Edição de 12 a 25 de Janeiro de 2026, sujeita a actualizações diária

País de suicidados

Dos muitos rótulos que se colam em alguns de nós - há quem pareça mala de porão pejada deles -, o que mais entedia é o de se ser "pessimista", "extremista", "fascista", "comunista" (uff!), com mandato para exílios, extermínios, fogueiras.

«Em Portugal somos julgados não pelo que dizemos ou escrevemos mas pelo que os outros afirmam que nós dizemos ou escrevemos» prevenia, certeiro, Jorge de Sena.

Os bem pensantes (os papas dos três ou quatro pensamentos únicos instituídos) costumam alvejar os visados de forma enviesada, isto é, em vez de atacarem-nos de frente (no concreto) alfinetam-nos de esguelha, pela insinuação, pelo apoucamento, maneira de desacreditá-los, ridicularizá-los. Trata-se de uma variante pós moderna do que ocorria antes do 25 de Abril; o labéu de então era ser-se comunista, depois dele, ser-se fascista.

Atrás de semelhantes cenografias, a riqueza vai concentrando-se cada vez mais em núcleos restritos e o poder em tiranias privadas. O Estado estratifica-se, a política trafica-se, os esbatimentos direita/esquerda, realidade/utopia, publicidade/informação aceleram-se.

Uma espécie de Idade Média emerge trazendo consigo uma nova Era de Desigualdade que, desapiedadamente, provoca a eliminação dos que já não podem viver com os ordenados do seu trabalho.

A mentalidade demendigo faz-se pandemia propagada por políticas fiscais que tiram aos que têm pouco (classe média) para acumular nos que têm muito. Daí a Europa produzir hoje três vezes mais do que há 40 anos, utilizando menos 30 por cento de mão-de-obra.

Dois séculos atrás, um escravo custava, por exemplo, no sul dos Estados Unidos cerca de 30 mil euros; actualmente (escravo

nos dias que correm é não possuir documentação, não ter personalidade jurídica) custa 100 no mercado internacional. Todo o progressista contem uma costela de beato e de tirano, já advertia Antero.


Só a lucidez, avisam os ditos pessimistas, nos pode preservar do abuso dos poderes, poderes que não se encontram nas «mãos dos que produzem o conhecimento mas", destaca Edgar Morin, "nas dos que manipulam os que produzem o conhecimento».

Desbaratados os fundos da Comunidade Europeia, exaurida esta e o País pelas demagogias socialista, social-democrata, democrata-cristã, ultraliberal, comprometidos os executivos, os partidos, os municípios, os órgãos de comunicação, de justiça, de ensino, de saúde, de civismo, Portugal estiola sem ânimo, sem esperança, lamurioso de fados e névoas - como sempre lhe sucede quando cai no concreto.

Psiquiatras descobrem, entretanto, que há pessoas mais apavoradas com a sobrevivência do que com a morte. Tornámo-nos, aliás, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo.

De suicidados nele.


Trump afundou a NATO 


Mette Frederiksen (Dinamarca) Avisou que qualquer agressão ou pressão forçada sobre a Gronelândia significará o "fim imediato da NATO"A NATO sobreviveu à "Guerra Fria" mas pode não sobreviver à "Guerra da Gronelândia". A aliança inquebrável está a ser posta em causa com a obsessão do presidente dos EUA, Donald Trump em comprar ou ocupar a Gronelândia

A enorme ilha de gelo transformou-se numa arma de arremesso que coloca os Estados Unidos em rota de colisão direta com os seus parceiros europeus.  O que está em causa não é apenas um bloco de gelo estratégico; é a dignidade das nações europeias e a própria 

https://youtu.be/LtNy1QhEZ2w?si=Li-X8d7FhU8_sW-u


sobrevivência do pacto transatlântico sob o peso de uma "chantagem" sem precedentes. Ao utilizar tarifas punitivas de 10% a 25% sobre as economias europeias como moeda de troca para a posse da ilha, Trump não está a agir como um aliado, mas como um invasor económico.

Os EUA estão a empurrar a Europa para uma autonomia militar e económica forçada. O divórcio parece estar assinado; resta saber quem ficará com os destroços da segurança mundial.

António Costa recusa "tarifaço"

  • António Costa (Conselho Europeu): Garantiu que a União Europeia responderá com "firmeza e unidade", recusando-se a ceder a um "tarifaço" que visa submeter o direito internacional aos interesses de Washington. 

  • Macron (França): Classificou as ameaças como "inaceitáveis" e afirmou: "Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, seja na Ucrânia ou na Groenlândia." 

  • Keir Starmer (Reino Unido): Considerou a tática de Trump "completamente errada", sublinhando que punir aliados por defenderem a segurança coletiva é um erro histórico.

  • Ulf Kristersson (Suécia): Foi curto e grosso: "Não nos deixaremos chantagear."


  • A cegueira dos escritores


    A obra é uma metáfora visceral sobre a cegueira moral. Quando uma epidemia de "treva branca" isola a sociedade num manicómio, a civilização desmorona-se na lama da barbárie e do egoísmo. Saramago não escreve sobre a perda da visão física, mas sobre a perda da humanidade: somos cegos que, vendo, não veem o sofrimento do outro. Através da mulher do médico, a única que mantém os olhos abertos, o autor expõe a responsabilidade esmagadora da consciência no meio do caos. É um murro no estômago que nos lembra como a dignidade é frágil quando o medo se torna a única lei.

    O Ensaio sobre a Cegueira define o génio de José Saramago (1922–2010), o único Nobel da Literatura de língua portuguesa, que usou a ficção para denunciar a nossa cegueira moral. Nascido na Azinhaga numa família de camponeses, foi serralheiro e jornalista antes de se dedicar inteiramente às letras, alcançando o sucesso mundial apenas na maturidade. A sua escrita, marcada por um estilo oralista e pela ausência de pontuação convencional, revolucionou a narrativa contemporânea. Polémico e ateu convicto, exilou-se em Lanzarote após a censura a O Evangelho segundo Jesus Cristo.

    Obras Fundamentais:

    • Levantado do Chão (1980): O nascimento do seu estilo único.

    • Memorial do Convento (1982): A consagração internacional.

    • O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984): Diálogo com Fernando Pessoa.

    • O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991): A obra da discórdia.

    • Ensaio sobre a Cegueira (1995): Reflexão brutal sobre a desumanidade.

    • As Intermitências da Morte (2005): Quando a morte decide parar.

    • John Milton (Séc. XVII): O poeta inglês ficou totalmente cego aos 43 anos. Foi através do ditado a assistentes e às suas filhas que compôs "Paraíso Perdido", um dos maiores poemas épicos da história.

    • Helen Keller (Séc. XX): Cega e surda desde os 19 meses, tornou-se uma autora e ativista mundialmente famosa, provando que a ausência de sentidos não impedia o domínio magistral da língua e do pensamento.

    • James Joyce (Séc. XX): Embora não tenha sido sempre cego, o autor de Ulisses sofreu dezenas de operações oculares e passou grande parte da vida numa "cegueira legal", escrevendo em papéis gigantes com lápis de cor para conseguir distinguir as letras.

    https://youtu.be/D7qzHE071HE?si=opENnacy1Ke16fwf

    A cegueira reclamou os olhos de Jorge Luis Borges em 1955, selando um destino ironicamente trágico: no exato momento em que era nomeado Diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, a luz apagava-se para o homem que vivia para os livros. Ele descreveu este estado como um "lento crepúsculo", uma modesta penumbra onde a cor amarela foi a última a resistir antes do domínio da noite. Longe de se render ao silêncio, Borges transformou a escuridão num gabinete de trabalho mental, povoando a sua memória com labirintos, espelhos e enciclopédias infinitas que passaria a ditar a terceiros.

    Nascido em Buenos Aires em 1899, este mestre da erudição forjou a sua identidade entre a biblioteca do pai e as vanguardas europeias, criando um universo onde a filosofia e o fantástico se fundem de forma indissociável. Mesmo sem ver o papel, a sua produção literária em obras como "O Aleph" e "Ficções" elevou-o ao estatuto de génio universal, provando que a visão interior era muito mais vasta que a realidade física. Borges encarou a perda da vista como um privilégio metafísico, uma forma de se libertar do tempo visual para se dedicar ao tempo eterno das ideias. Morreu em Genebra, em 1986, deixando ao mundo a lição de que um grande escritor não precisa de luz para iluminar o pensamento da humanidade. Over.

    "Se me fosse devolvida a vista para observar este estranho presente, creio que fecharia os olhos de imediato, preferindo a minha penumbra literária. Vejo que a política se transformou num abuso da estatística, um labirinto de espelhos onde as multidões gritam para esconder o vazio das ideias. As pátrias continuam a ser meras ficções, superstições da geografia que os homens insistem em levar a sério. Estão todos presos numa vasta enciclopédia de ruídos, onde a pressa das opiniões abafou o silêncio da sabedoria. Esta tecnologia que vos rodeia é uma nova forma de cegueira; buscam o infinito num ecrã, esquecendo que o universo já está contido numa única página bem escrita. No fim, a política é apenas o tédio de escolher entre diferentes nomes para o mesmo erro. Prefiro regressar aos meus sonhos e aos meus tigres, que são, sem dúvida, muito mais reais do que este vosso espetáculo de sombras." Over.

    "Milei é o rugido de um bárbaro que tropeçou numa biblioteca e resolveu incendiá-la por não saber ler. Esse espetáculo de fúria e motosserras não é política; é a forma mais vulgar da loucura, um delírio estatístico que tenta reduzir a dignidade do homem ao preço de uma mercadoria. A Argentina, na sua vocação suicida, decidiu adorar um espelho que apenas devolve o nosso próprio ódio e o nosso analfabetismo ético. Ele é a negação de tudo o que é civilizado, um personagem grotesco que confunde a liberdade com o direito de ser cruel. No fundo, Milei é o labirinto no seu estado mais vil: uma queda infinita no vazio, onde o grito substitui a inteligência e o caos é a única herança que deixará aos que, por desespero, decidiram acreditar num fantoche."

    Está a acontecer...

    passamos a incluir está rubrica para disponibilzar o que de mais importante está a acontecer no mundo. Faremos os links das tvs mais imoirtantes no mundo, como a BBC, Aljazera, CNN, CBS, NBC, SBT, EuroNews UOL. 

    Um dos mais importantes serviços da Imprensa é transmitir fonte fiáveis para que o leitor/espectador tenha caminhos fiáveis e fáceis


    CNN mostra que TRUMP volta a mentir em Minnesota


    ICE volta a matar depois de prender menino de 5 anos

    https://youtu.be/zKmCifYp48A?si=jgiQkzzjLJfQUnl1

    https://youtube.com/shorts/MWw76aQHHR0?si=vAOnPcne8_ywvzck

    https://youtu.be/srvczUD7Xv4?si=daPrHelEi2nsnhED

    https://youtu.be/9yr3QnUlTd0?si=_uEqHHGVYUUHP_Wr

    https://youtu.be/9TWm1EvaZyo?si=fDlC7y0yqiH98Xxi

    https://youtu.be/JSu_FmbwN2g?si=_p6b15ny5NPExsSg

    CNN mostra que TRUMP volta a mentir em Minnesota


    ICE volta a matar depois de prender menino de 5 anos

    https://youtu.be/zKmCifYp48A?si=jgiQkzzjLJfQUnl1

    https://youtube.com/shorts/MWw76aQHHR0?si=vAOnPcne8_ywvzck

    https://youtu.be/srvczUD7Xv4?si=daPrHelEi2nsnhED

    https://youtu.be/9yr3QnUlTd0?si=_uEqHHGVYUUHP_Wr

    https://youtu.be/9TWm1EvaZyo?si=fDlC7y0yqiH98Xxi

    https://youtu.be/JSu_FmbwN2g?si=_p6b15ny5NPExsSg

    no Irão continuam 

    manif. contra regime

    https://youtu.be/onHEpXEnZMI?si=ZwMDX_w3GOYVX9PY\

    https://youtu.be/d4pThtzcJIA?si=lxZWK4c20QJ5Wyvq

    "Ihpy dd pgorof !!!" 

    Se os autores portugueses não estão nas montras, como hão-de estar nos bolsos dos portugueses.  O novo livro de José Luís Peixoto saiu, mas o escaparate da livrarias Bertrand ignoram "A  "Montanha". Na Bertrand, o cenário é antigo. Lúcia Pinho e Melo dizia que as montras vinham de uma secção à parte, já nesse recuado temo, isolada do resto. Antes da Porto Editora, o sistema já era este. 

    Há uns anos editei lá em Novembro; em Dezembro, o livro era invisível em quarenta lojas. António Pinheiro mandava na programação. Fazia-a de costas voltadas para a Bertrand, com dois meses de antecedência. 

    - "Ihpy dd pgorof!!!" (impropério).

    O autor nacional é um detalhe de uma lógica cega e critério burocrático. Se a livraria é nossa, o destaque devia ser o que é nosso. O erro parece querer eternizar-se. Mas assim não se faz caminho, nem Quetzal. 

    Nova VISÃO

    Os jornalistas da Visão planeiam um negócio "prudente e realista" para os próximos dez anos. A estratégia foca-se na viabilidade económica, evitando riscos financeiros desnecessários. Atualmente, trabalham para a massa insolvente sem acumular novas dívidas no processo. Pelo contrário, o trabalho da equipa tem servido para liquidar passivos anteriores do grupo. O diretor Rui Tavares Guedes sublinha que o projeto é sustentável e economicamente possível. Apesar do esforço e dos resultados positivos, ainda existem salários em atraso por regularizar. A meta de 200 mil euros foi atingida para permitir a compra do título em leilão. Com este 

    valor, será criada uma nova empresa, gerida pelos próprios jornalistas, do zero. O objetivo final é garantir um futuro independente, livre e com estabilidade financeira.

    Cartonistas d'olho no ICE

    A Polícia Judiciária voltou a prender  elementos de um grupo nazi em Portugal. É estranho que ainda haja quem siga o nazismo. O regime de Hitler foi o Nacional-Socialismo. O Estado mandava em tudo, das empresas às fardas das SS. 

    A diferença para o comunismo era só a geografia: um nacional, o outro internacional. 

    No século XXI, a confusão persiste. Batem na mesma tecla sem ler a História.  O controlo era absoluto em ambos os lados.  Nada de novo. jrr

    As histórias que se repetem...

    Primo Levi (1919–1987)

    A propósito é oportuno lembrar Primo Levi, o "químico de Turim", judeu que foi deportado para Auschwitz em 1944, sobreviveu porque a sua profissão era útil à indústria do campo. Regressou a Itália e sentiu o dever de testemunhar. A sua escrita é exata, sem adjetivos inúteis, como um relatório de laboratório. Morreu em 1987, num prédio de Turim, num silêncio que muitos leram como queda definitiva.

    Obras principais: Se isto é um homem (1947): O relato lúcido sobre a desumanização no Lager. A Trégua (1963): A longa e errante viagem de regresso a casa. O Sistema Periódico (1975): A vida contada através dos elementos químicos. Os Afundados e os Sobrevividos (1986): Ensaio final sobre a zona cinzenta da moral humana.

    Tesouros do Scheikh Al Thani estão em Paris 

    .

    Muitas jóias são eternas, podemos falar sempre delas, e por isso vaie lembrar a inauguração da mostra "Tesouros da India: Jóias da Colecção de Al-Thani" no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, que pude presenciar

    Uma exposição lindíssima com cerca de sessenta jóias, provenientes da colecção privada formada pelo Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, que apresentou a evolução dos estilos das artes joalheiras na Índia desde o período Mogol até os dias actuais, com destaque nas trocas posteriores com o Ocidente.

    https://youtu.be/h8pOKAsc6ao?si=unB7IuFG7Z1Cp5Fz

    Pude ver as jóias indianas incríveis do início do século XVII até à actualidade, que destacou como a Europa foi influenciada pela técnica e estética indiana e vice-versa. Os marajás sempre amaram e ostentaram jóias. É lógico que para mostrar o seu poder e opulência, mas, apesar do excesso, a beleza e elegância das suas pedras preciosas, tornaram estas jóias sublimes.

    Nesta exposição fiquei conheci o dono da colecção o Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, Príncipe do Qatar , onde lhe disse que tinha ficado encantada com as suas peças expostas. O Príncipe convidou-me para ir ao seu país visitar um dos seus museus onde está a maior colecção de pérolas e confidenciou-me que iria adquirir um edifício em Paris para expor estes tesouros.

    Voltei a ver os "Tesouros da Colecção Al Thani" já no Hotel de la Marine, em Paris, expostos permanentemente em quatro galerias do edifício histórico. A colecção inclui 120 obras de arte excepcionais, desde a Antiguidade até ao século XIX.

    O Hotel de la Marine está localizado na Place de la Concordeeste e acolhe também uma série bienal de exposições temáticas e empréstimos individuais de museus internacionais.

    O espaço museológico é o resultado de um acordo de longo prazo entre a Fundação da Colecção Al Thani e o Centre des Monuments Nationaux (CMN), responsável por este edifício histórico emblemático.

    Agora o Hotel de la Marine volta a ser uma vitrine destes tesouros principescos.

    .

    O Sheikh Hamad bin Abdullah Al Thani contou-me que a sua "família tem um grande afecto pela França e pelo seu patrimônio cultural e por isso apresentar a Colecção Al Thani no coração de Paris tem um significado especial" para ele".

    Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani

    Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani é um membro da família real do Qatar, conhecido pela sua ligação com a arte e colecções de valor, mas não é o governante actual. O governo do país é exercido pelo seu primo Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, filho do ex-Emir H amad bin Khalifa Al Thani que abdicou em 2013.

    O Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani é agora mais conhecido como coleccionador de arte e antiguidades, particularmente de peças indianas e islâmicas. Peças das sua colecção já foram expostas no Museum of Islamic Art (MIA), Doha, Qatar, no Metropolitan Museum of Art, New York e no Victoria and Albert Museum (V&A), London.

    O director da coleção do Sheikh Abdullah bin Hamad Al Thani "Desde o início, o Sheikh, Amin Jaffer, disse não fazer sentido reproduzir uma experiência de museu que já tenha sido feita". "O Sheikh tem uma visão definida, um gosto apurado e um amor por determinadas formas de arte, mas também tem interesses universais.

    "Nunca o ouvi dizer que o Sheikh Al Thani não se interessasse por algo," disse Amin Jaffer

    Os leitores ao visitarem Paris não percam uma ida ao Hotel de la Marine para admirar estes magníficos tesouros do príncipe da família real do Qatar, um homem , um grande mecenas, cheio de amor à joelharia e a todas as formas de belas artes.o.

     Sacerdotisas do amor

    Ao entrar, de madrugada, na rua onde vivia (zona de fecunda prostituição), Natália Correia abria a janela do carro e exortava, "meninas, não se deixem humilhar, lembrem-se que são sacerdotisas do amor!"

    Logo era rodeada de estrídulas afectuosidades das prostitutas, dos prostitutos, dos travestis, dos chulos, dos vadios, dos guardas-nocturnos, todos rendidos ao incitamento da "senhora poeta" a falar-lhes como ninguém lhes falava – os elevava.

    Quase ao mesmo tempo, outro poeta de provocações, Jorge de Sena, perguntava através dos jornais (Diário Popular, Agosto de 1975), nessa altura bastante mais ousados do que hoje, "se se faz amor por tanta coisa, porque não faze-lo por dinheiro?"; e reivindicava "o direito de todo o ser humano à liberdade de se relacionar intimamente com quem quiser ou puder, desde que mutuamente consentido, independentemente do sexo, da idade, do número, do parentesco". 

    "Se não fossem os profissionais do sexo, que seria dos velhos, dos disformes, dos tímidos?" E de seguida defendia "a gratuitidade da pornografia para os que não podem comprar pessoas como os ricos".

    Quando a política (a religião, a justiça, a moral) entra na cama das pessoas dá asneira, porque jamais acabará - como mostra a natureza humana - a (considerada) profissão mais velha do mundo.


    Salazar, que não era muito puritano, regulamentou-a por entende-la um serviço público, medicamente assistido, até que, contrariado, a ilegalizou devido a pressões de senhoras do Movimento Nacional Feminino cuja acção lhe convinha dada a guerra colonial.A um amigo confidenciaria, resignado, "bom, elas podem tornar-se patrioticamente úteis em África a consolar os nossos rapazes!"

    Jorge Sena rematava, "se a vocação dos portugueses é serem prostitutos, como mostra a história, por que razão as prostitutas não podem sê-lo?"

     A Milão do quarto de hora


    Apercebi-me à minha quarentena de anos que, quando em viagem, em vez de ir voltava ao lugar. Que escolhia a nostalgia em vez do exotismo, os favores do regresso em vez da curiosidade. E tinha os meus achaques. Em Milão, por exemplo, vadiava em fidelidade pela igreja de Santa Maria delle Grazie. é onde está o fresco do Da Vinci, 'A Última Ceia'. 

    De passar por uma trindade de portas calafetadas, do marmanjo me dizer: 'respire, mas devagar'. De ciclicamente haver um novo restauro por conta do Leonardo se ter posto ao fresco e, julgava ele, se ter pirado a tempo. 

    E quando lá volto começo pela parede oposta, a 'Crocifissione' do Monfortano (1460-1502) a que ninguém liga patavina. Lembra-me o marmanjo dos museus do Vaticano cujo trabalhinho era dizer 'ssshhh, ssshhh' dez vezes por minuto à malta que com perigo de torcicolo sem se calar se espantava com o tecto da Sistina. 

    E reclamava ele: "qual é a parte da palavra 'capela' que vocês não percebem?!". Aquilo a que a mais nova das minhas sobrinhas (Mendes Solnado de apelido, que lá por casa não brincamos em serviço) acenando a mão à frente da cara como um pára-brisas chama o 'momento daaahaaa'.

    O último livro de...  

    José Luis Peixoto

    "andei de porta a porta"

    José Luís Peixoto nasceu em Galveias, no Alentejo, em 1974, sendo um dos autores de maior destaque na literatura portuguesa contemporânea. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas e foi professor em Portugal e Cabo Verde antes de se dedicar profissionalmente à escrita em 2001. 

    O seu primeiro livro foi edição de autor e confidenciou: "andei de porta a porta a vender cada um dos 500 exemplares impressos"

    Aos 27 anos, tornou-se o mais jovem vencedor do Prémio Literário José Saramago com o romance Nenhum Olhar. A sua obra, que abrange romance, poesia, teatro e crónicas, está traduzida em mais de 30 idiomas. 

    Ao longo da carreira, recebeu distinções internacionais como o Prémio Oceanos e o Prémio de Melhor Tradução no Japão. É reconhecido pela sua escrita profundamente emocional e pela forma como retrata o mundo rural e as relações humanas. A sua polivalência leva-o também a colaborar em projetos musicais e de literatura de viagens. É hoje uma das vozes mais consolidadas e premiadas da sua geração.

    Último Livro: O livro mais recente de José Luís Peixoto intitula-se "A Montanha", publicado em outubro de 2025. Trata-se de um romance que aborda temas como a doença e a humanização do cancro, tendo como um dos cenários o IPO Porto.


    A morte do pai

    A Montanha, publicado em 2025, este romance é uma obra de profunda humanidade que aborda o tema do cancro. A narrativa centra-se na experiência de pacientes e profissionais de saúde, focando-se no IPO Porto. Peixoto utiliza a metáfora da "montanha" para descrever o desafio árduo e solitário da doença. 

    O autor afasta-se do estigma da morte para se focar na dignidade da vida e na resiliência. As personagens cruzam-se em corredores de hospital, partilhando medos, esperanças e memórias. A escrita é sensível, poética e procura humanizar o processo de tratamento e cura. O livro destaca a importância da empatia e do apoio mútuo em momentos de grande fragilidade. É uma homenagem à coragem de quem sobe essa montanha e a quem os ajuda no caminho.

    O novo livro de...  

    João Tordo lança

    "O Inventário da Solidão"

    João Tordo

    João Tordo nasceu em Lisboa em 1975, formando-se em Filosofia antes de estudar Escrita Criativa em Nova Iorque. Venceu o prestigiado Prémio José Saramago em 2009 com o romance "As Três Vidas", afirmando-se na literatura. 

    A sua obra é marcada pela densidade psicológica, explorando temas como a memória, a culpa e a redenção. Transita com sucesso entre o romance literário profundo e o thriller policial, como na série de Pilar Benamor. Trabalha também como guionista, cronista e formador de escrita criativa, influenciando novas gerações de autores. 

    Com livros traduzidos em várias línguas, é uma das vozes portuguesas mais lidas e reconhecidas internacionalmente. É considerado um dos escritores mais prolíficos e consistentes da sua geração, com uma vasta lista de sucessos.

    https://youtu.be/mlTl94498S4?si=dNqKwmvk9veo9D9W

    O inventário da solidão

    O reencontro de quatro amigos na Irlanda para o funeral de uma antiga colega serve de mote a este romance introspectivo.  A narrativa confronta o passado de juventude com o isolamento da maturidade, explorando segredos guardados e o impacto do tempo nas relações humanas. 

    Através de uma atmosfera melancólica, a obra faz um balanço psicológico das feridas invisíveis e da solidão que cada um transporta.

    https://youtu.be/AVFSIOGuMRY?si=0UayykjkfZS2Mm3S

    Tordo

    João Tordo 

    "pedinte" em New York


    Um facto curioso e muito marcante na vida de João Tordo é que, antes de se tornar um dos escritores mais lidos de Portugal, ele viveu em Nova Iorque num estado de quase total isolamento e precariedade financeira.

    Durante esse período, João Tordo trabalhava em empregos temporários e chegava a passar dias sem falar com ninguém, focando-se obsessivamente na escrita. Esse estilo de vida solitário e a experiência da "cidade grande" que ignora o indivíduo influenciaram profundamente a sua obra, incutindo nos seus livros aquela densidade psicológica e melancolia que hoje são a sua marca registada. 

    Ele próprio costuma dizer que foi nessa "solidão produtiva" que aprendeu a disciplina necessária para escrever os seus romances.Curiosamente, foi também o primeiro autor português a ser selecionado para o prestigiado International Writing Program da Universidade de Iowa, um dos mais importantes do mundo para escritores.

    https://youtu.be/fOenE75ETkw?si=ES0pAGf811sA8BCu

    Concerto Lisboa, Teatro Aberto


    A Orquestra Sinfónica Portuguesa sobe ao palco do Teatro Aberto, no dia 24 de janeiro, para um concerto memorável, que une a luminosidade clássica à intensidade do romantismo. Um espetáculo repleto de momentos de grande emoção e virtuosismo, sob a direção de Pedro Neves.

    «Este concerto explora muito o potencial da flauta, não só a nível virtuosístico, como a nível também da expressividade. É um concerto que também vive - e é isso que me fascina muito - da imprevisibilidade. De repente, há momentos muito dramáticos, mas também, por outro lado, surgem momentos de uma grande simplicidade, leveza, ingenuidade, inocência infantil. Todas estas características deste concerto trazem, para mim, uma energia fantástica.»

    A opinião dos Cartoonistas americanos

    Lula conviado para Conselho de Gaza

    O genocídio da Palestina

    O video da menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. 


    O plano de Trump para Gaza e a Cisjordânia está agora também dependente do Brasil. Lula da Silva foi convidado inesperadamente para um Conselho para a Paz em Gaza por Donald Trump.


    https://youtu.be/jH9UZlGaYRI?si=JhPBqi-oNw8VvgrK

    https://youtu.be/PslOp883rfI?si=FXkjwp3oWa7s6FVA

     Quando a liberdade corre perigo

    Em poucas palavras, Santo Agostinho ensinava que a verdade se defende sozinha, enquanto Churchill via no populismo o combustível para a tirania. 

    Quem se esconde atrás de palavras fáceis foge da realidade para impor o controlo. O discurso populista não procura esclarecer, mas sim camuflar a sede de poder absoluto através da manipulação das massas.

    A ditadura alimenta-se da erosão da linguagem honesta. Quando a retórica substitui os factos, a liberdade corre perigo imediato. Para ambos os pensadores, a palavra vazia é a ferramenta predileta de quem teme a verdade.  No fundo, a imposição do autoritarismo começa sempre no silêncio de quem aceita a mentira como solução. Desmascarar o populismo é o primeiro passo para preservar a dignidade e a autonomia individual. (cartoon de zé bandeira). jrr

    Niviaq o pior ainda não passou

    O pior ainda não passou, considera a escritora da Gronelândia Niviaq Korneliussen que encara Trump como um monstro, uma figura que representa uma ameaça neocolonial absoluta. Ele tenta tenta desumanizar o povo gronelandês ao reduzir o seu território a um simples ativo imobiliário ou estratégico.

    Em 2026, a escritora assumiu-se como uma voz central na resistência contra o projeto Golden Dome, denunciando que a retórica de compra e as pressões económicas de Washington ignoram a soberania inuit. Através da sua escrita visceral, Niviaq reafirma que a Gronelândia não é uma mercadoria em disputa geopolítica, mas uma nação com direito inalienável à autodeterminação. Ela é o radar moral para lembrar ao mundo que a dignidade da sua terra jamais estará à venda.

    Niviaq a voz famosa da literatura da Gronelândia 


    Niviaq Korneliussen: Atualmente é a voz mais famosa da Gronelândia no exterior. Em 2021, tornou-se a primeira autora gronelandesa a vencer o prestigiado Prémio de Literatura do Conselho Nórdico com o livro Naasuliardarpi (Vale das Flores). As suas obras exploram temas como a identidade jovem, sexualidade e os traumas pós-coloniais.

    Niviaq Korneliussen nasceu a 27 de janeiro de 1990 em Nuuk e cresceu em Nanortalik, uma pequena cidade no sul da Gronelândia. Filha de Arnaq e Jens Korneliussen, cresceu numa família com duas irmãs.

    Ao nível académico, estudou Ciências Sociais na Universidade da Gronelândia (Ilisimatusarfik) e, mais tarde, Psicologia na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, embora tenha acabado por interromper os estudos para se dedicar à escrita. A sua carreira literária começou em 2012, quando venceu o concurso de contos para jovens Allatta! (Vamos Escrever!).

    Em 2021, tornou-se a primeira escritora gronelandesa a vencer o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico, o galardão literário mais prestigiado da região nórdica. Atualmente reside em Nuuk.

    Naasuliardarpi / Blomsterdalen (2020) Título em português: "A Vale das Flores" (tradução livre). Resumo: Esta obra valeu-lhe o Prémio do Conselho Nórdico. Contada a partir da perspetiva de uma protagonista sem nome, a história mergulha num tema profundamente sensível na Gronelândia: 

    o suicídio entre os jovens. O livro explora o luto, os traumas geracionais e a sensação de isolamento, descrevendo uma sociedade onde quase todas as famílias são tocadas pela perda, mas onde o silêncio e a falta de recursos para a saúde mental ainda persistem.

    Dos mortos do dia

    Não é que em data oficial de defunto eu espere que a chuva graúda dê a boiar as almas perdidas, como se chegadas tarde a um encontro prometido. Aos mortos confunde-me não saber se me tomavam por faltoso fosse a história contada do avesso, como é certinho que um destes dias será. A segunda à esquerda, acho eu. Ou a primeira à direita.

    Lembro-me de haver uma rotunda mas não sei se era só para confundir. Ou se as voltas foram feitas para trocar o destino ou se assim devo chegar a outro lugar, diferente daquele do qual parti nesse começo apontado a nenhures. Que ir faz mais sentido que ter de voltar. 

    'És um parecido entre os desaparecidos', como uma miúda em tempos idosos teve no sítio para dizer da minha alegada condição. Gosto que chova, que me resvale na careca o aguaceiro, que bufem perdigotos de gelo enquanto conto os metros até chegar a casa. 

    A de alguém, em me faltando uma que me chame pelo nome como se em teimosia o sítio só proclamasse os nevões.

    De não esperar melhor paragem que o último bairro. E sabendo eu rir da matreirice pregada ao mais cabotino dos fados, não haver um pingo de sentido numa verdade desse tamanho. E que só no fim fique quieto, no lugar onde deveria ter ficado em pulgas.

    A hora de unir 

    a Europa

    O farol da América definha; a chama de Woodstock e Selma apagou-se com Trump. O mundo já não é um subúrbio de Nova Iorque e a Europa não pode ser o joguete de um império cansado.

    É hora de redescobrir o nosso cinema, a nossa cultura e a força da nossa federação. Com tecnologia de ponta e uma defesa soberana, garantiremos que a nossa paz não seja um favor alheio. 

    O choque de Trump forçou-nos a regressar felizmente a Monnet e Schuman: uma Europa livre e unida. Por isso, gratos estamos a Trump.

    A opinião dos Cartoonistas americanos

    A opinião dos Cartoonistas americanos

    Senhores juízes que não molhais

    Os numes nos nomes

    Não por acaso Natália me puseram:/ minha mãe que era fada lá sabia./ Posta a graça ao afino do mistério/ para estar sempre a nascer é que eu nascia.

    Da avó que era louca veio o Rego/ em conduta dos anjos que ela via./ Desvairanças aladas bom emprego/ são, se herdadas em grão de poesia.

    Pelo avô, do matagal de nomes, sai-me o Raposo./ Aqui ninguém me apanha./ Inomeável três vezes é o Esposo,/ para fazer de solteira há que ter manha.

    Também não é fortuita a oliveira/ de folhas de ouro no meu nome oclusa:/ a alma é paz de ideias à lareira/ que o pudor em mau génio não acusa.

    E medeiros, medeiros quantas medas/ de trigo sideral para que em signo/ apurada a espiga entre as estrelas/ fecundo seja meu trigal de Virgo.

    Vem por fim a justiça na Correia:/ perdoar vendilhões só a chicote./ Absolva-os a Virgem que faz meia./ Não eu. Adivinhai-me. Eu dei o mote.

    A defesa do poeta

    Senhores jurados sou um poeta
    um multipétalo uivo um defeito
    e ando com uma camisa de vento
    ao contrário do esqueleto.

    Sou um vestíbulo do impossível um lápis
    de armazenado espanto e por fim
    com a paciência dos versos
    espero viver dentro de mim.

    Sou em código o azul de todos
    (curtido couro de cicatrizes)
    uma avaria cantante
    na maquineta dos felizes.

    Senhores banqueiros sois a cidade
    o vosso enfarte serei
    não há cidade sem o parque
    do sono que vos roubei.

    Senhores professores que pusestes
    a prémio minha rara edição
    de raptar-me em crianças que salvo
    do incêndio da vossa lição.

    Senhores tiranos que do baralho
    de em pó volverdes sois os reis
    sou um poeta jogo-me aos dados
    ganho as paisagens que não vereis.

    Senhores heróis até aos dentes
    puro exercício de ninguém
    minha cobardia é esperar-vos
    umas estrofes mais além.

    Senhores três quatro cinco e sete
    que medo vos pôs por ordem?
    Que favor fechou o leque
    da vossa diferença enquanto homem?

    Senhores juízes que não molhais
    a pena na tinta da natureza
    não apedrejeis meu pássaro
    sem que ele cante minha defesa.

    Sou um instantâneo das coisas
    apanhadas em delito de perdão
    a raiz quadrada da flor
    que espalmais em apertos de mão.

    Sou uma impudência a mesa posta
    de um verso onde o possa escrever.
    Ó subalimentados do sonho!
    A poesia é para comer

    Minnesota volta a cantar o seu Bob Dylan

    "Blowin' in the Wind"

    O Minnesota continua a arder de frio e fúria. Na terra de Bob Dylan, o vento não traz respostas, traz gelo. Bovino, o chefe do Ice que se vestia à nazi, foi despromovido por Trump. Deixou o Minnesota rumo à fronteira no México. Em Minneapolis, as ruas recordam ainda o rapaz de Hibbing que pedia paz em Blowin' in the Wind: Bob Dylan.

    https://youtu.be/ptVP-aWR90U?si=7Fo5TtozIFi9-iwI

    https://youtu.be/MYmgsMs5nJM?si=Ol9mXVDlopQl_8Jt

    Bovino chefe do Ice em Minnesota foi afastado e enviado para uma fronteira copm o México

    https://youtu.be/T-b3vkHHLJM?si=YL2rTgfEpNNbaD5j

    https://youtu.be/PKA5d2odwSs?si=s8EQHMsO6yLHzAvX

    O hotel que abriga os homens do ICE, a polícia migratória de Trump, tornou-se o alvo. Manifestantes continuam a cercar o edifício, partem os vidros e exigem a saída dos agentes federais. O presidente recuou no tom, fala agora em revisão.

    https://youtu.be/QDwfgGo6efw?si=UME23-V4wtfNjvxy

    O hotel onde os homens do ICE estão alojados tem sido alvo das pedras e da fúria. A polícia de imigração continua sitiada. Na terra de Bob Dylan, a paz de que ele falava não existe. O gelo deste inverno não arrefece a revolta nas ruas.

    O Minnesota parou. Escolas fechadas, lojas vazias  e as manifestaçóes continuam. 

    Dylan, Baez & Minnesota  


    Bob Dylan, o icónico vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2016, nasceu no Minnesota, um estado que moldou a sua essência antes de ele conquistar o mundo com as suas letras. A sua relação com a liberdade manifesta-se na recusa constante em ser rotulado ou aprisionado por expectativas alheias. Embora as suas canções tenham sido hinos de movimentos civis, Dylan rapidamente se libertou do papel de "porta-voz" para seguir uma busca artística puramente individual e camaleónica.

    Música popular elevada a Nobel

    Essa autonomia radical foi evidente quando foi anunciado o seu Nobel: o seu silêncio inicial foi o derradeiro ato de independência, provando que nem a maior honra académica ditaria as suas regras. Ao ser premiado por criar novas expressões poéticas na tradição da canção americana, Dylan elevou a música popular a um patamar literário sem precedentes. 

    Contudo, a sua verdadeira liberdade reside no facto de continuar a ser um eterno nómada, cuja arte nunca pertenceu a instituições, mas sim ao espírito livre que transportou desde as suas origens no Minnesota até aos palcos globais.

    Dylan vence  

    Nobel e Pulitzer

    A obra de Bob Dylan é um vasto oceano que redefine a fronteira entre a música e a literatura. Na sua discografia, destacam-se álbuns fundamentais como The Freewheelin' Bob Dylan, que o estabeleceu como a voz da consciência social, e a trilogia elétrica composta por Bringing It All Back Home, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. É nestes discos que encontramos hinos imortais como "Blowin' in the Wind", "Like a Rolling Stone" — eleita por muitos como a melhor canção de todos os tempos — e a épica "Desolation Row".

    Na década de 70, Dylan entregou a sua obra-prima sobre o fim do amor, Blood on the Tracks, com temas como "Tangled Up in Blue", além do icónico "Knockin' on Heaven's Door". A sua bibliografia é igualmente rica, destacando-se Crónicas: Volume Um, as suas memórias fragmentadas, e The Lyrics, que compila décadas de escrita poética. 

    O reconhecimento máximo da sua escrita chegou com o Prémio Nobel da Literatura e o Prémio Pulitzer Especial. Com canções como "Hurricane", "Make You Feel My Love" e a recente "Murder Most Foul", Dylan prova que a sua discografia é um testamento vivo da história moderna.

    Duas semanas 

    de silêncio absoluto

    A demora de Bob Dylan em aceitar o Nobel da Literatura de 2016 deveu-se, em grande parte, à sua natureza reservada e à aversão ao circo mediático. 

    Durante duas semanas, Dylan manteve um silêncio absoluto, ignorando as chamadas da Academia Sueca, o que levou alguns membros a classificarem a sua atitude como "arrogante".

    Senhor do Pandeireiro (Mr. Tambourine Man)

    Um exemplo da sua fase mais surrealista e simbólica, onde o poeta pede para ser levado por uma viagem através da imaginação e do ritmo, libertando-se da realidade.

    Leva-me a passear por entre as ondas prateadas/ Onde o meu cansaço foi enterrado nas areias 

    Sob as árvores que sussurram sob a luz da lua/ Deixa-me esquecer o dia e o amanhã/ Deixa-me dançar sob o céu de diamantes. Com uma mão a acenar livre Silenciado pelas sombras da noite.

    Quando finalmente quebrou o silêncio, o músico confessou ter ficado "sem palavras" com a distinção. No entanto, recusou-se a comparecer à cerimónia oficial em Estocolmo, alegando "compromissos pré-existentes". 

    Recebeu Nobel em sessão privada

    Dylan acabou por aceitar a medalha e o diploma meses depois, numa cerimónia privada e sem imprensa, enviando posteriormente o seu discurso obrigatório gravado em áudio — entregando-o no limite do prazo para poder receber o prémio monetário.

    Robert Allen Zimmerman, mundialmente conhecido como Bob Dylan, nasceu em 1941 no Minnesota, onde a sua jornada artística começou a ganhar forma através da poesia e do folk. Em 1961, mudou-se para Nova Iorque e rapidamente se tornou o rosto da contracultura com hinos como "Blowin' in the Wind". Ao longo de seis décadas, Dylan reinventou-se constantemente, fundindo o rock com a profundidade literária e explorando géneros que vão do blues ao gospel.

    50 álbuns e 600 canções

    A sua genialidade na escrita foi imortalizada em 2016, quando se tornou o primeiro músico a vencer o Prémio Nobel da Literatura. Com mais de 50 álbuns e 600 canções, Dylan não é apenas um cantor, mas um cronista da alma humana que elevou a composição popular ao estatuto de alta arte. Mesmo sendo uma lenda viva, mantém-se fiel à sua liberdade, continuando a percorrer o mundo na sua icónica "Never Ending Tour".o de estagnação em que a sociedade se encontrava

    Bob Dylan e Joan Baez: 

    um romance escladante

    A relação entre Bob Dylan e Joan Baez foi a união mútua do "rei e rainha" do folk nos anos 60. Baez, já famosa, impulsionou a carreira de Dylan ao partilhar o palco com ele, unindo-os numa paixão intensa pela música e pelo ativismo.

    Contudo, o romance desgastou-se quando Dylan rejeitou o rótulo de cantor de intervenção para explorar o rock. A rutura definitiva na digressão de 1965 deixou mágoas, mas o laço artístico sobreviveu. Joan imortalizou essa nostalgia no clássico "Diamonds & Rust".

     Resposta Está no Vento (Blowin' in the Wind)

    Este poema questiona a natureza humana e a indiferença perante a injustiça, usando metáforas naturais para sugerir que a solução é óbvia, mas difícil de alcançar.

    Quantas estradas deve um homem caminhar/ Antes que o chamem de homem?/ Quantos mares deve uma pomba branca cruzar Antes de dormir na areia?/ Sim, e quantas vezes devem as balas de canhão voar/ Antes de serem proibidas para sempre? A resposta, meu amigo, está a soprar no vento/ A resposta está a soprar no vento.

    Morte de Renee, 

    a poetisa

    continua a pesar no Minnesota

    https://youtu.be/5SafgHV2wLM?si=jVGNVphQ4fno-QpX

    A morte de Renee Nicole Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos e poetisa continua a ser lembrada nos protestos no estado americano do Minnesota. Renne foi morta com 3 tiros por um agente do ICE. Os tiros foram disparados quando ela dirigia o seu carro, após ter deixado o filho na escola. 

    https://youtu.be/sBycNteysfU?si=DJ1IES9mi7nWCPq-

    O video do New York Times mostra a forma brutal como o agente do ICE disparou 3 tiros, 2 deles pela janela lateral matando Renee.

    O governo alegou que ela agiu como "agitadora" e que tentou usar o veículo contra os agentes durante uma operação. Os vídeos de testemunhas contestam essa versão, mostrando que o carro se afastava quando os disparos foram feitos. 

    Renee foi descrita pela família como uma poetisa carinhosa e sem qualquer historial criminal. O episódio é visto como um dos momentos mais críticos da política de imigração de Trump


    https://youtu.be/o5asV1sFl50?si=O06jv1JZcsWlvygH

    A  morte dde Renee continua a gerar uma onda de protestos e reacendeu debates sobre o uso de força letal por agentes federais e a imunidade destes perante leis locais. O FBI assumiu a investigação, o que causou tensão com as autoridades de Minnesota, que pediam transparência. 


    Menino do Minnesota foi libertado


     O juiz federal do Minnesota determinou, que um menino de cinco anos e o seu pai fossem libertados até terça-feira de um centro de detenção no Texas. A família tinha sido detida por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) no Minnesota, numa operação que gerou fortes críticas à política de imigração do governo Trump.

    O impacto público do caso foi amplificado por imagens de Liam Conejo Ramos. As fotografias do menino, que usava um chapéu de coelho e uma mochila do Homem-Aranha enquanto era cercado por agentes federais, tornaram-se um símbolo de indignação contra as medidas de repressão migratória no Minnesota.

    Na sentença, o juiz distrital Fred Biery, de San Antonio — nomeado originalmente por Bill Clinton —, não poupou críticas à estratégia governamental. Biery afirmou que o caso é fruto de uma "busca mal concebida e incompetente" por cumprir quotas diárias de deportação, sublinhando que tal abordagem foi levada a cabo "mesmo que isso signifique traumatizar crianças".

    Gaza: fronteira abre a 50/dia 

    Irão: Trump diz que Irão pede acordo

    https://youtu.be/7wup1J851g4?si=lvQD7RGjDi6k5Cl6

    Irão: gigantesca explosão 

    https://youtu.be/tbYfErGjHwI?si=U9b9Xwurk5FfSnQD


    Irão: fortes explosões em várias cidades 

    https://youtu.be/Gc5B7OL5wM8?si=egg_MvwF2sB5gyIC


    Ucrânia: Russia corta luz a -10º

    https://youtu.be/VRlTgydbu98?si=wqd-w1AgBxgoyOmb

    Gaza: Trump fala em nome do Ham*s 

    https://youtu.be/mqvmAmPm9D4?si=UmqWTKev7yIWXPDj

    Irão à espera de invasão americana

    https://youtu.be/jOF0Fd7aKqk?si=f2xg87qxfVeSbU_3

    Ucrânia: Putin e Trump em linha

    https://youtu.be/mqvmAmPm9D4?si=UmqWTKev7yIWXPDj

    Sudão: a guerra que ninguém fala

    https://youtu.be/guh_NYp3SrM?si=tGM93dsBypUH5lVZ


    Sudão: um horror sem fim

    https://youtu.be/guh_NYp3SrM?si=tGM93dsBypUH5lVZ


    Menino do Minnesota foi libertado


     O juiz federal do Minnesota determinou, que um menino de cinco anos e o seu pai fossem libertados até terça-feira de um centro de detenção no Texas. A família tinha sido detida por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) no Minnesota, numa operação que gerou fortes críticas à política de imigração do governo Trump.

    O impacto público do caso foi amplificado por imagens de Liam Conejo Ramos. As fotografias do menino, que usava um chapéu de coelho e uma mochila do Homem-Aranha enquanto era cercado por agentes federais, tornaram-se um símbolo de indignação contra as medidas de repressão migratória no Minnesota.

    Na sentença, o juiz distrital Fred Biery, de San Antonio — nomeado originalmente por Bill Clinton —, não poupou críticas à estratégia governamental. Biery afirmou que o caso é fruto de uma "busca mal concebida e incompetente" por cumprir quotas diárias de deportação, sublinhando que tal abordagem foi levada a cabo "mesmo que isso signifique traumatizar crianças".

    Gaza: fronteira abre a 50/dia 

    Irão: Trump diz que Irão pede acordo

    https://youtu.be/7wup1J851g4?si=lvQD7RGjDi6k5Cl6

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    https://youtu.be/tbYfErGjHwI?si=U9b9Xwurk5FfSnQD


    Irão: fortes explosões em várias cidades 

    https://youtu.be/Gc5B7OL5wM8?si=egg_MvwF2sB5gyIC

    https://youtu.be/VRlTgydbu98?si=wqd-w1AgBxgoyOmb

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    https://youtu.be/mqvmAmPm9D4?si=UmqWTKev7yIWXPDj

    Irão à espera de invasão americana

    https://youtu.be/jOF0Fd7aKqk?si=f2xg87qxfVeSbU_3

    Ucrânia: Putin e Trump em linha

    https://youtu.be/mqvmAmPm9D4?si=UmqWTKev7yIWXPDj

    Sudão: a guerra que ninguém fala

    https://youtu.be/guh_NYp3SrM?si=tGM93dsBypUH5lVZ