaixonado, onde explora o luto e o desejo de reencontro no além.

Desolação (1922): Publicado em Nova Iorque, este livro estabeleceu a sua reputação internacional. Contém poemas sobre a dor, a religiosidade e o sentimento de perda. 

Ternura (1924): Um livro dedicado às crianças. Mistral revolucionou a poesia infantil, criando "canções de berço" (rondas) que não eram apenas decorativas, mas que exploravam a ligação mística entre mãe e filho. 

Tala (1938): Uma obra da sua maturidade, onde celebra a geografia americana, as tradições indígenas e a natureza do Chile. Os lucros deste livro foram doados às crianças órfãs da Guerra Civil Espanhola. Lagar (1954): O último livro publicado em vida, com um tom mais metafísico e reflexivo.

Temas Centrais

Maternidade Frustrada: Embora nunca tenha tido filhos biológicos, a "maternidade espiritual" e o cuidado com a infância são os eixos centrais da sua vida e escrita.

Justiça Social: Defendeu fervorosamente os direitos das populações indígenas e a educação como ferramenta de libertação para os pobres. O Sagrado: A sua poesia é permeada por um misticismo muito pessoal, fundindo o catolicismo com uma espiritualidade ligada à terra e ao cosmos.

"A educação é, talvez, a forma mais alta de procurar Deus." — Gabriela Mistral

 TUMP confessa: "queremos ter a energia  à nossa volta (o petróleo!)


Trump dá a entender que Cuba é o proximo alvo

Brasil será o próximo alvo?

Objectos que fomos esquecendo

Muitos dos objectos que preenchiam o nosso quotidiano (de peças de vestuário a utensílios privados) desapareceram já. Alguns por completo.

A máquina de escrever mecânica, de teclas e carreto, e fita de tinta dominou, até à proliferação do computador, o mundo da escrita, com o seu som cantante e seco, os seus modelos diversificados e sólidos, os seus materiais robustos e discretos. Havia-as pesadas, portáteis, de secretária, de repartição, de executivo, de senhora.


Nas secretárias e escrivaninhas onde predominavam as canetas de tinta sobressaía um objecto de notável design, chegando a atingir requintes invulgares: o mata-borrão. Era por vezes incrustado a prata, ou a madrepérola, ou a marfim; era por vezes uma verdadeira jóia.

Objecto pequeno, modesto, o apara-lápis acompanhou muitos de nós durante gerações. Servia, como o nome indica, para aguçar os lápis que então se usavam quotidianamente, em madeira, em metal, em plástico. O fim dos lápis trouxe o seu fim.





Substitutas do papel, que escasseava na altura, as lousas — quadrados de pedra negra lisa, formato semelhante ao A4 — com os seus ponteiros de giz branco, e de outras cores, as suas almofadas de apagar, os seus caixilhos de ripas, impuseram-se uma presença inesquecível.

Outro utensílio perdido: a gilete de atarraxar. Ao surgir destronou a navalha. Depois as máquinas de barbear, eléctricas, descartáveis, recarregáveis, que inundaram o mercado, destronaram-na. Em alguns estojos de toilette requintada resiste ainda.


Dávamos-lhe corda ao deitar, acordávamos ao disparar do trim-triiimmm das suas campainhas — em alguns modelos duplas. Era o despertador de cabeceira, uma das invenções mais detestadas da humanidade trabalhadora, e mais indispensáveis a ela. Reciclou-se. Converteu se à electrónica, às pilhas, à música, para melhor cumprir a sua desalmada missão.

Sólido, pesados, pretos (o cinema americano preferia-os brancos), os telefones de disco imperaram durante décadas. Com tomadas fixas, fios curtos, números giratórios, interferências regulares. O telemóvel tornou-os pré-históricos.

Com o seu braço articulado, agulha de diamante, prato rotativo, o antigo gira-discos, o velho pick-up, subsiste como peça de colecção, isolado ou integrado em móveis-módulos de madeira e baquelite. Lembram oratórios pagãos silenciados pelo tempo e pelo pó. Modas retro ultimamentesurgidas tentam, curiosamente, emergi-lo.

As mudanças nos costumes, nas técnicas, nos materiais, nos comportamentos foram tornando lentamente esses objectos obsoletos, fora de utilidade — mas não de memória. O Natal é propício a evocá-los

Egipto 

a Arte para a Eternidade 

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Era o meu sonho visitar as Pirâmides e o Grande Museu do Cairo.

Recordo que a viagem ao Egipto foi para Eça de Queirós também uma oportunidade de reflectir sobre o encontro de culturas e a presença europeia na naquela localidade. Nas suas crónicas, depois publicadas em "O Egipto", Eça de Queirós confessa a perplexidade perante a monumentalidade das pirâmides e a magia dos monumentos faraónicos, ao mesmo tempo que se mostra atento ao quotidiano dos habitantes da cidade do Cairo, aos costumes e aos gestos simples do povo egípcio.

Actualmente o Egipto está na Moda. Em 13 Outubro de 2025 Chefes de Estado e altos funcionários de vários países chegaram à cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, para participar de uma cúpula internacional pela paz em Gaza.

Este ano foi apresentado o filme o "Fountain of Youth" (2025), dirigido por Guy Ritchie e estrelado por John Krasinski e Natalie Portman, que ficou célebre por ter sido amplamente filmado no Egipto,

 incluindo nas Pirâmides de Gizé, marcando a primeira vez que um filme estrangeiro gravou cenas importantes no seu interior. A produção apresenta uma aventura em busca da mítica "Fonte daJuventude", com marcos egípcios desempenhando um papel central na história.

Até 19 de Janeiro de 2026, o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque apresentará a exposição sobre o Egipto:" Divine Egypt," que reúne quase 250 obras de arte e objectos, muitos deles cedidos pelas instituições de arte, como o Museum of Fine Arts, Boston, o Musée du Louvre, Paris, e a Ny Carlsberg Glyptotek, Copenhague. Esta mostra destaca a iconografia associada às divindades mais importantes do vasto panteão de deuses do antigo Egito. 

Representações do majestoso Hórus de cabeça de falcão, da leoa Sakhmet e do sereno Osíris envolto nos seus sudários revelam as formas marcantes pelas quais os reis e o povo do antigo Egito reconheciam e interagiam com seus deuses.

No dia 1 de Novembro de 2025, o Presidente Prof. Marcelo Rebelo de Sousa foi à inauguração do Grande Museu do 

Cairo. A cerimónia foi organizada para assinalar a abertura deste megaprojeto, o maior museu arqueológico do mundo, dedicado ao património egípcio. Cheguegamos ao Cairo no dia 3 de Agosto 2025 e o Aeroporto, extremamente pequeno e com uma multidão infinita que não nos deixava sair. 

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Uma hora depois lá encontramos o nosso transporte para o Steigenberger Hotel El Tahrir Cairo com uma situação privilegiada em frente ao antigo museu:Museu Egípcio ou (também chamado de Museu do Cairo). No dia seguinte à chegada ao Cairo fomos visitar este museu, que tinha várias peças embrulhadas para serem colocadas no Grande Museu do Cairo. Mas consegui admirar o magnifico sarcófago em ouro de Tutancámon e algumas joias.

O velhinho Museu Egípcio continua a deter o património de Tutancámon e a maior colecção de peças da história egípcia. Ver a máscara de Tutancámon é uma das mais conhecidas obras de arte do mundo.

Pode-se admirar a história incrível da vida e morte do faraó egípcio e da descoberta do seu túmulo, numa série documental de 3 episódios com a chancela da BBC. (RTP):

Pirâmides imponentes. Câmaras de tesouro. Rituais dramáticos. O historiador Dan Snow conta a história trágica da vida, morte e redescoberta do jovem faraó Tutancámon. Na companhia da arqueóloga Raksha Dave e do jornalista John Sargeant, acedem a locais únicos em todo o Egipto e lançam uma nova investigação sobre o célebre menino-rei e os seus tesouros.

No dia seguinte apanhávamos o avião para Luxor e depois fomos diretos para o hotel Steigenberger Resort Achti, nesta cidade.

Este hotel está localizado sobre as margens do rio Nilo, em Luxor. Ainda nesse dia um egípcio dono de um tradicional veleiro "Felucca Egípcia" com uma enorme vela proporcionou-nos um passeio privativo lindíssimo ao pôr do sol no Nilo.

No dia seguinte navegamos para a margem oeste do Nilo na mesma Felucca Egípcia do dia anterior para visitar um repositório com esculturas gigantescas e colossais. Luxor, é um centro monumental incomparável, conhecido como um museu a céu aberto, focado principalmente nos tesouros da Margem Oeste (Vale dos Reis, 

Templo de Hatshepsut, Colossos de Memnon) e da Margem Leste (Templos de Luxor e Karnak), com tumúlos faraónicas ricamente decoradas e templos mortuários impressionantes como o de Ramsés III (Medinet Habu), repletos de hieróglifos e artefatos que revelam a vida após a morte e o poder dos faraós.

No dia seguinte fomos visitas as Pirâmides vê-las ao longe é uma "inesquecível paisagem, de grande espectacularidade," mas de perto, senti a mesma frustração que Eça Queirós sentiu nos seus apontamentos, quando se referiu acerca pirâmides "enormesdisformes."

No caderninho de viagem de Eça de Queirós, ele relembra: "que do alto da pirâmide Khufu pôde apreciar uma inesquecível paisagem, de grande espectacularidade, que o terá compensado pela frustração sentida ao ver de perto as pirâmides, "enormes disformes, descarnadas, desconjuntadas, esfoladas» ... Ali perto, estava a colossal imagem da Esfinge, que se julga ser uma representação do faraó Khafré, o construtor da segunda pirâmide de Guiza."

No dia seguinte fomos visitar o grande Museu do Cairo. museu o novo e o antigo – e o sem-fim de peças extraordinárias e só depois perceber os locais (templos, palácios e túmulos) de onde foram retiradas.

O novo Grande Museu Egípcio, que deverá ser o maior museu de arqueologia do mundo quando estiver um pleno funcionamento, é uma maravilha arquitectónica e há milhões de peças à espera para serem exibidas. É certo que os egípcios - e bem – falam muito indignados dos milhares de peças que foram roubadas pelos ocidentais.

Mas depois afirmam: "Temos milhões guardados e milhões por descobrir..."


Do avesso das coisas.  Florença, 1980

E pensei que talvez fosse uma boa ideia fixar o que não parava de se mexer. O que só a água espelhada contava, como um prato de trippe ou um copo de verduzzo a tresandar a arroz acabado de cozer sorvido longe da terra da mãe. São sempre as pequenas coisas que fazem as grandes saudades.

Lembro os primeiros sonhos. De como o pesadelo de cabeça para baixo sonhava comigo, de como eu em testa erguida assustava o medo. De as coisas do mundo não existirem antes do reflexo, sussurre ou não nele o rumor das armas. De pino feito, à beira do Arno, havia núvem escura e céu estrelado de meio da tarde ao saber da corrente, ao traço da água.

E pensei que talvez fosse uma boa ideia fixar o que não parava de se mexer. O que só a água espelhada contava, como um prato de trippe ou um copo de verduzzo a tresandar a arroz acabado de cozer sorvido longe da terra da mãe. São sempre as pequenas coisas que fazem as grandes saudades.

Fome e cheias matam em Gaza


https://youtu.be/P2MFtE8dpSw?si=o5ZOsV6GlPmvjpCj

bombardeamentos continuam

O video da menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. 

O plano de Trump para Gaza e a Cisjordânia não produziu efeitos, como já se esperava. 

A grande esperança será o envio de tropas de manutenção de paz, proposta apoiada pelo primeiro ministro espanhol

https://youtu.be/fGPhgwU4ZII?si=4lzx1QLgNkSWqCRN

Cartoonistas de olho em Trump 

Seu Título

Este é o lugar onde o seu texto começa. Pode clicar aqui e começar a digitar. Dicta sunt explicabo nemo enim ipsam voluptatem quia voluptas sit aspernatur aut odit aut fugit sed quia consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt neque porro quisquam est.

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Palavras santas 

de Agostinho 

em poucas palavras, vale reviver Agostinho da Silva, apontando o dever do Mundo assentar em três pilares: Sustento, Saber e Saúde. Em tempo de guerras....

 

santas!Sustento é coisa para ricos, empanturrados com a massa sacada do pratos dos pobres. Saber é a arma de poderosos em birras que assassinam centenas de milhar de jovens, velhos, mulheres e crianças. Um horror a cada dia.Saúde, basta ir à farmácia, onde o Povo só avia metade da receita.  Porque razão os Agostinhos nunca serão Presidentes? jrr

Edição semanal de 15 a 21 de Jameiro 2026 sujeita a actualizações diárias

 Sacerdotisas do amor

 Ao entrar, de madrugada, na rua onde vivia (zona de fecunda prostituição), Natália Correia abria a janela do carro e exortava, "meninas, não se deixem humilhar, lembrem-se que são sacerdotisas do amor!"

Logo era rodeada de estrídulas afectuosidades das prostitutas, dos prostitutos, dos travestis, dos chulos, dos vadios, dos guardas-nocturnos, todos rendidos ao incitamento da "senhora poeta" a falar-lhes como ninguém lhes falava – os elevava.

Quase ao mesmo tempo, outro poeta de provocações, Jorge de Sena, perguntava através dos jornais (Diário Popular, Agosto de 1975), nessa altura bastante mais ousados do que hoje, "se se faz amor por tanta coisa, porque não faze-lo por dinheiro?"; e reivindicava "o direito de todo o ser humano à liberdade de se relacionar intimamente com quem quiser ou puder, desde que mutuamente consentido, independentemente do sexo, da idade, do número, do parentesco". 

"Se não fossem os profissionais do sexo, que seria dos velhos, dos disformes, dos tímidos?" E de seguida defendia "a gratuitidade da pornografia para os que não podem comprar pessoas como os ricos".

Quando a política (a religião, a justiça, a moral) entra na cama das pessoas dá asneira, porque jamais acabará - como mostra a natureza humana - a (considerada) profissão mais velha do mundo.


Salazar, que não era muito puritano, regulamentou-a por entende-la um serviço público, medicamente assistido, até que, contrariado, a ilegalizou devido a pressões de senhoras do Movimento Nacional Feminino cuja acção lhe convinha dada a guerra colonial.A um amigo confidenciaria, resignado, "bom, elas podem tornar-se patrioticamente úteis em África a consolar os nossos rapazes!"

Jorge Sena rematava, "se a vocação dos portugueses é serem prostitutos, como mostra a história, por que razão as prostitutas não podem sê-lo?"

1º lugar concurso internacional de cartoon sobre escravatura e trabalho  forçado OIT

Vasco Gargalo 

o cartoonista português da Paz

Vasco Gargalo (Vila Franca de Xira, 1977) é um cartoonista e ilustrador português dos mais brilhantes, com trabalhos publicados em vários meios de comunicação nacionais e internacionais, como  o Courrier InternacionalGroene Amsterdammer e Spotsatire. É colaborador permanente do Correio da Manhã e da Sábado.

É colaborador regular do Cartoon Movement e do Cartooning for Peace. Em 2016, Gargalo recebeu quatro menções honrosas: Prémio de Cartoon Político das Nações Unidas/Ranan Lurie; no 1.º Festival de Cartoon do Kuwait; 9.ª edição do D. Quichotte International Cartoon Contest/Quo Vadis Europe/Journey of Hope e no 18.º Festival Mundial PortoCartoon. Ainda no mesmo ano, o seu cartoon 'Aleppo(nica)', deu-lhe a visibilidade internacional.

Foi considerado, em 2018, pelo Cartoon Home Network International como o melhor 'Cartoonista Europeu'. Em 2019, venceu o prémio Plumes Libres, um galardão atribuído pela revista Courrier Internacional. Em 2020, a Ordem Independente de B'nai B'rith, organização judaica dedicada aos direitos humanos, acusou o cartoonista de anti-semitismo depois deste ter publicado o cartoon 'O Crematório'. Surpreendentemente, o Courrier Internacional cedeu às pressões e retirou-lhe prémio Plumes Libres dado no ano anterior.

Em 2021, teve o primeiro lugar num concurso internacional de cartoon sobre escravatura e trabalho forçado, no âmbito do Dia Mundial contra o Tráfico de Seres Humanos, organizado pela Organização Internacional do Trabalho e pela organização não governamental Recursos Humanos Sem Fronteiras. Vasco Gargalo é brilhante! Excepcional!

Um pele vermelha 

em Viseu

O primeiro pele vermelha que surgiu na pintura portuguesa (e talvez europeia) encontra-se na Sé de Viseu, num retábulo de Vasco Fernandes. Nele, o mago Baltasar não é um preto, é um índio.

As artes plásticas revelam-se, juntamente com a literatura e a arquitectura, o campo onde as Navegações tiveram maior repercussão. O Livro de Horas de D. Manuel abre com iluminuras sobre o mar. O sentimento do transcendente, a gravidade da melancolia são, no dizer de Hernani Cidade, "sublimes na criatividade de então".

Foi a arte manuelina que mais profundamente, mais originalmente reflecte, depois da poesia, os Descobrimentos. Os Jerónimos, o Convento de Cristo de Tomar, a Torre de Belém fizeram-se-lhes referências universais.

O seu (da arte manuelina) é um estilo de belas características ornamentais e decorativas lançadas sobre estruturas góticas. As referências ao mar - aos temas, gentes, terras, costumes situados para lá dele - são uma constante. Chegam a ser, como na célebre Janela de Tomar, de exuberância barroca, traduzida em apoteoses de cabos, cordas, anéis, esferas. 

O Manuelino apareceu como expressão plástica relacionada com o ambiente e clima de euforia que desfrutámos na época das nossas conquistas, sublinha o arquitecto Mário de Oliveira. Passou a ser estilo quando se libertou de influências estrangeiras, sobretudo espanholas. O ultramar vincou ainda mais a personalidade artística dos portugueses, os quais têm marcado de forma muito peculiar a sua sensibilidade. Foi quando estávamos subjugados pelo ambiente marítimo que apareceu o estilo mais português de todos os estilos. O Manuelino foi a força mística que fez os nossos antepassados atingirem o inigualável.

Os Jerónimos estão para a arquitectura como Os Lusíadas para a literatura. Os Jerónimos e Os Lusíadas valem toda uma arquitectura e uma literatura.

A cerâmica e a ourivesaria viram-se igualmente seduzidas pelo maravilhoso ultramarino. As de quinhentos revelam-se de uma riqueza, de uma variedade incomuns. As suas ornamentações atingem, com frequência, apuros de verdadeiras obras-primas.

Como sucedeu com a arquitectura, a música só começou a ser portuguesa depois das Navegações. Os ritmos encontrados noutros continentes fascinaram, a partir daí, os seus autores tocando-os sobretudo a nível popular. O lundum e a morna levaram-nos ao fado.

Vindo do Brasil, António José da Silva, o Judeu, introduziu através das suas peças de teatro) a ópera cantada em português - antes era-o em italiano. O que se estava passando na nossa epopeia marítima tornou possível o brilho de actividades artísticas, nomeadamente musicais, que não tinha sido antes viável, especifica João de Freitas Branco.

Os roteiros e relações das viagens oceânicas antecederam as crónicas e os poemas sobre elas. Preciosos de informações, propiciaram muitas das grandes obras surgidas depois. Os assentos que, por exemplo, Fernão Velho anotou, a bordo da nau de Gama, foram decisivos para Camões elaborar Os Lusíadas.

Para saber quem somos, "para ter por nós o respeito que precisamos, temos de saber quem fomos", diz Teresa Rita Lopes. "O traço mais vincado de nós reside na crença de que a vida é morte, quase sempre acompanhada pela esperança de que se há-de ressuscitar um dia. Apetece dizer que nos sentimos habitantes do país da Bela Adormecida que, como ela, esperamos o beijo redentor"

Gabriel Garcia Marquez

Alô Senhor Trump...

com base na obra e reconhendo várias informações por iA de Gabriel Garcia Marquez -  ficcionamos o que poderia ele dizer a Donald Trump, num telefonema

- Alô Donald Trump? Falo-lhe da varanda da História, onde o tempo não perdoa aos soberbos. 

Na Venezuela, o senhor cometeu o erro dos tiranos de outrora, julgando que a alma de um povo se dobra como um mapa de papel sob o peso das botas.  Na sua própria casa, o senhor semeia o caos, transformando o seu país num labirinto de espelhos onde a verdade morre de frio. 

No resto do mundo, de Gaza às fronteiras do medo, o senhor espalha o veneno da discórdia, como se o amanhã fosse uma diabólica propriedade privada. Sabe? O poder é uma cadeira de balanço no vácuo; quanto mais o senhor se balança, mais se aproxima da solidão absoluta que aguarda os que governam sem poesia e sem piedade. 

Não termine os seus dias como um patriarca esquecido num palácio de cinzas. A vida é um sopro e o seu legado será a crónica de uma ruína.


Gabriel Garcia Marquez, nasceu a 6 de Março de 1927 em Araxataca, Colômbia, faleceu a 17 de Abril de 2014, Cidade do México, México.

O Amor nos Tempos do Cólera: Uma história sobre a persistência do amor que dura décadas, enfrentando o tempo e a doença. Crônica de uma Morte Anunciada: O relato reconstrói um assassinato onde todos na cidade sabiam o que ia acontecer, menos a vítima.

O Outono do Patriarca: Uma exploração profunda e complexa sobre a solidão e a tirania de um ditador eterno. Ninguém Escreve ao Coronel: A espera angustiante de um veterano de guerra por uma pensão que nunca chega.

Em "Cem Anos de Solidão" Narra a saga da família Buendía ao longo de sete gerações na aldeia fictícia de Macondo. A história mistura o cotidiano com o fantástico (realismo mágico), mostrando como o destino da família e da cidade estão entrelaçados em um ciclo de tragédias, guerras e solidão, até que o último membro da linhagem decifra pergaminhos que prevêem o fim apocalíptico de todos.

Muitos ignoram que Márquez escreveu antes da fama:

"A Revoada" (La Hojarasca), o livro que deu origem a Macondo. Nesta obra curta e densa, a história é narrada por três gerações de uma família que cumpre o dever moral de enterrar um médico odiado por todos. É um texto sombrio, focado na honra e na decadência, onde o realismo mágico ainda é apenas um sussurro. Nele, Gabo explora a solidão da morte e o peso do passado numa aldeia sufocada pela poeira.

Cartonistas d'olho 

no "Nobel"... 

de Trump


Ele morreu 

no Martinho da Arcada

O mês de Novembro, agora passado, assinala a morte (a 30 de 1935, há 90 anos) de um dos maiores génios da humanidade: Fernando Pessoa. Dois dias antes ele esteve, como lhe era habitual, no café Martinho de Lisboa. A seu lado sentavam-se, como também lhes era habitual, o professor Agostinho da Silva (então bolseiro numa Espanha a ensanguentar-se), e o juiz dramaturgo e cronista Luiz de Oliveira Guimarães, vizinho do poeta em Campo de Ourique. Pessoa mostrava-se constrangido por ter de submeter-se, no dia seguinte, a uma intervenção cirúrgica no Hospital de São Luiz dos Franceses, ao Bairro Alto. Falou pouco. Comeu um ovo estrelado, o seu jantar de sempre, a que chamava Sol Frito.

Não bebeu o bagaço do costume; mas como de costume, a conversa rolou entre literatura, política, a ditadura crescente e, particularmente, a ameaça do peso colonial . África merecia-lhes especial atenção, sobretudo a partir da publicação da célebre frase de Pessoa,

"A minha Pátria é a língua portuguesa", empenhados na concepção de um império cultural, espiritual onde "as colónias não só não seriam precisas como constituiriam um forte empecilho", palavras do autor de "A Mensagem". Isso provocou-lhes alguns dissabores (Agostinho seria preso e exilado no Algarve) por estar-se numa altura em que os portugueses eram quase todos colonialistas, monárquicos e republicanos, situacionistas e reviral-hos, intelectuais e povo, em consequência do Ulimatum Inglês. 

O colonialismo impedia, na óptica deles, a formação de um grande bloco (multirracial, multicontinental), proporcionado pela nossa língua, pelo nosso estar com os outros. Não anteviam uma CPLP como a actual, mas uma 

(alargada) comunidade de povos de línguas Ibéricas constituída pelos territórios (independentes e democráticos) da península ibérica, da América do Sul, de África e Ásia, de fala portuguesa e espanhola, riquíssimos em matérias primas, juventude criativa, dimensão geográfica, cultural e humanista.

"Só as línguas dos povos que criam impérios têm direito ao futuro. Nós criámos civilização, e não simplesmente a vivemos e a exploramos, pois recriámo-la pela escrita", escreve Pessoa .

Foi um dos seus últimos sonhos. Anos mais tarde, já radicado em Lisboa, passado Abril, Agostinho da Silva, à mesa do mesmo Martinho, comentará que, caído o império soviético, em desagregação o norte-americano, só o ibérico seria capaz de ombrear com o asiático (China, Índia, Paquistão) em afirmação, equilibrando a nova ordem mundial.

"Simbolicamente Pessoa morreu no Martinho", comentará Luiz de Oliveira Guimarães, "talvez por isso ele tenha, antes de expirar, pedido os óculos à enfermeira para escrever algo que não chegámos a conhecer".Ninguém lhes deu ouvidos.Aos três.

Gaza, um dos piores desastres

https://youtu.be/4SHVMGYn3yc?si=qr_gJHMdUE0YwqOx


O video da menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. 

A  Faixa de Gaza tem o pior dos mundos, nem os temporais poupam esta população de palestinos empurrados para uma faixa por soluções britânicas, agressões de Israe* e a indiferença de países árabes. O fim do Império Otomano originou na Palestina um dos piores desastres da História da Humanidade

https://youtu.be/wPa7hkoxWt8?si=uOEYN91cbOvKnxvM

Tema de segunda-feira: 'matar o tempo sem deixar ferida a eternidade'. Dica do Henry David Thoreau que acreditava que temos de ser verdadeiros apenas com os amigos, a palavra e o trabalho e não achar graça a nos sentar para escrever quando não nos levantamos para viver. ctrl + alt e pára o baile, suponho. Há dias em que escrevo o que não vejo. Melhor isso que não ver o que ando escrever.

o que a infância pedia às andorinhas - Natália Correia

Seu Título

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Edição de 26 de Janeiro a 01 de Fevereiro de 2026, sujeita a actualizações diária

Flash mais abaixo: ICE volta a matar em MInnesota/ Menino  de 5 anos detido pelo ICE põe Minnesota-EUA  em GREVE GERAL/ Irão protestos com mias de 5 mil mortos

 Erramos o nosso discurso

 


As gerações que fizeram a guerra colonial, que acreditaram no 25 de Abril, que abriram a democracia, têm agora pela frente, em vez de um tempo afagante, um horizonte áspero - porque de desamparos para os seus descendentes.

O País mais justo, mais ameno que pensaram construir não passou, para a maior parte, de uma ilusão, um engodo. Corrompida, a liberdade imergiu-as em novas (outras) desigualdades, indignidades, como as da precarização, da exclusão.

Direitos penosamente conquistados - na saúde, na assistência, no trabalho, no ensino, no lazer, na cultura - estão a ser dissolvidos em cascatas de cinismo light. Os jovens que entram no mundo do emprego fazem-no a prazo, a contracto volátil, vendo-se, sem a mínima segurança, impedidos de construir uma vida própria, entre zappings de sub-tarefas e de pós-formações ludibriadoras.

O problema não tem solução visível. Enquanto isso há quem, para confundir, culpabilize as vítimas pela situação de carência, de desigualdade em que se encontram. E pretenda penalizá-las.

Subir, por exemplo, a idade da reforma - alguns pretendem impô-la a partir dos 70 anos (aos 50 um trabalhador já é tratado pelos superiores e colegas como um estorvo) - aumentar horários laborais (quando a produtividade, hoje, depende mais da sofisticação tecnológica do que do esforço humano), congelar salários líquidos (enquanto a inflação os baixa) como defendem certos especialistas (que preservam, no entanto, para si retribuições e reformas milionárias), desarticulará o mecanismo social que a humanidade vem, penosamente, construindo no sentido de tornar a existência mais digna e solidária

As velhas gerações, a sair de cena, perderam as influências que julgavam merecer. Disfarçando desesperos, socalcam sem resultados, patéticas vias sacras de cunhas, súplicas, empenhos, hipotecas. As crispações que não sentiram quando, décadas atrás, iniciaram as suas carreiras (eram de outro tipo as, então, sofridas) experimentam-nas agora em relação à insegurança inquietante, sua, dos filhos, dos netos.

Ingénuas, acreditaram que bastava, como no seu tempo, um curso superior para eles ficarem protegidos. Fizeram-nos tirá-lo sem reparar 

que as universidades se transformaram de clubes VIP em fábricas massificadoras, cada vez mais vazias de elitismos internos e poderes externos. Prevê-se que em cada cinco crianças nascidas actualmente em Portugal, três jamais arranjarão emprego estável.

Só os filhos de famílias dominantes (na direita, no centro e na esquerda, na economia, na política e nos lóbis) dispõem de recursos garantidos, defendidos, retirando espaço aos filhos das famílias desfavorecidas, não por serem mais inteligentes e criativos, mas por deterem o controle da ascensão social que lhes assegura impunidades e privilégios crescentes.

O empobrecimento das massas trabalhadoras, com ordenados a não permitirem sobreviver, debilita- as tragicamente. Só outras formas de retribuição, de distribuição poderão impedir apocalipses no futuro.

Portugal continua a ser, mentalmente, uma monarquia - não de sangue azulado mas de compadrio adensado, não de aristocratas aquosos mas de padrinhos gordurosos. Que será dos jovens quando se lhes acabarem a casa, a mesada, a protecção, os enlevos dos progenitores? 

Um futuro pardo tolda silenciosamente, para lá do pressentível, várias gerações de nós, entre nós. "Errei todo discurso de meus anos!" murmurava, a morrer, Luiz Vaz de Camões. Erramos, nós, cinco séculos depois, o discurso de nossos anos?

https://youtu.be/Er9zwUSdpSc?si=FC3CC8Cdo6-Cgm2u

Edição de 19  a 26 de Janeiro de 2026, sujeita a actualizações diárias

Trump afundou a NATO 


Mette Frederiksen (Dinamarca) Avisou que qualquer agressão ou pressão forçada sobre a Gronelândia significará o "fim imediato da NATO"A NATO sobreviveu à "Guerra Fria" mas pode não sobreviver à "Guerra da Gronelândia". A aliança inquebrável está a ser posta em causa com a obsessão do presidente dos EUA, Donald Trump em comprar ou ocupar a Gronelândia

A enorme ilha de gelo transformou-se numa arma de arremesso que coloca os Estados Unidos em rota de colisão direta com os seus parceiros europeus.  O que está em causa não é apenas um bloco de gelo estratégico; é a dignidade das nações europeias e a própria 

https://youtu.be/LtNy1QhEZ2w?si=Li-X8d7FhU8_sW-u


sobrevivência do pacto transatlântico sob o peso de uma "chantagem" sem precedentes. Ao utilizar tarifas punitivas de 10% a 25% sobre as economias europeias como moeda de troca para a posse da ilha, Trump não está a agir como um aliado, mas como um invasor económico.

Os EUA estão a empurrar a Europa para uma autonomia militar e económica forçada. O divórcio parece estar assinado; resta saber quem ficará com os destroços da segurança mundial.

António Costa recusa "tarifaço"

  • António Costa (Conselho Europeu): Garantiu que a União Europeia responderá com "firmeza e unidade", recusando-se a ceder a um "tarifaço" que visa submeter o direito internacional aos interesses de Washington. 

  • Macron (França): Classificou as ameaças como "inaceitáveis" e afirmou: "Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, seja na Ucrânia ou na Groenlândia." 

  • Keir Starmer (Reino Unido): Considerou a tática de Trump "completamente errada", sublinhando que punir aliados por defenderem a segurança coletiva é um erro histórico.

  • Ulf Kristersson (Suécia): Foi curto e grosso: "Não nos deixaremos chantagear."